O papel dos avós no bilinguismo que envolve uma língua de herança

Felicia Jennings-Winterle
Coluna Educação Bilíngue

Quando eu penso na minha avó e em quanto ela complementou o trabalho de meus pais, a palavra que me vem à mente é doçura. Apesar dela ter me oferecido “um leitinho” até o último dia em que a vi, sabendo que não tomo leite desde os 8 anos, ela me conhecia de uma forma diferente que a dos meus pais. É porque avós são pais com melado. Morar longe dos avós pode “impôr” uma condição muito mais significativa nessa relação, como se aquela fosse a única ligação com o Brasil, ou pelo menos a mais especial.

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A maioria das famílias de imigrantes vive longe dos avós. Após ter netos, a saudade é em dobro para quem mora no país de origem. Não se sente a falta somente do filho(a), mas dos pequenos que pouco se vê e muito se ama. Agora, imagine se nos poucos momentos em que se virem, brasileirinhos e avós não puderem se entender totalmente?

Esse é o risco que se corre quando não se cultiva a língua, e mais importante, a cultura dos avós. O amor, sem dúvida alguma, é o mesmo, mas a afinidade pode ser diferente. E afinidade é algo que passa a ter um imenso valor quando moramos longe dos nossos familiares, não é?

Conversando certa vez com uma pessoa que ainda não tem filhos, mas que já se propõe a ensinar-lhes muitas línguas quando os tiver, questionei por que o português não era uma delas. A pessoa me respondeu que nunca voltaria a morar no Brasil, e que por isso preferia línguas europeias. Daí, perguntei: mas como seus filhos vão se comunicar com os avós deles? Era algo que não tinha pensado, e que imediatamente a fez refletir.

Uma família muito bacana de brasileiros que mora nos Estados Unidos já há muito tempo, tem a brasilidade de seus filhos americanos garantida por seus 4 avós. Luciana DeMichelli e César Gomes, ex-apresentadores do programa Planeta Brasil, me contam o seguinte:
“O Arthur (nosso filho mais velho) estava conversando com os avós e, no meio de uma frase, soltou uma palavra em inglês. Era meio que a “chave” da história. No rosto da minha mãe deu para perceber a decepção por não ter entendido. A transformação foi imediata. Mas acabaram se entendendo. Arthur não sabe que fala português, ele sabe que fala “como a vovó fala”, e isso deixa as avós cheias de orgulho e felicidade”.

Brasileirinhos: Como seus pais, avós das crianças, se encaixam na educação bilíngue de sua casa?
Eles obrigam, no bom sentido, que o português seja falado. Seria impossível, para os 4 avós, se comunicarem com os netos se o português não fosse falado por aqui. A língua, nesse caso, é muito importante inclusive para “regar o amor” entre avós e netos. Se não se entendessem iam se amar, pelo sangue, pelo sentimento de família, mas talvez não conhecessem a plenitude do amor.

Brasileirinhos: Você acha que a participação deles seria diferente se vocês morassem no Brasil?
Talvez se encontrassem mais pessoalmente, se morassem em cidades próximas. Mas o contato que eles têm hoje, quando se encontram, é tão intenso que acho que compensa a distância. Cora, que está com 1 ano e dois meses, passou 40 dias cantando músicas brasileiras que a avó ensinou enquanto estava de férias por aqui. O contato entre as duas, que tinha sido tão intenso, agora por telefone, estava ficando impossível, já que a pequena ainda não fala. Então a avó resolveu cantar. A reação da Cora foi imediata: reconheceu a voz da vovó e quis pegar o telefone. Agora as duas passam o tempo assim: uma canta de um lado da linha, a outra canta do outro. Notas musicais que, por enquanto, só a avó é capaz de entender!

Brasileirinhos: O que só os avós fazem nesse aspecto linguístico e cultural brasileiro dos seus filhos? Que coisas só eles falam, fazem e apresentam às crianças?
Não sei se fazem de propósito, mas a língua portuguesa tem forte presença em todos os presentes que são dados pelos avós. A “Turma da Mônica”, “Cocoricó”, Sítio do Pica-Pau Amarelo, Lendas do Brasil (livro escrito pelo Mauricio de Sousa)… nossos filhos sempre ganham DVDs e livros em português. Assim, conhecem a cultura, os personagens e treinam o português. Aí, conversam com os avós sobre assuntos que eles dominam e em uma língua que entendem.

Veja também:
o papel da mãe, o papel do pai, o papel da comunidade e o papel da escola

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

27 comentários em “O papel dos avós no bilinguismo que envolve uma língua de herança

  1. Felicia mais uma vez parabens pelo texto super bem escrito. Amei a definicao de avos, “pais com melado”.
    Hoje, mais do que nunca o papel de minha mae na manutencao da lingua portuguesa na vida dos meus filhos eh fundamental.
    Infelizmente, Gabriel e Sofia (8anos) e Thomas (6anos) entraram na fase que eu falo portugues e eles respondem em ingles. Eh uma luta diaria, exaustiva, e as vezes me sinto vencida.
    Aih a vovo chega para passar o verao, trazendo livros e DVDs em portugues, sonho de valsa, diamante negro, cueca da Lupo, sunga e biquini, e junto com ela a voz dos meus filhos falando portugues. Que musica maravilhosa aos meus ouvidos !!!
    beijos
    Maria Helena

    1. É impressionante, não é mesmo? O papel que os avós desenvolvem… Persista… a fase de responder em inglês, é só uma fase. Beijos.

      1. A ideia de que “o papel dos avós no bilinguismo é cultivar, reviver e celebrar” revela-se o pilar central da reflexão tecida no texto. Avós representam um elo da grande teia histórica de constituição de nossas memórias. Às vezes, memórias nossas nunca foram vividas por nós, mas foram ouvidas, pensadas, imaginadas e logo se recompõem como cenas cozidas com o “melado” da relação com os avós. Quando a esse contexto adiciona-se algum traço geográfico de importante distância, acho que o valor é multiplicado em quilômetros, pois nossa mente acaba preenchendo o vazio dessa relação que nos pede intimidade e grande amor.
        Sabemos que o amor não se traduz exclusivamente em línguas em ação. De todo modo, a língua é mais um componente de agregação. Quando nos comunicamos com outro na mesma língua, parece que os laços se fortalecem ainda mais. Um amigo meu que mora na China disse-me uma vez: só sei amar na minha língua. Compreendo muito a extensão de suas palavras. A língua é o que segrega, mas é também o que liga. É por ela que dizemos: somos iguais, estamos na mesma “vibe”. Línguas são mentes em interação. Línguas de herança veiculam redes de emoções e sentimentos, memórias de família, saudades de algo que tivemos e do que não tivemos e poderíamos ter tido.
        Mas se adicionamos o componente familiar ancestral, então a língua passa a representar também conhecimento de outras épocas, transmissão oral de cultura, o mais forte laço de sobrevivência de uma cultura. Parabéns pelo texto, Felicia.

  2. Eu também gostei do “pais com melado”! Por isso é que para as crianças os avós são figuras carinhosas e queridas. Consequentemente a comunicação fica prazerosa quando conseguem se entender.

  3. Aqui em casa, presente de avo e’ livro e DVD também, meu filho percebe que tem que se esforçar mais, por que com a vovo nao tem enganacao, ela nao entende inglês mesmo! Tambem promove um cenario mais real da nossa identidade e da identidade deles, mamae veio do Brasil e a mae da mamae ainda mora la, mais um pedacinho da gente nos ligando ao Brasil.

  4. Me emocionei ao ler esse texto. Apesar de não ter filhos ainda, o que mais penso é em como será a relação deles com os avós. Tive uma relação tão intensa e linda com minha avó quero que meus filhos possam ter o mesmo com meus pais. Ver meus pais tão grudados com meus sobrinhos me faz temer um pouco de ter filhos tão longe de casa. Mas sei que mesmo com a distância meus pais terão um papel gigante na vida dos meus filhos.

  5. Felícia parabéns pelo texto , super bem escrito e emocionante!
    É realmente maravilhoso ver um filho interagindo com os avós no pouco tempo que se tem juntinho deles. Pois vivendo do outro lado do mundo esses momentos são preciosos , e ver meu filho brincando e conversando com a minha mãe é um dos momentos mais maravilhosos que tenho durante o ano. Vê-los dando boas gargalhadas, brincando e conversando me faz muito feliz e o benefício que isso traz para todos é impossível de mensurar. Falar no Skype durante o ano esperando as férias pra ficar bem pertinho é de uma alegria tão grande que concretiza a necessidade de aprender a falar o Português. Pois nesta língua e juntos sentimos e sonhamos de um jeitinho que só algumas palavras em português podem traduzir a intensidade de alguns sentimentos. Saudade, carinho, ternura e tantos outros mais sentimentos é o que estamos semeando no coração dos nossos filhos quando conseguimos viver e ensinar o Português com toda sua pluralidade!

  6. Felicia que texto maravilhoso ! Senti o que meu pai sente com nossa ausencia e o que vou sentir quando for vovo .
    A distancia e cruel , perdemos parte da historia da nossa familia e com isso a cumplicidade fica comprometida. Os vinculos com os avos sao eternos ,mas acho que para sobreviver longe dos netos e filhos o afastamento e inevitavel . Imagine so se existir tambem a barreira da lingua ?
    Tive a oportunidade de conhecer uma vovo maravilhosa que veio fazer uma visita para filha e a netinha a quem nao via ha muitos anos. A neta nao falava portugues e la fui eu socorrer. Nao vi na minha vida uma mulher tao triste e uma crianca tao frustrada por nao se conectarem apesar do amor que sentem uma pela outra.
    Perguntei para a mae se avo e neta se falavam pelo Skype e ela disse nao ,da muito trabalho ter que traduzir a conversa. Triste demais !
    Aqui em casa falamos com meu pai e irmaos pelo Skype e escrevemos pelo watsapp diariamente as novidades da familia em um chat comunitario. Tem que falar e escrever em Portugues e isso foi determinado quando vi meu cacula usando google translator para responder um email do avo.
    Espero em breve ( daqui ha uns 5 anos 🙂 ser vovo. Ja avisei meu filho que meus netos vao falar Portugues e se ele nao praticar conosco aqui em casa, ele nao vai saber o que estamos falando. Meu pai vai ser bisavo , imagine a emocao ! O minimo que devo prover e a comunicacao saudavel entre os dois.

  7. Gostei muito desta série de textos sobre o papel de todos nós na educação bilingue de nossos filhos, mas os pontos levantados sobre o papel dos avós me chamou mais a atenção, tocou mais forte no coração. Podemos ressaltar todos os pontos positivos do biliguismo na vida de um indivíduo, mas para mim nada fala mais alto que possibilitar o afeto, o amor, a troca com nossos entes queridos. Adorei a colocação sobre a língua ter o o papel de “regar o amor” entre avós e netos. Os avós são fundamentais neste processo, não só como geradores da necessidade mas também como incentivadores e apoiadores dos esforços e das conquistas dos filhos e dos netos. Esses “pais com melado” podem e devem ser a referência emocional, prazerosa do falar português.

  8. Muito bonita a história, pois os avós sempre nos remetem a coisas especiais e às lembranças mais ternas. Justamente por isso, eles são os vetores da afetividade e da ancestralidade, que também é uma voz interior que tem os seus ‘idiomas’ e os seus ‘sotaques’. E, pensando de maneira prática, sempre será mais fácil para uma criança aprender o idioma dos seus antepassados (pais e avós), porque já o possui internamente.

  9. Os avós, bem como demais membros da família materna e paterna, fazem parte das raizes de nossas histórias individuais – ainda que o se tenha pouco contato ou nunca se retorne a morar no Brasil, é infrutífero ignorar tais vínculos, pois trata-se de negar parte de nós mesmo.Assim como exposto no texto, aprender,cultivar e valorizar o português, mantêm ativo o contato dos pequeninos, com esta parte da sua história.
    Além disso é reconhecido a importância da rede de apoio familiar no saudável desenvolvimento no percurso de vida, poder ter acesso a este recurso humano, indubitavelmente é um tesouro precioso, principalmente considerando que muitas famílias ao migrarem, frequentemente, vêem restritos o seu circulo de contatos sociais.

  10. Por mais rica e divertida que seja a experiência do bilinguismo este é um processo por vezes árduo. Em momentos de desânimo, quando por exemplo a criança atravessa a fase da “rejeição” (entendem o português mas respondem na língua do País onde estão), é comum que os pais se sintam desmotivados, como se estivessem perdendo tempo. Nestes momentos, é muito útil pensar na figura dos avós e tomá-los como motivação para seguir adiante. A figura dos avós é uma dúplice ferramente que os pais têm a disposição: em primeiro lugar, servem como fator motivador. O pai/mãe pensa em quão importante é que a avó possa conversar com o netinho livremente, e isso serve de impulso para que não desista. Em segundo lugar, os relatos que os pais fazem às crianças sobre os avós, contando como são pessoas legais e especiais, ajudam a ir criando um elo, uma afinidade emotiva entre entre a criança e aquela pessoa de quem ouvem falar, e isso ajuda a predispor a criança mentalmente a querer aprender a língua daquela pessoa, a querer interagir com ela.

  11. Avos sao heranca. Como nao honrar nosso passado, entender nossas raizes e celebrar seus frutos se nao olharmos para tras? E isso se refere apenas ao seu papel na estoria da familia. O que dizer de seu papel na dinamica da familia? Avos somam uma camada de amor e protecao, formam um colchao emocional e exponencializam a nocao de amor incondicional. Como nao ama-los por quem sao e pelo que representam. Como entao negar aos nossos filhos tamanho privilegio. Se damos a eles o nosso amor, a nossa lingua e cultura, como negar-lhes esta parte da sua heranca? O papel dos avos no bilinguismo seria entao o de celebrar o porque de sermos bilingues, o porque de mantermos a chama acesa. Porque eles sao nossa heranca tanto quanto nos somos o seu futuro.

  12. Gostei tanto deste texto que vou mandá-lo para os meus pais e minha sogra para que reconheçam quão importantes foram e são na educação das netas.
    Mesmo morando longe há 15 anos, a ligação das minhas filhas com os avós é imensa. Quando pequenas os avós mandavam revistinhas, livros, cartas e bilhetinhos, gravavam os programas infantis da TV e mandavam as fitas de vídeo. Os telefonemas eram longos e frequentes. Quando vinham visitar, era uma convivência intensa, participavam de todas as atividades. E sempre tudo só em português. Hoje trocam e-mails, receitas, fofocas da TV e segredos. Com toda certeza se não fossem os avós talvez as meninas não estariam falando, lendo e escrevendo tão bem em português. Eles foram peças muito importantes na educação bilíngue das netas.
    Manter o português em casa permitiu nutrir os laços afetivos com a família no Brasil e esses laços ajudaram a desenvolver e a cultivar a nossa língua.

  13. Parabéns Felicia pelo lindo texto, me fez lembrar dos momentos passados junto a meus avós japoneses no Brasil. Quando eu também penso em meus avós, a palavra que vem em mente é doçura, mas a doçura oriental, lembrando que os doces japoneses levam açúcar e uma pitada de sal. Esta doçura de transmitir através de seus gestos e palavras seus sentimentos e a gana de transmitir e manter de forma mais rigorosa a cultura japonesa dentro de casa. Mesmo no Brasil, era comum tirar os sapatos antes de entrar, comer de ohashi (palitinhos), festejar datas comemorativas e degustar das delícias da culinária japonesa. Fui criada ouvindo histórias, lendas, cantigas japonesas contadas pelos meus avós e este era o elo de comunicação na família que preservava a cultura mais que a língua escrita e falada, isto porque depois de meu ingresso escolar, por vergonha rejeitava aprender o japonês por ser uma língua diferente do que meus amigos falavam. Meus avós assim, passaram a falar japonês misturado com português para se comunicar com seus netos. Mas, antes de meu avô falecer ele me agradeceu falando tudo em japonês, e foi aí que entendi o quanto ele queria expressar para os netos seus sentimentos na sua língua materna.
    Realmente, como a Felicia comentou “o papel dos avós no bilinguismo é cultivar, reviver e celebrar”. Meus avós cultivaram a manutenção e transmissão de sua cultura, puderam reviver as experiências junto a seus netos e eu celebro todos os dias a oportunidade de vivenciar dentro desta educação bilíngue.
    Os avós certamente tem um papel muito importante na formação da identidade, são eles que carregam a herança e, ao repassá-las, ajuda na construção de raízes, o que é muito importante para o desenvolvimento da criança. Meu filho vive longe de seus avós, que se encontram do outro lado do mundo, mas estão ligados pelo sentimento e quando vai a passeio para o Brasil, é recompensado em dobro com abraços e beijos melados com a doçura do brasileirismo.

  14. Esse texto demonstra perfeitamente o resultado do papel dos avós no bilinguismo, já que eles são professores que utilizam um método de ensino: Simples e enriquecedor, com menor orçamento, são professores com uma técnica que ainda não foi explorada, doce e o que é mais impressionante são resultados rápidos e eficientes.

    E bem engraçado, meu filho Matheus de 5 anos, foi passar alguns meses no Brasil, ao tentar conversar com a avó, a língua dificultava um pouco. A aproximação entre eles se deu num dia que minha mãe colocou um canal de televisão, como todos os dias, as 5 da tarde, o santo rosário na canção nova, e meu filho ficou curioso e queria saber o que a avó estava fazendo. Minha mãe, sentou-se no sofá e colocou meu filho no seu colo, e convidou-o a segurar as bolinhas do terço e rezar. Depois de alguns dias,as 4 da tarde, meu filho foi até a cozinha e chamou a avó em português: “Vovó, vamos rezar o terço, já é hora”.

    Esse carinho, esse afeto, essa saudade, é o resultado de uma linguagem dos avós que é transformada numa melodia doce, numa única rima segura e prazerosa.

  15. Acredito que os avos muitas das vezes sao os iniciantes do bilinguismo, ja que a mae ou o pai veem a importancia dos filhos de se comunicarem com os seus pais, avos de seus filhos.
    Como o texto menciona o fato de estamos longe, faz com que a relacao dos avos e netos sejam unicast e intensa a cada momento, a cada reencontro e a comunicacao, a lingua e esta linha que unie estas duas geracoes.
    A reacao da Cora, foi a mesma reacao do meu filho quando a minha mae cantava a musica do sapo: “O sapo nao lava o pe…” foi lindo ver que mesmo nao falando na epoca, ele parava e escutava desde que ele sabia que esta era a musica da vovo.
    Assim como a minha sogra cantava algumas musica em frances, ele sabia que era mami. Eu vejo que os avos sao como aquelas arvores raras existente a muitos anos, aonde as raizes ja estao tao profundas que e quase impossivel de cortarlas. Alem disso, os avos tem o tempo e muito mas paciencia que nos para explicar cada palavra, cada acao, os avos tem este carinho unico com os netos e este suporte e fundamental para a familia.

  16. Existem poucas palavras mais doces que vovó e vovô!! O fato dos meus pais não falarem inglês foi um dos aspectos mais importantes enquanto persisto em manter o português como língua de herança.
    Eu sempre me emociono ao ver meus filhos falarem como a vovó ao telefone ou ajudá-la a fazer suco em casa quando ela vem nos visitar. Eles se entendem, brincam juntos, cantam cantigas de rodas e as reinventam.
    É pensando nesse laço de amor e memórias que temos dos nossos avós, que me interessei em estudar um pouco mais sobre bilinguismo. Embora meus filhos tenham o português como primeira língua até esse momento, temos amigos que os filhos não conseguem se comunicar com a família no Brasil porque entendem português mas respondem apenas em inglês.
    Imagino o quanto deve ser triste para os avós não poderem manter esse elo tão importante para eles e para nós e, por isso, quero poder ajudar a comunidade que faço parte.

  17. Este texto nos leva a uma reflexão tão profunda sobre a importância que os avós desempenham no ensino PLH. “Agora, imagine se nos poucos momentos em que se virem, brasileirinhos e avós não puderem se entender totalmente?” Essa frase mexeu lá dentro do meu coração, pois me fez recordar das palavras de minha mãe, a vovó da Melanie.
    Quando minha filha nasceu, minha mãe veio do Brasil para conhecer a primeira netinha e uma manhã eu acordei com minha mãe chorando, com a neta no colo. Perguntei pra ela porque ela estava chorando tanto, e ela me disse que estava “tentando” se comunicar com a neta. ” good morning my princess” ela disse chorando e com um sotaque bem forte rsrsrs
    Então perguntei pra ela onde havia aprendido aquela frase e porque estava falando em inglês com a neta. E ela me disse que estava estudando inglês pelo google porque precisava conseguir se comunicar com a neta de alguma forma. Foi então que esta vovó olhou bem no fundo dos meus olhos e disse: ” você já está morando longe de mim, e agora minha neta também. Por favor, não me tire o direito de poder me comunicar com minha neta. Você como mãe tem a obrigação de ensiná-la o português… ”
    Com essa experiência pessoal e após a leitura desse texto tão maravilhoso, acredito que o papel dos avós seja também o de INCENTIVAR os filhos ( e os netos ) a se comunicarem no nosso idioma e FORTALECER os laços afetivos que nos une.

  18. O texto me tocou muito porque me fez pensar na relação entre minha mãe e meu sobrinho, que mora em Montreal. Meu sobrinho tem 6 anos e ainda está trabalhando para ganhar fluência em português e francês. Eu e minha irmã esperamos ansiosamente a chegada de minha mãe – que vem sempre nos verões – porque sabemos que cada visita dela equivale a 3 meses de trabalho com a fonaudióloga! Sempre que ela volta para o Brasil ela deixa um menino mais confiante, mais feliz e mais disposto a falar português “para conversar com a vovó no computador”. E para o francês também funciona, porque o seu maior orgulho é traduzir o mundo a sua volta para sua querida avó. Sempre que vem, minha mãe traz livros, revistinhas da Mônica, CDs e DVDs e faz questão de contar uma história toda noite, em português é claro! Eu acho que os avós são o apelo emocional pela manutenção da língua. Hoje, com a tecnologia, eles podem fazer parte da vida das crianças cotidianamente e isso pode ser um grande estímulo e suporte na manutenção do português em casa.

  19. Os avós representam um papel incrivelmente importante no desenvolvimento emocional dos netos. Essa é uma máxima válida para todas as crianças, sem exceção, mas é particularmente importante para as crianças que estão morando em um outro país, sendo expostas a uma rotina, uma língua e uma cultura totalmente diferentes.

    Como dito no post, os avós são pais mais doces, que tem como principal objetivo a felicidade dos netos. Essa relação pode ser a porta de entrada dos nossos filhos para as suas raízes, e consequentemente se demonstrar como o pilar da sua relação com a nossa língua e a nossa cultura.

    No caso da nossa família, acho que tivemos muita sorte porque tanto por parte das crianças quanto das avós (os avôs já são falecidos) e dos tios, sempre ouve uma troca muito grande. A distância fez com que todos se adaptassem para manter o contato. Isso incluiu uma transformação gigantesca na vida das duas vovós, que logo no início resolveram comprar um computador e aprender a usar o Skype. Hoje, elas já são experts em facebook, jogos infantis na internet e vivem trocando “selfies” com as crianças, que adoram! Eles dizem que as vovós são modernas e que os amigos ficam surpresos e admirados com a disposição das duas, com 76 e 74 anos.

    Atualmente, as vovós estão até mesmo superando seus medos e se aventurando a viajar sozinhas, por 14 horas, sem falar inglês, só para visitar os netos, o que seria impensável há alguns anos atrás.

    Qual o resultado desse investimento todo? As crianças são completamente apaixonadas pelas avós. Se falam semanalmente, por Skype, facebook, e-mails e telefone, além de contarem os dias para viajarem ao Brasil e comer a comida da avó, jogar no computador com a avó, ir ao supermercado e comprar todas as guloseimas com a avó. A Isabella, com 13 anos, chega a cancelar encontros com os amigos no final de semana porque quer aproveitar e ficar mais tempo com a avó. O Rodrigo, de 6 anos pede toda noite pra dormir com ela só pra receber cafuné e ouvir as musiquinhas de ninar.

    Tenho certeza de que essa troca está construindo para as crianças, não só o capítulo das memórias e experiências familiares mas também da relação histórica, cultural e linguística com o Brasil. E essa convivência traz imensos benefícios não só para as crianças mas também para as avós que descobrem outros países, outras culturas que as enriquecem e as fazem se sentirem muito importantes e realizadas.

  20. Acredito que existam diferentes atores que contribuem para o fortalecimento do Bilinguismo. Tanto o núcleo familiar – mãe e pai – quanto o núcleo social – escola e comunidade – são importantes. Mas são os avós que fazem essa “conexão”, essa ponte entre cultura e herança, presente e passado. Pelo menos esse é o meu caso. Eu só tenho a minha mãe. Sou filha única e meu filho é o seu único neto. Nos falamos todas as semanas por Skype. Minha mãe sempre foi muito introspectiva, lacônica. Hoje ela tem se esforçado muito para fazer parte da vida do neto, que tem apenas oito meses. Para tentar deixar as conversas mais divertidas, ela canta músicas em Português para ele. Talvez se não fosse por causa dela e se esforço, eu não teria me envolvido com essa questão do Português como Língua de Herança. Acho que todos temos uma motivação especial quando pensamos no tema, a minha é essa: emocional e afetiva.

  21. Acredito que existam diferentes atores que contribuem para o fortalecimento do Bilinguismo. Tanto o núcleo familiar – mãe e pai – quanto o núcleo social – escola e comunidade – são importantes. Mas são os avós que fazem essa “conexão”, essa ponte entre cultura e herança, passado e presente. Pelo menos esse é o meu caso. Eu só tenho a minha mãe. Sou filha única e meu filho é o seu único neto. Nos falamos todas as semanas por Skype. Minha mãe sempre foi muito introspectiva, lacônica. Hoje ela tem se esforçado muito para fazer parte da vida do neto, que tem apenas oito meses. Para tentar deixar as conversas mais divertidas, ela canta músicas em Português para ele. Talvez se não fosse por causa dela, eu não teria me envolvido com essa questão do Português como Língua de Herança. Acho que todos temos uma motivação especial quando pensamos no tema, a minha é emocional e afetiva.

  22. Acredito que os avós são uma grande – se não a maior –  motivacão para a grande maioria dos que escolhem e persistem em manter o português vivo fora do Brasil. Vejo que muitos dos que acabaram escolhendo, ou aceitando, não falar o português em casa ou não tinham pais vivos ou não tinham um bom relacionamento com eles. Quem acaba perdendo duplamente são os filhos, sem a toca afetiva profunda com os avós e sem mais um idioma fluente quase “sem esforco” – dos filhos, lógico. 
    O “esforco” fica por conta dos pais, que decidem dar esse presente para os filhos, que fazem de tudo para manter a língua minoritária em casa. O amor dos avós é um grande aliado nessa caminhada, motivando os pais e cativando os netos, do jeito doce que só os avós conseguem. 
    Para que uma língua se mantenha viva ela precisa ser necessária. Talvez a necessidade do português seja lógica para o adulto que migrou, que quer manter e nutrir suas memórias mais queridas, que quer se expressar na forma que mais se sente confortável e seguro, mas a perspectiva da crianca pode ser diferente. Enquanto for pequeno e a mãe (e/ou o pai) for grande parte de seu universo a tarefa é um pouco mais fácil. Mas a medida que cresce e expande esse universo a necessidade do português cai drasticamente e com ela a motivacão para falá-lo. Então aqui os avós (e também os tios, primos e resto da família) conseguem desempenhar um papel importantíssimo para a manutencão dessa língua, dando a motivacão necessária à crianca para QUERER falar o português. Claro que o vínculo vai sendo criado desde o nascimento, essa troca mágica e tão preciosa de amor, que enriquece tanto as duas partes, vai acontecendo e sendo contruida a cada dia, a cada telefonema, conversa pelo Skype, a cada reencontro.  Assim, quando (se?) aquele momento de “crise” surgir (“Por que iria querer usar essa língua que quase ninguém perto de mim usa?”) algum sentido – esperamos!- será encontrado.

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