The Bilingual Edge

Por Felicia Jennings-Winterle
Coluna LIP/Editorial

Picture 18 The bilingual edge: why, when and how to teach your child a second language (em português seria, O impacto do bilinguismo: por que, quando e como ensinar uma segunda língua a seu filho) é outro livro que com certeza não pode faltar em sua cabeceira.(Estou começando a achar que vou precisar de uma cabeceira maior. Talvez você também, se estiver curtindo a coluna LIP). Curtinho, cheio de dicas e recursos, foi escrito por duas doutoras em Linguística da Georgetown University – Kendall King e Alison Mackey. O livro é estruturado na explicação de 10 mitos que rondam o tema bilinguismo. No decorrer do livro, elas levantam questões e oferecem suas perspectivas altamente especializadas, sempre de maneira sensível.

Algumas destas perguntas são: como meu filho pode se beneficiar dos pontos altos do bilinguismo? Qual é a língua certa para meu filho? Quando meu filho deve começar a aprender outra língua? Diferenças na ordem de nascimento, gênero, personalidade, atitude e estilo de aprendizagem afetam a aprendizagem linguística? Quais são as características de um bom programa e professores de segunda língua e onde posso encontrá-los? E se a minha família não concordar, ou meu filho for resistente em relação à segunda língua?

O livro começa respondendo a questão mais bacana sobre o bilinguismo: por que duas são melhores que uma?

As autoras dizem que o seu filho merece e pode se beneficiar muito de todas as vantagens de se falar mais de uma língua –  um presente que você pode dar a seu filho, desde o primeiro dia de vida. King e Mackey dizem que há benefícios nesse processo, sem sombra de dúvidas.

“Tem sido demonstrado que possuir um conhecimento avançado em duas línguas na infância resulta em benefícios cerebrais específicos, como maior criatividade e flexibilidade, melhores resultados em testes, melhores habilidades de leitura e escrita, assim como vantagens sociais como um maior entendimento transcultural, adaptabilidade e crescente competitividade no mercado de trabalho no futuro”.

Quer dizer, saber duas línguas oferece um diferencial cognitivo e um diferencial social.

Que flexibilidade e criatividade são atributos cognitivos interessantes, todos sabemos (e falamos mais a respeito disso, aqui). Mas o que isso traz de retorno ao seu filho?

Uma maior consciência metalinguística. (Meta, o quê? Meta vem do grego e indica abstração. Nesse sentido, significa saber objetificar as próprias estruturas da linguagem; além de usar a língua, saber discutir e refletir sobre ela. O termo pode parecer complicado, mas essa é uma condição essencial para o sucesso na alfabetização, por exemplo).

“Por saberem duas línguas, bilíngues são muito mais sofisticados do que monolíngues em relação a algo tão importante quanto saber como a linguagem funciona (…)antropólogos e outros pesquisadores têm defendido que língua e cultura são estritamente ligados, e alguns defendem, inclusive, que a língua que falamos influencia fortemente a forma como pensamos”.

Bilinguismo promove um impacto educacional e na carreira profissional
“Deixando de lado questões de identidade e cultura por um momento, não há dúvidas de que saber mais de uma língua tenha um impacto na educação e na conquista de emprego do indivíduo, hoje mais do que nunca. No atual ambiente acadêmico competitivo, estamos todos querendo e buscando dar a nossos filhos excelências a mais. Enquanto isso, o desenvolvimento global continua a estimular a demanda por profissionais bilíngues. Por que não preparar nossos filhos já no ponto de partida de suas vidas?”

Como qualquer outro assunto do universo da educação infantil, o desenvolvimento linguístico gera dúvidas, anseios e questionamentos aos pais e, muitos parecem ser experts no assunto. As autoras revelam que existe pouca informação sobre o desenvolvimento da linguagem em livros comuns destinados a pais e que o que é escrito nesses livros frequentemente não é baseado em pesquisas científicas. Some todos esses fatores e ficamos com um senso comum errôneo sobre o assunto como um todo. Criam-se assim, os mitos. King e Mackey tratam logo de esclarecer os leitores para que eles naveguem mais facilmente pelo livro.

1. Somente pais bilíngues podem educar crianças bilíngues (e pais bilíngues sempre educam seus filhos de forma bilíngue)
A verdade é que educar crianças de forma bilíngue requer planejamento, esforço e dedicação, mesmo para os pais que sejam bilíngues. Existem pelo menos três razões para isso. Primeiro, nos Estados Unidos, monolinguismo é considerado a norma, e crianças que crescem falando uma língua são vistas como os casos mais típicos. Segundo, falar inglês significa status alto. Para crianças nos EUA, e fora dele, a língua inglesa é associada a quase tudo que é divertido e ‘na moda’. E terceiro, não importa onde você viva, crianças – mesmo as mais novinhas – são conscientes do status que a língua carrega. Isso significa que eles rapidamente identificam com quem, quando e qual língua falar (por exemplo, eles sabem que a maioria dos meninos que eles admiram no parquinho, falam inglês, não coreano ou português). Resultado, pais bilíngues estão nadando contra uma poderosa correnteza monolíngue”.

2. Estou muito atrasado(a)! Você deve começar muito cedo com uma segunda língua, se não, já era…
Apesar de idade ser um fator central na aprendizagem da segunda língua, é falsa a ideia de que somente crianças pequenas podem aprender uma segunda língua. Provavelmente essa ideia venha do debate sobre “o período crítico” de aquisição da segundo língua (assunto para uma próxima LIP). Mas o fato é que muitos adultos alcançam níveis excelentes de proficiência, mesmo tendo começado a aprender uma segunda língua depois de tal período.

A questão central que as autoras levantam é, porém, que crianças e adultos tem oportunidades de aprendizagem linguística muito diferentes. Considere a diferença em densidade e complexidade entre o tema de uma história para a hora de dormir, ou mesmo uma disputa por um brinquedo, e pedir um aumento ao seu chefe ou discutir o tratamento a ser seguido com seu médico. A idade acaba sendo um fator central para um contexto e resultado ideais, porque a linguagem que crianças precisam usar socialmente é muito menos complicada que a que adultos devem usar, e consequentemente, crianças se saem muito melhores.

E porque crianças estão acostumadas a cometer erros em tudo, de cair da bicicleta a não saber os nomes das coisas, e porque muitas crianças são naturalmente muito falantes, elas têm geralmente menos ansiedades em relação a erros cometidos numa segunda língua“. (Coincidentemente, escrevi algo exatamente a respeito disso no ano passado: É que nem andar de bicicleta e como crianças pequenas tem não só mais oportunidades, mas também mais aceitação, como são menos preocupadas com normas, o que as faz aprendizes excelentes de uma segunda língua, ou de qualquer coisa).

Mas, que fique claro, as autoras explicam que crianças menores não têm vantagens cognitivas sobre crianças maiores, e muito menos sobre adultos. Elas têm circunstâncias optimizadas. Nunca é cedo demais, ou tarde demais, para se aprender uma língua.

Aprendendo a primeiro língua: bebês são cidadãos do mundo
Bebês humanos são equipados com a habilidade de aprender bem qualquer língua. Bebês e crianças aprendem a língua (ou línguas) que os rodeia e é usada com eles no dia a dia”.

Será que seu bebê saberia ouvir diferenças entre sons muito semelhantes na língua hindu, por exemplo, mesmo que nunca tivesse sido exposto a ela?

Na verdade, a resposta é sim, mas somente até mais ou menos 10-12 meses. “Mesmo antes de seu primeiro aniversário, a habilidade de ouvir diferenças entre sons que não são encontrados na língua nativa começa a declinar (…) Bebês não sabem onde vão morar e que língua vão precisar aprender, então eles precisam nascer com a habilidade de ouvir as diferenças entre todos os sons.”  Isso não parece ser super lógico, e super incrível?

3. Somente falantes e professores nativos podem ensinar segundas línguas 
Adultos estão sempre preocupados com o efeito que seus exemplos, inclusive os linguísticos, terão sobre seus filhos. Enquanto isso é muito válido e correto, King e Mackey revelam que mesmo que maneirismos e erros gramaticais sejam repetidos por crianças, as bases da linguagem, tanto na aquisição da primeira, quanto da segunda língua, ocorrem naturalmente e sem falhas. Esse tipo de erros não prejudica a aquisição da linguagem em si.

O mais importante, elas revelam, é que as crianças estejam engajadas em uma conversação. O que importa não é o nível de sofisticação da linguagem, mas sim, a interação. Então, mesmo os pais que não tenham um nível tão sofisticado numa determinada língua, estarão beneficiando muito seus filhos ao conversarem e brincarem com eles.

4. Crianças que são criadas em uma mesma família terão as mesmas habilidades linguísticas
Assim como um filho herda a miopia do pai, o outro o sorriso da mãe, e com certeza cada filho demonstra uma personalidade própria, crianças de uma mesma família podem demonstrar níveis totalmente diferentes de proficiência numa mesma língua. É porque em uma mesma casa crianças podem ter oportunidades totalmente diferentes. As autoras comentam que existem dados científicos que comprovam, por exemplo, que primogênitos não só aprendem mais rápido, mas tem um vocabulário maior que seus irmãos mais novos, quando comparados na mesma idade.

Outro fator é a idade que o primeiro filho vai a escola. Esse período é crítico para qualquer família cultivando duas línguas, especialmente se a escola não for bilíngue; mais ainda para os irmãos menores que, inevitavelmente, vão copiar a fala do irmão mais velho. Alguns estudos demonstram diferenças entre meninos e meninas, inclusive. Meninas tendem a falar mais cedo, a ter um vocabulário maior e a produzir mais palavras.

Além dessas, diferenças entre personalidades, estilos de aprendizagem, atitude, e até mesmo características da família terão um impacto na aprendizagem de uma segunda língua. Isso importa? Sim, mas não para se comparar uma criança com a outra. King e Mackey esperam que os dados que elas discutem a esse respeito possam ajudar pais e professores a valorizarem as diferenças entre as crianças, como “indivíduos únicos, e como centros linguísticos únicos“.

5. É importante corrigir erros de gramática e vocabulário assim que eles apareçam (para prevenir a formação de maus-hábitos)
Sim e não. Todos sabemos, como pais e professores, que corrigir cada pequeno erro, não importa a idade, pode, ao invés de ajudar, prejudicar a confiança e motivação do aprendiz. Ao invés disso, pais e professores devem enxergar o erro como uma oportunidade para aprendizagem, sem exageros, porque assim também há possibilidade de frustração.

Outro importante fator para se ter em mente é que, erros não significam que as crianças estejam confundindo as duas línguas que estão aprendendo. Nem sempre erros são problemáticos. As autoras sugerem que “erros devam ser tratados com cuidado e na maioria das vezes ignorados, já que a comunicação em si é o que realmente importa, tanto na aprendizagem da primeira, quanto da segunda língua”.

6. Expôr meu filho a duas línguas significa que ele(a) vai começar a falar mais tarde
Dois pontos especiais que King e Mackey fazem a respeito desse mito (grifem pelo menos 3 vezes):
“Primeiro, crianças entendem muito mais do que produzem; segundo, existe muita variação no desenvolvimento infantil. Em média, bilíngues e monolíngues entram nas fases de uma e duas palavras em torno da mesma idade (…) Pais devem se despreocupar mesmo que seus filhos passem por uma fase em que eles aparentem ter vocabulários menores do que seus coleguinhas monolíngues (e mesmo que essa seja uma fonte de comentário vindos de pais monolíngues). Quando forem para a escola, o vocabulário destas crianças terá não só nivelado, como também, com frequência, excedido o das monolíngues”.

Ah, e tem mais uma coisa que as autoras ressaltam. Existe algo que fonoaudiólogos e psicólogos chamam de período silencioso. Mesmo que estejam silenciosos, os pequenos estão adquirindo sons e combinações, além de vocabulário e gramática. “Eles estão quietos, mas estão pensando!”– exclamam King e Mackey.

7. Misturar os idiomas não é um sinal de confusão, e línguas precisam ficar separadas (o modelo cada pai uma língua é o ideal)
É uma preocupação da maioria, se não de todos os pais envolvidos nesse processo, que seus filhos não se confundam entre as 2 ou mais línguas as quais são expostos. Misturar as duas línguas não só é natural, como normal. Apesar desta fase ser bem documentada e estudada, mas não se saber o porquê dela, todos os bilíngues passam e a superam.

Em relação ao modelo adotado pela família – um pai, uma língua, ou não – King e Mackey dizem que a realidade da família vai determinar o modelo ideal, e que a separação dos idiomas não só é desnecessária, como também pode não ser realística.

8. Televisão, DVDs, “diverducação”, como brinquedos que falam, são ótimas formas para se aprender uma língua
Como o bom senso diz, tudo em moderação. Programas eletrônicos não são o exemplo ideal para se aprender uma língua, porque é a interação de um humano com outro humano que realmente ensina, não importando, inclusive, o nível de sofisticação dessa interação. Mas, tais elementos podem ser ótimos suplementos no processo de aprendizagem e aquisição da linguagem. Dependendo da idade, estudos científicos demonstraram, porém, não haver aprendizagem nenhuma vinda do ato passivo de assistir um programa bem desenvolvido como o Baby Einstein, por exemplo.

O capítulo 7, no qual King e Mackey aprofundam a discussão sobre esse mito, é interessantíssimo e cheio de recursos. Se você tiver a oportunidade leia-o e assim, você poderá interar-se em como esses recursos funcionam, ou não, cientificamente falando.

9.    Programa de educação bilíngue é só para crianças que não falam inglês
Mackey e King discutem o fato de que o termo “educação bilíngue” costuma ser associado a programas que ensinam inglês como segunda língua, oferecidos para crianças imigrantes para que elas possam se adaptar à nova cultura. Contudo, esses programas tendem a tornar tais crianças monolíngues ou com uma proficiência muito maior no inglês (ou qualquer que seja a língua local) e esquecer de sua língua de herança.

Pais e professores conscientes do mercado competitivo do qual fazemos parte inevitavelmente, sabem que esse é um grande mito. A demanda por profissionais que sejam no mínimo bilíngues tem revolucionado o ensino nessa área e criado, de fato, vários tipos de programas. Apesar de todos estes terem como objetivo ensinar mais de uma língua, eles variam consideravelmente.

Os pais devem estar atentos aos detalhes que caracterizam tais programas e assim, decidir qual se encaixa melhor em relação as suas expectativas: Quando a segunda língua é introduzida? A primeira língua da criança é usada? Se sim, por quanto tempo durante o dia? A segunda língua é usada pela minoria ou pela maioria do grupo? Qual é o objetivo do programa: bilinguismo ou transição de uma língua para a outra?

E o que o livro diz sobre língua de herança?
Ao mesmo tempo que as autoras incentivam pais de outras nacionalidades a definitivamente promover o ensino e manutenção da língua de herança, elas discutem o fato destes programas serem limitados em muitos sentidos. Em primeiro lugar, King e Mackey dizem que programas de língua de herança, na maioria das vezes, não tem profissionais qualificados, tem orçamentos limitados e são mais direcionados a crianças que já tenham um nível razoável de conhecimento na língua. A partir dessa vivência trazida de casa, os programas de língua de herança mantém e aprofundam esse conhecimento, assim como desenvolvem a alfabetização. Mais que promover um ensino formal da língua, estes programas desenvolvem a identidade cultural atrelada a ela.

10. Uma criança deve ser exposta até no máximo 2 línguas.
King e Mackey dizem que não há provas concretas que diferenciem a educação bilíngue da trilíngue. Elas lembram inclusive que, em muitas partes do mundo, crianças aprendem naturalmente uma língua em casa, outra na escola e uma terceira na comunidade. Mais uma vez elas enfatizam que o mais importante ao se aprender uma língua são as oportunidades de interação que a criança tem. Qualidade é sempre melhor que quantidade. Porém, os pais devem ficar despreocupados em relação ao número de línguas as quais seus filhos são expostos. Por enquanto, quanto mais, melhor, se possível.

Porque, quando e como: a melhor escolha para a sua família
Essa decisão involve pesar questões pessoais, locais e globais, dizem as autoras. Kendall e Mackey falam “a minha língua” quando mencionam a importância de se aproveitar os anos pré-escolares para desenvolver a segunda língua, haja vista a curiosidade, disponibilidade e, de novo, flexibilidade inerentes desta idade. Sobre alfabetização e  idade escolar, isto é, pós 5 anos, quando entram no Kindergarden, pelo menos aqui nos EUA, elas dizem:

“Crianças adquirem rapidamente na escola várias habilidades acadêmicas que podem ajudar, inclusive, na aprendizagem da segunda língua. Por exemplo, aprender a ler não só promove o desenvolvimento da consciência sobre a gramática da segunda língua, como também promove uma forma adicional de entender e lembrar tal língua. Crianças em idade escolar podem fazer uso de seus incríveis cérebros- esponja assim como algumas ferramentas mentais mais avançadas que elas estão começando a aprender, para realizar uma grande variedade de tarefas. Nós constantemente recebemos perguntas de pais sobre habilidades linguísticas e a alfabetizacão. Por exemplo, ‘se a segunda língua é introduzida no ensino fundamental (nos EUA, elementary school), ela vai interferir com o desenvolvimento da alfabetização?’  Na realidade, bilinguismo, consciência linguística e alfabetização estão positivamente relacionadas. ‘Então, não é muito cedo ou muito tarde pra introduzir outra língua a meu filho(a)?’ Não, absolutamente não”.

Ainda sobre a influência, e eu diria interferência, da escola, King and Mackey dividem com seus leitores a história de uma de suas colegas, também doutora em linguística. Ela teve alguns problemas na creche de seus filhos. Em casa, Cristina falava só espanhol com as crianças, e ao chegarem na escola, a professora notou que um dos filhos de Cristina tinha um vocabulário menor em inglês do que o restante da turma. Naturalmente, ela associou aquilo ao bilinguismo. Mais de uma vez, a escola sugeriu que Cristina falasse mais inglês em casa, para não prejudicá-lo. O interessante é que a escola não fazia a menor noção de que Cristina é uma das pesquisadoras mais importantes na área do bilinguismo. A escola era cara, com uma enorme lista de espera e um quadro de professores bem especializado. Cristina requisitou reuniões com os professores e administradores, nas quais explicou os benefícios do bilinguismo. Além disso, Cristina ofereceu encontros com os pais da escola, e todos acabaram aprendendo uma importante lição sobre educação.

E se a família não consegue concordar?
Para começar, King e Mackey dizem que conflitos são muito comuns nesse processo porque a decisão sobre uma língua não é prática, e sim emocional. Quando a vida real acontece, nem sempre o que foi planejado sai do jeito sonhado. A criança pode rejeitar a língua que você escolheu, a família pode fazer objeções, a criança pode ser diagnosticada com um problema de aprendizagem.

“Tais tensões familiares são muito comuns enquanto o seu bebê bilíngue idealizado cresce e se torna uma criança de verdade com necessidades, desejos e chiliques, de vez em quando. Em algumas famílias, essas tensões podem inclusive pormenorizar o bilinguismo como um objetivo familiar”.

Mas como você pode se livrar ou amenizar tais tensões?                                                          Primeiro, lembre-se, e lembre a parte da família que está brigando também, que aprender uma língua é um processo e que dificuldades como estas são somente uma pedra no caminho (…) Segundo, lembre-se (e a todos os que cuidam de seus filhos também) os objetivos e razões originais que o fizeram optar por ensinar uma segunda língua (…) Terceiro, tente não fazer da língua o centro de batalhas ou um motivo para que uma discussão sobre outro assunto aconteça entre você e seu parceiro (…) Foque em outros problemas e não deixe-os no caminho da promoção do bilinguismo.

Depois de tantas dicas, recursos e discussões valiosas, King e Mackey terminam com um parágrafo que, eu espero, fique em seu coração:

Enquanto o bilinguismo está se tornando mais valioso e mais valorizado, em países como os EUA, o fato continua a ser que monolinguismo é norma. Isto significa que a maioria dos pais tentando educar crianças bilíngues vai encontrar pelo menos alguns céticos, críticos e problemas ao longo do caminho, e terão que talvez superar suas próprias dúvidas interiores“.

Que o bilinguismo seja então, um processo real em sua família – cheio de desafios, alegrias e superações.

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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