A mágica complexidade da alfabetização

Por Adriana Corrias
Contribuinte para a coluna Educação Bilíngue

Em nosso mundo, a cada dia se faz mais urgente a criação de um espaço privilegiado para o desenvolvimento da criança e do jovem. Os avanços da modernidade trouxeram mudanças significativas para a vida das pessoas. Nesse ritmo a evolução na educação também é considerável, mas muitas vezes alguns “atropelos” acontecem nas práticas pedagógicas que acabam valorizando muito o conteúdo em detrimento à vivência da aprendizagem.

Em minhas conversas com outros educadores e na minha prática pedagógica não é raro observar e ouvir queixas sobre o desempenho dos alunos no que se refere, principalmente, à leitura e escrita. Naturalmente, essas dificuldades se refletem nas mais diversas áreas de conhecimento e trazem angústia aos alunos, às famílias e aos educadores , enfim a todos os envolvidos no processo de desenvolvimento da criança .

Diversos questionamentos surgem nesse momento: Como ensinar? O que é essencial para aprender a ler e escrever? Que alternativas existem para facilitar a aprendizagem nas séries iniciais?
Partindo desses questionamentos, devemos compreender a alfabetização como uma proposta que centraliza sua atenção no aluno, para ajudá-lo a preparar-se em todos os aspectos, criando possibilidades de novas experiências.

É preciso que lhes pareça interessante saber como escrevemos as palavras, é preciso que se divirtam com as letras, com os jogos alfabéticos, com o significado das palavras, e é preciso que ao final de cada etapa tenham instrumentos de comunicação, expressão e representação necessários para poderem compreender, criar e atuar no mundo que os envolve.

A escrita é uma atividade nova para a criança, e por isso a alfabetização requer um tratamento especial , apoiado na linguagem expressiva.

Dessa forma, as atividades pedagógicas bem elaboradas significam a conquista de fortes aliados no processo ensino-aprendizagem e permitem ao educador, interpretar as sensações, os avanços e as dificuldades de todas as crianças na obtenção e expressão do conhecimento, obedecendo ao ritmo de cada um, sem jamais exigir que executem tarefas inadequadas aos seus anseios, condições e necessidades.

A criança apresenta maturidade para a aquisição do código gráfico por volta dos seis anos, pois nessa idade já atingiu maturidade neurológica, linguística, perceptual e estruturação lógica para essa tarefa. Lembrando que diferentes países e culturas, adotam idades diferentes para o início desse processo, como por exemplo nos Estados Unidos aos 5 anos e no Brasil aos 6 anos.

A alfabetização significa decifrar o código alfabético e antes de tudo consiste na capacidade de manipular fonemas e refletir sobre a estrutura sonora das palavras. Não é uma tarefa assim tão fácil, não é?

A leitura e a escrita são fatos presentes e constantes na vida do ser humano. É através dela que o indivíduo ganha autonomia como ser social e individual. É fato que: pegar um ônibus, preencher um cheque, escrever uma carta, identificar um endereço, procurar uma loja , comunicar-se no mundo virtual ou andar de carro pelas ruas… acabam se tornando privilégios de quem domina a complexidade dos atos de ler e escrever. Logo a leitura e a escrita são fundamentais para o crescimento do indivíduo.

Ler e escrever é a chave para a autonomia, para a amplitude do mundo, para a diversidade, para a magia dos livros!

Como diz o meu querido escritor Jonas Ribeiro: “Quem lê fica mais sexy. Quem lê exibe nos olhos páginas de brilho e uma discreta crença nos milagres, uma força do encantamento. Quem lê puxa o charme e a sardinha para si, e realmente enche os olhos com intermináveis adesivos de novidades e tem sempre um sorriso inusitado para abrir. Adquire autoconfiança e recupera vivacidade, o lirismo, o mistério. A realidade interna de quem não lê tem limites e o próprio ato de ler alarga a espiritualidade, propicia felicidade e coloca as respostas e soluções de que o leitor precisa a seus pés. “

Leia também: Ler é uma brincadeira
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DICA DE LEITURA:
Ao ler com seu filho, siga com o seu dedo passando por cima das palavras, na mesma velocidade em que você lê. Mesmo que ele ainda não leia, as letras que ele observa no papel, ganham som com sua voz.

ESTE CONTEÚDO É PROTEGIDO POR DIREITOS AUTORAIS. AO COMPARTILHÁ-LO, LEMBRE-SE DE CITAR A FONTE: PLATAFORMA BRASILEIRINHOS, BRASIL EM MENTE.

4 comentários em “A mágica complexidade da alfabetização

  1. Realmente, Adriana . A leitura é o ato de inserir a criança para a interpretação e compreensão do mundo. Somos alfabetizados dia-a-dia…Com uma nova palavra que nos é apresentada , em um novo texto, em uma nova imagem…Nossos sentidos ficam mais aguçados e em prontidão a uma nova leitura . É o milagre do unir letrinhas , sons, imagens …que se inicia no primeiro choro de vida!!!!

  2. Olá. Minha filha tem 5 anos e está na pré escola no Brasil. Iremos para a Itália em maio, onde ficaremos 3 meses. Depois, iremos para a Irlanda, onde ficaremos 1 ano e ela será alfabetizada lá, iniciando já em setembro. Estamos um pouco apreensivos em função desta inserção dela em duas linguas e culturas às quais ela não está acostumada (exceto algumas palavras que falamos eventualmente e alguns aplicativos educativos em inglês) de forma tão rápida. Gostaria de saber sua opinião a respeito. Obrigada.

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