Ler é uma brincadeira

Hoje começamos no blog mais uma série – Leitura e alfabetização: mitos e verdades. Esperamos que vocês leitores mandem sua dúvidas sobre o assunto porque o terceiro e quarto artigos serão respostas a estes questionamentos.

“A criança e o adulto, o rico e o pobre, o sábio e o ignorante, todos, enfim, ouvem com prazer histórias- uma vez que estas histórias sejam interessantes, tenham vida e possam cativar a atenção. A história narrada, lida, filmada, dramatizada, circula em todos os meridianos, vive em todos os climas. Não existe povo algum que não se orgulhe de suas histórias, de suas lendas e de seus contos característicos. É a lenda a expressão mais delicada da literatura popular. O homem, pela estrada atraente dos contos e histórias, procura evadir-se da vulgaridade cotidiana, embelezando a vida com uma sonhada espiritualidade. Decorre daí a importância das histórias.”

Malba Tahan


Por Adriana Duarte Corrias•

Ao iniciar a leitura do livro “ As mil e uma noites “, deparei com essa apresentação de Malba Tahan, que me encantou e, de imediato, levou-me a refletir, mais uma vez, sobre a importância da leitura para a formação e o desenvolvimento da sociedade como um todo e do próprio indivíduo como ser único e social.

Ler é um momento único, em que autor e leitor tornam-se íntimos e partilham sentimentos, experiências, situações, fantasia e realidade.

É interessante notar como o leitor, ao entregar-se à leitura, é tomado por um enorme sentimento de propriedade sobre a história que está lendo e passa a vivenciá-la por meio de seu envolvimento pessoal e de sua imaginação.

Quantos de nós já nos pegamos “discutindo “com um personagem ou tentando sugerir-lhe uma outra saída para as mais divertidas questões que se apresentam no decorrer da narrativa? Quem nunca, ainda na infância, sentiu um frio na barriga ao ouvir o Lobo Mau declarar à pobre Chapeuzinho Vermelho que aquela boca tão grande era para comê-la? Pois bem, é por isso que a literatura é mágica e nos fascina a cada nova leitura. Ela amplia nosso conhecimento de mundo, provoca nossos sentimentos, confirma crenças e valores!

O ato de ler faz parte do nosso cotidiano e, muitas vezes, nem nos damos conta disso. Lemos o jornal, o cardápio, a receita de bolo, o livro da moda e também aquele criticado por todos. Lemos imagens, cenas na rua, propagandas e até a nossa própria vida. Lemos para adquirir conhecimento, para sonhar, por diversão, necessidade, obrigação. Lemos para escrever melhor, para viver melhor, para obter mais compreensão do mundo e de nós mesmos.

Contos de fada, fábulas, histórias de terror, aventuras, suspenses, histórias em quadrinhos, textos jornalísticos, científicos, poemas, letras de músicas e-mails, manuais, revistas…são mesmo inúmeras as possibilidades de leitura com as quais nos defrontamos.

E as crianças, assim como nós, estão expostas a esse universo, em um movimento pleno de participação efetiva, e cada vez mais competente, nas práticas sociais de interação comunicacional.

Desse modo, confirma-se a importância da escola e da família como instituições capazes de assegurar que as crianças ampliem suas possibilidades de acesso à leitura, garantindo a conquista de um espaço em que a literatura assuma seu papel principal: promover a reflexão a respeito das experiências humanas.

A escola e a família podem desenvolver várias atividades ligadas à leitura. Uma sugestão muito interessante  é propiciar um prazeroso contato das crianças com textos literários de qualidade, especialmente no que se refere ao ler para apreciar/fruir e para conhecer.

Essa é uma atividade comprometida com a formação de leitores, e portanto além da oferta de títulos possíveis ao exercício da leitura fluente, é interessante buscar opções diversificadas que ampliem o universo de expectativas dos pequenos leitores. Assim, contos de fadas ainda pouco conhecidas das crianças e clássicos da literatura infanto-juvenil, como Alice no País das Maravilhas, Peter Pan, Pinóquio, Robinson Crusoé, Robin Hood, entre outros, ganham vida na voz do adulto, como que em um convite para o embarque das crianças no imaginário da história por ele narrada.

O envolvimento de todos nesses momentos é bastante intenso, o prazer é genuinamente revelado, o interesse é despertado, e a busca por leituras mais “audaciosas” consolida-se . O adulto passa a ter um espaço para dividir com as crianças a sua paixão pela literatura e pode reencontrar  instrumentos para aproximar-se ainda mais delas :de suas percepções e de seus desejos.

Tal prática pode ser adotada, tanto pelas escolas como pelas famílias. Propiciar momentos de narração de histórias e de leitura em grupo, pode trazer a todos  a proximidade, a intimidade, o divertimento e  a troca de experiências.

É um momento valioso de aprendizagem, recheado de magia, mistério, aventura, conhecimento, suspense, brincadeiras, fantasia…infância! É o momento em que sonhar e brincar misturam-se ao aprender e vice-versa. Ler é uma brincadeira muito séria!

Dica de leitura:
Você sabia que existe uma biblioteca infanto-juvenil em NYC com mais de 600 livros para idades 1 – 15 anos e que os manda pelo correio para famílias de todo os Estados Unidos?
Saiba mais aqui.

•Adriana Duarte Corrias
Psicóloga, pedagoga e professora do Ensino Fundamental.
Coordenadora pedagógica do espetáculo teatral “A menina que entra em livros” de Lívia Gaudêncio, em cartaz atualmente na cidade de  São Paulo.

 

ESTE CONTEÚDO É PROTEGIDO POR DIREITOS AUTORAIS. AO COMPARTILHÁ-LO, LEMBRE-SE DE CITAR A FONTE: PLATAFORMA BRASILEIRINHOS, BRASIL EM MENTE.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s