Destaque

Advento da Leitura – mais 10 dicas

As dicas 1 – 10 você encontra, aqui As dez primeiras dicas do advento da leitura 2019.

Hoje, você pode (re)ver as próximas dicas.

 

Dica 12 – Nunca ler só um livro

A dica de hoje foi dada em forma de vídeo pela autora Fátima Nascimento. Fátima é educadora infantil e autora e mora na Alemanha.

Dica 15 – Ler livros que contém canções, versos e parlendas

A dica de hoje é em vídeo, dada por Ana Cristina Gluck, autora e diretora da ABC Multicultural.

Dica 16 – Ler aquilo que te acolhe, que fala de você, em um ou outro momento seu.

Ouça PEIXE VIVO, o lançamento de 2019 da BEM, na voz da turma do @historiadeboca
Adquira o seu, aqui.

Ouça o podcast, aqui.

Dica 21 – Ler um livro que pergunta e responde grandes questões

A dica de hoje é do autor Alexandre Brito, um cara muito bacana. Para saber mais sobre ele e seus livros, veja aqui.

O bicho gente é um inventa-tudo. Inventa isso, inventa aquilo, aquele outro. É um inventa-mundos. E depois que inventou a palavra e começou a falar pelos cotovelos virou um bicho que pensa e dispensa comentários, porque o pensamento, o seu maior invento, só faz repensar e reinventar o que se pensa e o que já foi pensado.

Pensando nisto pensei num escritor. O escritor ou a escritora é um bicho que inventa sem pedir licença. Pensei num escritor que quando a gente pensa que não tem pé nem cabeça é aí que a gente se dá conta da sacada de letra que ele nos apresenta, e que faz toda diferença. Este escritor é o Ricardo Silvestrin.

O Ricardo Silvestrin escreveu um monte de livros legais. Pra gente pequena, média e grande. Mas quero mostrar um poema dele que simplesmente respondeu a uma pergunta gigante. Filósofos, linguistas, hierofontes, se debruçaram sobre o assunto assuntando mundos e fundos mas não encontraram resposta alguma a esta indagação profunda. Ele, só ele respondeu à esta questão, escrevendo o poema… A invenção do ponto de interrogação. Leia mais

Destaque

As dez primeiras dicas do advento da leitura 2019

Na edição de 2017 sugerimos 31 leituras. Neste ano, daremos dicas de livros, autores, coleções, histórias e bons hábitos para que a leitura esteja sempre presente em sua casa.

A 1a dica é: (re)ler, (re)ver e (re)experimentar.

Nem sempre precisamos do novo. Ler de novo nos dá a oportunidade de ver e experimentar mais uma vez aventuras, encantamento e alegria. Como será que nos sentimos ao reler uma obra? Veja aqui as dicas que demos em 2018.

A 2a é O pé de meia e o guarda-chuva

e foi escrita pela querida contadora de histórias Regina Barbosa, diretamente de Bruxelas. O livro é de Henrique Rodrigues e a ilustração de Walter Moreira Santos.

Quem nunca perdeu o seu par e sentiu a dor do abandono? Quem nunca perdeu um real pé-de-meia, ou um guarda chuvas. O pé de meia e o guarda-chuva conta a história de dois diferentes que ao se encontrarem criam uma nova aventura.

Um pé-de-meia bem branquinho foi separado de seu par.  Teria sido culpa do “gnomo da máquina de lavar”? Em suas aventuras pela cidade afora, ele acabou por encontrar um guarda-chuva preto, também esquecido num banco de parque por seu par habitual. Quando viram companheiros, acabam por encontrar a si mesmos. Após várias aventuras, partem juntos atrás de outras.

Com grande sensibilidade e imaginação, essa fábula moderna nos mostra que sempre pode haver solução para os solitários. Um livro doce para todas as idades e que atrai a imaginação dos pequeninos. Os já não tão pequenos podem entender que a solidão é apenas uma questão de encontrar quem tem a mesma sensibilidade, e que tudo é possível desde que haja amor.

A 3a o livro Amal e a viagem mais importante da sua vida 

A dica é da Aline Frederico, doutora em educação e literatura infantil e também escritora da coluna High Tech. A história que ela sugere é de Carolina Montenegro, com ilustrações de Renato Moriconi e trilha sonora de Arthur de Faria – uma publicação da Editora Caixote. O livro está disponível impresso e como aplicativo literário na AppStore e GooglePlay, com download gratuito. Veja o trailler, aqui.

Deixar o país de origem para trás e embarcar rumo a uma nova cultura sempre traz medos e desafios, como as famílias brasileiras vivendo no exterior sabem bem. Agora, imagine uma menina de 12 anos, que, fugindo da guerra na Síria, tem de fazer sozinha uma jornada por Turquia, Grécia, até chegar à Itália, onde um parente supostamente a espera. Essa é a história de Amal, mas também de tantas outras crianças desacompanhadas em busca de refúgio pelo mundo. Essa história emocionante está disponível como livro, mas também como aplicativo literário, e sua realização foi feita com o apoio da ACNUR, a agência da ONU para refugiados. Os personagens são baseados em pessoas reais, que a jornalista Carolina Montenegro conheceu nos anos em que atua como correspondente em países como Líbano, Iraque e Itália. A história ganha ainda mais vida com as lindas pinturas do premiado ilustrador Renato Moriconi, que no aplicativo aparecem em versão animada. O aplicativo é gratuito, mas aproveitando o espírito natalino, o leitor pode contribuir voluntariamente realizando uma doação. Parte dos fundos vão para ações humanitárias da ACNUR e o restante será usado para produzir traduções da obra, para que essa história chegue ainda mais longe.

No dia 4 a dica foi em vídeo

feito pela profa. Bia Borinn, co-idealizadora e coordenadora da Brazilian Play Learn, uma iniciativa que promove a língua portuguesa e a cultura brasileira na Califórnia, e do História de Boca, um podcast que conta histórias para a criançada. No vídeo a seguir, ela declama uma das poesias do livro Ou Isto ou Aquilo, de Cecília Meireles.

A 5a foi da autora da coluna Culinariando 

Para Rita Turner, livro e comida são assuntos sérios. Portanto, contribuição para o advento de leitura, traz alguns livrinhos saborosos que gostamos de ler aqui em casa. Como não gosta de encher linguiça, põe a mão na massa!

Poemas Com Macarrão 
Texto: Fabrício Corsaletti
Ilustrações: Jana Glatt
Editora: Companhia das Letrinhas

Esse livro não é necessariamente sobre comida, mas sobre “essas coisas que toda criança – e adulto – gosta de fazer’. Para não misturar alhos com bugalhos, separei os que mais gosto (e que são sobre comida). Começamos com a História da Piscina de Sorvete que fala sobre Dora, uma “velha maluca”, que “sonhava com uma piscina de sorvete”. “…ela então fechava os olhos e, pés na grama-tapete, sonhava com uma piscina toda cheia de sorvete”

Quando li esse poema para minha filha pela primeira vez, deu pano pra manga: como seria uma piscina de sorvete? Seria de sorvete derretido? Mas aí ainda poderíamos chamar de sorvete? Será que iríamos ficar com frio numa piscina de sorvete? Talvez fosse uma boa ideia usar uma daquelas roupas de mergulhador. E o sabor da piscina – ou melhor, sabores? Vale misturar? Bom mesmo seria ter umas cerejas gigantes de boia. E por aí foi, eu e ela, mergulhadas numa fantasia deliciosa e divertida. Vale a pena ler dividindo um Sundae.

Eu sou fã de milho (inclusive já escrevi sobre ele lá na coluna Culinariando), portanto preciso compartilhar um versinho da Canção do Milho na Brasa, que há de despertar lembranças de festas juninas passadas.

“milho é bom de todo jeito
comer milho é ganhar asas
mas não tem milho melhor
que milho assado na brasa”

Nostálgico e sábio até a espiga. Como o título sugere, não poderia faltar macarrão – a comida mais adorada e facilmente devorada por crianças (e muitos adultos). Pessoalmente, me reconheço muito nesse versinho de Ode ao Macarrão:

“macarrão é infância no prato
macarrão é a nossa bandeira
macarrão é a única coisa
mais legal que qualquer brincadeira”

 

A Guerra do Macarrão
Texto: Domingos Pellegrini
Ilustrações: Beto
Editora: Quinteto Editorial

Esse é um livro que me pai escreveu (sem babação de ovo). Como isso já faz algum tempo (na época que se amarrava cachorro com linguiça), eu não sei se ainda circula em livrarias, mas é um livro divertido sobre um velho dilema: quem inventou o macarrão? Os chineses? Os italianos? 

O negócio azeda quando diplomatas dos dois países se encontram para um jantar, e, pensando em servir “a mais fina iguaria que cada nação criou” serviram ambos ….. macarrão!

Daí o caldo entorna no tal banquete diplomático, que acaba virando uma guerra com insultos macarrônicos pra todo lado. É claro que, depois de tal vexame, vem a realização:

 “Coberto da cabeça aos pés
de molhos e de vergonha,
caiu em si cada chinês
enquanto todo italiano
sentia-se um pamonha.”

Além do texto divertido, sempre com rimas inspiradas e inesperadas, cada página tem um “cantinho de explicações da guerra do macarrão”, para aqueles “pais preguiçosos mas que querem passar por sabidos”. Nesse cantinho é que lemos que “a História já tinha guerras faraônicas, babilônicas, napoleônicas, faltava a guerra macarrônica”. Também adoro as anotações sobre a linguagem em si, como apontando o uso de proparoxítonas num certo verso, ou convidando o leitor a “observar a beleza da Língua Portuguesa na expressão como quererem vir nos dizer.”

Esse aliás, é um hábito que tenho desde que comecei a ler pra minha filha – sempre mostrando as facetas da nossa língua (afinal, é de verde que se torce o pepino).

É um livro que gostamos muito de ler juntas, por ser parte da nossa família, e porque aqui somos loucos por macarrão – seja ele de onde for.

 

A 7a dica é maratonar 

A dica é da fundadora da Brasil em Mente – Felicia Jennings-Winterle que adora assistir a séries e filmes. Mais ainda, gosta de fazer maratonas  – ou binge-watching, como falamos em inglês – de uma série nova ou que já assisti e quero ver de novo. Recentemente, ando inovando: escolhe um ator ou atriz e maratona filmes dele/dela. Maratona também os famosos sequels. Para ela, “É muito bacana ver, de uma vez, como a história evoluiu ou como o profissional amadureceu.”

Que tal fazer isso com livros também?

A dica é: escolher um tema, um autor ou autora e procurar em meio ao que tem em sua estante, ou vá à biblioteca ou livraria com essa ideia.

 

A 8a foi vídeo de novo… dessa vez, do Periscópio

A dica de hoje é da jovem Manuela, uma das participantes do Projeto Periscópio, idealizado pela formidável Claudia Marczak, professora de português no Colégio Presidente Kennedy, em Santos, SP. O livro que ela propõe tem temas super importantes – política e cidadania.

 

A 9a dica foi ler a obra da dupla Lalau e Laurabeatriz 

Em 2019 eles comemoram 25 anos de trabalhos juntos. Acredita? São donos de obras lindíssimas, entre elas a coleção Brasileirinhos. Leia a entrevista, aqui.

 

E a 10a foi dada por uma editora…

Annete Baldi, diretora da Editora Projeto sugeriu Dez casas e um poste que Pedro fez para apresentar a vocês (Editora Projeto, 2010), de Hermes Bernardi Jr., um autor de Rio Grande do Sul, que faleceu precocemente em 2015.

O autor é também o ilustrador nesse livro que nos faz lembrar de diversas brincadeiras folclóricas: parlendas e cantigas, tais como “O cravo e a rosa”, “O sapo cururu”, além daquela canção deliciosa do Vinícius de Moraes, “A casa”, lembram?

E a nossa memória forma uma argamassa de peso com as muitas cores e os diversos personagens que surgem na construção-brincadeira muito bem armada com as palavras. E porque escolheu contar a história em versos, o autor combina os sons e nos oferecer a cada verso uma surpresa e a cada estrofe muitas cenas inusitadas e por isso tão divertidas.

 

Advento da Leitura – É TUDO INVENÇÃO

Dica 21 – faltam 4 dias para o Natal 

A dica de hoje é do autor Alexandre Brito, um cara muito bacana. Para saber mais sobre ele e seus livros, veja aqui.

O bicho gente é um inventa-tudo. Inventa isso, inventa aquilo, aquele outro. É um inventa-mundos. E depois que inventou a palavra e começou a falar pelos cotovelos virou um bicho que pensa e dispensa comentários, porque o pensamento, o seu maior invento, só faz repensar e reinventar o que se pensa e o que já foi pensado.

Pensando nisto pensei num escritor. O escritor ou a escritora é um bicho que inventa sem pedir licença. Pensei num escritor que quando a gente pensa que não tem pé nem cabeça é aí que a gente se dá conta da sacada de letra que ele nos apresenta, e que faz toda diferença. Este escritor é o Ricardo Silvestrin.

O Ricardo Silvestrin escreveu um monte de livros legais. Pra gente pequena, média e grande. Mas quero mostrar um poema dele que simplesmente respondeu a uma pergunta gigante. Filósofos, linguistas, hierofontes, se debruçaram sobre o assunto assuntando mundos e fundos mas não encontraram resposta alguma a esta indagação profunda. Ele, só ele respondeu à esta questão, escrevendo o poema… A invenção do ponto de interrogação.

A invenção do ponto de interrogação
A escrita
já tinha sido inventada.
Todas as letras,
as sílabas, as palavras.
Mas houve uma fase
em que escrever uma frase
estava causando
a maior confusão.
Tudo porque ainda não existia
O ponto de interrogação.
Alguém escrevia
por exemplo
qualquer coisa besta
como “Hoje você vai à festa”
e recebia como resposta
algo assim:
“Você não manda em mim”.
E logo tinha que esclarecer:
“Sua anta, isso era só uma pergunta”.
Pronto, virava uma briga
só por causa do ponto.
Até que alguém se deu conta
que quem pergunta
não apenas fala,
mas também escuta.

Então deu na sua telha
de colocar sobre o ponto final
o desenho de uma orelha.
Já prestou atenção?
Tem uma orelha no ponto de interrogação.

A publicação é da Editora Ática, de 2003, com iluustrações de Luiz Maia. Acho importante frisar que depois da invenção da palavra, essa coisa desmesurada, que deu ao bicho-gente uma estatura muito além da do mamute, do chimpanzé e da girava, foi a invenção da pergunda que resultou a todas as respostas. E o ponto de interrogação, como bem descreve o Ricardo Silvestrin, tem a forma da escuta, do silêncio de quem ouve, da orelha que sabe ouvir.

É tudo invenção do Ricardo Silvestrin é todo invenção.

Como tudo. A dança, a canção, a pipoca, o perfume, a janela… tudo foi inventado. E o Ricardo, o livro do Ricardo, nos mostra isto de um jeito magnífico. Com vírgulas, aspas, pontos de exclamação… e reticências.

Advento da Leitura – 3 dicas de Fátima Nascimento

Dica 12 – faltam 13 dias para o Natal

A dica de hoje foi dada em forma de vídeo pela autora Fátima Nascimento. Fátima é educadora infantil e autora e mora na Alemanha.

Sobre a Fátima
Fatima Nascimento é escritora, Educadora infantil, propriétária da Editora FAFALAG – Alemanha, fundada em 2013 ao lançar o livro “Die Seerose Alba” em português “Alba, a vitória-régia”. Mora em Munique há 25 anos e é de Salvador.