O que é que o hino nacional conta?

Hoje começa a Copa do Mundo de 2018, um evento que será acompanhado por milhões de pessoas em todo o planeta. É verdade que esta edição não foi assim tão esperada, tão curtida. Falou-se pouco dela. Várias questões políticas, econômicas e sociais têm deixado o mundo todo cabisbaixo.

Sem tirar a imensa validade dessas questões, mas tendo em vista o objetivo desta plataforma – promover oportunidades para a celebração de uma identidade brasileira morando fora do Brasil – gostaríamos de convidar você e seus brasileirinhos a curtirem conosco 1 mês de jogos de futebol. Eventos esportivos são excelentes oportunidades para celebrarmos um multiculturalismo real e, mais ainda, uma cidadania global. Além disso, podemos criar inúmeras atividades para que nossos falantes de herança tenham oportunidades de adquirir conhecimento e a usar sua língua minoritária de maneira mais abundante.

Gabriel tem 10 anos e mora em NY. Ele faz aulas de português e, conversa vai, conversa vem, descobriu que a última vez que tinha cantado o hino nacional tinha sido na Copa de 2014!!! Professora, pai, mãe (e o próprio Gabriel) ficaram preocupados e decidiram dar um jeito nisso. O Gabriel decorou o hino e foi pesquisar o que é que aquele monte de palavras estranhas queriam dizer. Leia a seguir a explicação e o glossário que ele compilou.

 

O hino nacional brasileiro foi composto pelo músico Francisco Manuel da Silva.

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos
Brilhou no céu da Pátria nesse instante

A primeira estrofe fala sobre o plácido1 Rio Ipiranga, que fica em São Paulo em frente ao palácio onde Dom Pedro morava e onde estava quando declarou a Independência do Brasil. No segundo verso, Francisco Manuel da Silva fala do brado2 retumbante3 e heróico de Dom Pedro que representa o grito, o desejo, que não podia ser mais calado em todo o povo brasileiro.

No terceiro e quarto verso, como que instantaneamente o céu de todo o Brasil se tornou ‘‘iluminado pelo sol da liberdade” [1] em raios luminosos (fúlgidos4 ). Esse verso está a representar que, do nada, todos os problemas de Dom Pedro desapareceram por causa da independência do Brasil colônia que, agora, era país. Isso não aconteceu de verdade, mas Francisco Manuel da Silva queria que o hino fosse inicialmente um poema, então essa última frase é poética.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte
Em teu seio, ó Liberdade
Desafia o nosso peito a própria morte!

O penhor6 representa o valor impagável que tem a liberdade. A primeira estrofe é sobre o Brasil ganhando independência. A segunda estrofe é sobre o Brasil se tornando o Brasil. Esta última frase provavelmente está se referindo à de Dom Pedro, “Independência ou Morte”.

Ó Pátria amada
Idolatrada
Salve! Salve!

Segundo a minha pesquisa, essa estrofe é “Uma saudação ao país adorado e venerado por sua gente.”[2]

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce
Se em teu formoso céu, risonho e límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece

O país é um sonho realizado, como um raio de luz que traz às pessoas que ali vivem amor e esperança. O céu do Brasil é um céu límpido7, formoso8, risonho9, de onde a constelação Cruzeiro do Sul pode ser vista e por fazer parte de nossa historia, esta no hino nacional.

Gigante pela própria natureza
És belo, és forte, impávido colosso
E o teu futuro espelha essa grandeza

O Brasil é um território lindo, grande, e seu povo tinha muitos sonhos e desejos tinham para o Brasil.

+ E você sabe por que ficamos arrepiados quando toca o hino nacional?

Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil
Ó Pátria amada!

Segundo a minha pesquisa, “Entre todos os outros lugares do mundo, é o Brasil o mais amado por quem vive nestas terras.”[3]. “Terra adorada”, e “Ó Pátria amada!” fala do amor pelo Brasil.

Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada
Brasil!

O Brasil é como uma mãe generosa para todos os brasileiros que adoram sua pátria, pelo menos achava o Francisco Manuel da Silva. O Brasil já fez coisas ruins para o seu povo, como qualquer outro país, mas isso não faz a poesia perder o seu efeito. A gente já viu como o Brasil era amado na estrofe passada.

 

GLOSSARIO[4]

1.Plácido: adjetivo O que é ou é calmo, pacífico e transmite uma sensação de paz. “seu olhar plácido cativou a todos nós, a manhã amanheceu plácida, a plácida monotonia das férias de verão não dá muito para contar”
2. Brado: substantivo masculino Grito; voz que, propagada de modo intenso e forte, pode ser ouvida a uma longa distância.
3. Retumbante: adjetivo Bombástico; que provoca um som muito alto, intenso e de grande repercussão.
4. Fulgidos: Que brilha em excesso; que está repleto de brilho; reluzentes.
5. Pátria: substantivo feminino País onde alguém nasce ou vive como cidadão. Terra natal; local do país onde alguém nasceu. Lugar de origem de um grupo ou de uma circunstância que interessa uma sociedade, ou que se sobressai por possuir uma grande quantidade de coisas de mesma natureza. Lugar definido por ser o melhor. Região, local ou clima em que certos animais estão mais adaptados. Designação da terra paterna.
6. Penhor: adjetivo Algo impagável (priceless- english tradution) que não tem igual, que não daria por nada, a coisa mais importante do mundo.
7. Límpido: adjetivo Que se apresenta com clareza; em que há pureza e transparência
8. Formoso: adjetivo Característica de quem possui uma boa aparência; atributo da pessoa bonita
9. Risonho: adjetivo Que sorri ou tem aspecto sorridente; ridente ou sorridente. Que expressa excesso de felicidade; alegre ou contente.

 

MENSAGENS DO AUTOR
Pátria: A palavra Pátria é falada muito no hino nacional brasileiro, e como você viu no glossário, o Brasil, como é onde a gente nasceu, e para alguns criado, o Brasil pode ser sua pátria. Mas e os Estados Unidos, ou algum outro país que te representa? A resposta é: Todos. Eu tenho três pátrias: Brasil, Estados Unidos, e Grécia. Mas, no hino, o Brasil não é só a pátria deles, é o penhor, tão importante que eles iriam “Desafiar o peito a própria morte”!
Hino: O Hino Nacional Brasileiro é mais do que palavras. O hino é poesia, música, e um símbolo para o país. O Hino é tão importante, ele é quase mais importante do que a nossa bandeira. O Hino é música, poesia, e uma história do começo do país, da nossa independência.

 

SITES USADOS
1: “Significado do hino nacional do brasil”. significados.com.br. Significado-do-hino-nacional-do-brasil.
6 Jun. 2017. Web. 12 Jun. 2018.

2: “Significado do hino nacional do brasil”. significados.com.br. Significado-do-hino-nacional-do-brasil.
6 Jun. 2017. Web. 12 Jun. 2018.

3: “Significado do hino nacional do brasil”. significados.com.br. Significado-do-hino-nacional-do-brasil.
6 Jun. 2017. Web. 12 Jun. 2018.

4: “Dicio Dicionário Online de Português”. Dicio.com.br. Significado-de-Brado.
17 Set. 2012. Web 12 Jun. 2018.

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Distrito Escolar de Somerville recebeu acervo de livros infantojuvenis em português da BEM

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Nova Iorque, 11 de junho, 2018 – O distrito escolar de Somerville, MA recebeu no dia 30 de maio de 2018 646 livros para leitores de idades de 0 a jovens adultos. O acervo  certamente será um poderoso recurso para diferentes programas e escolas. Regina Bertholdo, diretora do Parent Information Center, esteve no coquetel de comemoração ao Prêmio PLH que aconteceu na sexta-feira, 1 de junho, na sede do Consulado Geral do Brasil em Boston e fez um agradecimento oficial representando o distrito escolar de Somerville. A doação foi parte das atividades da 5a Conferência sobre o Ensino, Promoção e Manutenção do Português como Língua de Herança, evento que ocorreu entre 31 de maio e 3 de junho deste ano, no MIT.

Desde 2009 Brasil em Mente, uma organização cultural comprometida com a conscientização e produção de recursos e oportunidades para a vitalidade do português como língua de herança, cria e recria programas que vão muito além de NYC, onde é sediada. Em 2011 inaugurou uma biblioteca pioneira com um acervo que chegou a 2.000 livros à disposição da comunidade de falantes de português residentes na área metropolitana de NY.

 

Da esquerda para direita, Regina Bertholdo, diretora do Parent Information Center em Somerville, Felicia Jennings-Winterle, fundadora da BEM e Adriana Fernandes, especialista em engajamento comunitário, funcionária da prefeitura de Somerville.

 

“A biblioteca foi criada para apoiar pais e educadores com material de leitura originalmente escritos em português e assim, aumentar o número de oportunidades de inserção da língua portuguesa na dia a dia dos falantes de herança. O desafio de escolher e comprar livros de qualidade era sempre mencionado por pais como um dos fatores que desafiavam a manutenção do PLH em suas casas”, explica Felicia Jennings-Winterle, fundadora da Brasil em Mente.

 

O nome da biblioteca faz homenagem à Patricia Almeida, funcionária do Itamaraty que trabalhou como vice-cônsul no Consulado Geral do Brasil em Nova Iorque entre 2009 e 2012. Em seu primeiro ano, criou o Projeto Brasileirinhos no qual filhos e netos de cidadãos brasileiros vinham ao consulado uma vez ao mês para brincar, cantar e fazer amigos em português. De acordo com ela, quando começou a trabalhar naquele posto consular notou que pais brasileiros falavam inglês com seus filhos nas salas de espera. Ela achava que se o consulado convidasse a comunidade para se encontrar em seu espaço, as famílias motivariam umas às outras e manteriam sua língua e cultura original.

 

As crianças devem ser expostas ao português desde muito cedo, antes que cheguem à idade escolar, e a língua deve ser associada a atividades divertidas e interessantes“, diz Patricia.

“Começamos a abrir a biblioteca aos domingos, mas um número muito pequeno de famílias veio muito poucas vezes. Decidimos então facilitar o processo e criamos um programa que enviava livros pelo correio. Dessa maneira, lidar com estacionamento, trânsito e a distância não seriam mais considerados obstáculos”segundo Felicia.

 

Por 5 anos o programa utilizou o Media Mail, um serviço dos Correios Americanos que possibilitou que livros fossem enviados para os 50 estados americanos por uma taxa fixa e baixa. Apesar da facilidade e do constante crescimento do acervo, dadas as generosas doações de editores, autores, ilustradores e famílias cujos os filhos já tinham crescido, o programa teve um número muito pequeno de membros. Várias propagandas foram feitas mostrando os benefícios de ler e escrever em duas línguas, que a coleção da biblioteca era curada sob medida levando em conta as necessidades específicas dos falantes de herança, que era mais barato pagar a taxa mensal de US$25 e ter acesso a 12 livros por mês do que comprar 144 livros no Brasil, e que espaço e armazenamento não seriam mais um problema. Os esforços simplesmente não foram o bastante.

 

“Os livros começaram a ficar muito empoeirados e em meu coração eu podia sentir que o brilho daquele tesouro, que agora dividia espaço comigo em minha casa, estava desaparecendo. Eu me dei conta que se os leitores não estavam vindo até os livros, os livros deveriam partir e chegar onde pudessem ser realmente aproveitados, todos de uma vez. Somerville pareceu ser o lugar perfeito desde que fui até lá pela primeira vez.”

 

Português é uma das mais expressivas línguas em Somerville, uma cidade localizada a 20 minutos de Boston, MA. Não só a cidade respira várias línguas e culturas, mas também celebra a diversidade de sua essência. Há um número significativo de escolas e programas extracurriculares oferecidos aos falantes das mais diversas línguas. Adriana Fernandes, especialista em engajamento comunitário, funcionária da prefeitura de Somerville, diz que pelo menos 500 dos estudantes de Somerville se identificam como falantes nativos da língua portuguesa. Mas ela faz uma ressalva: “Esse número pode ser muito maior. Quando lidamos com estatísticas sobre imigrantes indocumentados sempre há uma margem de erro devido ao receio de identificação. Mesmo assim pode-se dizer que 54% dos alunos de Somerville vêm de lares cuja primeira língua não é o Inglês.”

 

“Como sonhadora e idealizadora de cada aspecto da biblioteca, eu estou triste. Eu gostaria de ter tido a oportunidade de cultivar esse sonho. Mas eu me dei conta de que entregar a biblioteca para uma instância muito mais cheia de recursos do que eu não significa desistir do meu sonho. Pelo contrário: significa que ele poderá continuar e crescer. E enquanto penso nisso a imagem de uma linda árvore explodindo com inúmeras flores delicadas em uma manhã de primavera me vem à mente. Me sinto honrada em poder oferecer um tesouro que me é tão querido”, diz Felicia. 

Tudo vai dar certo

Por Felicia Jennings-Winterle
Editorial

 

Mais e mais as mães me impressionam. Quanta energia, quanta atenção, quanto desprendimento. Sou privilegiada por poder observar uma variedade de famílias e suas dinâmicas.

Cada uma tem seu jeito: umas gritam, outras cantam; umas choram outras vibram; umas abraçam forte, outras dão asas.

As mães com quem mais convivo e observo estão em minha própria família, minha mãe e minha irmã, e em meu meio de trabalho, minhas parceiras e as mães dos meus alunos.

É cada mãe.

Uma mais bonita que a outra. A maioria não conheci antes de ser mãe, mas a minha irmã… como a maternidade a fez serena, bela.

As mães são bonitas porque têm desejos, sonhos e a cada passinho que seus filhos dão, a cada descoberta, elas sorriem. Esse sorriso massageia todo o cansaço e toda frustração que o resto do mundo lhes causa.

E é uma mais persistente que a outra. Engraçado, mesmo super focadas em objetivos que parecem surreais, elas são tranquilas – “tudo vai dar certo”, é a frase que eu mais ouço da minha mãe.

De vez em quando alguém de fora de casa estampa na cara delas que a filha é muito bonita, que vai muito bem nos estudos ou que, do alto dos seus 3 anos de idade, ainda trocando o R pelo L, dá um show de articulação e vocabulário no seu bilinguismo, e elas sorriem. Um sorriso leve, discreto. Só elas sabem como chegaram lá.

+Leia também: O papel da mãe no bilinguismo

Agora lindo mesmo é ver como as mães são sonhadoras. Vivem sonhando acordadas, vendo nas crias o que queriam pra se próprias mas que preferiram deixar para que os filhos tivessem, fizessem, vissem ou comessem.

E ao sonhar, sabem que um dia vão acordar e seus sonhos terão se concretizado, mesmo que longe de sua visão. Sabem que os filhos vão deixá-las para voarem, para o mundo conquistarem.

Eita como a mãe chora. Fernando Pessoa falava que as lágrimas das mães de Portugal salgarem seu mar? Eu acho que é elas salgam os mares e oceanos. No mundo inteiro elas choram.

+Leia também: Como lidar com a resistência à uma língua

E o choro é de tristeza, de alegria, de frustração, de remorso, de raiva de sua impotência, de medo.

Mãe de filho expatriado chora muito de saudade. Mãe de cidadãos do mundo chora por conta da resistência inicial do filho e do mundinho ao seu redor ao seu ser diferente. Mas invariavelmente, lá na frente, choram com um sentimento de missão cumprida, de êxtase.

 

Minha mãe me conta que ao nos ver bebês, eu e minhas irmãs, disse a si mesma: “elas não me pertencem, elas são do mundo.” Dedicou sua vida, abdicou de sua individualidade e hoje colhe os frutos da fidelidade e da interculturalidade que só regam sua felicidade.

Mãe, aguarde: tudo vai dar certo. Já está dando certo. Pode dar seu sorriso discreto.

Feliz Dia das Mães!

 

 

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

Chiquinha Gonzaga – A Pioneira

A Brasil em Mente tem como um de seus objetivos centrais trazer, como seu nome indica, o Brasil e os brasileiros à mente das pessoas. Sendo março o mês que celebra as mulheres, estamos desenvolvendo uma série de posts sobre mulheres brasileiras de quem podemos nos orgulhar e muito.

As escolhas dos nomes foram feitas por um grupo de mulheres de diferentes áreas de formação. A homenagem de hoje foi elaborada por Rejane de Musis, educadora musical e promotora do PLH no estado de MA, EUA.

Francisca Edwiges Neves Gonzaga foi a primeira em muita coisa. Primeira chorona (primeira pianista de choro), foi autora da primeira marcha carnavalesca com letra (O Abre Alas, 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. E as alas se abriram para ela.

Tornou-se também a primeira compositora popular do país ao adaptar o piano à música popular brasileira. O sucesso começou em 1877, com a polca Atraente. Estreou no teatro de variedades em 1885, criando a trilha da opereta de costumes A Corte na Roça, de 1885. Mas seu maior sucesso nos palcos foi a opereta Forrobodó, de 1911, que chegou a 1500 apresentações seguidas após a estreia – produção que detém até hoje o maior desempenho de uma peça deste gênero no Brasil.

Compôs até os 87 anos de idade. Poderosa!

Sobre a Rejane
Rejane de Musis é graduada em Educação Musical pela UFMT e Pós Graduada em Gestão Cultural pelo SENAC-RJ. Já regeu mais de 20 corais infantis no Brasil e EUA e atualmente é professora de música e português como língua de herança para crianças, e produz o programa infantil Praticutucá.

Suzana Herculano-Houzel, ciência acessível

A Brasil em Mente tem como um de seus objetivos centrais trazer, como seu nome indica, o Brasil e os brasileiros à mente das pessoas. Sendo março o mês que celebra as mulheres, começaremos uma série de posts sobre mulheres brasileiras de quem podemos nos orgulhar e muito.

As escolhas dos nomes foram feitas por um grupo de mulheres de diferentes áreas de formação. A homenagem de hoje foi elaborada por Débora Dantas, bióloga de formação e promotora do PLH no estado de NY, EUA. 

Suzana Herculano-Houzel é carioca, nascida em 1972 e formada em Biologia (com ênfase em genética) pela UFRJ. Fez mestrado na universidade americana Case Western Reserv, doutorado na Universidade de Paris VI (Pierre et Marie Curie) e Pós-Doutorado no Instituto Max Plank, na Alemanha; sendo que todos os seus trabalhos são na área de neurociências. Desde 2002 é professora na UFRJ e dirige o Laboratório de Neuroanatomia Comparada da UFRJ. Suzana possui mais de 45 artigos científicos publicados em mais de 11 anos de trabalho.

Sua carreira tem expressão mundial e ela já deu uma TED TALk sobre o funcionamento do cérebro humano. Assista, aqui.

A cientista se dedica à divulgação científica com linguagem simples e acessível. Em 2000 lançou o site O Cérebro Nosso de Cada Dia com artigos, notícias, exercícios, livros, charadas, videos e mais uma infinidade de itens acessíveis ao público que tem como objetivo desmistificar e popularizar a neurociência. Outro produto da enorme produtividade da pesquisadora são os seus livros. A lista é enorme – veja, aqui.

Um deles, A vantagem dos humanos: como nossos cérebros se tornaram notáveis (no original, The human advantage: how our brains became remarkable, MIT: 2016) discorre sobre a grande diferença entre o cérebro humano e o de outros animais. Os nossos são incríveis, mas esse fato não é por acaso. O cérebro humano foi construído a partir do de outros primatas que foram capazes de resguardar um grande número de neurônios com uma invenção tecnológica que permitiu que eles ingerissem muito mais calorias em muito menos tempo. E sabe que invenção foi essa? Cozinhar.

Outra marca da Suzana é seu constante esforço para conseguir condições decentes para os cientistas brasileiros. Se depender dela e de outras inúmeras profissionais brasileiras, teremos um futuro mais feminino na ciência e tecnologia brasileira que hão de sobreviver mesmo nas condições políticas atuais.

Parte do conteúdo retirado do site Cientistas Brasileiras.