Te pego lá fora

Por Keiko Shikako-Thomas, PhD

Quem mora nessas bandas cá do norte (e eu estou ainda mais ao norte, no Canadá) sabe muito bem que verão, sol e calor, são bens preciosos e que não se pode desperdiçar. Enquanto lá na terrinha a galera pode ir para a praia no que se chama inverno e por isso faz pouco caso e reclama quando o sol racha o côco, nossos Brasileirinhos conhecem bem as 4 estações e sabem que, em dia de sol, não tem conversa, lugar de brincar e estar é lá fora.

Eu poderia enumerar uma lista de vantagens de brincadeiras “do lado de fora”, já que nunca é demais saber que além de alegria, a gente está proporcionando oportunidades únicas de desenvolvimento para nosso pitocos. Não que alguém precise parar para penar nisso para poder ir brincar.

Pois bem, brincadeiras externas, organizadas ou não, são a combinação perfeita de tudo que já dizemos aqui. Elas permitem uma série de explorações sensoriais: pisar na grama, na caixa de areia, sentir o vento que balança o cabelo e também as folhas das árvores, ouvir os sons da água que cai na fonte (ou nos “sprinklers”- alguém me dá uma tradução de sprinklers? – Eu acho que chafariz não funciona…).

Do ponto de vista motor, não há nada mais desafiante do que desafiar a coordenação viso-motora e proprioceptiva ao tentar chegar no topo da “teia de aranha”(na minha época era trepa-trepa), do controle do tronco e da diferenciação entre o lado esquerdo e direito para cruzar um “monkey bar”. Isto, sem falar, dos múltiplos caminhos neuronais que se formam ao construir um castelo de areia (a quantidade exata de água proporcional à areia, se bater muito forte destrói, se bater muito fraco não sai do molde…) e balanço e gangorra são pura física.

monkey bars

Do ponto de vista do desenvolvimento sócio-afetivo, brincadeiras no parque, e jogos “de fora” são a quintessência da definição do brincar como forma de internalizar regras sociais e aprender a conviver. Não pensem que é pouco aprendizado para uma criança de dois anos entender que se só existem duas balanças e 10 crianças, você não pode ficar balançando o dia inteiro, que escorregador é para descer e não para subir e que de gangorra não se brinca sozinho. Agora, pense em jogos de equipe, cooperativos ou competitivos, estes são de fato tudo o que resume a compreensão da complexidade das normas sociais e por isso, devemos guardar os jogos competitivos para a partir dos 7 anos, quando fatores como ganhar e perder podem ser melhor administrados por um sistema já mais amadurecido.

gangorra

Considerando o desenvolvimento do “brasileirismo” (bota essa no Wikipedia), brincadeiras externas são mais uma chance de resgatar as brincadeiras perdidas lá no terreno da casa da sua vovó em Minas Gerais, das brincadeiras na rua em Ilhéus (estou usando a amostra aqui de casa como exemplo), das colônias de férias em São Paulo, e dar para seus filhos um “gostinho” de como são as férias de verão no Brasil… do que as crianças brincam? Quais são as brincadeiras que são “traduzidas”? Quais tem os mesmos movimentos, mas com uma música diferente? Quais brincadeiras podemos brincar com amigos “de todas as idades”, quais são só “para os grandes” ?(como quando primos de todas as idades brincam juntos?), quais podemos fazer todo mundo se molhar? Quais não precisam de material nenhum? (são as minhas favoritas)

Mas, chega de blá blá blá e vamos brincar, que o sol está quente aqui em Montreal e já é hora de sair do computador! A ideia deste post é lançar o primeiro “crowdsourcing” do Brasileirinhos. Vamos listar aqui (nos comentários no blog e no Facebook) a suas brincadeiras preferidas, de infância, de “Brasil”, de férias, de ser feliz lá fora…

Aqui vão minhas ideias, que já são sucesso de público com os daqui de casa (mais com o de 7 e seus amigos, para a de 4 a sensação é fazer bolhas, riscar com giz na calçada e correr, correr, correr)para uma lista mais completa olhem esse site fantástico (link para aquele site do mapa do brincar):

bexiga de água1. Rouba bandeira
2. Mãe da rua
3. Elefante colorido (aquela onde quem tem na roupa a cor “ditada” pelo amigo pode atravessar sem ser pego, já os outros tem que correr)
4. Cabra-cega
5. Pega-pega
6. Esconde-esconde
7. Pega-pega/ajuda-ajuda (aquele onde quem é pego vai juntando até fazer um cordão com todo mundo)
8. Guerrinha de bexiga de água
9. Amarelinha
10. Siga o mestre
11. Ciranda-cirandinha e seus derivados de roda: De abóbora faz melão, Fui visitar minha tia em Marrocos
12. Corre cotia
13. Escravos de Jó com coisas “molhadas”
… e agora é com você! Coloque aqui sua melhor brincadeira “de fora”!!

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4 comentários em “Te pego lá fora

  1. Segue mais algumas brincadeiras:
    – Balança caixão
    – Queimada
    – Além de um gostoso banho de mangueira

  2. Adorei! Keiko, na minha epoca eu tambem dizia trepa-trepa (!) Alem das brincadeiras que voce listou, a nossa turma brincava de “policia e ladrao” e andava muito de “carrinho-de-rolema” que nos mesmos confeccionavamos com uma tabua e 4 rodinhas de rolema;… e o “breque” era a sola do tenis! Boas lembrancas!

  3. Tem duas brincadeiras das quais eu me sentia um pouco excluída pela falta de coordenação, mas que faziam o maior sucesso: elástico e pula corda com aquela musiquinha… “O homem bateu em minha porta e eu abri…”
    Pula sela também exigia um pouco de habilidade!

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