O papel do pai no bilinguismo que envolve uma língua de herança

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Por Felicia Jennings-Winterle
Coluna Educação Bilíngue

Um sábado desses, indo do Brooklyn para Manhattan, sentei ao lado de um pai e dois meninos. No caminho todo, mais ou menos 45 minutos, os meninos estavam fazendo tarefas em mandarim. O pai era americano. Via-se que a mãe era chinesa e que para aquela família bilinguismo é coisa séria. Mas por que um pai americano investe em mandarim? A resposta pode parecer óbvia, mas, para algumas famílias, a implicação familiar do multiculturalismo ainda não é tão valorizada.

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Sem querer me usar de estereótipos, na maioria das famílias multiculturais com as quais tenho contato é a mãe quem tem uma língua de herança para oferecer e é ela quem fica em casa com as crianças. Essa observação não necessariamente revela que as mães sejam mais interessadas e participativas, mas revela que há também pais apoiando e viabilizando a participação dos filhos em programas direcionados ao ensino e convívio com a língua de herança (LH). Esse engajamento faz desta uma experiência única. Sejam brasileiros, ou não, a presença dos pais é um diferencial nas aulas de PLH.

O oposto é também, infelizmente, verdadeiro. Já pude observar muitos casos no qual o pai se nega a apoiar, viabilizar e/ou participar. Cria-se uma barreira tal que a criança passa a ter dois mundos, perdendo a oportunidade de ser global.

E não só em aulas. Na vida familiar de uma criança bilíngue é necessária a participação de ambos os pais, em ambas as culturas.

Se língua é cultura, a participação do pai deveria incluir comer pão de queijo, vir à festa junina e, mais do que isso, criar uma ponte entre sua casa multicultural para à de seus pais, avós das crianças.

Essa falta de comunicação entre as famílias, do pai e da mãe, pode gerar ansiedade da parte dos avós que podem temer não poder comunicar-se com os netos ou que o futuro acadêmico deles seja comprometido. Por isso a participação do pai como um defensor do bilinguismo de sua casa é tão importante.

William J. O’Connor é americano e trabalha como contador coorporativo. Pai de dois brasileirinhos, ele repondeu à três perguntas que resumem muito bem o papel do pai no bilinguismo.

-Por que é importante o investimento em duas línguas?
Estamos educando nossos filhos para serem bilíngues. Em casa eu só falo inglês com eles e minha esposa Katia só fala português. Acreditamos que ser fluente em português seja um benefício para nossos filhos por várias razões: encontramos frequentemente com familiares e amigos do Brasil, lá ou aqui. É portanto muito natural para nós que nossos filhos possam se comunicar com eles e brincar com primos e amigos. Nossos filhos foram nascidos na America mas eles também têm a nacionalidade brasileira. Por isso eles devem saber não só a língua portuguesa, mas também o contexto da cultura brasileira. Há mais do que somente o aspecto linguístico. Esse conhecimento pode abrir um amplo espectro de conhecimento sobre outras culturas e tradições e levá-los a uma percepção e raciocínio maiores. Uma educação bilíngue pode aumentar habilidades acadêmicas em muitos assuntos.

-Pelo que observei, você não domina o português, mas fala algumas palavras. Por que se dar ao trabalho de falá-las?
Eu não sou fluente, nem mesmo posso conversar ainda em Português. Mas meu vocabulário está crescendo e eu posso entender o contexto de uma conversa ou de um artigo. Visito sites de jornais brasileiros regularmente e tento ler artigos de revistas também. Minha firma está começando a expandir para o mercado brasileiro, por isso conhecimento em português vai me beneficiar em minha vida profissional. 

-Como você vê esse investimento em 10,15 anos?
Acreditamos que ser fluente tanto em português quanto em inglês vai ajudar e enriquecer a vida pessoal e acadêmica de nossos filhos, assim como suas vidas profissionais. A fluência em português pode ser uma ponte para o entendimento de outras línguas latinas. Como uma nação de mercado emergente, a economia do Brasil está crescendo e certamente terá no futuro um papel importante na economia mundial. Profissionalmente, nossos filhos se beneficiarão se souberem bem o português e serão capazes de escolher onde vão estudar e trabalhar no futuro.

 

Veja também:
o papel da mãe, o papel dos avós, o papel da comunidade e o papel da escola no bilinguismo.

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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23 comentários em “O papel do pai no bilinguismo que envolve uma língua de herança

  1. O pai é uma das figuras essencias na vida de uma família e se não tiver a colaboração mútua com a mãe, essa família não terá a base estrutural para que os filhos dominem o bilinguismo.Para que os filhos tenham convicção de qualquer coisa é importante que eles tenham o suporte tanto da mãe quanto o do pai.

  2. Mesmo quando o pai nao fala uma palavra em português, o seu apoio e motivação sao essenciais para manter a mae engajada nesse processo, o fato do pai motivar o bilinguismo e’ crucial para o sucesso do mesmo.

  3. Lendo os textos da série que aborda o papel de variados atores e instâncias no bilinguismo, acredito que a decisão de criar crianças bilíngues é fruto de um esforço concertado entre cada uma das partes envolvidas. Acredito também que essa em geral é uma decisão que deve envolver um consenso em torno dos benefícios e dos motivos pelos quais seja desejável trabalhar em direção ao bilinguismo – nesse cenário, cada uma das partes tem o seu papel, por mais distante que ele pareça. O encorajamento, a participação na cultura da língua que se deseja ensinar e até a viabilização financeira da educação bilíngue são valiosos e necessários, e devem ser mantidos com a maior consistência e perseverança possíveis. Acredito que o engajamento da família com o bilinguismo deve ser uma decisão consciente, que deve gerar um compromisso duradouro e atitudes coerentes com o que se deseja alcançar.

  4. O sucesso da educação bilíngue depende – em primeiro lugar – do engajamento do pai e da mãe, igualmente. Os pais devem sempre estar em sintonia para que um apoie o outro, sobretudo quando eles não falam a mesma língua. Precisam ser consistentes para não confundir as crianças e divertidos porque é muito mais prazeroso quando se aprende brincando.

    O pai que mostra interesse não só pelo idioma falado pela mãe, mas também pela sua cultura, tradições, culinária, música, etc (e vice-versa) serve como exemplo para que os seus filhos também se interessem, sintam-se mais envolvidos e motivados a vivenciarem o bilinguismo com naturalidade.

    Os avós, a escola e a comunidade também têm o seu papel na educação bilíngue, mas acredito estar dentro de casa a chave para o seu verdadeiro sucesso: o convívio diário com o pai e com a mãe e os seus respectivos idiomas.

  5. Na minha opinião, o pai é tão importante como a mãe em relação ao bilingüismo e a tudo que diga respeito os desenvolvimento da criança, mesmo que ele não seja brasileiro, pois é uma figura de referência muito forte. É bacana que a responsabilidade e o incentivo seja de ambos, pois assim se transmite mais segurança à criança. Agora, pelo depoimento do pai neste artigo, fica claro que o enfoque dele é pensando no futuro dos filhos, procurando melhorar suas possibilidades a nível pessoal, social, cultural, profissional etc. ou seja, ele apresenta um enfoque mais amplo, Eu vejo que na Espanha também é assim, pois existem fortes relações comerciais e uma certa proximidade cultural, que tem motivado um fluxo migratório em ambas direções ao longo dos anos. Então, aqui na Espanha também se reconhece a vantagem do bilingüismo portugês/espanhol.

  6. Porque decidi investir no bilinguismo do meu marido antes que no dos meus filhos

    Um dos métodos mais usados quando se fala em bilinguismo é sem dúvida o “OPOL”. Sem pensar muito, for este método que decidi usar com a minha família. Um dos limites deste método é que ele não considera o fator “tempo”, ou seja o fato de que as famílias passam sempre menos tempo reunidas e que quando estão juntas precisam otimizar o ciclo de informações e os processos comunicativos. Logo, se um dos cônjuges não fala português, ou ele ficará excluído da conversa ou o cônjuge que domina as duas línguas fará malabarismos para mediar a conversação, traduzindo os discursos, e a reunião familiar virará uma caricatura de uma reunião da ONU. Quando conversava com meu primeiro em português, eu tentava dirigir-me a meu marido em português para incluí-lo na conversa, e ele me respondia com um “o quê?” na sua língua, o que quebrava totalmente o espírito da conversa e obrigava a começar a história do zero na língua do meu marido. Os filhos logo começaram a ver que essa fase “intermediária” do discurso, feita da língua da mamãe, era totalmente inútil e que era bem melhor ir direto ao assunto na língua do papai, “afinal é a única língua que todos dominamos, certo?”. Foi aí que a situação foi ficando difícil e cansativa para mim, que pedi ajuda ao meu marido. Ele desde que nos conhecemos aprendeu a amar o Brasil e a língua portuguesa, ainda que por esta última nutrisse um amor platônico. De um dia para o outro comecei a falar em português com meu marido e pedi que ele se esforçasse o máximo para entender, mesmo que, claro, respondesse na sua língua. Comecei a me recusar em traduzir os textos que ele escrevia para o português. Parei de traduzir seus emails, seus telefonemas. Quando minha família ligava do Brasil e ele atendia o telefone não corria mais para “salvá-lo” da conversa. Quando íamos ao Brasil eu não era mais o “guarda-costas” dele, sempre pronta a protegê-lo de uma frase dita por terceiros. Não ficava mais lá como um tradutor portátil.Ele aceitou o desafio e começou a cultivar seu português sozinho. Depois colocávamos em prática juntos. Ele começou a conversar frequentemente por telefone com meus pais e irmãos. Adorou a experiência, adorou poder falar sozinho sem precisar de tradutor que era eu. Livros, dvd’s, sites, jornais, tudo em português. As crianças observavam todo esse processo com interesse. Viam e vêem quanto o pai se dedica, se esforça com prazer; vêem quanto é gostoso aprender palavras novas, palavras engraçadas. Gostam de ver o pai cantando em português. Não preciso mais explicar que é importante, que é util falar português. Agora ele rema comigo, na mesma direçao. os filhos nos veem compactos, e aderem com prazer à nova pratica. A língua doméstica predominante ainda é a língua do meu marido, mas temos momentos de interação muito prazerosos em português, momentos que estão ficando sempre mais frequentes e de duração sempre maior, agora que TODOS podem realmente participar.

    1. No texto, há uma reflexão sobre o que faz um pai investir em que seus filhos aprendam uma segunda língua. O exemplo principal é de um pai que fala inglês e é casado com uma mãe, falante do português. Em casa, pai fala inglês e mãe, português, com exclusividade, na comunicação com os filhos. A justificativa para esse investimento é que o português é encarado como uma ponte para as demais línguas românicas.
      Acho que não importa mesmo o argumento que os pais usem para favorecer que seu filho tenha direito às suas línguas de herança. Estar em sintonia com as línguas de herança é estar em sintonia com os familiares, ancestrais, cultura e isso é um ganho pontual, mas também é um ganho psicológico enorme. Conhecer profundamente suas raízes históricas favorece uma melhor articulação linguística. Pessoas mais articuladas são também pessoas mais engajadas socialmente. O mundo precisa de pessoas articuladas linguística e psicologicamente. Seres com esse perfil tendem a respeitar diferenças, a incluir, a se engajar não como necessidade imposta por apelos externos, mas como algo que lhe peculiar, pois teve a oportunidade de ser o que é em todas as instâncias e com todas as oportunidades. Tiro o chapéu para pais que tenham isso em mente.

  7. Muito bom!
    Parabens pelo tema, a foto apropriados.

    Tem razao, os pais devem, deveriam estar em sintonia com o desencolvimemto do filho neste aspecto, caso contrario o filho corre o risco de inabtacao por preconceitlo.

  8. Renata Nagashima (JP)
    A participação do pai é fundamental não somente para a aquisição linguística dos filhos mas principalmente nas relações familiares , de comunicação significativa e para manutenção e comunicação familiar.
    O papel do homem na família pode variar de cultura para cultura ,de lar para lar , e quando o pai é estrangeiro,ou casado com uma estrangeira acredito que a relação dele com seu país de origem ou com o da esposa tem grande relação de como ele será como PAI que apoia ou não o bilinguismo e consequentemente o multiculturalismo em seu lar.

    Vivo em uma família multicultural a qual me proporciona vivenciar três realidades de pais que mesmo de formas distintas se esforçam na manutenção da Língua de Herança , assim gostaria de apresentá-los:

    A de um pai que mesmo residindo em seu país de origem me apoia “tomando emprestado” a minha língua de herança como se esta fosse a sua língua de herança e fala em Português dentro e fora de casa com nossos filhos.

    A de um pai estrangeiro residente no exterior, meu cunhado, o vejo como o bom exemplo de pai que mesmo estando no exterior e consciente que a língua de sua esposa que também e a língua oficial do país ,ou seja a lingua majoritária , procura manter sua língua de herança(Inglês britânico) de forma eficaz fazendo de seus filhos bilingues !

    A de um pai residente em seus pais de origem,França casado com uma estrangeira(japonesa), o qual não possui vínculos nenhum com o país e nem a língua da esposa, mas mesmo assim a apoia no ensino de Língua e costumes ao filho,fortalecendo a relação da esposa com o filho mesmo que ele fique um tanto quanto “de fora” .
    Um bom exemplo de pai que respeita e apoia mesmo não tendo nenhuma relação com a língua de herança da esposa e assim oferece ao filho a oportunidade de ser multicultural.

    *Mas noto também que muitos pais colocam a culpa na falta de tempo,ausência por trabalho e tem tido pouca ou nenhuma comunicação com seus filhos em sua língua de origem.

    *Também já vi pai proibir a língua da mãe por “temer ficar isolado “ou perder seu papel de “chefe de família” ou por questões culturais.

    E termino com aquela velha frase “Não basta ser pai tem que participar”

  9. Eu me relaciono um pouco com esta família porque em nossa família eu sou esse “pai” que quer apoiar na educação bilingue dos meus filhos, mesmo que não é minha língua materna. Mas a grande diferênça é que eu assumi a responsabilidade de aprender e sempre praticar a língua do meu marido, e dos meus filhos, e de nunca deixar-os esquecer. Na verdade é uma enorme responsabilidade e muitas vezes uma luta constante que precisa atenção e proteção. Depois que nós tivemos a nossa filha mais velha, meu marido não achava muito importante falar em português com ela porque ele nunca gastou tempo pequisando, lendo, e aprendendo sobre o assunto de bilinguismo. Ao contrário, eu sabia que era importante. Agora, quase oito anos depois, a vida foi a nossa guia. Já moramos no Brasil bastante tempo para que os dois mais velhos já estudaram pelo menos um ano lá e não somente tiveram contato com a língua portuguesa, mas também a cultura brasileira. Eu considero isso uma bênção, porque antes de mudar para o Brasil a primeira vez, minha filha não quis falar português de jeito nenhum. Voltamos para os E.U.A em Maio e agora nós somos muito mais cientes que é a nossa responsabilidade. Tendo um programa na escola, ou uma escola bilingue, são indispensáveis para pais que trablham fora de casa porque as escolas ensinam não somente falar as duas línguas, mas alfabetizam nas duas línguas. Ter uma base de alfabetização nas duas língas é importantíssimo para que o inglês não vira completamente dominante. No caso da família em cima, eu não posso imaginar não ter capaz de conversar com a família do esposo, mas eu acho que o fato que ele mostra o apoio e participa, na verdade é mais importante do que ter o conhecimento. Mãe e pai igual têm que participar na criação dos filhos, em todos aspetos da vida e quando o casal é uma união de duas culturas e línguas, é ainda mais complicado, mas tem capaz de quase naturalmente produz filhos competentes nas duas línguas sem uma sendo dominante.

  10. Concordo que o papel do pai é fundamental para auxiliar sua esposa no que é valioso para a sua família.Atualmente,os pais vez sendo mais ativos em sua tarefa de pais de auxiliar sua companheira nessa grande caminhada que é educar uma criança.
    Em minha casa, somos ambos Brasileiros.No entanto,quando chegamos em Dubai meus filhos não falavam Inglês,e eles tinham que iniciar na Escola internacional ,estavam na época o Eduardo com 9 anos e Julia com 8 anos .Então, a Escola sugeriu que parássemos de conversar em Português com as crianças para terem mais facilidade para aprender o novo idioma.
    Nessa época,decidimos não concordar com sugestão da Escola.O que fizemos ?Continuamos falando em Português,porque era a maneira que eles se expressavam,podiam falar de suas emoções,pois estavam em adaptação em um pais novo com uma cultura muito diferente de suas origens.Mas resolvemos que meu marido iria auxiliar as crianças .Como ?Ele começou auxiliar nas tarefas de casa,na compreensão dos enunciados e também lendo em voz alta historias em Inglês e as crianças tem que ler uma parte da historia também.Assim, foi a rotina da minha casa por um bom tempo.
    Desta forma,juntos conseguimos manter nosso idioma do Português e auxiliar nossos filhos a conhecerem outro idioma e cultura.Hoje os meus filhos falam e escrevem os dois idiomas.Tivemos sucesso, pois trabalhamos juntos para um mesmo objetivo.

  11. Mãe são elas que direcionam seus filhos com seus valores e crenças.Elas criam com seus bebes com uma rima .Uma rima de gestos de carinho e palavras cheias de significados,que vai se tranformando em uma linguagem, uma maneira de pensar.As mães desenvolvem uma rotina com seus bebes e depois com suas crianças que refletem os livros,atividades,amigos e cultura que vai estar presente na vida da quela crianças.
    Muitas vezes,como mãe,nas minhas conversas particulares com Deus,pergunto para ele se não é muita responsabilidade para um ser humano.Mas, ao mesmo tempo, quando vamos fazendo,resolvendo e eles vão crescendo e se tranformando ,em pequenas pessoinhas,sentimos um calor no peito, de Amor.
    Então,ao ler esse relato,vejo o esforço a dedicação de um amor incondicional,o desejo da mãe em conectar sua filha com o mundo e dar a ela a possibilidade de escolha de experiencias novas,de viver a vida com paixão.Mas claro que como seres humanos,as mães tem medos,duvidas,cansaço e se perguntam a toda hora se estão fazendo as coisas de forma correta.
    Desta forma, acredito que mais podermos perguntar,ler,trocar com outras mães que também estão vivendo em outro pais,que tem filhos bilíngues mais e mais e mais… as mães podem se auxiliar nessa grande tarefa que criar uma criança.

  12. Penso que o papel do pai na educação dos filhos e de extrema importância.E o ensino de uma lingua de herança(quando os pais decidiram criar essa criança bi,tri ou poliglota) é parte dessa educação como um todo.
    O pai e a mãe são os responsáveis por formentar na criança o respeito por outras culturas (não somente a que ele esteja inserido).
    A mãe necessita do apoio do pai incondicionalmente. O pai de uma criança que esta aprendendo uma lingua de herança,tem que apoiar a mãe e mostrar respeito pela lingua e cultura que esta sendo passada para seus filhos.
    A criança precisa aprender a respeitar e seria muito difícil ensinar uma criança a respeitar uma lingua e a cultura de um povo se essa criança não ve esse respeito dentro de casa.
    Tenho 3 filhas e desde que decidimos ter a primeira ,meu marido(que é ingles) e eu decidimos que criaríamos essa criança num ambiente bi ou tri lingue.
    Minhas duas filhas mais velhas são fluentes em português e também tem um respeito imenso pela cultura brasileira. Quando alguém pergunta de onde são ,a resposta é: Sou inglesa ,mas metade brasileira.
    Eu creio que essa identidade brasileira que cresceu nelas é fruto do respeito que todos aqui em casa tem pelo Brasil e povo brasileiro.
    Meu marido sempre apoiou ensina-las tudo da cultura,sempre fez questão de trazer alguma coisa da minha terra para elas.Ele mais que eu,sempre procura leva-las a apresentações de artistas brasileiros.
    Aqui em casa nao se bebe refrigerante,mas de vez em quando podem ter um guaraná.
    Se tem uma roda de capoeira e ele fica sabendo,logo me avisa pra eu poder levar as meninas.
    Ou se ve um anuncio de um restaurante pop up logo me liga e avisa. As vezes sou eu que falo:
    Nao hoje,to cansada!
    Eu creio que tudo isso fez e faz com que as meninas se sintam brasileiras,se identifiquem com o povo brasileiro.
    Eu sempre tive o apoio dele para leva-las ao Brasil e viajar com elas por la! Muitos verões ele sacrificou em ter amin e as crianças somente por duas semanas,pois a maior parte do verão passávamos com a familia no Brasil.
    Bom,eu tenho por experiência própria que nunca teria conseguido os resultados que tive com as minhas filhas se não fosse pelo apoio do meu marido,então sinto que o papel do pai e sim tao importante quanto o da mae na transmissão da lingua de herança.

  13. O papel dos pais (pai e mãe) é importantíssimo para que a criança desenvolva o bilinguismo. Não basta o aluno vir a aula duas vezes por semana se a língua não tem uma utilidade, uma necessidade no dia a dia da família. O português vem carregado de história, cultura e identidade. Isto tudo demanda tempo e persistência e é construído com a criança ao longo do tempo na rotina diária.
    Em muitos casos, quando um dos pais não é falante de português, seria interessante que também aprendesse a língua ou que, ao menos, desse o suporte necessário para que o filho desenvolva o bilinguismo em casa. Este é o caso desse pai americano que concedeu a entrevista do artigo acima. Muito favorável ao bilinguismo sua posição, ele compreende que criar os filhos bilíngues facilita no contato com a família que mora no Brasil, os filhos são criados nos EUA, porém têm também a nacionalidade brasileira e o conhecimento da língua e da cultura brasileira facilita para que a criança compreenda outras culturas.
    Para concluir, acredito que conhecer o português depende principalmente do apoio e dedicação da família e o papel do pai é de extrema importância nesta tarefa. Além de tudo, é um direito da criança, pois dominar uma segunda língua abre portas e no futuro ela decidirá se quer estudar, morar no Brasil ou utilizar a língua no trabalho.

  14. Considerando o pai como aquele que não fala português como língua nativa, entendo que é fundamental ter o apoio deste para o ensino bilíngue em casa. É importante que o ambiente em casa não esteja “dividido”, pois de alguma forma a criança absorve as questöes dos pais e isso poderia resultar até mesmo em uma rejeição, consciente ou não, pela língua que não é falada no país em que mora e que predomina em seu meio social. O ideal, portanto, é que o pai se envolva no aprendizado do português e busque, ele também, aprender a língua de herança de seus filhos.

  15. Pingback: Mais PLH em 2017
  16. Apesar de negligenciada, de certa forma, até o momento, pelas pesquisas na área do PLH, a influência do pai na aquisição da língua de herança é essencial. O incentivo e apoio – ou a falta dos mesmos – por parte do pai serão decisivos para o sucesso do aprendizado. Sem a valorização da importância do bilinguismo – e, especificamente, da aquisição do PLH – a língua minoritária corre o risco de se tornar reduzida ao “mundo” criado entre a mãe e a criança, no qual a mesma apenas assume importância para elas. Sem o reconhecimento do valor da língua no “mundo exterior” – representado pela figura do pai e outros familiares – a missão de transmiti-la com sucesso enfrentará grandes obstáculos.

  17. Se fala muito sobre as possibilidades que a língua traz no futuro (acadêmico ou não) da criança, quase sempre no sentido profissional. Mas língua deveria ser um “direito” e ser amparada pelos governos. Multilinguismo traz benefícios cognitivos e também favorece a percepção do “outro”, a empatia e consciência do convívio com as diferenças.

  18. O apoio e participação do pai vale para tudo no aspecto criação dos filhos, certo? Mas é comum ainda ver pais que negligenciam esse aspecto por justificarem com o “eu ganho o dinheiro, você cuida das crianças” – ainda bem que esse cenário se torna cada vez menos frequente, mas é muito real. A viabilização da aquisição da língua de herança é a que eu acredito ser a peça chave: se o pai nada contra a corrente e não tem o menor embasamento teórico para ver o quanto o bilinguismo é benéfico (no nosso caso é trilinguismo), o processo fica muito árduo para a mãe (que basicamente tem que comprar a briga e lutar pela causa diariamente) e para os filhos (que de forma ou outra, independente de idade, devem sentir o interesse – ou falta dele – pelos pais e podem se acomodar no que for mais “fácil”).

    Aqui o processo foi tranquilíssimo, afinal de contas meu marido é “do mundo” e nunca nem titubeou, pelo contrário, sempre incentivou que eu falasse só português com os dois (ele queria mais é trazer uma AuPair da china para ver se aprendiam o mandarim também – eu consegui controlar isso por enquanto). Mas convivo com casais, cuja mãe está tendo que comprar a tal briga quase que diariamente… não só por causa do marido, mas por causa dos avós paternos, que entram nesse círculo de pessoas que acham que aprender o português pode atrasar na aprendizagem do holandês, causar atrasos na escola e assim por diante. Me dói o coração vê-la passando por essa batalha diária, mas ainda acredito que a persistência dela como mãe, vai vencer essa jornada. Triste é saber que esse pensamento ainda existe… já escutei mais de uma vez algo do tipo “Prefiro que meus filhos sigam para o Gymnasium (é o caminho mais avançado e o que permite acesso futuro à Universidade na Alemanha), do que falem português. Se eles quiserem, eles aprendem depois.”. Pena.

    Esse artigo tem que ser compartilhado. Precisamos de pais mais “viabilizadores’. 😉

  19. À principio eu fiquei preocupada com a possibilidade de haver um confusão no aprendizado das duas línguas (português e alemão) ao mesmo tempo. Mas foi formidável constatar que minha neta, com quatro anos e meio, entende e fala perfeitamente os dois idiomas e, ainda, o inglês aprendido na escola que frequenta.

  20. Independentemente do fato que eu nao conseguiria estabelecer um relacionamento afetivo sincero e total com minha filha, senao na minha lingua, eu nao posso que agradecer e enfatizar a importancia que foi o apoio, a compreensao e a participaçao direta de meu marido na decisao e na atuaçao pratica dessa decisao. E fundamental que o pai reconheça a necessidade de proporcionar em modo natural e fluido a aquisiçao de uma consciencia de pertencer e conviver com duas culturas, nao so como elemento de reforçamento da propria identidade mas tambem como investimento no futuro do proprio filho; o mundo é sempre mais globalizado nao seria justificavel negar a quem por direito possui um privilegio que nao causa danos a ninguem mas beneficios a si mesmo. Portanto muito atinente o artigo de Felicia.
    A minha experiencia foi muito positiva e gratificante hoje vejo minha filha que fala como uma brasileira sem nenhum sotaque estrangeiro, le em portugues, escreve (com seus limites, logicamente) se considera italo-brasileira, envolve as proprias amigas em inciativas ligadas à nossa cultura como musica e mesmo a lingua portuguesa e sobretudo pode relacionar-se com toda a minha familia no Brasil sem nenhuma barreira.
    Adora tudo aquilo que vem do Brasil, o prato preferido é feijao com arroz mas é obvio que na minha casa é muito bem vindo nao so ao meu marido mas tambem à sua familia diversos elementos da cultura brasileira e tudo isso facilitou o nosso percurso.

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