Vamos deixar que contem, argumentem, apresentem e instruam

Ivian Destro Boruchowski, MEd
Coluna Educação Bilíngue

Post #250

No post anterior, expus minhas reflexões e sugestões sobre o que poderíamos priorizar quando iniciamos um trabalho com aprendizes de línguas de herança (LH). Propus que nossos primeiros esforços, como pais e professores de LH, seguiriam o caminho de tornar a criança capaz de descrever e narrar sua experiência cotidiana para seus pais, avós, tios e primos.  Ao ser capaz de conversar com familiares e amigos na LH sobre sua própria história, o uso da língua terá um sentido e uma experiência social real, o que será mais significativo e, consequentemente, mais produtivo para sua aquisição e aprendizado da LH.

Então, quando já são capazes de descrever e narrar as histórias de seu cotidiano, por onde prosseguir? 

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Bem, um caminho possível é aprofundar o trabalho com os gêneros narrativo e descritivo. Neste post nossa reflexão será: quais são as oportunidades que nossos filhos e alunos de língua de herança têm diariamente para elaborar um texto descritivo?

Descrever pode ser entendido como apresentar imagens por meio de palavras.

Recentemente, meu filho mais velho foi pescar com sua turma no acampamento de verão. Ele chegou muito entusiasmado em casa e aproveitei para pedir que me descrevesse o barco, os instrumentos utilizados, o lugar onde estava, os animais que viram, etc. Há várias situações que podemos aproveitar para que nossos aprendizes explorem o texto primordialmente descritivo, como exemplo fazer um diário de viagem, escrever ou contar sua autobiografia, elaborar um currículo, ler ou escrever um anúncio de classificado, etc.

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Outro possível caminho a prosseguir é explorar textos que desenvolvam a exposição de ideias sobre as coisas do mundo, como
os gêneros expositivo e argumentativo. Aqui serão aproveitadas situações como fazer uma apresentação sobre um tema, fazer entrevistas, um verbete de dicionário, uma notícia, escrever uma carta de opinião, etc.

Um gênero textual a que nossos aprendizes estão muito expostos é o texto instrucional.

O texto instrucional indica uma orientação e tem o intuito de fazer o interlocutor seguir uma ordem, seguir passos, como visto em propagandas, receitas culinárias, manuais de instruções, etc.

As possibilidades de brincar com as situações comunicativas são infinitas e é importante lembrar que os textos geralmente contem mais de um gênero textual. Por exemplo, uma receita de bolo apresenta a lista de ingredientes necessários (texto descritivo) e o modo de preparo (texto instrucional). A proposta aqui é a de tornar a criança capaz de narrar sua própria história, descrever, expor e argumentar suas próprias ideias sobre as coisas do mundo na LH.

Bem, para isso não basta oferecer textos: eles devem ser lidos, relidos, contados, recontados, produzidos, analisados, discutidos, etc. É importante que nossos aprendizes de LH experimentem produzi-los para que com o tempo se apropriem dos modos de organização de cada um desses textos e sintam-se capazes de se expressar plenamente em sua LH, seja narrando, descrevendo, apresentando, argumentando, ou dando instruções a alguém.

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Você conhece o lançamento da editora BEM, Sou chef / I am a chef? Um livro de culinária bilingue para os pequenos chefs…

Lendo Viagem às terras de Portugal

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

Viagem-Às-Terras-de-Portugal-300x275Em 2009 o escritor mineiro José Santos foi morar em Portugal para conhecer mais sobre a terra do seu avô. Ele visitou lugares, conheceu pessoas e aprendeu mais sobre a língua portuguesa. Dessa experiência nasceu este livro embalado pela poesia das cidades pelas quais ele passou e pelo ritmo de falar dos nossos amigos portugueses. Uma mesma língua e tantas variações!

Cada poesia nos apresenta alguma curiosidade ou particularidade sobre Portugal, pode ser uma cidade, uma comida, uma palavra, uma lenda. E assim, a cada página vamos nos deixando levar não só pela poesia mas também pela curiosidade, pela vontade de aprender um pouco mais. No livro há poesias mais longas como Bem que Camões avisou… e que segundo o autor nasceu depois dele ter lido um texto curioso sobre o poeta; trovas curtas e trava-línguas inusitados. Vamos tentar este chamado Maluquices?:

 

Que rimas malucas

fez o doutor Magalhães:

“De Goães até Cervães,

de Pinhães até Ruivães,

de Cinfães a Guimarães,

os dias vêm, os dias vães

 

O livro é rico em vocabulário, apresenta palavras de pouco ou quase nenhum uso no Brasil e até mesmo palavras usadas em Portugal de uma maneira diferente à que estamos habituados. Essa riqueza pode incentivar algumas brincadeiras e descobertas, e o velho e bom dicionário torna-se um excelente aliado. A riqueza se extende até a geografia já que o autor “passeia” por bairros de Lisboa, cidades de Portugal e dá um pulinho até a Ilha da Madeira. Quer mais um pouco de beleza? As ilustrações feitas pelo português Afonso Cruz são repletas de cor e expressão. Aliás, o artista foi um dos presentes que o José Santos ganhou durante a nova experiência, Afonso viajou o Brasil de norte a sul mas foi em Portugal que o escritor e o ilustrador se conheceram e desse encontro nasceu este livro.

Confesso que numa primeira leitura o livro me pareceu um pouco difícil se as crianças fizerem a leitura sozinhas, por isso acho interessante que a leitura seja feita junto com elas. Assim, fica mais fácil brincar com as palavras, mergulhar um pouco mais no conhecimento que se abre a cada página e deixar se envolver pela poesia. O adulto estará aí para guiar a leitura e torná-la mais agradável. Cada livro tem um efeito diferente em cada pessoa e o mesmo livro lido em diferentes momentos pode ter diferentes leituras feitas pelo mesmo leitor. Acredito que todos já passaram por uma experiência similar. É a magia do livro, a de poder oferecer leituras diferentes dependendo do humor, do espírito e do sentimento com o qual o leitor se entrega.

Para quem este livro é indicado? Para todos os que gostem de ler, de explorar , de aprender. Com relação à faixa etária eu preciso fazer outra confissão, quase nunca me deixo levar pela estabelecida no livro. É obvio que há indicativos que precisam ser respeitados como livros para bebês ou adolescentes mas de uma maneira geral acredito que depende do que o leitor está buscando ou do que ele gosta mais. Muitas vezes, eu adulta, quero me deliciar com a magia que só os livros infantis possuem. O escritor inglês Phillip Pullman disse que alguns assuntos são muitos grandes para caber na ficção adulta, eles só podem ser tratados adequadamente nos livros infantis. Acho que em certos pontos compartilho dessa idéia ou talvez, eu leio os livros infantis para alimentar a criança que ainda está em mim. Não importa, o que realmente vale é não subestimar as crianças e limitar a leitura baseado em rótulos. Como pais e educadores devemos abrir o leque e permitir que eles escolham.

logo_BIBPA Associe-se já à biblioteca infanto-juvenil brasileira Patricia Almeida. A BIBPA está a sua espera, com o livro “Viagem às terras de Portugal” e muitos outros da editora Peirópolis. Você pode receber livros em sua casa, em todo os EUA.

Vamos contar e deixar que contem…

Por Ivian Destro Boruchowski, MEd
Coluna Educação Bilíngue

Já faz alguns meses que me dedico a pensar muito sobre quais seriam as habilidades fundamentais nas quais devo me concentrar para que meus filhos e meus pequenos alunos de português como língua de herança iniciem sua jornada de desenvolvimento dessa língua. Cá dentro, comecei a refletir  sobre os propósitos e as razões dessas crianças desenvolverem suas habilidades linguísticas. Enfim, para que queremos que nossos filhos e alunos se expressem, conversem, leiam e escrevam nessa língua?

Em minhas observações informais e na pesquisa realizada pela professora Cleménce Jouët-Pastré (2011) com alunos de PLH em universidades, observamos que, em sua maioria, famílias brasileiras estão inicialmente preocupadas com a manutenção de laços familiares, buscando o desenvolvimento da LH de seus filhos para que sejam capazes de se comunicarem com a família distante. Em segundo lugar, existe o desejo de que essas crianças desenvolvam habilidades de ler e escrever para que se tornem bilíngues mais balanceados e para que tenham acesso a uma herança cultural letrada. Há também o desejo de que os pequenos iniciem o aprendizado em situações formais tanto na modalidade oral, quanto na escrita, para que,futuramente tenham vantagens profissionais sobre esse conhecimento.

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A linguagem verbal, que inclui a linguagem oral e a escrita, é instrumento básico de expressão de ideias, sentimentos e imaginação. A aquisição da linguagem oral depende das possibilidades das crianças terem acesso e participarem cotidianamente de situações comunicativas diversas como conversar, ouvir histórias, narrar, contar um fato, brincar com palavras, refletir e expressar seus próprios pontos de vista, observar e diferenciar conceitos. Aí é que percebemos o quanto o falante de herança se diferencia de um falante nativo, pois aquele tem um acesso restrito a essas situações comunicativas que lhe ensinariam e lhe exigiriam expressão, enquanto o nativo está imerso nessas situações em casa, na rua, na escola, enfim, o tempo todo.

Tornar nossos filhos e alunos capazes de se expressarem plenamente na linguagem oral e escrita é um caminho longo e deve ser planejado e continuamente trabalhado por pais e professores.

Para poderem se comunicar com os pais e com a família distante é preciso que essas crianças sejam capazes de descrever e narrar seu cotidiano, a rotina escolar, os eventos de fins de semana, etc. Na língua materna a experiência com esse tipo de texto acontece espontaneamente, como por exemplo nas conversas com a família e com amigos. Além das situações espontâneas de comunicação, uma criança que convive com a sociedade de sua língua materna tem acesso ao mundo letrado das narrativas até mesmo antes de saber ler porque ouve histórias, poemas e cantigas que utilizam formas de composição descritivas e narrativas nessa língua.

Deve-se dar ferramentas para que os falantes de herança narrem seu cotidiano para alguém. Isto é, nossos primeiros esforços em casa e nas aulas de LH seriam em prol de tornar a criança capaz de descrever e narrar sua história, sua própria experiência de vida para seus pais, avós, tios e primos. E esse trabalho primordialmente oral deve ser enriquecido por livros de literatura infantil e pelo trabalho com a escrita.

As narrativas literárias que encantam as crianças não só ampliam o vocabulário, mas também oferecem um modo de contar histórias. Além de ouvir ou ler, é importante que as crianças recontem essas narrativas. Ao ler e ter a necessidade de reproduzir a criança está ampliando seu domínio sobre as estruturas da linguagem tanto oral como escrita. Por isso, convido pais e professores: vamos contar e deixar que contem…

 

Referência:
Jouët-Pastré, C. (2011). Mapping the world of the heritage language learners of
Portuguese: Results from a national survey at the college level. Portuguese Language Journal. 5, Fall, 2011. Retrieved on September 03, 2014, from http://www.ensinoportugues.org/current-articles/

Pelo Mundo na Eslovênia

Andréa Menescal Heath
Coluna Pelo Mundo

SloveniaUma bagagem de vida e experiência de trabalho que a levaram do Rio de Janeiro a mais de 60 países, incluindo Irã, Líbia, Madagascar, Tanzânia e Egito, Marta Helena dos Santos Berglez aterrisou em Liubliana, capital da Eslovênia, em 2013. Levada pelo amor e fugindo da violência no Brasil, esta poetisa e psicóloga infantil virou Sementeira! Está espalhando e semeando a cultura brasileira em suas mais variadas vertentes: música, poesia, teatro, dança, entre outras, naquele país. E o ensino do português como língua de herança (PLH) é uma parte fundamental desse projeto.

Blog Brasileirinhos – Como você foi parar na Eslovênia e há quanto tempo mora no país?
Marta Helena dos Santos Berglez – Conheci meu marido, que é esloveno, enquanto trabalhávamos no Alasca. Moramos em Porto Alegre por dois anos e em outubro de 2013 decidimos vir morar em Liubliana.

Sementeira_Art_4b (1)Blog Brasileirinhos – Como surgiu o projeto Sementeira?
MHB – A idéia do Projeto Sementeira surgiu pouco depois que cheguei na Eslovênia, ainda em 2013. Quando comecei a conhecer um pouco mais a comunidade brasileira, percebi que algunas crianças já não falavam português por estarem aqui há algum tempo. Achei isso muito triste, particularmente pelo interesse especial que tenho pela psicologia infantil. Junte-se a isso o episódio que vivenciei de encontrar uma menina eslovena cantando Garota de Ipanema em perfeito português.

Blog Brasileirinhos – Como foi isso?
MHB – Um dia, quando estava numa pracinha com a minha filha Nina (4 anos), ouvi “olha, que coisa mais linda, mais cheia de graça…”. Era uma voz infantil que vinha de um grupo de meninas brincando perto de nós. Cheguei mais perto para ver se estava ouvindo direito e ela continuava cantando. O pai estava ao lado e não resisti em perguntar em inglês: “Ela está cantando Garota de Ipanema?” Ele, sorrindo, me respondeu: “Sim, sim!” Falei que era brasileira e por isso estava perguntando. E ele: “Ah! O Brasil! Eu adoro a música brasileira! Não falo português e não tenho nenhum parentesco, nem relação com o Brasil mas sempre fui fã da música brasileira e ensinei várias delas para a minha filha desde pequena: Garota de Ipanema, O Barquinho, Leãozinho”.

Blog Brasileirinhos – Assim, depois desses dois episódios você decidiu que precisava trabalhar com o português como língua de herança?
MHB – Isso mesmo. Por um lado, vejo uma menina eslovena cantar Garota de Ipanema e Leãozinho, porque seu pai, também esloveno e com uma paixão pela nossa música e cultura, a ensinou desde que nasceu. Por outro, encontro com uma brasileirinha que não fala português. Não, assim não pode ser, pensei. E decidi trabalhar de alguma maneira com a comunidade brasileira para aproximar mais os brasileirinhos que aqui vivem da nossa língua e da nossa cultura. Primeiro criei a página no facebook “Água na Peneira”, porque sou uma grande admiradora do Manoel de Barros, e mais adiante, o Projeto Sementeira. Acho que minha experiência de visitar países tão distantes me fez, cada vez mais, apreciar nossa cultura, entender sua diversidade e reconhecer a admiração que existe em cantos tão distantes do mundo por ela.

Projeto Sementeira 1

Blog Brasileirinhos – A partir disso, como foi se estruturando o seu trabalho junto à comunidade brasileira?
MHB – Depois de criado o Projeto Sementeira (cujo logo foi gentilmente desenhado pela arquiteta e ilustradora brasileira que vive na Eslovênia, Tati Abaurre), levei a idéia ao Conselho de Cidadãos Brasileiros da Eslovênia (CCBE) e começamos a discutir possíveis atividades nas quais o CCBE também poderia atuar conosco. Nesse esforço conjunto, surgiu uma proposta da comunidade portuguesa de criarmos uma escola de português. Eles tinham o local e juntos planejamos e realizamos oficinas lúdicas para as crianças às sextas-feiras.

Blog Brasileirinhos – Que idade têm as crianças envolvidas nas atividades?
MHB – As idades são variáveis. Temos desde bebês até crianças de 10 anos.

Blog Brasileirinhos – Existe uma rotina no trabalho de vocês?
MHB – Ainda não existe rotina pois o projeto é bem novo e precisamos de maior apoio da comunidade. Nosso maior desafio é envolver a comunidade. Quando tivemos os encontros na Escola de Português os pais estavam presentes e se envolviam e em alguns eventos já contamos com a ajuda de pessoas da comunidade como, por exemplo, da Pérola Regina, que nos ajuda nas contações de histórias. A partir de maio teremos algumas oficinas lúdicas e multidisciplinares organizadas em parceria com a Embaixada do Brasil em Liubliana e o CCBE. O Projeto Sementeira oferecerá ainda algumas atividades extras como Roda de Capoeira, dentre outras.

Blog Brasileirinhos – Como é essa cooperação do Projeto Sementeira com a Embaixada do Brasil em Liubliana?
MHB – A Embaixada nos apoia muito. Minha motivação com o Projeto Sementeira aumentou, inclusive, com a chegada da Embaixadora Katia Gilaberte. Ela é muito atuante em projetos culturais como o “Conto por Todos os Cantos” e o Projeto Raízes Brasil-África, que promove a vinda de escritores para contação de histórias para as crianças da comunidade. Já foram organizados alguns eventos com escritoras brasileiras e cabo-verdiana. Em março passado a Embaixada organizou um um café da manhã para mostrar o filme “O menino e o mundo” e depois, uma oficina de artes com o diretor do filme Alê Abreu. O CCBE e o Sementeira ajudaram na divulgação. Os trabalhos realizados pelas crianças foram até expostos na Galeria Nacional de Liubliana. Antes da Embaixadora e do Sementeira não havia projetos direcionados às crianças da comunidade brasileira. E para os nossos próximos eventos a Embaixada nos cederá um espaço, além de nos ajudar na divulgação das atividades que organizamos junto à comunidade.

Projeto Sementeira2

Blog Brasileirinhos – Que atividade essa parceria Projeto Sementeira-Embaixada está organizando para comemorar o Dia do Português como Língua de Herança?
MHB – Vamos realizar no dia 23 de maio uma oficina de leitura sobre o livro “A girafa que comia estrelas” do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Algumas marionetes foram especialmente confeccionadas para essa oficina pela artista Spela Oresnik.

Blog Brasileirinhos – Que material vocês utilizam para as suas atividades com as crianças?
MHB – Usamos livros de autores brasileiros na Contação de Histórias e sempre música brasileira, utilizando, inclusive, instrumentos musicais indígena.

Blog Brasileirinhos – Vocês possuem uma biblioteca com livros em português? Como vocês integram o livro no aprendizado do português para as crianças?
MHB – Temos um grande acervo de livros infantis e alguns filmes à disposição da comunidade na biblioteca da Embaixada do Brasil mas a busca pelos livros ainda é bem pequena.

O LIVRO EM NOSSAS ATIVIDADES É O MEIO PELO QUAL BUSCAMOS APRESENTAR A CULTURA BRASILEIRA ÀS CRIANÇAS.

Blog Brasileirinhos – De que maneira vocês orientam os pais, as famílias sobre educação bilíngue?
MHB – A página no facebook “Água na Peneira” foi criada com esse intuito e lá divulgo tudo que está relacionado a esse tema.

Brasileirinhos – Que dificuldades você enfrenta no ensino de PLH?
MHB – O trabalho é bem recente e o grande desafio é levá-lo adiante e motivar a comunidade. Resolvi fazer o curso de PLH da Brasil em Mente também para me orientar melhor nesse caminho. Ainda não conseguimos mobilizar a comunidade para a importância dos projetos mas espero que aos poucos possamos fazê-lo. Aqui na Eslovênia a participação ainda é muito pequena e nos falta também apoio financeiro, por exemplo, para comprarmos materiais para certas atividades e pagar alguns profissionais que gostariamos de envolver nas atividades. Além disso, existe a questão da distância pois há muitas pessoas da comunidade brasileira que vivem longe de Liubliana e por este motivo não comparecem aos eventos.

Blog Brasileirinhos – O que não pode faltar no trabalho de vocês?
MHB – Um real desejo de ser parte desse sonho. Entusiasmo.

Blog Brasileirinhos – Qual seria o seu recado para os pais brasileiros que moram na Eslovênia e pelo mundo afora?
MHB – Não deixem de entregar a seus filhos esse tesouro que lhes foi dado, não lhes neguem o direito a essa herança tão bela que é nossa língua e nossa cultura. Apoiem as iniciativas, compareçam, envolvam-se. Juntos vamos dar à eles, filhos, filhas netos e netas, raízes porque o mundo dará asas.

Brasileirinhos – Que recado você gostaria de deixar para outros educadores e/ou mães e pais envolvidos no ensino de PLH?
MHB – Às vezes parecerá que só você se importa com seu projeto, seu sonho, e isto é desanimador. Mas não desista, siga em frente da melhor forma possível. Prepare sua sementeira, plante sua ideias, regue-as e deixe-as crescendo. E mesmo que seja um, apenas um brasileirinho que por ali passe para colher seus frutos de brasilidade, ali você tem uma conquista. Um jardim jamais pára de crescer.

Destaques da 2CPLH

II Conferência sobre PLH tem destaques como palestra da autora Ana Maria Machado e o lançamento de uma publicação pioneira

New York, 19 de maio de 2015 – A Brasil em Mente acaba de realizar a II Conferência sobre o ensino, manutenção e promoção do PLH. Neste ano, a organização contou com o apoio institucional do CLACS (Center for Latin American and Caribbean Studies) da New York University e da Academia Brasileira de Letras. O evento teve 45 participantes inscritos que vieram de 10 países, onde ensinam e pesquisam essa especialidade linguística. A autora Ana Maria Machado, ex-presidente da ABL e embaixadora da BEM, foi a oradora principal. Sua fala intitulada “Em casa na minha língua” foi transmitida ao vivo, via internet, e pode ser vista, aqui.

Outro destaque foi o lançamento de uma publicação pioneira. O livro Português como Língua de Herança: a filosofia do começo, meio e fim (compre, aqui) foi escrito por 14 mulheres que desenvolvem diferentes trabalhos há vários anos, sintetizando em 300 páginas de excelente conteúdo como é o panorama desta língua-cultura ao redor do mundo.

Autoras presentes no evento de lançamento do livro PLH: a filosofia do começo, meio e fim. Da esquerda para a direita: Andreia Moroni (capt. 1), Ana Lucia Lico (capt. 10), Ivian Destro (capt. 7), Karina Ciocchi-Sassi (capt. 4), Patricia Fincatti (capt. 5), Luciana Lessa (capt. 6), Maria Célia Lima-Hernandes (co-organizadora, capt. 4), Carine Rocha (capt. 3), Andréa Menescal (capt. 9) e Felicia Jennings-Winterle (co-organizadora e capt. 2 e 5).

Autoras presentes no evento de lançamento do livro PLH: a filosofia do começo, meio e fim. Da esquerda para a direita: Andreia Moroni (capt. 1), Ana Lucia Lico (capt. 10), Ivian Destro (capt. 7), Karina Ciocchi-Sassi (capt. 4), Patricia Fincatti (capt. 5), Luciana Lessa (capt. 6), Maria Célia Lima-Hernandes (co-organizadora, capt. 4), Carine Rocha (capt. 3), Andréa Menescal (capt. 9) e Felicia Jennings-Winterle (co-organizadora e capt. 2 e 5).

Três prêmios de reconhecimento foram entregues. A autora Ana Maria Machado ganhou o prêmio especial de embaixadora do movimento pelo PLH, a profa. Luzia Tanaka do Japão ganhou o prêmio por sua dedicação ao ensino do PLH e a iniciativa ABCD da Austrália foi premiada por sua atuação no desenvolvimento do ensino e promoção do PLH.

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A próxima edição já tem data marcada e o tema será “a herança dessa herança”. Em breve, informações serão disponibilizadas sobre a inscrição e o envio de propostas de apresentação.