Classificando o brincar

Por Keiko Shikako-Thomas, PhD

Apesar de brincar ser um exercício espontâneo e parte natural de um desenvolvimento saudável, algumas crianças não desfrutam da oportunidade de brincar plenamente, quer seja por um atraso do desenvolvimento, por uma deficiência sensorial, motora ou cognitiva ou muitas vezes só por falta de oportunidade, exposição, ambiente e materiais adequados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs em 2001 um modelo de classificação de “desafios e oportunidades” (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde) para compreendermos melhor as deficiências dentro de um contexto holístico, ou seja, completo. Este modelo (http://www.who.int/classifications/icf/en/), que em 2007 foi atualizado para refletir necessidades específicas de crianças e jovens, propõe que uma condição ligada à saúde (uma doença crônica, uma deficiência) terá impacto em três áreas principais: Em funções corporais (como movimento, comportamento, cognição), em atividades (como andar, conviver com outros e aprender escola) e na capacidade de “participar”(como jogar futebol, como falar no telefone com um amigo e fazer sua lição de casa).

Todos estes fatores são influenciados por dois aspectos principais: as características pessoais (personalidade, motivação) e as características do ambiente (acessibilidade, apoios sociais).

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Pois é assim que brincar, ou participar em atividades recreativas e de lazer se torna algo mais “sério” ainda. Brincar e fazer parte de atividades lúdicas, é parte integrante e crucial para uma boa saúde, e quem está falando é a organização mundial da saúde, vamos acreditar, né? E isto vale para todas as crianças, com ou sem necessidades especiais. Aliás, ao bem da verdade, estudos recentes vem mostrado que a maioria das coisas que são boas para uma criança, são boas para todas. Mais ainda, quando uma atividade é feita, planejada e pensada visando incluir crianças com diferentes tipos de necessidades, considerando os aspectos pessoais e do ambiente, como propõe a tal classificação, todas as crianças são extremamente beneficiadas, porque a atividade é mais completa.

No próximo artigo eu vou dividir com vocês os resultados da minha pesquisa e de outras por aqui no Canadá e no mundo que sugerem quais são os fatores pessoais e do ambiente que mais influenciam a participação em atividades de lazer. Enquanto isso, deixo com vocês umas perguntas para reflexão: Você conhece bem seu filhote ou filhota, aluno ou aluna? Como você leva em consideração a personalidade dele(a), a vontade dele (a) de fazer determinada atividade? Como você tem criando um ambiente que favorece a atitude lúdica, a vontade de brincar, de explorar, de criar? O quanto você procura (de propósito e com propósito) criar um ambiente que favoreça o conhecimento das culturas que fazem parte de quem ele(a) é? Você entende o papel do brincar dentro do conceito de “saúde” e dá, portanto, tanto valor ao brincar como ao comer, ao dormir, ao aprender?

Vamos pensando… daqui a pouco a gente conversa mais.

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