O papel da mãe no bilinguismo que envolve uma língua de herança

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Por Felicia Jennings-Winterle
Coluna Educação Bilíngue

Você provavelmente acha que sou mãe, ou que uma mãe poderia falar desse assunto com mais experiência. Apesar de eu não ter meus próprios filhos, me considero parceira dos pais com os quais convivo. Uma posição privilegiada, eu diria, porque ensino e brinco com seus filhos, mas as noites em claro são só deles. Brincadeiras à parte, tenho o privilégio de observar famílias com bagagens e expectativas totalmente diferentes, mas com uma coisa em comum – a brasilidade. E dentro dessa brasilidade, o desejo, grande ou pequeno, de que seus filhos falem, também, o português. Mas qual é o papel da mãe nesse processo?

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Esse papel é, em relação à língua, uma extensão do que a mãe deve passar ao filho: do escovar os dentes ao respeitar a si mesmo. Querer, porque se não fosse importante para ela, ela não faria mesmo. Fazer acontecer porque, ao contrário do que se pensa, a mãe faz muuuito. Compra livros e dvds quando vai ao Brasil, marca encontros com outras mães, escolhe a melhor escola, faz malabarismo para encaixar as aulas de português em meio a todas as outras atividades, carrega a criança metrô abaixo, e muitas vezes, vira freguesa do Starbucks mais próximo. Espera pacientemente por horas e é recompensada. Ouve palavras da língua mais doce para ela, dos lábios da pessoa mais doce que ela conhece.

Persistir porque, convenhamos, crianças não conseguem visualizar que aquele tempo e grana investidos renderão frutos no futuro. Quem vê isso? A mãe.

Ela reconhece o quão diversificado será o repertório daquela criança, como ela verá o mundo de maneira mais ampla, o quão mais divertidas serão as férias no Brasil na casa da vovó e dos primos. É ela que quer (porque sabe o que é melhor para o filho), que faz acontecer e que persiste (e ensina a persistir).

Mais do que herança, é um bom exemplo de como ser um cidadão do mundo, como ela é. E como dizia o grande Cazuza, “só as mães são felizes”.

Dedicado à minha mãe, minha inspiração.

Veja também:
o papel do pai, o papel dos avós, o papel da comunidade e o papel da escola.

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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41 comentários em “O papel da mãe no bilinguismo que envolve uma língua de herança

    1. Eu também não sou mãe, mas sempre tenho contatos com as famílias que o pai ou a mãe é do Brasil e vejo situações parecidas com as da Falicia. Enquando as crianças estiverem pequenas, antes de ir ao pre-escola, geralmente a mãe que passa mais tempo com elas e educa várias coisas através de levá-las para as compras, apresentá-las mundo novo, pessoas novas, etc. É imposível eu ser uma substituição completa com o papel da mãe, pois ainda não tenho próprio filho, porém, quando brincar com essas crianças dos brasileiros, tento cantar músicas brasileiras, dançar sambinhas para pelo menos poder ativar interesses pelas culturas brasileiras das crianças, desejando, no futuro, que elas possam manter sua riqueza cultural em mente.

  1. Ótimo texto! As maes sao responsáveis por muitas das nossas vivências… o bilinguismo não fica de fora! Viva as mães!

  2. Felicia vc estava realmente inspirada quando escreveu esse texto hein ?
    Amei cada palavra, amei sua homenagem a sua mae, e amei mais ainda te ver
    bebezinha !
    beijos
    Maria Helena
    MBNJ

  3. Que lindo texto, gostaria de ter escrito estas palavras pra voce. As maes sonham e buscam, mas voce faz o sonho e a busca serem recompensados. Obrigada Felicia.

    1. Desde 2012 estou trabalhando com a crianças bilíngues em Washington-DC, na grande maioria dos casos a mãe é a brasileira e os pais americanos ou de outra nacionalidade. Percebo a grande importância das mães em proporcionar, resgatar e manter a cultura brasileira e a língua portuguesa com as crianças. Sem dúvida alguma, a importância de querer e fazer acontecer como mencionado no texto é o grande diferencial para que as crianças aprendam a conviver nas duas culturas naturalmente. O laço mantido com os familiares no Brasil faz toda a diferença e são as mães neste caso que trazem as memórias mais doces para as crianças no decorrer do crescimento dos pequenos. Sou mãe de um garotinho de 5 anos e com ele compartilho as experiências mais significativas da minha infância, vejo os olhinhos dele brilharem, vejo o sorriso no rosto quando falo das minhas travessuras de menina levada, vejo o laço com o Brasil ser formado em cada conversa que tenho com ele e ele tem com a minha família. O caminho pode não ser fácil, mas certamente é recompensador, afinal, os laços de amor, afeto, carinho e senso de pertencimento da cultura brasileira são formados ainda na infância.

  4. “Ouve palavras da língua mais doce para ela, dos lábios da pessoa mais doce que ela conhece.”
    Voce acertou em cheio! Ser chamada de ‘mamãe’ pelo meu filhote e mil vezes mais emocionante do que quando ele (raramente) usa ‘mommy’. Muito obrigada por sua parceria, e por sua dedicação aos Brasileirinhos de ny.

  5. “Persistir, porque, convenhamos, crianças não conseguem visualizar que aquele tempo e grana investidos serão frutos no futuro. Quem vê isso? A mãe. Ela reconhece o quão diversificado será o repertório daquela criança, como ela verá o mundo de maneira mais ampla, o quão mais divertidas serão as férias no Brasil na casa da vovó e dos primos. É ela que quer (porque sabe o que é melhor para o filho), que faz acontecer e que persiste (e ensina a persistir).”

    Persistir, não desistir para ver frutos no futuro, diversificado repertório, um mundo mais amplo. É uma herança preciosa que uma mãe pode dar para o seu filho. Parabéns

  6. De todos os textos da Série Familia, Comunidade e Bilinguismo, creio que o papel da mãe é um dos mais importantes se esta for a principal (ou única) falante da língua que pretende ensinar aos filhos. Certamente, todos os outros fatores (pai, avós, comunidade e escola) possuem uma importância inestimável na educação da criança, entretanto é do pai nativo que a influência e persistência deve surgir. Eu, como esposa de estrangeiro, morando no exterior, trabalhando com crianças e ciente do sistema educacional de onde vivo, terei uma grande responsabilidade ao criar meus futuros filhos e assegurar que os mesmos aprendam o melhor de suas duas culturas (americana e brasileira). Falharei como mãe se não puder dar o melhor de mim ao educar meus pimpolhos em algo que lhes faz parte.

  7. Lindo texto Felicia. Concordo com todas as passagens e curiosamente me identifiquei com a frase “Ouve palavras da língua mais doce para ela, dos lábios da pessoa mais doce que ela conhece.”

    Duas semanas atras ensinei um de meus alunos de 3 anos de idade a dizer “mamae eu te amo” em portugues. Eu o ensinei a dizer isso apos testemunhar todos os esforcos de sua mae com relacao a sua educacao . Pensei que seria um doce presente ao final daquele dia de aula. Talvez ele ate ja conhecesse a frase, mas nao esperava que ele lembrasse de dize-la. Quao grande foi a minha surpresa quando ao abrir a porta da salinha muitos minutos depois, vi aquele menino correr para os bracos da mae e dizer calorosamente nao somente “mamae eu te amo”, mas “mamae eu te amo muuuuito”.

    Tambem nao tenho filhos, mas pude sentir no olhar daquela mae a importancia de palavras tao singelas ditas em portugues e tambem pude entender porque as maes sao felizes.

    Professora Aline Nunes (NZ)

  8. Por isso sempre se diz que a “língua é materna” … O papel da mãe na educação dos filhos é fundamental para a transmissão de valores não só éticos mas também culturais como a língua, transmitida como herança e tudo que a ela se relaciona como comportamentos, gostos,sabores, musicalidad… herança de identidad! É através da língua, comunicando-se, compartilhando experiências, expressando ideias e/ou ajudando que as pessoas e, neste caso em especial, as crianças se sensibilizam e podem compreender que existem diferenças e diversidade e se tornam, portanto, cidadãs do mundo.

  9. Como a Felicia, também não sou mãe mas convivo com muitas ao meu redor. Vejo o esforço que algumas fazem para seus pequenos aprenderem a sua ligua e algumas nem tanto. A mãe exerce o papel proncipal nesse aprendizado. É através dela que a criança aprenderá as primeiras palavras. E com o amor, paciencia e persistencia a criança aprenderá não só como é importante o português na vida de seus pais mas também na vida dela. Aos poucos a criança aprenderá o Português e terá orgulho de usa-lo. É o que espero quando eu tiver os meus pequenos. 🙂

  10. Felícia suas abordagens são totalmente pertinentes e concordo com você que as mães desempenham um papel fundamental na aprendizagem do Português. Sou mãe de um menino de 7 anos, e chegamos na Austrália quando ele tinha completado 4 anos, e desde então todos os dias falamos português em todo nosso tempo livre, cheguei aqui sem saber nada de Inglês e ele também , e ouvi de muitos amigos que fiz por aqui que pra eu aprender mais rápido o Inglês eu deveria conversar em casa , na rua e onde estivesse Inglês pois assim aprenderíamos o Inglês mais rápido , mas nunca concordei com esta idéia ao contrário queria era falar ainda mais Português , pois estava com muito medo que meu filho esquecesse ou deixasse de ampliar seu vocabulário em Português. E foi a melhor coisa que fiz, no início contava histórias, cantávamos e assistíamos vários desenhos em português, mas depois conversando com uma amiga decidi sistematizar ainda mais e toda semana tínhamos também um momento separado onde juntos descobríamos como se escreviam as palavras, como era divertido conseguir ler pequenas frases nos livros que eu lia pra ele, e como sou educadora, não foi difícil encontrar um jeito divertido pra aprender Português, além das viagens anuais de férias de verão onde passamos com a nossa família no Rio de Janeiro e ele adora, hoje estou feliz ao vê-lo amar o Brasil , falar do Brasil com carinho e ter um filho bilíngue que vai muito bem na escola tradicional e já consegue se comunicar, ler e escrever em Português de forma rica e clara.

  11. Embora todos tenham um papel de relevância no aprendizado bilíngue, eu ainda acho que o papel da mae (ou do pai falante da língua nao dominante) é o de maior relevância. É ele quem vai transmitir de imediato essa heranca. E por isso nao basta só querer; tem de fazer acontecer, proporcionando aos filhos momentos de contato com a língua (seja através de livros, DVDs, brincadeiras, músicas ou através do contato com outros falantes dessa língua no país onde vivem e no seu pais de origem).
    Além disso é também importante persistir. É como eu sempre digo aos meus pais: por mais difícil que seja, embora as criancas se recusem a responder em português, embora os vizinhos, professores, desconhecidos olhem desconfiados ou facam comentários desmotivadores, é preciso continuar e persistir. Só um adulto sabe o valor dessa língua e valorizá-la é importante para a crianca.
    Aqui em Munique conhecemos muitas famílias que reclamam do fato das criancas nao falarem com elas em português. Mas mesmo o aprendizado passivo um dia dará frutos, como por ex. na visita de algum parente ou numa ida ao Brasil ou até mesmo em nossa sala de aula. Se envolver com o aprendizado dessa língua também é importante.
    Se a mae é o único veículo de transmissao dessa língua, ela deve compreender primeiro pra si, o que isso significa e qual apelo ela tem para ela e para os filhos. Pode demorar, mas um dia ela colherá os frutos de sua persistência, assim como seus filhos.

    eu também nao sou mae, mas vejo o prazer nos olhos das maes com as quais convivo, quando seus filhos falam, se apresentam ou cantam em português. E isso nao tem preco!

  12. Penso que o papel da mãe é dos mais importantes no bilinguismo. É um exercício diário não cair no vício de misturar palavras em duas linguas, de manter palavras como “sacola”, “ocupada”, “agenda”, “tarefa de casa”no vocabulário. Também é fundamental o papel da mãe, sobretudo, alimentar o amor pela língua, pela cultura. Penso que a complicidade de ouvir música brasileira e cantar junto com a mãe é imensurável. Principalmente se essa mãe é o único veículo de transmissão dessa língua mas mesmo que não, a forma como essa lingua permeia o cotidiano de nossos brasileirinhos também faz muita diferença.

  13. Muito bonito o texto! Eu também não sou mãe, mas trabalhado com crianças é impossível ser indiferente ao momento de descoberta delas. E, claro, o papel das mães é fundamental, pois são quem dão todo o suporte e o acompanhamento ao desenvolvimento dessa criança. E o entusiasmo e a persistência das mães fazem toda a diferença. Acho que para perceber isso e o quanto é importante para as mães que os seus filhos estejam em bom caminho, não necessita ser mãe, basta ser provida de sensibilidade e de humanidade.

  14. O papel da mãe é relevante no tocante ao filho ser ou não bilingue, até porque normalmente é quem está mais próxima da criança (primeira infãncia) e quem fica com o trabalho mais “pesado”. Não é fácil alfabetizar e desenvolver duas línguas concomitantente, vimos no documentário da Brazilmente casos que necessitaram recorrer a um psicólogo para aconselhamento de como agir numa situação dessas! A orientação que foi dada foi de que se falasse português em casa e deixasse o inglês para o “porta afora”, ok! mas até aí etamos tratando da língua falada, muito distante ainda de se ter uma boa leitura em português, de se compreender um bom livro, de apreciar a literatura brasileira, uma música, um poema e todas as nuances que nossa língua nos permite. A aquisição de uma língua nunca foi fácil, precisamos falar, entender o que os outros falam, apesar dos sotaques, ler e escrever, compreender e sermos compreendidos, enfim, termos a capacidade de comunicação. Acredito que o português aprendido pelos filhos de brasileiros que nasceram ou que já moram nos EUA há algum tempo, precisa ir além da simples conversação com os parentes e amigos quando em férias no Brasil, precisa ser uma língua que lhes permita não só se comunicar mas também que os apte a ir ao cinema, a uma peça teatral, etc e ele não necessite de intérprete para isso, do tipo: ah, ele quiz dizer isso e aquilo, que lhes permitam entender nossa cultura e modos de falar, no caso as expressões idiomaticas, como se diz em inglês, cada povo tem a sua e nós também temos as nossas. Sem sombra de dúvidas, a aquisição de uma segunda língua só não é melhor que a aquisição de uma terceira, desbravar mundos e horizontes, sim, é isso que elas nos possibilitam!

  15. Que texto bacana e tocante. Não queria ‘puxar a sardinha’ para o papel da mãe, mas é quase inevitável constatar que, hoje, sou a responsável por integrar todos os demais personagens do desenvolvimento do bilinguismo e assimiliação da cultura brasileira pelo meu filho. Acho que por isso eu (e, provavelmente, outras pessoas aqui) me identifiquei também com os demais papéis, já que lido com os avós do meu filho, com meu esposo, sou professora e faço parte de comunidade brasileira (ABRACE). A ideia é cercar a criança de afetos e significados dentro da cultura de herança. Com frequência, falamos com vovó, vovô, titio, titia e priminha, entre outros via Skype e meu pequeno adora cantar ‘pintinho amarelinho’ com eles. Quando celebramos o primeiro aninho dele no Brasil, sugeri aos convidados (àqueles q perguntaram) que dessem livros e dvds em Português de presente. Além disso, procuro sempre incluir meu marido em atividades, assistindo a desenhos e musicais com nosso filho para que ele também se sinta envolvido no processo. Ele (papai que não fala Português) já sabe, entre outras coisas, que tem uma barata que diz que tem um monte de coisa mas é tudo mentira (ha ha ha ho ho ho). Quando meu filho começar a ir para a escola, sei que precisarei ser perseverante e continuar buscando informação para certificar-me de que a experiência da escola aqui dos EUA seja positiva dentro desse processo bicultural.

  16. Que lindo texto. É verdade. A persistência é chave na preservação da língua. É não deixar passar aquela hora que dá para cantar “Marcha Soldado”. Lembrar de falar sempre “Te Amo” e não “I love you”. Na hora do cansaço ou da frustração, não trocar para o inglês (ou qq outra língua no local). Mas também, não se abater quando se pega acidentalmente falando com o filhote na língua local. O lance é não desistir. Todos os dias, refazer o voto de ensinar cada coisinha linda da nossa cultura. E, de preferência, dar um nome para cada uma delas, em Português.

  17. O texto me tocou pela simplicidade e pela verdade que expirme sem rodeios: mãe tem que querer, fazer acontecer e persistir. Todos os dias. Com todos os filhos. Sem esquecer de por nome em porutguês em em tudo o que vê, diz e ouve com seus filhos.

  18. A mãe é a pessoa com quem a criança tem o maior vínculo emocional. É ouvindo a mãe que a criança aprende suas primeiras palavras, daí que vem a expressão língua materna – língua que a mãe fala. Quando a mãe vai passar para o filho a língua materna, o vínculo que se cria é muito forte. Quando vc conhece uma pessoa em uma língua e depois decide mudar de idioma, fica estranho né? É porque o primeiro vínculo foi mais forte. Então eu acho que as mães desempenham um papel fundamental no bilinguismo da criança. E quando o vínculo foi estabelecido, aí eu acho que fica difícil a mãe falar com a criança em outra língua.

  19. Como mãe de crianças bilíngues, identifiquei-me e senti-me reconhecida – até mesmo lisonjeada – ao ler esse texto; afinal, dizem que as crianças aprendem línguas facilmente, brincando, quase sem querer, mas se não houver alguém que se esforça em usar um português correto, sem misturas de línguas, e que se faz de desentendida/o toda vez que um filho se dirige a ela/e na língua estrangeira, a criança não vai aprender nenhuma língua a mais além da do seu meio.
    Como professora de crianças bilíngues, por outro lado, queria defender o papel dos pais brasileiros que vêm ao meu curso aqui em Berlim – e eles são a maioria! – e que têm tão pouco tempo para transmitir aos filhos sua língua materna. A batalha deles é, a meu ver, ainda mais dura que a minha…
    Fiquei pensando se o melhor título para esse texto não seria algo como “O papel do genitor estrangeiro no bilinguismo”…

  20. O texto parte da ideia de que mães brasileiras, habitantes de terras estrangeiras, preocupam-se com que seus filhos falem português. Ele focaliza o papel da mãe como tutora de um futuro mais amplo em relações para seu filho. O texto é superinteressante. Sabemos que as mães constituem-se ligas familiares, mas as mães multiculturais são um pouco mais do que isso: elas planejam um caminho seguro para que o filho desfrute de sua herança cultural, mesmo nos momentos em que esse filho ainda não tenha essa consciência desenvolvida.

  21. Susan Gobbo 11/08/2014
    Concordo com o texto. O papel da mãe no ensino e manutenção da língua de herança é realmente muito importante. Geralmente, é a mãe que tem um maior contato com os filhos, seja nas atividades cotidianas ou afetivas. Quando me mudei para os Estados Unidos, por ter a sorte de não trabalhar fora de casa, minha atenção era total para minha filha, que na época tinha 4 anos. É claro que tínhamos a preocupação na adaptação dela num novo país e numa nova cultura. Porém, minha preocupação era também de não deixar a língua portuguesa de lado. Depois da escola, ela estava no pre-school, as atividades que eu fazia com minha filha era sempre voltada para nossa língua, mesmo porque na época, ela não se comunicava em inglês. Á noite, era a vez do papai brincar com ela em inglês, fazendo com que ela se familiarizasse com a língua inglesa, para sua melhor adaptação na escola e na comunidade. Durante o dia, como tínhamos muitos livros infantis em Português, eu explorava a literatura infantil (Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Mauricio de Souza, etc) dicionários bilinguês e outas coleções sobre assuntos culturais diversos como: folclore, arte, história, geografia e ciência . Além disso, sempre procurei introduzir as músicas e brincadeiras infantis que aprendi através da minha mãe e avó. Minha filha até hoje me pergunta sobre as estórias da minha infância, e essa vivência é sempre carregada com muitas emoções e laços fortes de amizade e familiares, o que conseguinhos passar muito bem com a nossa língua nativa. Hoje minha filha tem13 anos de idade, nos comunicamos muito bem em Português e me sinto realizada quando viajamos para o Brasil e vejo que ela consegue manter o contato com os nossos familiares e com os amigos que ela conheceu , ainda da época do maternal. Hoje em dia, com a facilidade da internet e outros meios de comunicação, fica ainda mais fácil mater esses contatos, o que ajuda e muito a manter nossa língua viva. Durante finais de semana, férias e datas especias são ótimos momentos para que seja praticada a língua portuguesa, de forma falada ou mesmo escrita com cartões de aniversário e de fim de ano. Como ela adora a nossa comida brasileira, também aproveito para introzuir nossa culinária. Como uma mãe brasileira, sinto a responsabilidade de manter vivo o Português na minha família, e isso estou conseguindo com sucesso.

  22. Os pais são figuras importantes no processo de bilinguismo de seus filhos. Ainda hoje algumas famílias acreditam que aprender uma segunda língua é prejudicial e se assustam quando seus pequenos começam a misturar os idiomas.
    Tive experiencia com um aluno que deixou de fazer o inglês por recomendação da fonoaudióloga, que disse aos pais que seria complicado na cabeça da criança absorver os dois idiomas por esses terem fonemas diferentes.
    Muito embora só tenha ouvido falar de bilinguismo em 2008, quando comecei a trabalhar em uma escola bilíngue, colocava filmes e músicas em inglês para minhas filhas desde que elas eram pequenas. Aos 05 e 07 anos, coloquei-as em um curso de inglês e pude ver o resultado satisfatório da minha iniciativa, quando meu ex marido foi transferido para a Inglaterra e elas não tiveram dificuldades em se adaptar ao idioma. Por outro lado, enquanto estávamos morando em Sunninghill, incentivei o português para que elas mantivessem nossa linguá materna. Meu gesto foi instintivo, devido ao fato de eu só ter começado a estudar inglês aos 26 anos e ver como era muito mais difícil para mim que para crianças.

  23. Lendo este texto parece que revejo um filme em que aceitei, com muito orgulho, o papel de protagonista anos atrás. O roteiro é um pouco diferente, pois quando a minha primeira filha nasceu, há vinte e seis anos, o Brasil e tudo o que se relacionava àquele país não estava na “moda”. Dai o grande preconceito do qual muitas pessoas me fizeram alvo, incluindo brasileiros, que, talvez por falta de infomação, não tinham interesse e amor pelo Brasil. Tudo o que perdiam ao deixar de lado a própria identidade. Três anos depois veio a minha segunda filha. O papel de mãe bilíngue aumentou. A persistência, combinada com a disciplina, e um grande compromisso com as minhas raízes, continuaram a fazer parte da minha vida, porém, quando assistia minhas filhas desabrochando o português em nossas viagens ao Brasil, se inteirando com os avós, tios, primos e fazendo amigos, tudo valia a pena. Vê-las subindo em árvores para apanhar frutas, se lambuzarem de barro fazendo “bolo” no mesmo quintal que brinquei quando criança, soltar a pipa que elas próprias faziam com os primos, carnaval na matinê do clube cantando marchinhas, dançar quadrilhas nas festas juninas, podendo assim soberear e entender melhor na prática um pouco das histórias da infãncia da mamãe no interior do Brasil… Uma vez a minha filha Caroline, então com 4 anos me disse: “Mamãe, é tão gostoso brincar em português”. Era como se eu tivesse tomosse um energizante que me encheu de forças para continuar e nunca desistir. O meu papel de mãe bilíngue continua, pois, com idades diferentes, há sempre histórias diferentes para serem compartilhadas e experimentadas, juntas, aqui ou no Brasil. Mas este experimento é sempre mais gostoso em verde e amarelo!

  24. O papel da mãe na aprendizagem do filho é imprescindível.
    Concordo plenamente com a mensagem dita neste texto aonde a vontade, as ações e a persistência juntos podem remover barreiras e criar acontecimentos incríveis, como a aprendizagem de uma língua.
    Cabe a nós mães, passarmos e mantermos a nossa história. Como uma colega de estudo havia dito em seu vídeo, é uma questão de criar uma identidade.
    O que é o dia a dia de uma mãe? São oportunidades novas para aprender, ensinar, se arrepender e dividir experiências para o enriquecimento de nossos pequeninos. Nada mais divino do que informações passadas de geração para geração usando a nossa própria língua. Pequenos esforços vão se acumulando até que possamos ver uma linda flor se desabrochando em baixo de nosso teto, produto de um esforço contínuo e persistente, um trabalho de mãe! Afinal de contas não é atoa que se diz língua materna.

  25. Na minha opinião acho o papel da mãe fundamental.É ela que até certa idade nos apresenta o mundo, mais tarde também, mas nos primeiros anos é ela que faz essa conexão.Ninguém melhor então para nos apresentar,incentivar e mostrar a beleza de sua língua.Vejo que quando o português não é a língua da mamãe, a criança nem sempre fala o idioma ou fala pouco.Sim há exceções, mas essa parte da linguagem é sempre muito mais tarefa das mães.
    Quando a mãe tem prazer em ensinar o português para seus filhos,quando tem orgulho de suas origens e conhece a cultura brasileira, pode passá-la para eles de uma maneira muito positiva, o que mais adiante, naquele momento em que as crianças vão para escola e não querem ser diferentes,vai ser essencial para que ela saiba sobre suas raízes e assim possa ter auto-estima suficiente para mostrá-la de forma positiva.Ser diferente não será ruim, será “legal”,será enriquecedor, será o diferencial positivo.
    O ensino do bilinguismo requer com certeza uma rede de suporte bem maior, com pais, avós, comunidade, escola, mas sem dívida, o seio do bilinguismo está na mamãe.

  26. O papel da mãe na educação de um filho bilíngue é primordial, é ela quem vai atrás de
    recursos, encontrar material, promover encontros. São elas que querem perpetuar sua língua em seus descendentes. Noto isso na iniciativa que promovo, mães que , quando querem manter o português, se desdobram em quantas forem preciso para que aconteça.
    Acredito que tenha que ser ela pois a jornada não é nada fácil e só mãe para persistir em algo que ela sabe que vai ser bom para seus filhos.
    No entanto, muitas outras mães ainda não conhecem os benefícios de manter a língua materna para seus filhos e acabam desistindo por não ter grupos de apoio e ajuda na disseminação dos benefícios de uma educação bilíngue.
    Na Hora do Conto em Dubai, todas as crianças que participam são levadas pelas mães, que são brasileiras, e uma serve de incentivo para a outra.

  27. Mãe são elas que direcionam seus filhos com seus valores e crenças.Elas criam com seus bebes com uma rima .Uma rima de gestos de carinho e palavras cheias de significados,que vai se tranformando em uma linguagem, uma maneira de pensar.As mães desenvolvem uma rotina com seus bebes e depois com suas crianças que refletem os livros,atividades,amigos e cultura que vai estar presente na vida da quela crianças.
    Muitas vezes,como mãe,nas minhas conversas particulares com Deus,pergunto para ele se não é muita responsabilidade para um ser humano.Mas, ao mesmo tempo, quando vamos fazendo,resolvendo e eles vão crescendo e se tranformando ,em pequenas pessoinhas,sentimos um calor no peito, de Amor.
    Então,ao ler esse relato,vejo o esforço a dedicação de um amor incondicional,o desejo da mãe em conectar sua filha com o mundo e dar a ela a possibilidade de escolha de experiencias novas,de viver a vida com paixão.Mas claro que como seres humanos,as mães tem medos,duvidas,cansaço e se perguntam a toda hora se estão fazendo as coisas de forma correta.
    Desta forma, acredito que mais podermos perguntar,ler,trocar com outras mães que também estão vivendo em outro pais,que tem filhos bilíngues mais e mais e mais… as mães podem se auxiliar nessa grande tarefa que criar uma criança.

  28. Olá, Felicia!
    Ao mencionar os sentimentos que nós, mães, temos ao educar nossos filhos, você conseguiu resumir perfeitamente o que significa ensinar o português como língua de herança num país distante. Na minha singela opinião, o sucesso desse desafio depende de entender que estamos lidando a todo momento com nossos próprios afetos: por nossos filhos, nosso país, nossa cultura, nossa história, nossa identidade. Aqui não há ensino ou aprendizado sem afeto!

  29. O papel da mãe é fundamental nessa longa caminhada chamada bilinguismo. Não é uma tarefa fácil, requer muita força de vontade, dedicação constante, habilidade para encontrar sempre novos recursos, mas acima de tudo, amor: pelo seu filho, pelos seus pais, pela sua família, pela nossa cultura e pelo nosso país.
    Nunca me passou pela cabeça usar uma outra língua para me comunicar com a minha filha. Acredito que não conseguiria ser eu mesma. E desde o seu nascimento, há quase 2 anos, que a língua portuguesa reina de forma lúdica na nossa casa. Também nunca pensei que seria fácil. Mas nunca imaginei que seria tão questionada e criticada pela sociedade italiana.
    Graças a Deus, a minha escolha e, também, a escolha do meu marido, que me apoia com muito carinho, me dá força para continuar e nunca desistir, além de me proporcionar momentos maravilhosos. Fico muito feliz quando ouço a minha pequena me chamando de mamãe, quando assisto a sua conversa com a vovó e o vovô, quando ela diz obrigada para o dindinho ou canta musicas brasileiras com a amiguinha bilíngue. Eu sei, vai valer a pena !!!

    1. Oi Cassiana! Achei muito interessante seu relato. Moro na Alemanha e tenho um filho de 4 anos na escolinha. Até agora encontrei um ambiente bastante aberto e positivo aqui, que me ajuda nessa tarefa difícil que é transmitir o português como língua de herança. Porém, outras brasileiras me contam que são bastante criticadas nesta escolha, vivendo em outros lugares do país. Como acontecem essas críticas sociais aí na Itália?

  30. Baseado em Minhas conversas com algumas maes, antigamente Aqui no japao NAO haviam muitas escolas interessadas a respeito das lingua Mae, Algumas ate aconselhavam as criancas NAO falarem portugues em Casa para que o aprendizado em japones fosse Mais eficaz,Mas com o Passar dos anos alguns professores universitarios fizeram uma pesquisa e identificaram que alguns Adolescentes estrangeiros entravam em
    Crise de identidade POIS quem nasce n japao NAO É considerado japones Mas adquiri a nacionalidade dos pais. Foi feito uma cartilha de orientacao a pais estrangeiros orientando Como proceder com a Criança e A importancia da lingua Mae! Mas observei que nem todos os pais estao interessados nessa busca de conhecimentos, sendo que vivemos numa era em que temos Como grande ferramenta a internet e pesquisas a respeito dos assuntos.O Ponto principal da lingua Como heranca Está Nas decisoes dos pais, começa Ali no laço familiar a lingua Como heranca

  31. Pingback: Mais PLH em 2017

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