Você conhece o BraZil com S – documentário sobre o PLH?

Convidamos você a (re)assistir ao documentário BraZil com S – a língua portuguesa no exterior.
Você já assistiu e se emocionou pelo menos 1 vez? Compartilhe! Queremos viralizá-lo.
A nossa meta é chegar a 50,000 “assistidas”.
Topa o desafio?
Produzido em 2012 pela BEM e pela B2 Conteúdo, com o patrocínio do Consulado Brasileiro de NY, abrange de maneira tocante o que é a língua de herança e porque sua manutenção é tão importante entre as famílias de imigrantes que vivem no exterior.

Lendo Mania de explicação

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

Quem convive com crianças sabe que a curiosidade é insaciável nestes pequenos seres. Algumas perguntas são fáceis de responder, outras nos colocam em situações mais difíceis e para outras nem encontramos uma resposta que satisfaça o interrogador e até mesmo o interrogado.

Como mãe, Adriana Falcão experimentou a beleza e a “agonia” dessas situações, mas sendo ela dona de uma enorme criatividade, ela respondeu assim, na forma de um livro dedicado a sua filha Isabel.

Mania de Explicação é a história de uma menina que gosta de procurar uma explicação para cada coisa, principalmente sentimentos. Como é complicado abranger numa definição a raiva, a decepção, a culpa, o antes, o pressentimento… Os dicionários estão recheados de significados mas e se tentássemos explicar de outra maneira? E se colocássemos uma pitada de poesia? Uma dose extra de imaginação? Qual seria o resultado? Adriana Falcão nos mostra o que esses ingredientes a mais podem fazer quando respondemos para uma criança.

Quando eu li o livro, há muitos anos, a cada definição eu pensava: é verdade! ou porque não pensei nisso? ou ainda, essa é a melhor explicação! Portanto, posso afirmar, sem medo de parecer exagerada que Mania de Explicação é um encanto para as crianças, porque elas se identificam com a curiosidade e com as definições. É também uma redescoberta para nós, adultos, que nos permitimos aprender de maneira diferente até mesmo na obviedade do dia-a-dia.

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Adriana Falcão é uma escritora de muito sucessso no Brasil. Ela tem se destacado na produção de roteiros, tanto para o cinema quanto para a televisão. O humor é uma marca indelével da autora que nasceu no Rio de Janeiro mas viveu boa parte de sua vida em Recife. Mania de Explicação é a sua estréia na literatura infantil e para marcar esse momento, Rosa Amanda Strauws, na parte posterior da capa escreve seguindo à risca o estilo do livro “Aliás, faltou a menina filósofa inventar uma explicação para estréia… Podia ser… Estréia é quando a gente pula de um trampolim bem alto e só descobre que sabia nadar quando chega na água. É o caso da Adriana Falcão. Ela sempre soube escrever para crianças. A gente é que não sabia disso.”

As ilustrações foram feitas por Mariana Massarani, uma artista de muito talento que extravasa sua arte além dos livros, em trabalhos lindos feitos em panos de brincar, fronhas e o que mais aparecer. Para conhecer mais sobre o trabalho dessa grande ilustradora, você pode visitar o blog da Mariana.

 

10520087_10205119346253278_826309639437374543_nCristina ama literatura infantojuvenil e por isso, faz as aventuras, descobertas e fantasias chegarem até você através de dicas e reviews de livros. Cristina é diretora da Biblioteca Infanto-juvenil Patricia Almeida, um departamento da Brasil em Mente.

 

logo_BIBPA Associe-se já à biblioteca infanto-juvenil brasileira Patricia Almeida. A BIBPA está a sua espera com Mania de Explicação e muitos outros títulos. Você pode receber livros em sua casa, em todo os EUA.

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Acessando E-books em português fora do Brasil

Por Aline Frederico
Coluna High Tech

Setembro é tempo de volta às aulas em vários países do hemisfério norte onde vivem muitos brasileirinhos. Que tal começar o ano letivo comprando alguns livros digitais em português para ler com seu filho e balancear a leitura com a língua do país em que vocês vivem?

Pra fechar a série sobre literatura digital, que já falou dos livros infantis no Facebook, dos livros-aplicativos e dos e-books, neste post vou dar algumas dicas para acessar livros digitais em português estando fora do Brasil.

Como pesquisadora de literatura infantil e contadora de histórias em português num projeto de PLH em Cambridge, UK, sempre tento ficar antenada a livros digitais em português, mas muitas vezes é difícil encontrá-los ou acessá-los da mesma maneira com que faço com os conteúdos em inglês, porque todas as minhas contas estão configuradas para a Inglaterra.

As lojas virtuais geralmente apresentam versões diferentes pra cada país, com negociações de direitos autorais variando de região pra região. Em muitos casos, ao acessar a loja virtual do país em que se encontra para achar conteúdos em português, é preciso saber exatamente o que se está procurando, pois esses livros não vão estar aparentes nem vai haver uma seção de livros em português. Em algum casos ainda, se o conteúdo estiver disponível também na língua principal daquele país, é possível que o conteúdo venha primeiramente naquela língua, mesmo que seja um e-book ou aplicativo criado no Brasil.

O ambiente virtual é vasto e são muitas as estratégias. A seguir, vou compartilhar algumas que aprendi na prática na busca por esses conteúdos.

 

Apple
Conforme já foi dito nos posts anteriores, para se comprar livros-aplicativos para aparelhos da Apple (iPhone ou iPad) é preciso acessar o aplicativo da AppStore. Para ler e-books, há diversas possibilidades (veja mais abaixo) e uma delas é baixar livros e ler no aplicativo iBooks, da própria Apple. Para ter acesso fácil aos conteúdos em português dessas duas lojas, a melhor saída é criar uma segunda conta na Apple, o chamado Apple ID, e colocar sua localização do Brasil.

Se você já tem uma Apple ID, é possível mudar o país em que a conta está registrada, mas com isso você perde o acesso à loja do seu próprio país e se tiver assinaturas, os contratos terão de ser cancelados. Além disso, os aplicativos que você já baixou só podem ser atualizados se sua conta estiver registrada no mesmo país do momento em que foram baixados, criando uma confusão e dor de cabeça enormes mais pra frente.

Para criar uma conta brasileira, no entanto, não é assim tão simples.
Informações para cadastro: endereço brasileiro.
Pagamento: apenas cartão de crédito brasileiro.
Enquanto em alguns países é possível ter uma conta daquele um país sem incluir um número de cartão de crédito, infelizmente no Brasil a conta só vai ser confirmada desse modo.
Vale a pena todo esse trabalho? Em termos de aplicativos, a Apple possui a maior variedade de livros-aplicativos de qualidade, que só podem ser acessados em aparelhos dessa marca. Apesar da dificuldade inicial (no meu caso tive que pedir os dados de alguém da família), a vantagem de se ter uma conta brasileira é estar antenado nos conteúdos literários e publicações em geral que estão circulando no Brasil. Assim fica muito mais fácil fazer com que esses conteúdos façam parte do seu dia-a-dia. Veja a tela do iBooks na versão em inglesa e brasileira. Qual você acha que vai estimular mais a sua família a praticar o PLH?

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Caso não seja possível criar uma conta brasileira, a saída é pesquisar por autor ou título em português e torcer pra que esteja disponível no seu país.

Livrarias de e-books
Para comprar e-books em português, as livrarias virtuais costumam fazer uma boa curadoria, com um sistema de busca e informações sobre os livros mais detalhadas do que o iBooks, por exemplo.

Livraria Cultura, acesse aqui
Onde você pode ler os e-books baixados nesse site: baixe o aplicativo da Livraria Cultura no seu aparelho favorito – Apple, Android, Windows Phone, PC ou Kobo.
Informações para cadastro: RG e CPF, número de telefone brasileiro
OBS: Esses dados são apenas para cadastro, então é possível usar o endereço e telefone de algum parente ou amigo.
Pagamento: apenas cartão de crédito brasileiro, boleto e débito em conta corrente (Itaú e Banco do Brasil), PagSeguro (Bradesco, Utaú, Banco do Brasil e Banrisul)
Opinião sobre a seção Infantil: a página dos e-books infantojuvenis mistura literatura e textos informativos para os pais, além de mostrar o best-sellers, quase sempre traduções, em primeiro lugar. Pouco espaço, portanto, para cultura e literatura brasileiras. O filtros que deveriam facilitar a busca, no momento da escritura desse post, apresentavam problemas pois incluíam apenas títulos em inglês e títulos em português que correspondiam a tais categorias apareciam apenas na página principal.

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Amazon, acesse aqui
Onde você pode ler os e-books baixados nesse site: leia no Kindle, leitor digital da própria Amazon, ou baixe o aplicativo Kindle no seu aparelho favorito: Apple, Android, Windows Phone ou PC.
Informações para cadastro: se você já tem uma conta na Amazon, é possível configurar apenas a sua conta Kindle, dentro da sua conta normal, para ter acesso aos e-books disponíveis no Brasil, mas isso significa que você não vai mais ter acesso a todos os e-books do país onde está (ainda que a Amazon Brasil tenha um catálogo internacional considerável). Se você normalmente não compra e-books no seu país, essa é a maneira mais fácil de acessar e-books brasileiros morando no exterior. Caso contrário, a recomendação então é criar uma conta brasileira independente da primeira. Só é necessário um endereço no Brasil.
Pagamento: aceita cartão de crédito internacional.
Opinião sobre seção Infantojuvenil: há uma mistura de best-sellers com auto-publicações e clássicos da literatura infantil. Títulos infantis e juvenis aparecem misturados, dificultando a busca. Histórias para crianças menores são mais facilmente localizadas na subseção “Histórias Tradicionais”.

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Saraiva, acesse aqui
Onde você pode ler os e-books baixados nesse site: baixe o aplicativo SaraivaReader no seu aparelho favorito: Apple, Android, PC, Mac ou leia diretamente no Lev, leitor digital da Saraiva.
Informações para cadastro: CPF, endereço e telefone brasileiros
Pagamento: apenas cartão de crédito brasileiro, cartão de débito brasileiro (Visa), boleto ou débito em conta (Itaú e Banco do Brasil).
Opinião sobre a seção Infantojuvenil: a melhor seção de livros infantis dentre os sites citados, com variedade de livros ilustrados e novelas para leitores em formação, além de novelas adolescentes. Possui muito mais conteúdo brasileiro do que a Saraiva e a Cultura, como Eva Furnari para os menores, e Pedro Bandeira para os que já leem texto mais longos.

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E você, tem algum site ou loja virtual que usa para acessar livros digitais e aplicativos em português? Tem Android ou Windows Phone? Como você faz? Compartilhe nos comentários.

 

Screen Shot 2016-03-28 at 7.29.22 PMAline Frederico é pesquisadora e doutoranda em literatura infantil na Universidade de Cambridge e pesquisa livros infantis interativos no iPad. Colabora com o recém-nascido blog Literatura Infantil Digital e coordena o projeto Historinhas em Cambridge de contação de histórias em português. Na Plataforma Brasileirinhos, Aline comanda a coluna High Tech.

 

 

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O que acontece quando se junta o Portunhol com o Espanguês?

Por Carla Scheidegger
Coluna Pelo Mundo

EspanhaQuais são as vantagens e os desafios do ensino de PLH em países de língua espanhola? No Brasil, muitas pessoas afirmam falar Portunhol com certo orgulho, como se isso fosse algo positivo. Porém, pessoas que vivem em países de língua espanhola nem sempre veem isso da mesma forma. Pelo Mundo desse mês traz uma entrevista com as coordenadoras da iniciativa Brasileirinh@s em Málaga – Fátima Lobão Fernanda Rotondaro da Silveira, Lisa Rech e Sandra Sainz Fernández – sobre o ensino de PLH a crianças que tem como língua dominante o espanhol.

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Carla Scheidegger > Bom dia, meninas. Outro dia estava conversando com uma amiga que aprende latim e pensei em traçar um paralelo entre a língua dominante espanhola e o aprendizado de PLH. Na percepção de vocês, quais são as VANTAGENS para as crianças que falam espanhol no aprendizado de PLH?

Brasileirinh@s em Málaga >> Das línguas românicas, o português e o espanhol são as línguas com mais semelhanças e isso pode fazer com que as crianças tenham alguma vantagem no aprendizado de PLH. As semelhanças morfológicas, sintáticas, semânticas e fonéticas das duas línguas fazem com que elas consigam avançar rapidamente no processo de aprendizado. Tivemos um relato de uma mãe que dizia que os filhos até lá pelos 4 anos, pensavam que se tratava da mesma língua. Costumamos dizer aos alunos de PLE (Português como Língua Estrangeira) que são hispano-falantes que saber espanhol é saber 85% da Língua Portuguesa. No caso das crianças que possuem o Português como Língua de Herança, esta porcentagem ajuda bastante! No geral, para elas é fácil entender a língua – a maioria entende tudo (ou uma grande parte).

Carla > Se falar espanhol como língua dominante pode facilitar no entendimento da língua portuguesa, quais seriam as DIFICULDADES no aprendizado de PLH?

Brasileirinh@s em Málaga >> Talvez o principal desafio consista justamente em separar o que é espanhol do que é português e, principalmente, o fato de que nem sempre as famílias conseguem falar exclusivamente em português. Assim, misturam as duas línguas e acabam se comunicando no nosso “inimigo” portunhol. Inimigo porque a proximidade das línguas é tanta que, às vezes, é realmente de forma inconsciente que mães ou pais (ou casais) brasileiros falam portunhol achando que estão falando português. As crianças, se nascidas aqui na Espanha e quase sem contato com a língua portuguesa através das famílias, podem achar perfeitamente que o “portunhol” e o português são a mesma coisa. Segundo nos contam algumas famílias, outro grande desafio é enfrentar o “NÃO pertencer” a um grupo social quando falam português somente com os pais. Os amigos os consideram estranhos por terem pais que falam outra língua. Eles têm que estar constantemente se justificando.

Carla > E quais seriam os DESAFIOS enfrentados pelos pais e como eles lidam com eles?

keep-calm-hablo-portunholBrasileirinh@s em Málaga >> Alguns pais confessam ter dificuldade em comunicar-se exclusivamente em português na presença dos filhos, porque a maioria passa grande parte do dia falando espanhol. Outros admitem, inclusive, serem incapazes de falar português. Há os que assumem que escorregam no “portunhol”. Algumas pessoas manifestam que sentem vergonha de falar a língua portuguesa com suas crianças na frente de espanhóis. Já outros que falam português, revelam sofrer certo preconceito por parte de espanhóis. Por fim, os pais que conseguiram estabelecer a língua portuguesa como única com as crianças e afirmam que não teriam outra forma se relacionar afetivamente com os filhos.

 
Carla > Outro dia conversei com a diretora de uma organização que ensina alemão como segunda língua aqui na Alemanha e mencionei “língua de herança”. Os olhos dela brilharam porque ela não conhecia este termo e logo entendeu seus significado. Na opinião de vocês, por que as famílias que vivem em Málaga deveriam investir esforços com o PLH, se falar espanhol, portunhol ou espanguês ja é mais do que meio caminho andado para o entendimento do Português?

Brasileirinh@s em Málaga >>  As famílias que participam do “Brasileirinhos em Málaga”, na sua maioria, afirmam querer transmitir não apenas a língua mas também todo o referente aos costumes, tradições, cultura etc. Acreditamos que os pais e as mães que procuram o “Brasileirinhos em Málaga” são conscientes da necessidade de que as suas crianças se relacionem com outras das mesmas características e esta é a primeira forma de enfrentar os desafios. Para muitas destas famílias é fundamental que as crianças tenham um espaço onde o português deixe de ser apenas a língua que se fala em casa (pelo pai, pela mãe ou por ambos) e que passe a ter valor para as suas crianças na formação como pessoa, que poderá se relacionar com familiares tanto no Brasil como aqui na Espanha quando vierem de visita. Poder proporcionar situações nas quais as crianças se encontrem e vivam experiências com outras crianças nas me
smas situações que elas é muito enriquecedor para todos os membros da família, e principalmente, um fator fundamental para o desenvolvimento da autoestima da própria criança.

+ Assista aqui ao vídeo dos Brasileirinh@s em Málaga no projeto Dona Terra.

Carla > Se vocês pudessem deixar uma frase de INCENTIVO ao ensino e aprendizado de PLH nos países de língua espanhola, qual seria?

Brasileirinh@s em Málaga >> Por mais que a tarefa seja difícil, pensem na satisfação de, no futuro, as crianças reconhecerem o valor desta herança. A recompensa deste esforço vem ao ver crianças, que em muitos casos nunca foram ao Brasil, se identificarem com a cultura e conversarem c
m outras pessoas brasileiras de igual para igual. Aconselhamos aos pais serem constantes e perseverantes na manutenção da língua e cultura, dar acesso a livros, músicas, objetos, filmes etc. Ter em casa um pouquinho do nosso Brasil, mesmo que simbolicamente!

Carla > Obrigada!
Brasileirinh@s em Málaga >>O prazer foi todo nosso em poder participar nesta entrevista!

 

 

Screen Shot 2016-02-16 at 7.27.27 AMNascida em São Paulo e criada no interior paulista, herdou a língua e a cultura alemãs dos meus pais. Estudou Comunicação Social na ESPM e pós-graduei na Fundação Getúlio Vargas, sempre com a certeza de que meu futuro seria longe do Brasil. Há 13 anos vive na Alemanha, trabalhando internacionalmente e valorizando cada vez mais a diversidade.

 

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A história do bolinho de chuva

Por Rita Turner
Coluna Culinariando

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A historinha acima é pura obra de ficção, mas poderia muito bem ser a história do bolinho de chuva. A verdade é que não há uma história oficial, ninguém sabe exatamente quando ou onde ele surgiu. Mesmo assim, eu aposto minhas fichas na fórmula da “necessidade gera criatividade”, que, digamos de passagem, foi muito usada pelas nossas “vovós” em tempos de menos oferta e mais escassês.

Apesar de marcar presença nas mesas brasileiras, o bolinho de chuva está longe de ser uma iguaria nacional. Muito pelo contrário, é fácil encontrar uma versão parecida dele em várias partes do mundo. Os franceses têm o bugnes, os alemães comem o krapfen, na Itália há o fritelle e os holandeses têm o oliebollen.

O que temos de original é o nome. Se foi criado ou não num dia de chuva, não sabemos, mas devo dizer que é um nome pra lá de simpático, beirando o poético. Tem outra coisa: você já notou que o som do bolinho fritando lembra o som da chuva no telhado?

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Escolhi falar do bolinho de chuva esse mês porque acho que ele combina com o outono. No Brasil, a gente está acostumado a ouvir que as águas de março fecham o verão. Aqui no hemisfério norte, onde muitos de nós moramos, são as águas de setembro, juntamente com as temperaturas mais baixas que trazem fim ao verão e anunciam a entrada do outono e suas cores alaranjadas. Tanto que nesse exato momento, eu digito essas palavras ouvindo o som da chuva fina na janela do meu apartamento.

+ E falando em culinária e cultura, assista a entrevista com o Chef Atala, criador da campanha #comocultura

Esse tempinho mais frio e chuvoso nos convida a entrar em casa, sentar no sofá e diminuir o passo dos dias cheios de verão. Nesse clima, nada mais gostoso do que bolinhos de chuva fresquinhos, daqueles que perfumam a casa inteira.

Minhas lembranças de bolinho de chuva são, como devem ser as de muitos, doces e nostálgicas. Posso visualizar minha avó na ampla cozinha do seu apartamento, em frente ao fogão, fritando bolinhos. À sua direita, uma tigela com a massa mole e clara. À esquerda, um prato forrado com um pedaço do saco de pão da padaria, que ela guardava e usava como papel absorvente. Os bolinhos chegavam à mesa ainda quentes, num prato fundo e acompanhado de café e leite, na mesa eternamente posta com a toalha xadrez coberta por um pedaço grosso de plástico.

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Às vezes, minha avó colocava banana picada na massa. Para os mais tradicionalistas, isso já não é mais um bolinho de chuva, e sim, bolinho de banana. De qualquer jeito, eu adorava quando tinha banana na massa. A cada mordida dava para notar a presença da banana, que tinha uma textura diferente e era sempre um pouco mais quente do que a massa.

Chuva na janela
É bolinho na panela
Eu contando os minutos
Pra sentar ao lado dela
Comendo bolinho quente
E o coração aquecer

Extra, extra!
Para não perder o bom humor durante a temporada de chuvas, aqui está uma charada para você compartilhar (ou não) com seu brasileirinho, dividindo também um pouco da nossa riquíssma música popular brasileira. Escolha a versão da música que mais lhe agrada, jogue no seu buscador, aperte o play e divirta-se!

Charada do bolinho de chuva em duas versões:

  • O que o óleo falou para o bolinho?
  • Pinga ne mim! (versão caipira)
  • Pode vir quente que eu estou fervendo! (versão rock nacional)

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Rita TurnerRita Turner é correspondente de diversos blogs de culinária. Simpatizante do grande chef Alex Atala que costuma dizer que a comida é a maior rede social do mundo, Rita acredita na influência da cozinha na formação da identidade e a vê como um agente fundamental na preservação da cultura de um povo.

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