Vamos todos ler e escrever em português

Você sabia que a Brasil em Mente também publica livros?
Pois é, em nosso catálogo, todo à venda em nossa loja virtual, você pode encontrar a coleção Ciranda Cirandinhas Vamos Todos Ler e Escrever – método de alfabetização para brasileirinhos. O volume 2 acaba de sair do forno.

thumbnail_CCVTLE2O lançamento é recente, mas a coleção é fruto de uma pesquisa de mais de 5 anos conduzida por nossa diretora educacional, Felicia Jennings-Winterle. Pesquisadora nata, Felicia vem desenvolvendo uma metodologia fundamentada no uso da cultura como material básico. O volume 1 foi lançado no ano passado e você pode conhecê-lo em detalhes, aqui.

No volume 2, as crianças aprendem a ler e escrever com letra cursiva e conhecem outras particularidades da língua. No método, que é embasado também na ciência da Psicomotricidade, esta grafia é chamada de “letra de mãos dadas”. E não é que as crianças se encantam? O lúdico dessa coleção faz com que elas apaixonem-se até por ditado.

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E o que faz desta coleção um elemento essencial no ensino do português como língua de herança?

O método foi desenvolvido a partir da prática educativa com filhos de brasileiros, falantes do português como língua de herança. Esta característica é indispensável – o cotidiano destas crianças é muito particular e cheio de desafios. Um deles é como fazer com que a língua portuguesa pertença ao contexto da vida do país de residência; outro é como fazer com que a aprendizagem do idioma não seja desconectada da cultura brasileira.

Mas como? Essa é a especialidade desta autora. Através de canções, versos, histórias e muitas brincadeiras as crianças passam a identificar-se, com a autonomia que só a leitura e a escrita dão, e são convidadas a produzir seus próprios relatos sobre o fantástico mundo que as rodeia, também, em português.

E tem mais. Esses livros são verdadeiros dicionários de imagens. O volume 1 traz 185 imagens. O volume 2 traz 250. Quer dizer, 250 novas palavras, em contexto.

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Mas, e não confunde alfabetizar em duas línguas simultaneamente?

Não. A autora da coleção tem se dedicado a pesquisar exatamente como demonstrar na prática que a noção de que só se deve alfabetizar uma língua de cada vez é incompleta e errônea. Segundo Felicia, não há confusão, há transferências muito positivas.

“O português e mais algumas línguas bem específicas proveem trocas importantes num processo de educação bilíngue e, por conta de suas estruturas complexas, dão subsídios para que o entendimento de línguas mais simples, como o inglês, seja mais profundo, mais analítico. E, vale lembrar, alfabetização é um processo único, acontece uma vez na vida”.

Então, professores, pais, avós, tios… invistam numa educação bilíngue de qualidade para o seu brasileirinho. Adquiram hoje os volumes 1 e 2 da coleção e aguardem pelo lançamento do volume preparatório, indicado para crianças de 3 – 4 anos.

Diga não ao racismo

É… Sem querer, nossa língua pode acabar sendo racista também. Vamos combater o racismo? Participe de nossa pesquisa: que expressões idiomáticas da língua portuguesa tem cunho racista? Responda lá em nossa página no facebook. #semracismonalingua

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O melhor passeio para os que amam ler

Por Felicia Jennings-Winterle
Editora do blog Brasileirinhos

Pela vigésima terceira vez acontece a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Com o tema DIVERSÃO, CULTURA E INTERATIVIDADE, TUDO JUNTO E MISTURADO, a Bienal é um ótimo passeio para os que amam ler e fica aberta de 23 – 30 de agosto.

A equipe da Brasil em Mente deu uma passadinha lá e conferiu os estandes. Ficamos impressionados com a organização do evento que é muito bem sinalizado, tem praça de alimentação, diversos banheiros e funcionários muito simpáticos. O preço da entrada é R$12 de segunda a sexta, e R$14 no fim de semana. Crianças menores de 12 anos e adultos maiores de 60 não pagam.

Ficamos impressionados também com o número de visitantes e expositores. Deu até para sonhar em ter mais leitores, lendo muito mais e assim, fazer com que o livro seja bem mais barato no Brasil.

Destacamos o atendimento para lá de bacana da Editora Globo. A responsável pelo espaço Globinho nos mostrou tudo. Contou histórias e compartilhou conosco as delícias que tinha nas estantes.

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O estande mais bonito de todos é, porém, o da Editora Peirópolis. Com uma proposta dedicada ao meio-ambiente, à sustentabilidade e com o comprometimento de sempre oferecer leituras de altíssima qualidade, a Peirópolis está fazendo 20 anos. Eles tem contribuído muito n movimento pelo PLH que a Brasil em Mente desempenha e participado em diversos de nossos eventos.

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A dica então, é fazer da visita à Bienal um passeio cheio de descobertas. Mesmo que você não esteja em São Paulo, peça para amigos e familiares irem lá e fazerem umas comprinhas para você. Vale muito a pena. Aliás, o estande da Ciranda Cultural está com diversas opções. Na verdade, pilhas e pilhas, mesas e mesas de livros de R$3, R$5, R$10, R$20.

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Nos EUA, quem participa do programa de envio de livros pelo correio da Biblioteca Infanto-juvenil Brasileira Patricia Almeida usufruirá de novos livros que acabamos de adquirir.

Você ainda não é membro? Não?? Então conheça hoje o programa.

Boas leituras!

LIP – O aprendizado de várias línguas

Texto original publicado em francês pelo site Naître et Grandir e traduzido para o português por Fernanda Aguilar (contribuinte do mês para o blog Brasileirinhos)

Sempre ouvimos que as crianças são como esponjas e que podem facilmente aprender outras línguas. É verdade, desde que elas sejam expostas a contextos variados e motivadas a aprender.

O desenvolvimento da linguagem de crianças expostas à duas línguas
O período pré-escolar é propício à aprendizagem de línguas por causa da capacidade de adaptação do cérebro da criança. Além disso, crianças pequenas distinguem e reproduzem os sons mais facilmente. Isso permite que elas falem sem sotaque.

Alguns pais acreditam que a aprendizagem de mais de uma língua causa problemas de linguagem em seus filhos. Isso não é verdade. Estudos recentes demonstram que a aprendizagem de duas ou mais línguas não provoca nem agrava problemas de linguagem que já existam.

Desta forma, uma criança que é exposta frequentemente a 2 línguas desde o nascimento, fala suas primeiras palavras geralmente por volta de um ano e faz combinações (ex.: bola caiu) entre 18 e 24 meses. Da mesma forma, uma criança de 5 anos que é exposta regularmente a duas línguas terá um desenvolvimento da linguagem semelhante as que falam uma só língua.

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No entanto, é bastante comum que uma criança bilíngue não tenha a mesma fluência nas duas línguas. Por exemplo, ela pode produzir frases melhor construídas em uma língua e utilizar um vocabulário mais preciso e mais rico em outra língua. O importante é considerar o conjunto das frases e palavras produzidas nas duas línguas. É desta maneira que podemos avaliar se o desenvolvimento da linguagem de uma criança bilíngue é normal, e não avaliando as competências linguísticas de somente uma língua.

A criança pode misturar as duas línguas em uma mesma frase quando ela não conhece a palavra. Isso é um fenômeno normal que observamos também em adultos bilíngues. Não é necessário preocupar-se. O domínio da língua pode variar e mudar com o tempo, dependendo do contexto no qual a criança a utiliza e das pessoas a quem se dirige.

Desta forma, ela pode utilizar e dominar melhor uma língua mais cedo do que a outra durante algum momento de sua vida (ex. língua falada em casa aos 4 anos) e ter um melhor domínio na segunda língua em uma outra fase (ex. no segundo ano primário).

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Aprender 2 línguas: as influências
Muitos fatores influenciam a aprendizagem de duas línguas e a escolha da língua falada pela criança: a idade, o tempo de exposição, o status destas línguas no país de adoção, etc. Ainda assim, pouco importa o contexto ou ambiente no qual a criança se desenvolve, o importante é que os pais demonstrem um sentimento de orgulho e adotem uma atitude positiva frente à utilização dessas línguas. Desta forma, a criança desejará aprender cada vez mais.

Por outro lado, é necessário também lembrar que as crianças bilingues são, acima de tudo, crianças com suas próprias personalidades, necessidades e preferências, e que elas podem fazer a escolha de uma língua ao invés da outra, independente da vontade da família.

O imigrante recém chegado e a apredizagem do francês
Para favorecer o desenvolvimento da linguagem de uma criança o mais importante é falar sobre assuntos do cotidiano. Para os pais imigrantes que falam pouco francês, é preferível falar com seus filhos na língua materna. Desta forma, eles estarão provavelmente mais preparados a falar com seus pequenos. Além disso, quanto mais a criança dominar a língua materna, mais ela terá facilidade de aprender uma nova língua.

Uma base sólida na língua materna ajudará a criança a dominar melhor a língua aprendida no maternal ou na escola.

Se a criança frequenta uma escola francófona, ela percebe que as professoras e as outras crianças não a compreendem quando ela fala em sua língua materna. É então possível, no começo, que ela fale muito pouco ou nada durante um curto período de tempo.

Pouco a pouco, ela começa a compreender as palavras, depois as frases que ela escuta. Para se fazer compreender, ela utiliza gestos, depois palavras. Com o tempo, ela será capaz de fazer frases curtas, podendo ser às vezes mal construídas.

Em geral, uma criança é capaz de ter uma conversa com outra da mesma idade depois de 1 à 3 anos de exposição regular e diversificada à uma nova língua. Observamos o mesmo quando uma criança entra na escola sem falar francês.

Estratégias para desenvolver a aprendizagem de uma outra língua
Para que uma criança possa se comunicar fluentemente em duas línguas, ela deve escutá-las freqüentemente e ter a oportunidade de falar.

Em algumas comunidades, a aprendizagem se faz naturalmente se as línguas em questão são igualmente faladas e se a criança está em contato com diferentes pessoas de sua família ou de conhecidos que falem uma das línguas ou as duas.

Ler histórias para seu filho em diferentes línguas que o cercam é um meio eficaz e divertido de estimular sua linguagem.

Se um dos pais fala francês e o outro a língua minoritária, é importante multiplicar as ocasiões onde a criança é exposta à língua minoritária. É necessário adotar uma atitude positiva em relação a esta língua para favorecer sua aprendizagem porque as crianças compreendem desde cedo que uma de suas línguas não é muito utilizada fora de sua casa. Como ela é naturalmente mais exposta à língua da maioria, a criança desenvolve a atitude de se exprimir na língua minoritária em menor escala. Isso pode levá-la a compreender, mas não a falar essa língua.

Quando os dois pais falam francês, é necessário planejamento e esforço para que o bilinguismo seja favorecido. Eles devem combinar estratégias para estimular seu filho a aprender uma outra língua. Por exemplo, o jantar acontece todos os dias em espanhol e o banho em francês ou com a mamãe falamos francês e com o papai inglês. No entanto, é preferível que os pais não misturem as línguas em uma mesma frase quando falam com seus filhos.

Quando se preocupar
Se você tem a impressão que seu filho apresenta um atraso de linguagem em comparação a crianças de sua idade na língua a qual ele foi mais exposto desde o seu nascimento, procure um fonoaudiólogo.

Se seu filho aprende uma nova língua na pré-escola, procure um fonoaudiólogo se perceber que ele se expressa pouco ou nada, mesmo depois de alguns meses de exposição ou, se perceber que seu filho tem dificuldades para se comunicar corretamente depois de 2 anos de exposição à esta língua.

Não é necessário falar com seu filho em uma só língua se ele apresentar um atraso na linguagem. Pesquisas demonstram que falar duas línguas não causa nem agrava problemas de linguagem.

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Mesmo que não seja possível aplicar algumas das soluções aqui apresentadas, o importante é favorecer, o mais cedo possível, um equilíbrio entre as duas línguas.

 

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foto FernandaEste texto foi traduzido para o português com o objetivo de ajudar os pais a compreenderem, um pouco mais, sobre o universo do bilinguismo. Sugestões e correções são bem-vindas!

Por que ficamos arrepiados com o hino nacional?

Por Felicia Jennings-Winterle
Coluna LIP

Toda vez que toca o hino nacional, especialmente em grandes campeonatos como a Copa do Mundo, algumas pessoas se arrepiam; outras até choram. Eu e o Neymar somos suspeitos para falar. Mas por que isso acontece? Vamos lembrar um pouco das aulas de ciências para dar essa explicação.

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Arrepios são um fenômeno fisiológico involuntário (que acontece sem querer) herdado do processo de evolução. Quando estamos com frio, com medo ou emocionados, mini músculos que são anexados a cada cabelinho contraem e essa contração cria uma depressão ao redor do pêlo. Isso dá a impressão que os cabelinhos ficaram em pé. É uma resposta a uma situação de stress – de perigo, de nervoso ou de emoção. Mas no caso das emoções, arrepiar-se pode ser considerado como um clímax cutâneo. Esse fenômeno é ligado à estimulação do sistema nervoso simpático, que controla a reação de lutar ou fugir. Esse transbordar de emoções afeta o fluxo sanguíneo no cérebro e é associado com recompensa, motivação e excitação. Já que essa reação é um reflexo mental, não pode ser fingida.

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Arrepiar-se é então possível através da secreção inconsciente do hormônio adrenalina. Nos humanos a adrenalina é produzida por duas glândulas que estão localizadas bem em cima dos rins, e causa a contração muscular que resulta em arrepio. Isso acontece quando estamos com frio, com medo ou emocionados. Causa também choro, mãos suadas, tremores, coração acelerado e aquele “frio na barriga” que dá antes de uma prova ou a caminho de um encontro com a pessoa amada.

Interessante também é o fato de estudos recentes revelarem como o arrepio pode demonstrar admiração não só por uma nação e o que ela representa pessoalmente para cada um de nós, mas também pela(s) pessoa(s) executando o hino. Quem não se emociona quando o playback do hino para de tocar e o estádio inteiro continua a cantar a capella? Quer dizer, você se arrepia se a música é bem tocada ou/e tem relações afetivas que despertam memórias, felizes ou tristes.