4 de Julho

Por Maria Friedland
Coluna Perfil e Opinião

No 4 de Julho de 2010, Julia havia acabado de completar seis meses e lá estávamos nós, às sete da noite sentados numa toalha de picnic, sobre a grama do Hudson River aguardando a queima de fogos na maior expectativa.  Esse era então o primeiro “4th of July” da nossa pequena.

Nesses quase quatorze anos morando aqui, o 4 de Julho se incorporou em minha vida como um dos momentos em que exercito o meu “eu” desenvolvido em New York, uma brasileira americana. A euforia em celebrar a independência dos Estados Unidos, adquiri com o meu marido, que, como um bom cidadão, mantém a tradição desde pequeno. O patriotismo dele me faz lembrar que, quando criança, eu gostava de participar dos desfiles de 7 de Setembro no Brasil – a banda marchando, os temas escolares, as alegorias, a vida cívica.

Como especialista em aquisição da língua inglesa como segunda língua, e trabalhando  sistema de ensino público de NY, utilizo o 4 de Julho como um dos meus temas te ensino.

Em meio a estes, considero impossível não avaliar a minha condição pessoal e ideológica enquando brasileira-cidadã americana.

O que É Ser Brasileira-americana?
Há alguns meses finalmente completei o meu processo de cidadania americana, o qual adiei por alguns anos. Não me sentia de fato motivada a fazê-lo. Como eu ja vivia aqui como residente com liberdade de ir e vir sempre que quisesse, não via urgência real na sua concretização.
Tudo mudou quando Julia nasceu. De repente senti uma imensa necessidade de definir para mim mesma o meu papel de brasileira estabelecida nos Estados Unidos. Resolvi entender de fato a profundidade na qual as minhas raízes estariam entrelaçadas e esse cotidiano o qual chamamos “viver em Nova Yorque” por tempo indeterminado.

Precisava estabelecer onde a minha americianização terminava e a minha brasilitude continuava. O meu objetivo era claro: Qual o mundo que apresentaria a minha filha? Quão rica seria a herança cultural e linguística que passaria pra ela ? Como baiana, precisava mostrar pra ela, “o que que a baiana tem” mesmo morando aqui associada ao “gringo way of life.”

Estabeleci metas pra uma educação bilíngue para Julia, fortaleci antigas amizades com brasileiros com filhos que vivem no mesmo dilema, tenho procurado participar dos grupos de mídia social e taméem não virtuais organizados por e para brasileiros. Procuro atender a festinhas que buscam resgatar a cultura brasileira dentre os brasieiros que residem aqui e ao mesmo tempo despertar a curiosidade e interesse dos nossos filhos a essa mesma cultura, vou ao Brasil com marido e filha pelo menos uma vez por ano visitar a minha família e passear pela tropicalidade de encantos mil. Quero fazer mais, mas ainda não sei bem por onde…

Maria/JujuMãe Brasileira, Filha Americana
Em meio a todas essas investidas em ampliar as possibilidades de imersão da minha filha ao português e a nossa cultura, tenho consciência que eu sou a brasileira, ela é americana. Enquanto família, queremos que ela se sinta em casa aqui e que exerça sua cidadania e participe como membro ativo dessa sociedade.

Dentro desse contexto, qual feriado melhor que o 4 de Julho para entrarmos na festa juntamente com o restante do país e celebrarmos a coragem dos “founding fathers” que promoveram e assinaram a independência dos Estados Unidos em 4 de julho de 1776? Qual melhor exemplo de cidadania que o legado deixado por George Washington, John Adams, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, John Jay e outros?
É muito interessante ver o vermelho, azul e branco tomar conta do país, ver o respeito dos cidadãos às suas instituições e democracia, ver as famílias se preparando para o tradicional BBQ e a expectativa para a queima de fogos. Tudo isso unido à chegada do tão esperado verão, tornam a fascinante cidade de New York ainda mais vibrante.
O 4 de Julho marca esse início, esse re-energizar, rever antigos amigos, ir à praia, passear pelos parques, ver pessoas felizes pelas calçadas, tomar sorvete, bater papo, brincar ao ar livre com as crianças… Essas são atividades que qualquer pessoa de qualquer cultura ou credo pode fazer durante esse período do ano. Por que não aproveitarmos também e entrarmos nessa festa de herança cultural nós brasileiros que amamos uma desculpa para celebrar!

ESTE CONTEÚDO É PROTEGIDO POR DIREITOS AUTORAIS. AO COMPARTILHÁ-LO, LEMBRE-SE DE CITAR A FONTE: PLATAFORMA BRASILEIRINHOS, BRASIL EM MENTE.

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