LIP – O aprendizado de várias línguas

Texto original publicado em francês pelo site Naître et Grandir e traduzido para o português por Fernanda Aguilar (contribuinte do mês para o blog Brasileirinhos)

Sempre ouvimos que as crianças são como esponjas e que podem facilmente aprender outras línguas. É verdade, desde que elas sejam expostas a contextos variados e motivadas a aprender.

O desenvolvimento da linguagem de crianças expostas à duas línguas
O período pré-escolar é propício à aprendizagem de línguas por causa da capacidade de adaptação do cérebro da criança. Além disso, crianças pequenas distinguem e reproduzem os sons mais facilmente. Isso permite que elas falem sem sotaque.

Alguns pais acreditam que a aprendizagem de mais de uma língua causa problemas de linguagem em seus filhos. Isso não é verdade. Estudos recentes demonstram que a aprendizagem de duas ou mais línguas não provoca nem agrava problemas de linguagem que já existam.

Desta forma, uma criança que é exposta frequentemente a 2 línguas desde o nascimento, fala suas primeiras palavras geralmente por volta de um ano e faz combinações (ex.: bola caiu) entre 18 e 24 meses. Da mesma forma, uma criança de 5 anos que é exposta regularmente a duas línguas terá um desenvolvimento da linguagem semelhante as que falam uma só língua.

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No entanto, é bastante comum que uma criança bilíngue não tenha a mesma fluência nas duas línguas. Por exemplo, ela pode produzir frases melhor construídas em uma língua e utilizar um vocabulário mais preciso e mais rico em outra língua. O importante é considerar o conjunto das frases e palavras produzidas nas duas línguas. É desta maneira que podemos avaliar se o desenvolvimento da linguagem de uma criança bilíngue é normal, e não avaliando as competências linguísticas de somente uma língua.

A criança pode misturar as duas línguas em uma mesma frase quando ela não conhece a palavra. Isso é um fenômeno normal que observamos também em adultos bilíngues. Não é necessário preocupar-se. O domínio da língua pode variar e mudar com o tempo, dependendo do contexto no qual a criança a utiliza e das pessoas a quem se dirige.

Desta forma, ela pode utilizar e dominar melhor uma língua mais cedo do que a outra durante algum momento de sua vida (ex. língua falada em casa aos 4 anos) e ter um melhor domínio na segunda língua em uma outra fase (ex. no segundo ano primário).

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Aprender 2 línguas: as influências
Muitos fatores influenciam a aprendizagem de duas línguas e a escolha da língua falada pela criança: a idade, o tempo de exposição, o status destas línguas no país de adoção, etc. Ainda assim, pouco importa o contexto ou ambiente no qual a criança se desenvolve, o importante é que os pais demonstrem um sentimento de orgulho e adotem uma atitude positiva frente à utilização dessas línguas. Desta forma, a criança desejará aprender cada vez mais.

Por outro lado, é necessário também lembrar que as crianças bilingues são, acima de tudo, crianças com suas próprias personalidades, necessidades e preferências, e que elas podem fazer a escolha de uma língua ao invés da outra, independente da vontade da família.

O imigrante recém chegado e a apredizagem do francês
Para favorecer o desenvolvimento da linguagem de uma criança o mais importante é falar sobre assuntos do cotidiano. Para os pais imigrantes que falam pouco francês, é preferível falar com seus filhos na língua materna. Desta forma, eles estarão provavelmente mais preparados a falar com seus pequenos. Além disso, quanto mais a criança dominar a língua materna, mais ela terá facilidade de aprender uma nova língua.

Uma base sólida na língua materna ajudará a criança a dominar melhor a língua aprendida no maternal ou na escola.

Se a criança frequenta uma escola francófona, ela percebe que as professoras e as outras crianças não a compreendem quando ela fala em sua língua materna. É então possível, no começo, que ela fale muito pouco ou nada durante um curto período de tempo.

Pouco a pouco, ela começa a compreender as palavras, depois as frases que ela escuta. Para se fazer compreender, ela utiliza gestos, depois palavras. Com o tempo, ela será capaz de fazer frases curtas, podendo ser às vezes mal construídas.

Em geral, uma criança é capaz de ter uma conversa com outra da mesma idade depois de 1 à 3 anos de exposição regular e diversificada à uma nova língua. Observamos o mesmo quando uma criança entra na escola sem falar francês.

Estratégias para desenvolver a aprendizagem de uma outra língua
Para que uma criança possa se comunicar fluentemente em duas línguas, ela deve escutá-las freqüentemente e ter a oportunidade de falar.

Em algumas comunidades, a aprendizagem se faz naturalmente se as línguas em questão são igualmente faladas e se a criança está em contato com diferentes pessoas de sua família ou de conhecidos que falem uma das línguas ou as duas.

Ler histórias para seu filho em diferentes línguas que o cercam é um meio eficaz e divertido de estimular sua linguagem.

Se um dos pais fala francês e o outro a língua minoritária, é importante multiplicar as ocasiões onde a criança é exposta à língua minoritária. É necessário adotar uma atitude positiva em relação a esta língua para favorecer sua aprendizagem porque as crianças compreendem desde cedo que uma de suas línguas não é muito utilizada fora de sua casa. Como ela é naturalmente mais exposta à língua da maioria, a criança desenvolve a atitude de se exprimir na língua minoritária em menor escala. Isso pode levá-la a compreender, mas não a falar essa língua.

Quando os dois pais falam francês, é necessário planejamento e esforço para que o bilinguismo seja favorecido. Eles devem combinar estratégias para estimular seu filho a aprender uma outra língua. Por exemplo, o jantar acontece todos os dias em espanhol e o banho em francês ou com a mamãe falamos francês e com o papai inglês. No entanto, é preferível que os pais não misturem as línguas em uma mesma frase quando falam com seus filhos.

Quando se preocupar
Se você tem a impressão que seu filho apresenta um atraso de linguagem em comparação a crianças de sua idade na língua a qual ele foi mais exposto desde o seu nascimento, procure um fonoaudiólogo.

Se seu filho aprende uma nova língua na pré-escola, procure um fonoaudiólogo se perceber que ele se expressa pouco ou nada, mesmo depois de alguns meses de exposição ou, se perceber que seu filho tem dificuldades para se comunicar corretamente depois de 2 anos de exposição à esta língua.

Não é necessário falar com seu filho em uma só língua se ele apresentar um atraso na linguagem. Pesquisas demonstram que falar duas línguas não causa nem agrava problemas de linguagem.

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Mesmo que não seja possível aplicar algumas das soluções aqui apresentadas, o importante é favorecer, o mais cedo possível, um equilíbrio entre as duas línguas.

 

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foto FernandaEste texto foi traduzido para o português com o objetivo de ajudar os pais a compreenderem, um pouco mais, sobre o universo do bilinguismo. Sugestões e correções são bem-vindas!

Por que ficamos arrepiados com o hino nacional?

Por Felicia Jennings-Winterle
Coluna LIP

Toda vez que toca o hino nacional, especialmente em grandes campeonatos como a Copa do Mundo, algumas pessoas se arrepiam; outras até choram. Eu e o Neymar somos suspeitos para falar. Mas por que isso acontece? Vamos lembrar um pouco das aulas de ciências para dar essa explicação.

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Arrepios são um fenômeno fisiológico involuntário (que acontece sem querer) herdado do processo de evolução. Quando estamos com frio, com medo ou emocionados, mini músculos que são anexados a cada cabelinho contraem e essa contração cria uma depressão ao redor do pêlo. Isso dá a impressão que os cabelinhos ficaram em pé. É uma resposta a uma situação de stress – de perigo, de nervoso ou de emoção. Mas no caso das emoções, arrepiar-se pode ser considerado como um clímax cutâneo. Esse fenômeno é ligado à estimulação do sistema nervoso simpático, que controla a reação de lutar ou fugir. Esse transbordar de emoções afeta o fluxo sanguíneo no cérebro e é associado com recompensa, motivação e excitação. Já que essa reação é um reflexo mental, não pode ser fingida.

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Arrepiar-se é então possível através da secreção inconsciente do hormônio adrenalina. Nos humanos a adrenalina é produzida por duas glândulas que estão localizadas bem em cima dos rins, e causa a contração muscular que resulta em arrepio. Isso acontece quando estamos com frio, com medo ou emocionados. Causa também choro, mãos suadas, tremores, coração acelerado e aquele “frio na barriga” que dá antes de uma prova ou a caminho de um encontro com a pessoa amada.

Interessante também é o fato de estudos recentes revelarem como o arrepio pode demonstrar admiração não só por uma nação e o que ela representa pessoalmente para cada um de nós, mas também pela(s) pessoa(s) executando o hino. Quem não se emociona quando o playback do hino para de tocar e o estádio inteiro continua a cantar a capella? Quer dizer, você se arrepia se a música é bem tocada ou/e tem relações afetivas que despertam memórias, felizes ou tristes.

Copa do Mundo: entre pátrias, chuteiras e nações

Por Ylane Pinheiro
Contribuinte do mês no Perfil e Opinião

Sempre achei aquela máxima do Galvão Bueno, “A pátria de chuteiras”, um certo exagero. Hoje, guardadas as devidas proporções, com mais racionalismo e menos sensacionalismo, vejo que ele tinha uma boa parcela de razão. Quando fui convidada para colaborar aqui no blog fiquei muito honrada e feliz por ter a oportunidade de dividir com outras pessoas um pouco da minha visão sobre o esporte, que não é exclusiva, mas também não tão comum como eu e demais entusiastas e estudiosos do esporte gostaríamos que fosse. E para começar, nada mais presente, atual e lógico do que falarmos um pouquinho sobre a Copa do Mundo e como nós, brasileiros, residentes no país ou não, nos relacionamos com esse megaevento esportivo tão presente na história de cada um.

Muitos de nós, adultos de hoje, crescemos ouvindo histórias sobre Copas do Mundo, colecionando álbuns de figurinhas de diversas edições e aprendemos – por motivos diversos – a curtir os períodos quadrienais da disputa do Mundial de Futebol, mesmo não sendo por gosto pela modalidade em si. Nem que fosse porque a gente saía mais cedo da escola e perdia a aula de matemática.

Mas por que esse evento é tão importante? Por qual razão, no Brasil, dias úteis viram feriados, o calendário escolar sofre alterações e “Copa” pode ser considerada uma unidade de medida de tempo? (Sim, aparelhos de TV são vendidos com garantia de duas Copas, relacionamentos duram “X” ou “Y” copas, e nossos avós ficam orgulhosos em dizer quantas muitas Copas já acompanharam.)

Pois bem. Nós, brasileiros, gostamos de Copa porque gostamos de futebol. Gostamos de Copa porque gostamos do clima festivo, da folia, da expectativa, dos churrascos e do circo todo que se monta país afora. Porque no exterior ela também faz com que os brasileiros se procurem e se reúnam diante de uma TV. Mas não só por isso! Gostamos de Copa porque reunimos família e amigos e enchemos o peito para dizer quem somos e de onde viemos. Porque, contrariando nossas práticas diárias, é um momento em que nos sentimos parte de uma NAÇÃO. Em que conseguimos nos conectar à nossa pátria (amada, salve, salve!).

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O conceito de “nação” não é o mesmo de “Estado” ou de “país”. Nação tem a ver com origem, raízes, etnia, identificação, identidade. Pátria diz respeito a uma terra – natal ou adotiva – com a qual construímos vínculos afetivos, históricos, culturais e de valores.

O esporte, por sua vez, é fatalmente uma das coisas que nos identifica uns com os outros, que nos une, e não haveria de ser diferente. A mistura étnica que origina nossa população, a diversidade cultural, as dimensões continentais e a pura e simples falta de hábito e valor são algumas das razões pelas quais o sentimento de fazer parte de uma nação não é comum aos brasileiros. O esporte, e, sobretudo, também o futebol, obviamente não são os únicos, mas funcionam como catalisadores dessas reações que proporcionam sentimentos de orgulho comum e pertencimento.

Pertencer a uma nação, ter uma pátria, significa que tem mais gente que pensa e sente como você. É muito bom sentir-se compreendido, apoiado, acolhido, encorajado. É confortável e confortante saber que outras pessoas compartilham de algumas de suas expectativas, angústias e orgulhos. Por isso, aquela sua avó que mal sabe que o cara de preto é o árbitro (e que mal sabe que árbitro é nome não coloquial dado ao juiz da partida) nem gosta tanto de futebol, mas sempre acompanha a Copa. Por alguma razão ela também se sente assim.

Isso posto, gostaria de chamar a atenção dos papais e mamães dos brasileirinhos espalhados mundo afora para uma reflexão acerca do papel do esporte na formação de uma identidade brasileira. Do alto da minha paixão pelos esportes e da minha insistência em buscar sempre o que de bom se pode fazer dele, vejo que torcer pelo Brasil na Copa do Mundo pode ser algo muito além de uma catarse coletiva ou da celebração do pão e circo, como se convenciona dizer pelas bandas de cá atualmente.

Esta é, para todos e sobretudo para vocês, uma oportunidade de fazer com que os filhos do Brasil sejam sim cidadãos do mundo aí onde estão, mas sintam que possuem aspectos comuns aos que aqui vivem, para que criem vínculos e desenvolvam fatores culturais e afetivos que os conectem ao Brasil, que os identifiquem com sua pátria, com a nação brasileira que transcende as fronteiras políticas do mapa-múndi. Para que pertençam.

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Ylane Pinheiro é brasileira, mestre em Educação Física pela UNICAMP, docente universitária e professora de Educação Física na Escola Americana de Campinas há 13 anos, onde convive diariamente com crianças de múltiplas nacionalidades. Absolutamente apaixonada por esportes e por todas as suas possibilidades, começou a trabalhar sua colaboração no blog jogando queimada e handebol no recreio com a colunista Andreia Moroni, no final dos anos 1980.

A cidade mais brasileira do Brasil

Por Anna Giulia Soares de Carvalho
Correspondente brasileirinha da série Brasil Animado

Você sabia que Brasília é a capital do Brasil e tambem é uma das cidades-sede?

Brasília parece muito grande e é mesmo, mas a construção dela só levou 4 anos. As obras de Brasília custaram cerca de  1 bilhão de dólares. Ficou assim tão caro porque os materiais chegaram até la de avião, já que o terreno ficava no meio do nada e não haviam estradas de trem ou de caminhões.

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O presidente do Brasil na ocasião da construção de Brasília era Juscelino Kubitschek. Brasília foi desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo urbanista Luis Costa que ganharam um concurso que escolheu o design da capital. Vista de cima, Brasília parece um avião.

Veja o que aprendi sobre Niemeyer, um dos símbolos do Brasil.

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Brasília é o palco da política do Brasil e cada uma de suas construções tem uma função específica. Você sabe o nome de cada um desses prédios e o que é realizado dentro deles?

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Planalto - Sérgio Francês

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Uma de nossas fãs no Facebook respondeu corretamente os nomes e funções dos prédios acima colocados em imagens. Aqui vão:
1. Congresso Nacional – Senado e Câmara dos Deputados do Brasil
2. Palácio do Planalto – Gabinete do Presidente do Brasil
3. Supremo Tribunal Federal – Sede do poder Judiciário do Brasil
4. Eixo Monumental – uma avenida que se localiza no centro do Plano Piloto de Brasília, capital do Brasil. Ao longo dele situam-se diversos monumentos.
5. Palácio da Alvorada – Residência oficial do Presidente do Brasil.
6. Edifício Itamaraty – Ministério das Relações Exteriores