Pelo Mundo: Nova Zelândia

Por Felicia Jennings-Winterle
Coluna Pelo Mundo

new_zealand_640Pelo Mundo faz uma viagem a um dos países mais bonitos do mundo: a Nova Zelândia. Além das belezas naturais, este país é marcado em nosso mapeamento por contar com uma iniciativa muito interessante pela língua e cultura do Brasil. Mamãe brasileira-aotearoa é a iniciativa entrevistada do mês e Cristiane Diogo é quem conta para nós um pouco sobre eles.

Plataforma Brasileirinhos – A proposta de vocês tem como missão “Manter a Língua portuguesa e cultura brasileira, para que nossas crianças cresçam com orgulho de TAMBÉM ser brasileiro”. Achei muito interessante o uso do TAMBÉM. Como funciona isso?
Cristiane Diogo – Uma das coisas mais importantes para o ser humano é o conhecimento da sua identidade, das partes que o fizeram como todo. As nossas crianças, filhas de brasileiros nascidos na Nova Zelândia, são, à primeira vista, neozelandezas. O inglês é a primeira língua, muitas já nem comem arroz e feijão em casa. Aceitar que elas façam parte de duas culturas distintas que as influenciam diariamente e igualmente, é entender que elas nunca serão somente neozelandezas ou somente brasileiras. Nós queremos que nossas crianças se sintam orgulhosas dessa mistura especial que as fazem tão únicas.

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PB – As atividades de vocês incluem playgroups em duas cidades, certo? Como se dão esses encontros e o que vocês fazem para que as crianças não acabem brincando só em inglês?
CD – Os playgroups são atividades direcionadas com horários e estrutura. Quer dizer, as crianças não ficam completamente “livres” fazendo o que elas querem. Tem hora da música, história e dependendo da época do ano o playgroup tem um tema (folclore, festa junina, independência do Brasil…).

As terças, tem o Brasileirinhos, que é uma espécie de musical playgroup, onde as crianças aprendem canções tradicionais brasileiras, dançam e cantam e comemoram algumas datas especiais. Monica Silveira e Sislania Vasconcelos, as coordenadoras deste programa, fazem um trabalho pedagógico maravilhoso e preparam todas as aulas com muito cuidado. Elas focam em crianças principalmente de 2 a 5 anos. O playgroup das quartas, que eu organizo, é mais voltados para as mães com crianças mais novas (menores de 18 meses) e é um espaço para troca de informações e dúvidas enquanto as crianças ouvem português.

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PB – E sobre o ensino do português de forma mais estruturada, existem cursos em Auckland?
CD – Existem diversos professores privados na cidade, mas nós apoiamos e promovemos o curso de português da professora Aline Nunes. O curso de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para Crianças – CPBC, que desde junho de 2012 vem fazendo um trabalho fantástico com crianças de 3 a 8 anos (com projeto de expansão para o ano que vem). Crianças brasileiras nascidas na Nova Zelândia começam a ser alfabetizadas em inglês e português ao mesmo tempo e Aline tem sido muito cuidadosa em trabalhar com a cultura e folclore brasileiros durante as aulas. O curso também tem o apoio da Embaixada Brasileira em Wellington que subsidia parte dos custos. As aulas acontecem aos sábados, mais informações, aqui.

PB – Vocês também oferecem palestras. Vi que em maio vocês ofereceram uma com o título “Criando filhos bilíngues”. Conta para gente como foi?
CD – Essa palestra foi fantástica. Nós tivemos cerca de 45 mães e pais (maioria mães) brasileiros assistindo a palestra facilitada pela professora e pesquisadora Christiane Rupp. Christiane foi uma criança que cresceu em uma casa bilíngue (falando alemão no brasil e português na alemanha) e foi bem sucedida na tarefa de criar três filhos bilíngues que falam, escrevem, leem e trabalham em 3 línguas. Então, além da formação acadêmica, ela tem experiência de sobra para compartilhar conosco.
Os pontos que ela dividiu com a gente foram super valiosos e práticos e ela abriu espaço para perguntas ao final. A nossa Embaixatriz veio de Wellington para prestigiar o evento.

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PB – E que tipo de suporte vocês dão para as “mães de primeira viagem”?
CD – Não temos nenhum tipo de programa “oficial” para ajudar as mães de primeira viagem, o que temos é uma network super organizada e muito colaborativa. Temos um grupo online no Facebook, onde só aceitamos mães brasileiras que moram em Auckland (cerca de 100 mulheres) e repartimos todo tipo de experiências e dúvidas. Roupas de crianças são doadas, trocadas, repartidas e de tempo em tempo, quando sabemos da situação de uma mãe em dificuldades (não só mães de primeira viagem, mas ja tivemos problemas de violência doméstica e casos de doença também) nós nos organizamos para limpar casa, levar comida pronta, fazer vaquinha para comprar leite em pó… O que pudermos fazer.

PB – Aqui nos EUA existe uma mistura sociocultural muito grande entre a comunidade brasileira, um dos motivos pelos quais existem tantas nuances de apoio e procura por iniciativas pelo PLH – do tudo ao nada. De maneira geral, como você vê o envolvimento dos pais brasileiros morando na Nova Zelândia, em relação ao ensino e manutenção da língua?
CD –  Olha, a dinâmica social da Nova Zelândia é muito diferente da dos EUA. Aqui as pessoas são muito “down to earth” e de um modo geral (dados passados pelo Embaixador), o perfil do brasileiro que vem para NZ é mais alto em escolaridade do que o que vai para EUA ou Europa por exemplo, e ele vem buscar qualidade de vida e seguranca. Talvez esse seja o motivo do alto envolvimento deles.

PB – E como podemos ajudá-los? Como alguém que nunca ouviu falar de vocês e mora na Nova Zelândia pode participar?
CD – A gente precisa de gente que se comprometa com as atividades, que queira ajudar a organizar playgroups, por exemplo. A Embaixada e o Plunket (uma instituição maravilhosa de apoio aos pais e crianças e totalmente gratuita) passam o nosso contato toda vez que eles encontram uma brasileira que acabou de ter filho e não conhece o nosso trabalho.

Para maiores informações, mande um email para Mamãe Brasileira Aotearoa no mamaebrasileiranz@gmail.com

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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