O papel da comunidade no bilinguismo que envolve uma língua de herança

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Por Felicia Jennings-Winterle, Coluna Educação Bilíngue
Atualizado em Outubro/2016, com a contribuição de Fernanda Krüger, Renata Molina e Carla Pontes.

Se dois pensam melhor que um e uma andorinha não faz verão, educar crianças bilíngues é algo que requer o apoio de uma comunidade inteira. Em anos passados, costumava ouvir entre pais e mães, de primeira viagem e experientes, que tinham recém mudado para fora do Brasil ou que já estavam por aqui há muito tempo, que “não conheciam nenhum brasileiro”, não tinham amigos e se sentiam sozinhos. Esses eram, inclusive, motivos pelos quais muitos desistiam de falar português com seus filhos.

Essa é (e sempre foi) uma dura faceta da realidade de quem mora fora: já que não temos familiares por perto, precisamos de substitutos. Por isso, os amigos que aqui fazemos têm um papel fundamental. Agora imagina fazer parte de um grupo de mães/pais com filhos de mesma idade, que moram próximo e que podem brincar e aprender juntos, fazendo, assim, toda a diferença na vitalidade da língua de herança (LH) de sua família?

Nesse post atualizado (a versão original foi escrita em 2012), já é possível celebrar:       no mundo inteiro já se sabe sobre o português como língua de herança (e por isso os verbos do primeiros parágrafo foram mudados do presente para o passado).

São inúmeros os grupos que se reúnem em diferentes países e maior ainda é a quantidade de recursos em sites, blogs e em grupos nas mídias sociais, especialmente no Facebook, onde pais e professores de todo o mundo podem se conhecer, trocar ideias sobre a educação bilíngue e, claro, dar palpites.

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Promover porque é preciso que uma andorinha anuncie o verão, marque eventos e encontros. Informar porque, ao trocar ideias, não só sobre as questões do bilinguismo, as famílias crescem, se tornam mais fortes. A comunidade como um todo deve ser conscientizada sobre os benefícios do ensino bilíngue e assim, aplicar políticas linguísticas em favor desse estilo de vida. Incentivar porque, convenhamos, dependendo da idade, da cidade, do país e da criança, manter a chama do bilinguismo acesa é um constante desafio. Ter um grupo de famílias na mesma situação faz deste um desafio tangível, não uma dificuldade.community-178148Uma comunidade ativa e reunida deve permitir e contribuir para a promoção e o incentivo do bilinguismo que envolve a língua de herança (LH), disponibilizando espaços e oportunidades para a realização de encontros e eventos de manifestações da cultura de herança e da local.

Às propostas pedagógicas, de natureza privada ou governamental, que cultivam valores culturais e promovem educação em e sobre a língua portuguesa (como herança, PLH) chamamos iniciativas*; e sua maior tarefa é replicar um mundo em português.

Nessas propostas a LH é contextualizada através de diversas atividades, situações e oportunidades. Promover a apropriação da cultura brasileira e da língua portuguesa por meio de vínculos sociais, afetivos e sensoriais com a língua começa em casa, mas sua continuidade deve ser em um grupo.

Uma ressalva é importante ser feita. Pais e educadores precisam estar cientes de que a aprendizagem e o desejo de falar e conviver (também) na LH florescem se houver estímulo e se as oportunidades de uso dessa língua fizerem parte dos múltiplos contextos da criança, fazendo desta uma língua útil e produtiva.

As iniciativas, os projetos, os encontros podem até existir e serem organizados na rua da sua casa, mas se você não investir um tempo especial para se envolver, essas práticas acabam desaparecendo… muitas vezes por pura falta de quórum. Com isso, as oportunidades da criança vivenciar o Brasil fora do Brasil são reduzidas, dificultando e, em alguns casos desabilitando, a manutenção da língua e da identidade de herança. O comprometimento da família e a consistência na participação de práticas sociais são, sem dúvida, essenciais no contexto de uma LH.

O PLH ganhou até uma data comemorativa
Desde 2014, dia 16 de maio é Dia do PLH. Através desta e de outras ações, a BEM e dezenas de outras iniciativas têm feito um enorme e eficiente papel de conscientização sobre essa especialidade do ensino da língua portuguesa; e em todo o mundo têm trocado informações, conhecimentos, práticas e projetos como nunca havia sido feito antes.

Você pode conhecer as diversas iniciativas que promovem o português e a cultura brasileira através da coluna Pelo Mundo. Se você conhece outra, fale para nós. Se você quiser montar uma iniciativa e precisa de orientações, entre em contato conosco.

 

Veja também:
o papel da mãe, o papel do pai, o papel dos avós, e o papel da escola no bilinguismo.

* Essa nomenclatura sintetiza outras especificações como playgroup, playschool, escola, oficina, encontros, entre outros. Sua formatação justifica-se na medida em que existe a necessidade de melhor estruturar tais propostas educativas, inclusive diferenciando-as dos modelos escolares, tais como o público, o particular e mesmo o homeschooling, e melhor capacitar os indivíduos que se colocam à frente deste movimento. Uma iniciativa é caracterizada em termos de sua frequência e expectativas pedagógicas. São chamadas de formais as iniciativas que promovem encontros mais de uma vez por semana, por pelo menos 4 horas semanais; informais são as iniciativas que promovem encontros uma vez por semana, por menos de 4 horas semanais; e esporádicas, as que promovem encontros com frequência irregular ou motivadas por comemorações de festividades, por exemplo. Tal delimitação é importante, não só em relação às expectativas que a iniciativa pretende atingir, mas também à forma como tais expectativas podem ser atingidas” (Jennings-Winterle & Lima-Hernandes, 2015, pág. 3).

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

35 comentários em “O papel da comunidade no bilinguismo que envolve uma língua de herança

  1. Nossa , que lindo seu texto Felicia ! Meu nome eh Sylvana , sou mae do Franco , Bruno e Enzo , faco parte do grupo brasilerinhos em LI, com muito orgulho: ) , admiro muito o trabalho da Tia Cris e da tia Lu , no meu dessa vida tao corrida nos Estados Unidos elas arrumam ou melhor fazem tempo pra programar atividades divertidas e educativas para nossas criancas.
    Estar longe da familia e amigos nao eh facil , encontrei nos Brasileirinhos de LI uma segunda “casa” , a cada dia eu e principalmente meus filhos fazem novas amizades , a ponte de nis aniversarios eles me perguntam ” Mamae eos meus amigos brasileiros voce nao vai convidar? ” .
    Fico toda orgulhosa quando ouco os meus filhos falando portugues , mesmo que seja carregado , nao importa , eles estao tentando , eles querem ser Brasileiros , devo isso aos Brasileirinhos de long Island!

  2. Gente desculpe os erros de portugues do meu comentario anterior , escrevi do meu iPhone o qual inssisti em mudar minhas palavras, rsrsrsr
    Mais o conteudo eh verdadeiro !
    Sylvana

  3. Li todos os textos sugeridos e a princípio havia escolhido comentar no: “Papel da escola” porque através do testemunho da Karen Mohrstedt Badin podemos perceber a associação eficiente que se dá no processo que se inicia em casa e se estende até a escola. Então, no sentido latu, a escola representada, para a criança, a inserção na sociedade e as famílias devem estar atentas aos desafios que esta inserção irá impor – isto mesmo, muitas de nossas decisões são direcionadas pela demanda social, e nem sempre o que a sociedade está impondo, corresponde aos objetivos essenciais de cada família. Mas, enfim, não é exatamente da sociedade que gostaria de falar, mas sim do poder das iniciativas comunitárias. Vivo e educo meus filhos no Japão e, de forma bem mais discreta, percebemos a comunidade se movimentando para proporcionar atividades culturais para descendentes de brasileiros – acredito que a medida que cada grupo conseguir amadurecer e se reconhecer como “mecanismo” de promoção, mais iniciativas poderão se concretizar também no país do sol nascente, e enquanto tudo isto não acontece por aqui . . . vou seguir admirando a agilidade dos grupos que promovem estas iniciativas em terras ocidentais.

  4. Também li todos os textos sugeridos e como Sara da Costa, eu tinha, anteriormente, escolhido o “papel da escola” como a forma mais eficaz de manutenção do português. No entanto sou parte da maior associação brasileira na Australia (BRACCA) e vejo o quão importante as iniciativas comunitárias são para o aprendizado do português. O segredo não está apenas em saber falar ou escrever português, mas se sentir parte do Brasil, se sentir parte de um grupo, ter os mesmos interesses, se sentir em casa numa visita ao Brasil, poder identificar uma música na estação de rádio, isso é que faz a diferença. Claro que não estou aqui diminuindo ou desvalorizando a função da mãe, do pai, avós e escola, mas acredito que um seja complemento do outro. Do que adiantaria aprender sobre carnaval e não participar de um baile carnavalesco? ou ouvir falar de festa junina e não ter uma apresentação de quadrilha? E é esta a função dos Brasileiros, mundo a fora, em manter iso vivo em seus filhos. Então na minha opnião o papel da comunidade se torna o mais importante, sem ela o nosso carnaval fica preto e branco.

  5. A mensagem principal do meu primeiro livro infantil, “O filho do boto cor-de-rosa”, ecoa no coração de todos aqueles que acreditam no trabalho comunitário: juntos somos mais fortes.

    Meu trabalho, no sul da Alemanha, onde resido há dois anos, tem como base experiências coletadas durante trabalhos realizados em vários lugares desse mundo maravilhoso. Acredito que, somente ajudando uns aos outros, conseguimos resultados positivos à longo prazo.

    Gostaria de citar um pequeno pensamento (minha autoria) para todos que acreditam no trabalho em grupo, um trabalho onde o ego precisa conhecer seu lugar:

    Atenҫão para o múrmurio latente da mente
    O ego que ilude, confunde, manipula…
    Teu coraҫão sabe o caminho,
    Tal qual um compasso…
    Assim, corpo e alma podem seguir em paz, felizes.

    Por fim deixo um pensamento de uma “deusa” da nossa literatura. Obrigada Brasil em Mente!

    Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.
    Clarice Lispector

  6. Aqui na Nova Zelandia, o papel da comunidade e das atividades que promovemos e’ muito mais do que incentivar o portugues, e’ promover a brasilidade, faz com que as nossas criancas percebam como seus pais ficam felizes/saudosos/orgulhosos de comer coxinha e feijoada e de escutar musica brasileira, faz com que os brasileirinhos nascidos aqui sintam que eles tem um pedacinho a mais da historia deles que precisa ser descoberto e explorado.

  7. Concordo com a Cínthia Nacimento, embora eu particularmente não veja o papel da comunidade como sendo o mais importante, mas sim um dos elementos de grande relevância. Em tudo mais acho que Cínthia tem razão.

    Minha mensagem para os pais é que devemos trabalhar não somente a língua e o estudo da cultura, mas também vivenciá-la, caso contrário o sentimento de brasilidade não florece. Como costumo dizer, ser brasileiro é ir mais além da simples nacionalidade, mas ter traços e caracteríscas que nos identificam e que fazem com que tenhamos orgulho de ser quem somo; e é esse o nosso grande desafio: despertar nas nossas crianças o orgulho e o prazer de também serem brasileiras.

    Professora Aline Nunes (NZ)

  8. Inicialmente, também, tinha pensado no papel da escola e no da mãe mas, cheguei a conclusão de que o papel da comunidade poderia envolver esses dois temas.
    Primeiro, fico feliz em saber que há tantas iniciativas interessantes nos Estados Unidos, na Europa e por vários cantos do planeta e feliz por esta oportunidade de conhecer e trocar idéias com pessoas ligadas às essas iniciativas.
    Também como a Sara da Costa, vivo no Japão há quase 18 anos, aqui criei e eduquei minhas filhas que em março de formam numa faculdade japonesa.
    Como disse a Sara, aqui estamos começando a conversar sobre a questão da educação das crianças brasileiras aqui no Japão já foram realizados dois fóruns nacionais em 2013 e para este ano estamos trabalhando a possibilidade de realizar fóruns regionais.
    Formamos também dois grupos de discussão sobre educação mas, a participação ainda é muito pequena.
    Faço um trabalho voluntário num projeto de ensino de língua e cultura brasileira que chamamos de ARTEL – Oficina de Arte Educação e Letramento, na Projeto Construir – Sakai/Osaka- Japão, atualmente participam 20 crianças
    Nas oficinas busca-se atividades que possam levar a criança a conhecer o seu mundo e os outros mundos, experimentar, pensar e refletir sobre si mesma e suas origens.
    Respeitando cada criança na sua forma de ser, e tem como objetivo maior a consquista de sua autonomia e se torne capaz de expressar seus sentimentos e pensamentos.
    Desculpem por uma introdução tão longa mas, era necessário.
    No ano passado, em agosto, as crianças puderam ver florescer tudo aquilo que vínhamos estudando num certo sentido, a história do Brasil, é que pela primeira vez nós brasileiros da cidade de Sakai e de outras localidades, participamos das festividades da cidade enquanto comunidade.
    Foi uma coisa muito intensa desde o pensar, preparo das vestimentas e cenários, os ensaios e até a apresentação.
    As crianças puderam ver seus pais trabalharem na confecções de fantasias e objetos, fizeram questão de terem a pele pintada como dos índios brasileiros e foram valentes pois, nesse dia choveu muito mas, as crianças fizeram questão de sair sem a camisa e somente com a pintura no corpo.
    Foi algo emocionante e importante porque até os mais tímidos e envergonhados de mostrar a sua brasilidade naquele dia estavam alegres.
    Contamos a história do Brasil em 10 min e todas as crianças estavam orgulhosas de estarem ali representado e mostrando um pouco do nosso país.
    Isso foi muito importante para todos nós porque os adultos também estavam felizes e isso contagiou todas as crianças.
    Foi bonito perceber a importância dessa (re)união de todos da comunidade e de como todos precisamos de todos para poder ter mais alegria, segurança, esperança e principalmente ver e sentir na pele que não estamos só e como bem disse , Felicia Jenning-Wintele: “ Se dois pensam melhor que um, e uma andorinha não faz o verão, educar crianças bilíngues é algo que pede o apoio de uma comunidade inteira.”

  9. Também li todos os textos sugeridos e escolhi comentar no papel da comunidade no bilinguismo.Acredito que a comunidade tem um papel importante mas ela apenas vem complementar o trabalho que é feito em casa pelos pais.
    Quando os pais reconhecem a importância de falar o português e por meio da língua passar os aspectos culturais aos filhos, eles vão de alguma forma, tentar promover ou pertencer a algum grupo que compartilhe do mesmo desejo. E as crianças precisam ver essa importância na vida de seus pais.
    Magaly Quadros – Dubai

  10. Em resposta ao POLH ( ref. tarefa número 02.,)

    De todas as sugestões de links o que mais nos chamou atenção foi o papel da comunidade no bilinguismo. Por não depender dos laços familiares que apesar de bem vindos as vezes não existem expressivamente, A comunidade desempenhará atividades que promovam a língua e uma maior interação na troca de experiências com os falantes, Uma iniciativa que manterá acesa a chama da curiosidade e motivação para prosseguir com o aprendizado.

  11. Fantástico! Estas inciativas são super importantes, porque unem as pessoas e tornam o processo muito mais dinâmico e interessante. Em Madri temos os cursos de Português da Casa do Brasil, e a partir do ano passado, um Edital anual do Ministério de Assuntos Exteriores do Brasil, que selecionou projetos aos quais ofereceu ajuda a produtores culturais brasileiros para o desenvolvimento de projetos voltados às crianças brasileiras, através do Consulado do Brasil, em Madrid. Eu participei da primeira edição e tive um projeto aprovado, o “Contos e Encantos do Brasil”, que apresentamos em português, no dia 05/10/2013, na Casa do Brasil.

    Aí está o blog com mais informações: http://contoseencantosdobrasil.blogspot.com.es/2013_09_01_archive.html

    Este ano o Edital também se abriu, porém não apresentei nenhum projeto, devido à fase em que me encontro,de conclusão da tese doutoral, e nao estou, ainda, informada sobre os novos projetos, mas certamente serão interessantes.

    Porém, cabe ressaltar que além dessa iniciativa, que conta com o apoio do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, através do Consulado, existem também outras iniciativas cidadãs, como a Associação Cultural Brasileira Maloka – da qual faço parte e sou Secretária – onde realizamos anualmente uma Festa de Cosme e Damião (27/09), para crianças brasileiras e não brasileira, mas em torno à nossa cultura; além de grupos de mães brasileiras em Madri, que se reunem para que os filhos possam brincar e falar português .

    É muito bacana este espaço de intercâmbio de experiências, vamos mantê-lo, pois assim poderemos multiplicar as vivências positivas.

  12. Coloco inicialmente, as palavras que expressam os objetivos do “Papel da Comunidade” na busca de um convívio com os falantes da língua portuguesa e no envolvimento com as tradições de um povo, neste caso, o Brasil. São promover, informar e incentivar.
    É fundamental para as comunidades brasileiras que vivem no exterior, o convívio com outras pessoas que compartilham e acreditam na importância da preservação da língua e da cultura do seu país, e que haja um consenso o quão este movimento é necessário para o fortalecimento destas pessoas e de seus filhos, quando se vive fora da sua terra natal. Promover encontros e eventos, trocar informações sobre os assuntos pertinentes, e incentivar essas pessoas a se sentirem mais confiantes nesta nova vida são tarefas imprescindível na manutenção do bilinguismo e das tradições culturais de seu país.
    Desta forma, o envolvimento com a comunidade de brasileiros é uma tarefa essencial, porque todos ganham com a troca e o convívio, pois a cada gesto, a cada palavra, a cada “trejeito”, as raízes e a brasilidade se manifestam.
    Acredito que este contato, pode sim, favorecer e resgatar as origens, por isso senso de união pode fazer a diferença quando não se está “no seu país”, pois traz um “pedacinho” dele para dentro das conversas, das vivências, das festas, mostrando o que está latente na memória pessoal e coletiva de cada um.
    Valorizo também, os espaços organizacionais, como ONGs, Oficinas, projetos com a comunidade inserida que tem os mesmos ideais, ou seja, de cultivar a língua, a história, as tradições culturais do seu povo, mantendo viva a sua identidade.

  13. Primeiramente obrigada por esta série de textos, sinceramente me identifiquei com todos, desde o papel da mãe, pai, avos, escola e a comunidade no bilinguismo. Porém acredito que envolver e convencer a família sobre a importância do tema bilinguismo seja mais fácil, especialmente no meu caso, onde somos e temos pais e mães brasileiros. Complicado é encontrar pessoas de fora do meio familiar que estejam dispostas a se empenhar na disseminação da nossa cultura e língua para nossos filhos. Na região onde moro aqui na Itália, tive a oportunidade de conhecer algumas mães brasileiras pessoalmente, mas nem todas falam português com os filhos, alias, apenas uma fala e faz questão, as demais influenciadas pelos familiares do marido ou escola acabaram deixando de lado. Uma das primeiras coisas que fiz ao chegar na Itália, foi procurar brasileiros por aqui, na época eu ainda não era mãe, mas era uma maneira de me sentir em casa, falar a minha língua, estar com pessoas do meu pais era como estar com a família. E é esse sentimento que quero transmitir a minha filha, quero que ela sinta-se brasileira e não apenas italiana, que conviva com outros brasileiros, que conheça a nossa cultura, os nossos sabores, as nossas danças, as nossas musicas, os nossos cheiros, que perceba as diferenças de um pais para outro, que construa laços afetivos, que vão além das portas aqui de casa. Tarefa nada fácil, pois reunir brasileiros com os mesmos objetivos por aqui e um desafio, mas não impossível, até lá, vou admirando os grupos já existentes em outros países.

  14. Todos os textos deste site são muito interessantes, mas este fecha com chave de ouro, pelo menos na ordem em que li, pois focaliza três ações necessárias à comunidade: promover, informar e incentivar.
    Nesse sentido, as ações mais promissoras são as coletivas ou as conjuntas. Agregar é palavra de ordem para criar o espaço ideal para soltar a língua de herança e para viver cultura brasileira.
    O que este texto faz é justamente apresentar uma rede de contatos para os que pretendem promover, informar e incentivar e para os que não sabem como iniciar tudo isso. Amei!

  15. Depois de ler sobre o papel da mãe, do pai, dos avós, da escola e da comunidade, cheguei à conclusão que o aprendizado do POLH se faz com um apoio e esforço coletivo, com cada uma dessas partes acrescentando, incentivando, enriquecendo, etc. Mas o papel do professor é fundamental para fazer com que todos tenham consciência disso.

  16. Continuando… nem só o professor, mas todos os que estão de alguma forma comprometidos: pais, mães, avós e comunidade podem buscar formas de informar, convidar, interagir para essa união de forças para o aprendizado e a vivência da cultura brasileira.

  17. Acho sim muito importante o papel da comunidade brasileira na manutenção e divulgação não só da língua, mas também da cultura brasileira. Moro em St. Louis (Missouri) e faço parte de uma organização sem fins lucrativos chamada Viva Brasil. Temos a preocupação de manter viva a nossa cultura e língua, um presente para os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos. Acho importante que sejam divulgadas atividades culturais para crianças e adultos em cada cidade, ou região do exterior, facilitando o contato e a vivência entre brasileiros. Por exemplo, devido a Copa do Mundo este ano, minha filha participou de muitos encontros em casas de amigos para assistirmos juntos aos jogos do Brasil. Ela se envolveu de tal maneira que chegou a me dizer que “nunca se sentiu tão brasileira em toda sua vida” como durante o jogo, torcendo, roendo unhas, e cantando junto com os pais e amigos. Durante o intervalo dos jogos, até uma “partida de futebol” aconteceu com os filhos dos brasileiros. A presença dos pais e amigos brasileiros, todos vestidos de verde e amarelo, dividindo nossa paixão pelo futebol, comendo nossa comida, estravazando nossa alegria , tudo isso, tocou profundamente o lado brasileiro da minha filha. Pude sentir que ela se orgulhava em falar do Brasil com as amigas americanas. Isso não seria possível se meu marido e eu não estivéssemos em contato com a comunidade brasileira.

  18. Os brasileiros que conhecíamos e conhecemos foram muito importantes na adaptação de minha família quando fomos morar na Inglaterra e também na manutenção da cultura brasileira. Eles tinham a preocupação de manter viva a nossa cultura, língua, nossos hábitos e nossas comidas. Pude sentir enquanto morávamos lá, que minhas filhas se orgulhavam em falar do Brasil com seus amigos. Falavam das praias, do futebol, e principalmente das diferenças que elas percebiam nos costumes alimentares e familiares. Isso não seria possível se eu não tivesse insistido em me aproximar deles, pois, meu ex marido não queria que tivéssemos muito contato com a comunidade brasileira por achar que isso dificultaria a adaptação das crianças. Após minha pequena experiencia no exterior e depois de muito conversar com minha colega profissional Claudia Spitz,, acho importante que sejam divulgadas nossas atividades culturais para adultos e principalmente para as crianças que vivem no exterior, facilitando o contato e a vivência com seus irmão de pátria.

  19. É claro que o papel dos pais na educação de seus filhos é primordial. Mas do mesmo modo, as crianças são levadas para a escola para que ali aprendam mais, isto é, questões que os pais sozinhos não dão conta em casa. Para as famílias que vivem no exterior e que o idioma materno, no caso dos brasileiros, não é ensinado na escola, e onde os pais não podem atuar de forma integral, pois estes não são – e não devem ser – onipotentes e onipresentes, quem poderá suprir essa lacuna será a comunidade, os amigos, profissionais, associações, etc, que estão aí para mostrar, para ensinar – assim como os pais – e para reforçar (que aquela língua é de todos, ou de muita gente, e não só da mamãe e/ou do papai, da vovó e do vovô.
    Outra questão relevante é que, em geral, a mãe propriza o lado emocional, pois quer que seu filho ou filha fale sua própria língua. Já o pai tende a focar-se na razão – como visto no outro artigo – pensando no lado prático, ou seja, no futuro de seu filho, e vê o aprendizado da língua materna – ou paterna – como um investimento a longo prazo. E os dois, pai e mãe, devem estar certos, e é neste sentido que a comunidade pode atuar, promovendo a todas as crianças a interação com a cultura brasileira de forma coletiva, por meio de brincadeiras, jogos em grupo, músicas, filmes, festas, informando de forma lúdica sobre a diversidade da cultura brasileira e incentivando a interação entre essas crianças, herdeiras desta cultura, e formando ou incentivando o gosto e a interação das crianças com a língua e cultura brasileiras, do mesmo modo como interagem com a cultura e idioma de onde vivem ou onde nasceram.

  20. Nossa! Minha primeira reação foi de identificação. Me senti uma andorinha de Rockland!
    Sempre usei o português em casa e nunca senti necessidade de procurar grandes incentivos para que meus filhos falassem comigo em português. É natural pra gente. Mas o mesmo não acontece em outras famílias, mesmo quando os dois adultos são brasileiros, o que me causa ainda bastante estranheza. Por um motivo qualquer, os adultos conversam em português entre si, mas ao falar com as crianças o idioma usado, normalmente muda para o inglês. O mais interessante é que, ao serem questionados, os adultos não sabem explicar o fato. Eu sou considerada entre meus amigos e integrantes do Clubinho Verde Amarelo como a defensora do português para nossas crianças. E toda vez que uma criança do grupo fala comigo em português, eu provo para os pais que seu filho(a) é capaz de falar português com eles.
    A minha outra reação foi de uma certa surpresa. Não por não saber da existência de outros grupos, mas por desconhecer o tamanho e complexidade de alguns deles.
    Sempre me considerei uma pessoa de sorte por conhecer brasileiros desde que me mudei. Sempre me surpeendo quando conheço brasileiros que relatam terem passado anos sem encontrar outros conterrâneos.
    Talvez por isso que nunca procurei muito pelos grupos citados na matéria acima. Mas me sinto feliz de ter conhecido os programas que conheci, como o dos brasileirinhos de NY, Brazil Ahead e Brasil em mente. E por ter visto o Brasil em mente nascer e florescer nesses anos, me sinto inspirada e esperaçosa por contribuir com a manutenção do PLH na minha comunidade.
    Realmente é reconfortante ouvir a nossa língua familiar na multidão. Conviver com brasileiros me faz sentir em meu habitat natural.

  21. Me identifiquei muito com os outros artigos, o papel da mãe, do pai, e dos avós. Acho porém interessante falar do papel da comunidade em todo este contexto.
    Aqui na Itália realmente, depois de 9 anos aqui, sinto uma counidade meio apagada, ou seja, largada a si, se encontram somente nos restaurantes para comer e ouvir música. Pelo menos esta é a minha impressão e pude ler o outro comentario acima da Andreia a mesma ideia.
    Não sei se é por questões de inclusão social que facilmente nòs brasileiros somos bem vistos e se, comparados a outras comunidades estrangeiras aqui na Itália, para os brasileiros incluir-se em um grupo de italianos não existe nenhum problema. Talvez por isso mesmo, muitos aqui não sentem a necessidade de criar grupos de incentivos de lingua e cultura. Os grupos que existem ou são de música, *bandas e aulas de música e dança, ou de capoeira. Mas e o resto? Quero dizer, e todas as outras manifestações de nossa cultura, nossa língua, histórias, origens? Tudo isso sera uma conquista.
    Fico muito feliz ao ler sobre as comunidades de cada país e dos EUA.

    Como eu disse com relação ao papel da escola: onde muitas vezes a escola não consegue chegar, passando informações precisosasa respeito do bilinguismo e multiculturalismo, os pais e sua comunidade podem colaborar e contribuir ao crescimento geral da cultura e da brasilidade.

    O papel da comunidade é fundamentel, “uma andorinha só não faz verão”. Talvez nós como pais podemos fazer uma primavera ensolarada, mas o verão mesmo, mostrando a sensibilidade da brasilidade é mesmo o grupo quem faz, através de festas, jogos e brincadeiras, além das músicas, tudo isso revelando a memória e recontruindo as tradições em uma terra distante mas que, com muitas andorinhas o sol pode ser mais quente e o verão mais brasileiro.

  22. A comunidade tem o papel chave de conectar a comunidade local com a comunidade imigrante, mas em algumas vezes estes desafios sao bem mais complexos que imaginamos.
    quando mudamos para um outro lugar, temos que nos adaptar a ele e ele nos, mas como fazer isto ? Acredito que o conhecimento e a comunicacao sao as palavras chaves.
    Imagina que vc e convidado para comer na casa de uma pessoa, antes de ir a este jantar vc se prepara, busca saber o que a pessoa gosta, o que eles geralmente gostam, que tipo de bebida bebem, etc. O mesmo para as pessoas que convidam, eles se preparam para recebe-los, mas o que acontece se vc chega sem avisar ? A outra pessoa nao te conhece, nao sabe nada de vc, nao sabe se vc e perigosa, eles nao conhecem as suas origens, As vezes ela so conhece o seu pais pela televisao, e algumas vezes estes nao sao os melhor meios de comunicacao, si vc nao tem todo o contexto da historia. Entao e importante conhece-los primeiro, entende-los, ter impatia para assim pode passer a sua mensagem, a sua cultura.
    Por isso o conhecimento e a comunicacao sao importantes. Antes de sair do Brasil, para ir aonde for no mundo, vc se prepara, estuda a lingua, se informa sobre a cultura, etc, mas vc so vai realmente conhecer a cultura e tudo que vem junto uma vez no lugar, entao o conhecimento e mais do que fundamental, conhecendo o outro lado da moeda vai te ajudar a se comunicar melhor com o seu novo publico. Saber se comunicar bem em outra lingua e uma arte !!
    E importante tambem que a comunidade entenda a razao pela qual estas pessoas se mudam de seu pais de origem para a comunidade local. Por exemplo, aonde moro existem uma campanha enorme a nivel federal aonde o governo do Canada incentiva a vinda de imigrantes, isto porque esta regiao em expecifico precisa de mais pessoas para desenvolver a economia, ja que a populacao esta envelhecendo e os jovens/ adultos, uma vez formados se mudam para grandes cidades. Por esta razao participo de muitas atividades comunitarias afim de conhecer a populacao, e fazer que eles entendam que nao estamos aqui so porque queremos, mas tambem porque e importante para a comunidade ter esta diversidade.
    Uma vez mais o trabalho em equipe e fundamental para o sucesso da nova geracao!

  23. Como é bom poder encontrar que fala a nossa língua! Pessoas que entendem não apenas as palavras que falamos mas, também nossa expressão corporal e até mesmo nossas piadas. Acredito que, quando criança, deve ser reconfortante encontrar outras crianças que tem uma família parecida em sua composição: pai e mãe brasileiros ou apenas um dos pais. Os amiguinhos não estranhariam o hábito de comer arroz e feijão (quase) todos os dias ou passar uma hora na porta dando tchau porque temos que abraçar e beijar todas as pessoas na casa.

    Creio que a comunidade seja instrumento importante não apenas para que as crianças encontrem outras iguais e sintam-se entendidas e aceitas mas também para pais que compartilham da mesma visão, do mesmo objetivo e, que, possivelmente, passam pelas mesmas dificuldades quando persistem em manter seus filhos bilingues.

    Quando em meio a maioria falante de língua estrangeira, a nossa tendência pode ser a desistir da jornada de mantermos o português como língua de herança. Mas, quando temos uma comunidade que nos dá suporte, sabemos que ainda que sejamos a minoria, nós não estamos sozinhos.

  24. Li todas as matérias e tb acredito que a família, no papel da mãe, país, avós, etc são fundamentais na transmissão da língua de herança. Primeiro pois é dentro da família que vai ser tomada esta decisão: manter ou não manter a língua de herança.
    Depois que foi decidido manter, acredito que seja a mãe que no dia a dia vai fazer isso acontecer. Se a criança tiver duas nacionalidades ai serão o pai e a mãe que se desdobrarão para realizar esse árduo projeto.
    Se a decisão for tomada depois que que a criança já está fluente em outra língua, a jornada ficará duplamente árdua. E aí, é preciso muita paciência e persistência, porque infelizmente a aquisição da línguagem não acontece da noite pro dia.
    E é nessa hora que a comunidade tem um papel fundamental. É na comunidade que grupos de apoio podem ser criados.
    Pra mim a comunidade precisa se unir e procurar ajuda em outras iniciativas, estudar o tema, promover encontros que promovam a cultura com as crianças,criar cursos da língua para as crianças, enfim, trabalhar em grupo em prol da manutanção da Língua de Herança.

  25. Ao chegar ao Canadá em 2000, procurei o centro comunitário brasileiro de Toronto, já que não havia Facebook! Como voluntária fui conhecendo a comunidade e percebendo a ansiedade das mães em relação à manutenção do português como língua de herança. Fui convidada por uma das mães, educadora e psicóloga para criar a Escolinha de Português, um projeto que levamos em frente com muito carinho. A comunidade foi crescendo, mudamos de cidade, nossa escolinha fechou, a ideia se transformou e hoje uma nova associação funciona aos sábados com um grupo enorme de crianças e pais entusiasmados e unidos pela manutenção de nossa língua e cultura. Vivo agora em Montreal, e a situação é parecida com há de quinze anos atrás. Uma comunidade ainda pequena, mas crescendo rapidamente e cercada de mães querendo um espaço de suporte, que as ajudem nesse esforço de manutenção da sua língua e cultura. Resolvi recriar a Escolinha, agora com apoio de comunidades virtuais e organizações como a Brasil em Mente, para realizar um trabalho ainda mais profundo. Ontem, depois da aula, uma mãe, casada com um canadense, me contou que o seu filho falou baixinho: “hoje eu falei um pouquinho português”. Ela estava muito agradecida por ter este espaço e por encontrar mães na mesma situação. E eu cheguei em casa feliz por estar servindo a minha comunidade: promovendo os encontros, informando sobre a realidade do bilinguismo, incentivando os pais a continuar esse trabalho de manutenção da língua e apoiando as mães (e pais) que se sentem culpadas, desencorajadas ou sozinhas nesse processo.

  26. Ao ler este texto, meu primeiro pensamento foi: dentre os envolvidos no ensino de PLH, é a comunidade que desenpenha o maior e o melhor papel de todos.
    O maior porque tem a responsabilidade de promover, incentivar e informar a Língua Portuguesa e a Cultura Brasileira para um GRUPO de indivíduos. E o melhor porque a comunidade é o eco de várias vozes: a voz da mãe, do pai, dos avós e dos demais envolvidos. O papel da comunidade é completo, é uma voz única que ecoa o mesmo objetivo.
    Para a criança, estar em comunidade é tão importante, pois como disse a Felícia no documentário Brazil com S, “o português não pode ser a língua da mamãe, precisa ser a língua de um monte de gente…”
    É bem verdade que as crianças aprendem de acordo com o meio que elas estão inseridas e, portanto, fatores como confiança, motivação, auto-estima, personalidade entre tantos outros, podem influenciar a aprendizagem de idiomas. Além disso, acredito que as crenças das pessoas que fazem parte da vida da criança também podem influenciar direta ou indiretamente na aprendizagem da mesma.
    Moro em Charlotte, NC e estou tentando criar uma organização sem fins lucrativos para atender a urgente necessidade do ensino de português e cultura brasileira para crianças. Charlotte é a terceira cidade que mais cresce nos Estados Unidos e a cidade da Carolina do Norte que tem a maior população internacional. A comunidade brasileira está crescendo bastante e penso que uma iniciativa como esta será um grande benefício, não só para as crianças, mas para toda a sociedade. Estou promovendo encontros com as famílias uma vez ao mês para solidificar e unir a comunidade antes mesmo de iniciar com as crianças, pois acredito que o pilar desse trabalho está relacionado com as crenças dos envolvidos no ensino de PLH. O papel da comunidade também é de transformar as crenças dos envolvidos neste ensino, pois ainda há quem acredite que o ensino de português não é importante, ou que a criança pode confundir os dois idiomas, ou que não é importante ter laços com o Brasil, etc. Acredito que é preciso ouvir as vozes de pais e mães, e claro, das crianças para que se possa traçar um perfil da comunidade brasileira de Charlotte e assim, melhor atender as necessidades da mesma.
    Como cantava nosso saudoso Raul Seixas ” Sonho que se sonha só/ é só um sonho que se sonha só/ mas o sonho que se sonha junto é realidade”. Que o desejo de falar português não seja somente dos avós, ou da mãe, que esse seja o desejo de toda a comunidade!

  27. A decisão de promover a língua e a cultura brasileira para as crianças é, a meu ver, indiscutivelmente uma responsabilidade dos pais. Porém, esse processo pode ser muito mais fácil, rápido e completo se for complementado pela troca cultural entre crianças e famílias.

    Quando saímos do nosso país nos damos conta de quão importante é ter amigos e fazermos parte de uma comunidade de cultura e hábitos homogêneos. A interação espontânea e despretensiosa entre as crianças, em encontros, comemorações de datas festivas ou até um jantar na casa de outros brasileiros, além de nos deixar confortáveis para falar nossa língua, comer a nossa comida, rir das nossas piadas, brincar das nossas brincadeiras, mas também expandir vocabulário, conhecer outros pratos, aprender novas jogos, etc.

    As trocas com a comunidade amplificam exponencialmente os resultados relativos ao aprendizado da língua, dos costumes, da cultura e do bem estar.

    Posso dizer que tive a oportunidade de perceber a diferença com os meus próprios filhos, Isabella e Rodrigo. Saímos do Brasil quando eles tinham 7 e 1 ano respectivamente e fomos morar em Zurique. Lá, a comunidade brasileira é grande mas as famílias com filhos, e em escolas internacionais é bem pequena.
    Durante os 5 anos que moramos lá minha filha não teve sequer uma amiga brasileira. As famílias que conhecíamos não tinham filhos da mesma idade e percebi que ela tentava bravamente superar a saudade das amigas do Brasil pelos desenhos e comentários que fazia, mas aos poucos foi se distanciando da nossa cultura porque começou a absorver traços culturais de outros países, como consequência do convívio com os amigos de outras nacionalidades. Eu, como mãe, tentei fazer de tudo para mantê-la vinculada à nossa cultura e contei muito com a ajuda da família, sempre presente.

    Quando nos mudamos para Dubai, aconteceu exatamente o oposto. Descobrimos logo nos primeiros meses a existência de uma comunidade enorme, que se reunia com frequência e combinava crianças de várias faixas etárias, a Hora do Conto. Nesse grupo, tanto a Isabella quanto o Rodrigo, se sentiram acolhidos e queriam cada vez mais se envolver, participar e contavam os dias para ir ao próximo encontro. A identificação foi tão grande que hoje os melhores amigos são brasileiros e é comovente a relação afetuosa deles com as outras crianças do grupo, mesmo com idades diferentes. Eles se preocupam, querem incluir os amigos, querem ensinar brincadeiras, se voluntariam para atividades de leitura e organização das datas comemorativas.

    Além do papel catalisador na evolução do aprendizado e identificação das crianças com a nossa cultura, a comunidade exerce um papel também muito importante de acolher as famílias e dar suporte para qualquer situação. Como expatriados todos já nos deparamos com situações onde precisamos de uma orientação, que pode variar desde situações emergenciais, envolvendo saúde física, mental ou emocional até dicas básicas que podem facilitar muito nosso dia a dia, como onde encontrar certos produtos, como renovar documentos, etc.

    Assim como os pais, as comunidades não podem desistir de investir na convivência das famílias brasileiras, em todas as suas formas. Iniciativas voluntárias são normalmente a melhor solução porque contam com pessoas e ideais genuínos que sempre acabam por ser valorizados e absorvidos pelas crianças.

  28. Trabaljo como professora de Português e Cultura Brasileira na APBC (Associação de Pais de Brasileirinhos de Catalunha) em Barcelona. Nossa associação foi idealizada por pais que sentiram a necessidade de promover a confratenização entre famílias que têm o grande desafio de educar seus filhos em vários idiomas e transmitir a cultura brasileira.
    No nosso caso, as aulas promovidas pela associação têm um papel importante que vão muito mais além de ensinar e educar as crianças. Elas fazem parte de um coletivo com algumas características especiais, geralmente são filhos de pais de nacionalidades diferentes e só o trabalho em casa de um dos pais, neste caso é bastante difícil. Além disso, aqui em Barcelona as crianças tem como idioma principal o Catalão, seguidos pelo Castelhano e Inglês. Infelizmente, nossa Língua Portuguesa, não chega a ter muito protagonismo e pode até ser considerada um atraso devido ao volume de palavrinhas que nossos pequenos têm que aprender.
    Iniciativas como esta, fruto do trabalho voluntário da maioria de seus participantes, beneficiam não só as crianças, que são o foco da associação, mas também às famílias em geral porque frequentar as aulas acaba promovendo a integração de todos no nosso cantinho e também através dos eventos planejados de acordo com o calendário festivo do Brasil.
    A maioria dos pais questiona se o que estão fazendo realmente trará os resultados que esperam. Na associação trocamos idéias e experiências entre todos e essa união reforça o desejo de manter a associação firme nessa missão de formar herdeiros da nossa cultura.

  29. Acredito, através das minhas experiências, que, juntamente com a família, a comunidade tem um papel primordial na promoção do bilinguismo principalmente no que diz respeito a língua de herança.
    Ao ler os demais textos e, ao assistir ao documentário, não pude deixar de pensar na comunidade com a qual tenho contato em Long Branch, NJ, nos Estados Unidos e observar o quão rico é o contato dos brasileirinhos, que residem nessa cidade, com a cultura e língua brasileira justamente por haver grande esforço dos imigrantes em trazer um “pouquinho” da terra natal para o país hospedeiro.
    Observo, a partir de meus estudos e experiência, que mesmo que não haja grande incentivo ou promoção do bilinguismo nas escolas, a relação família/comunidade consegue ser forte o bastante para fazer com que essas crianças se sintam confiantes e confortáveis ao se relacionarem com o português, por exemplo.
    Na cidade citada acima, ainda não foi implantada nenhuma iniciativa, mas já é possível observar um grande interesse dessa mesma comunidade em fazer com que isso aconteça e, também, um grande interesse dos país em fazer com que os filhos estejam cada vez mais em contato com a língua portuguesa, seja através de aulas, projetos pedagógicos diversos, etc.

  30. Olá a todas!

    Me mudei recentemente para os Estados Unidos e faço parte do grupo “Mães brasileiras de New Jersey”. Eu e minha família chegamos aqui em abril de 2015 e tem em sido fundamental o papel desta comunidade na minha vida no exterior. Enquanto fazia as malas, por exemplo, pensava que só seria possível participar de uma Festa Junina quando estivesse novamente no Brasil. Contrariando minhas próprias expectativas, dois meses depois da nossa mudança, lá estávamos nós dançando quadrilha e pulando a fogueira. Esta experiência me deu um sentimento tão forte de pertencimento, que fazer parte desta comunidade brasileira, passou a ser condição na minha nova vida. Além disso, se pude começar a trabalhar com o PLH, foi, também, graças a este grupo, que não só me acolheu, mas me orientou (e continua me orientando até hoje) sobre possibilidades de trabalho, estudo, formação… Diante deste contexto, considerei que seria bastante pertinente contribuir com um comentário neste post.

    Após realizar a leitura dos textos, não há dúvida de que cada um possui um papel importante na preservação, manutenção e promoção da língua de herança, mas acredito que a comunidade é o meio pelo qual tudo se dá. Se é com o olhar da mãe, que é persistente e consegue visualizar o benefício que seu filho terá no futuro ao aprender o português, se é com o apoio do pai, que está presente nas festinhas comendo brigadeiro e tentando explicar quão tradicional é este doce para o brasileiro, se é com a participação dos avós ao cantar músicas de diferentes regiões, ler histórias clássicas que fazem parte da infância de toda criança que nasce no Brasil ou, ainda, que não sabem amar seus netos em outra língua, senão em português, é com a comunidade que tudo isso se concretiza. Sem a comunidade, me parece que todo o resto se esvazia de sentido. Vejam, não estou afirmando que não é possível aprender português sem a comunidade, mas com ela encontramos motivo, razão, objetivo, sentido. Com uma comunidade de falantes de sua língua de herança, atribuímos valor à esta língua. E, como disse a Felicia no documentário que acabei de assistir, essa língua “…precisa fazer parte da infância… tem que ser uma língua de um monte de gente… tem que fazer parte de um contexto…”.

    Ao ler os demais comentários, percebi que os mesmos trechos do documentário são citados e que a comunidade é fortemente vista como fundamental neste contexto. Mas, apesar de identificar esta regularidade, noto, a partir das leituras que tenho realizado e de minha pequena experiência com o PLH, que a formação dessa comunidade é um grande desafio a ser enfrentado por aqueles que desejam iniciar um trabalho verdadeiramente significativo com o PLH. Sim, porque já sabemos que não basta ensinar português, é preciso encher essa língua de significados, que estarão diretamente relacionados com a vivência e celebração da cultura brasileira.

    Como educadora, sigo encantada com as descobertas que tenho feito sobre línguas de herança e suas comunidades ao redor do mundo. Os desafios, que se multiplicam à medida que avanço nos estudos e nas leituras sobre o PLH, me impulsionam a pesquisar e aprender cada vez mais.

    Hoje, atuo como professora de português na Escola Internacional de Línguas – Berlitz em Summit, cidade onde moro. E, após atuar por 3 meses como professora numa grande comunidade brasileira em Newark/NJ, estudo a possibilidade de criar minha própria iniciativa, porque acredito que o PLH é a nova direção na minha trajetória profissional.

  31. Para mim, o bilinguismo x língua de herança chegou com mudança de país e com a gravidez, por isso resolvi a pesquisar e participar iniciativas e atividades para absolver melhor os conceitos e refleti sobre o papel ( importância) dos pais, avós, escola e comunidade na vida dos meus filhos. Enquanto comunidade e escola o que posso dizer é ela são relevantes e podem fazer, discutir, divulgar, promover o aprendizado do Português, considerando realidade do país, claro a história de vida das pessoas que formam comunidade apatriada. É importante? Sim, mas não é suficiente!

    Na minha opinião o maior papel são dos pais e como mãe sei que essa tarefa é árdua e com quase sempre lágrimas. Pela falta de material, por falta de grupos e profissionais comprometidos pela causa e não pela vaidade ou reconhecimento em si, pela distância e claro pela disponibilidade de tempo. Mas volto a afirmar, o engajamento dos pais é “chave” para “sucesso” na aprendizagem da língua de herança.

  32. Pingback: Mais PLH em 2017

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