Lendo O caso da lagarta que tomou chá de sumiço

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

o-caso-da-lagartaNum belo dia a Joaninha se dá conta que sua amiga, a Lagarta, desapareceu. Procura daqui procura dali mas nenhuma pista da sumida. Então ela resolve pedir ajuda à Dona Coruja, detetive conhecida dos animais da floresta. Sem nenhuma demora a Dona Coruja começa a investigação, cada pista conecta a detetive a algum animal. Quem será o próximo suspeito? A cada página uma pista leva a uma nova informação e o leitor se sente participando e tentando resolver o misterioso sumiço da Lagarta.

Esse é o enredo do livro O Caso da Lagarta que Tomou Chá de Sumiço, escrito por Milton Célio de Oliveira Filho e ilustrado de forma encantadora por André Neves. O autor nasceu em são Paulo, tem dois filhos e muitos sobrinhos o que lhe permitiu uma convivência feliz e prazerosa com crianças. Inventa brinquedos e jogos e adora escrever, aliás, escreveré, para ele, uma atividade onde acreditar em fadas, bruxas e animais que falam é perfeitamente aceitável. Já o ilustrador nasceu em Recife, no meio de uma cultura cheia de cores, movimentos e alegria, a paixão pelo desenho cresceu cada vez mais. Neste livro livro ele brinca com as técnicas usando colagem, desenhos com grafite e muita tinta.

As atividades possíveis através a leitura deste livro são muitas. Brincar de detetive junto com a coruja. Imitar os animais, que vão aparecendo a cada pista. Desenhos livres e coloridos. Passeios ao ar livre para observar a natureza. O texto é ricamente elaborado, com um vocabulário que não subestima o pequeno leitor e com uma trama que o convida ao desafio, a virar a página e fazer uma nova descoberta.

Qual o real acesso e a real necessidade de produção linguística dos aprendizes de línguas de herança em suas casas?

Por Ivian Destro
Coluna Educação Bilíngue

A decisão familiar de proporcionar a oportunidade de adquirir e manter uma língua de herança é muito importante e requer empenho de todos os envolvidos: pais, família distante, professores e comunidade. Vejamos o que o professor emérito e doutor em bilinguismo François Grosjean comenta:

“Para a manutenção de uma língua é preciso atentar para alguns fatores: primeiro, à quantidade de exposição às línguas que queremos transmitir e manter; segundo, à necessidade do uso delas; terceiro, para a natureza dos recursos que utilizamos para essa transmissão e manutenção; quarto, como a família age em relação à língua de herança; e, quinto, para o valor que dada língua de herança tem na comunidade em que se vive” (François Grosjean. Bilingual: life and reality. 2010).

Como Grosjean e outros pesquisadores sobre bilinguismo observam a aquisição, a manutenção e o desenvolvimento de uma língua de herança tem relação direta com a quantidade e qualidade de insumo (input) e de produção (output) de linguagem do aprendiz.

Isto quer dizer: para manter e desenvolver uma língua é necessário que a criança tenha uma certa quantidade e qualidade de exposição diária, como também que ela participe de atividades como sujeito ativo que comunica algo.

Lembremos que as crianças são pragmáticas: o aprendizado e a manutenção de uma língua de herança deve se dar por meio de situações reais de interação comunicativa.

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Johanne Paradis (2011) observa ainda que, para falantes de herança, atentar para a qualidade de insumo (input) é um fator muito relevante. Suas pesquisas indicam que qualidade de insumo significa ter acesso a diferentes registros linguísticos, a interlocutores proficientes e a atividades complexas como aulas extracurriculares, brincadeiras, leitura, enfim, situações ativas de comunicação.

É sobre a qualidade de insumo e de produção linguística que Grosjean está falando quando comenta que devemos atentar para a natureza dos recursos de transmissão e de manutenção da língua.

São consideradas de qualidade as formas ativas de interação, como ler ou ouvir uma história e ter que recontá-la, ler e ter que discutir um assunto, falar com a família distante ou com alguém (narrar e descrever as ações diárias e acontecimentos, dar opinião e argumentar sobre algo com frases complexas), brincar com alguém, participar de jogos que requeiram a construção de palavras ou histórias.

São consideradas formas passivas de interação: ouvir músicas ou histórias, assistir à televisão, DVDs, jogos eletrônicos, enfim, relações que não exijam produção de linguagem, etc.

Para que a família torne-se mais consciente sobre a quantidade e a qualidade de insumo e de produção de linguagem a que a criança tem acesso diariamente, organizei um quadro que pode ser preenchido pela família ou pelos professores. Ele está dividido pelo tipo de exposição (ativa ou passiva) à língua-cultura:

Quadro de análise de quantidade e qualidade de exposição diária à língua de herança
Inspirado na obra King, K. & Mackey, A. (2007). The Bilingual Edge: Why, when, and how to teach your child a second language. HarperCollins, USA.

Horário

Situação passiva de comunicação na LH
Situação ativa de comunicação na LH
7:00

8:00

9:00

10:00

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15:00

16:00

17:00

18:00

19:00

20:00

21:00

Qual o total de horas diárias de exposição e de produção ativas a que os aprendizes têm acesso à língua de herança?

Qual o total de horas diárias de exposição passiva?

Esses dados podem ajudar pais e professores a refletirem sobre o real acesso e a real necessidade de produção linguística dos aprendizes em casa. A partir desses dados e da reflexão sobre eles pais, professores e iniciativas podem formar parcerias que ajudarão a família a oferecer situações de interação comunicativa de qualidade, o que será fundamental para a manutenção da língua de herança.

Referências:
François Grosjean (2010) Bilingual: life and reality. Cambridge, MA: Harvard University
Press.

King, K. & Mackey, A. (2007). The Bilingual Edge: Why, when, and how to teach your
child a second language. HarperCollins, USA. Leia resumo, aqui.

Paradis, J. (2011). The impact od input factors on bilingual development: Quantity versus quality. Linguistics Aproaches to Bilingualism 1(1), 67-70.

II Conferência sobre ensino, manutenção e desenvolvimento do PLH (atualizado)

É com imenso entusiasmo que anunciamos a presença confirmada da autora Ana Maria Machado (renomada autora, ex-presidente da Academia de Letras brasileira e embaixadora da Brasil em Mente) como oradora principal da conferência que a BEM oferecerá em parceria com o departamento CLACS (Center for Latin American and Caribbean Studies) da New York University entre 14 – 17 de maio. Mais uma vez convidamos professores, pesquisadores e demais envolvidos com o Português como Língua de Herança em todo o mundo para juntos discutir importantes questões e conhecer melhor o trabalho tão diverso que tem sido realizado ao redor do globo.
Participe! Saiba mais, aqui.

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Lendo O jogo da parlenda

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

Uni, duni, tê,
Salamê, mingüê,
Um sorvete colorê,
O escolhido foi você!

Quem nunca cantarolou o versinho acima? É quase certo afirmar que toda criança brasileira em algum tempo de sua infância brincou e cantou essa ou alguma outra parlenda. Mas o que é mesmo uma parlenda? São esses versos fáceis de aprender, seja por sua rima marcante, seu vocabulário infantil ou seu ritmo contagiante, ou melhor então, tudo isso junto e misturado. As parlendas fazem parte da cultura popular há décadas e são usadas nas brincadeiras, nas rodas e até mesmo quando é preciso escolher uma criança para alguma atividade.

o-jogo-da-parlenda-heloisa-prieto-12698-MLB20063258496_032014-FNeste livro, Heloísa Prieto resgata as mais antigas e conhecidas e acrescenta outras de sua própria autoria. Esta talentosa escritora, nascida em São Paulo, tem um amplo trabalho junto ao público infantil com mais de 40 livros publicados. Na sua formação ela teve duas influências muito fortes, o seu pai, de origem espanhola e sempre rodeado de muitos livros e a sua mãe, baiana e mais conectada à tradição oral, a contar histórias em volta da fogueira. Heloisa soube tirar o máximo de proveito de suas fontes de inspiração.Prova disso é este livro, O Jogo da Parlenda, onde ela reúne tradição oral popular e a leitura propriamente dita.

Para completar a riqueza deste trabalho, as parlendas são ilustradas pelo competente Spacca. Este paulista cheio de criatividade tem no seu currículo trabalhos na área de Literatura Infantil, publicidade, quadrinhos e material didático. Os desenhos criados para este livro acompannham o espírito de brincadeira da parlenda.

E para terminar, a autora ainda dá dicas de como inventar uma parlenda, quer tentar?

logo_BIBPA Associe-se já à biblioteca infanto-juvenil brasileira Patricia Almeida. A BIBPA está a sua espera, com o livro “Jogo da parlenda” e muitos outros de Heloisa Prieto. Você pode receber livros em sua casa, em todo os EUA.