Escolas de línguas de herança

Por Ivian Destro Boruchowski
Nova autora da coluna Educação Bilíngue

Olá, meu nome é Ivian e agora sob_nova_direcao2estou à frente desta coluna. Tenho me dedicado a estudar e a discutir questões ligadas ao bilinguismo, línguas de herança e currículo. Hoje quero falar sobre o Centro de Linguística Aplicada (CAL) dos Estados Unidos, que tem sido um grande apoiador de escolas de línguas de herança por aqui. O centro realiza um cadastro dessas iniciativas como também oferece materiais que podem ser acessados online. Em 2013, constavam em seu cadastro 10.000 escolas de línguas de herança que ensinam 200 línguas diferentes nos EUA.

As pesquisas dedicadas às escolas de língua de herança mostram que elas têm sido fundamentais para evitar que filhos de imigrantes, refugiados e indígenas percam as línguas de suas famílias. Geralmente, essas crianças vivem um exposição ampla da língua de herança nos primeiros anos de vida e quando entram na escola regular passam a usar predominante a língua da sociedade. Com o acesso reduzido à língua de herança, essas crianças iniciam um processo de perda linguística que pode ser evitado pelo esforço da família e pela procura de escolas de línguas de herança. Essas escolas podem oferecer aulas depois do horário regular ou aos fins de semana.

Recentemente, o CAL realizou a primeira conferência dedicada especificamente às escolas de línguas de herança nos EUA – confira, aqui. O evento contou com a ajuda de uma brasileira para sua organização, Ana Lúcia Lico, que é diretora executiva de uma escola comunitária de português como língua de herança na Virgínia, a ABRACE.

Na conferência, ficou evidente que as diversas línguas estão em estágios muito diferentes de desenvolvimento, mas a riqueza do encontro foi compartilhar e criar uma discussão sobre o que as escolas estão fazendo em termos pedagógicos. Para mim, foi muito interessante conhecer as escolas francesas de língua de herança que parecem ter um currículo bem organizado. As escolas chinesas são antigas e atendem em torno de 15.000 alunos. Nelas, os pais desempenham todas as funções desde professores, diretores, como também são os diretores financeiro das escolas. No entanto, as escolas chinesas enfrentam muita dificuldade na preparação de professores, pois geralmente os pais não possuem formação acadêmica em questões ligadas ao ensino de uma língua de herança. Outras escolas, como uma que ensina alemão, consegue um desempenho pedagógico tão eficaz que seu diploma é reconhecido pela Alemanha.

Ana Lúcia Lico apresentou sobre a importância da parceria entre família e escola para que os aprendizes de línguas de herança vejam sentido em desenvolverem suas habilidades linguísticas. Para ela, a família desempenha papel fundamental ao criar um ambiente em que a língua é utilizada naturalmente no cotidiano das crianças. A família deve ser responsável não apenas por dar acesso, mas também por criar situações que requisitem que as crianças utilizem a língua de herança. Outra função importante da família é criar um ambiente que nutra o pertencimento à cultura e à identidade de herança. Dessa forma, na experiência de Ana Lúcia, a escola de língua de herança serve como estímulo e reforço da família, desenvolvendo experiências linguísticas mais formais, adequadas ao ambiente escolar.

Para quem estiver interessado em conhecer os recursos que o CAL oferece, visite o website. Lá, existe muita coisa sobre as línguas de herança. Entre as publicações próprias do centro, há várias dedicadas às línguas de herança. Se você faz parte de uma escola de língua de herança nos EUA, registre sua escola no CAL e no mapeamento da Brasil em Mente.

Até a próxima!

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Ivian Destro

Mestre em Curriculum and Instruction, pela Florida International University, para o qual defendeu a tese de mestrado: Curriculum development in a heritage language community-based school: A qualitative inquiry regarding a Brazilian-Portuguese program in South Florida. Atualmente dedica-se à pesquisa sobre educação bilíngue e o currículo de escolas de línguas de herança. Cursou Letras e Pedagogia na Universidade de São Paulo, trabalhou como professora de Literatura, autora de materiais didáticos e coordenadora pedagógica no Brasil.
Foi professora convidada pelo Ministério das Relações Exteriores, Brasil, para ministrar curso de Português como Língua de Herança na Flórida, em abril de 2012. Membro do Conselho Consultivo do Portal do Professor de Português de Língua Estrangeira, Brasil, http://www.ppple.org/. Membro da Diretoria Consultiva da American Organization of Teachers of Portuguese, EUA, http://www.aotpsite.net/. Contribui mensalmente sobre línguas de herança para o website http://www.sala.org.br (Sociedade de Linguística Aplicada, Cultura Digital e Educação).

2 comentários em “Escolas de línguas de herança

  1. Ola Ivian, parabéns pelo texto. Gostaria de ter acesso a sua dissertação para a minha pesquisa em andamento sobre PLH em famílias italo-brasileiras. Obrigada. Daniela

    1. Ola Daniela, informaremos a colunista. Aproveitamos a oportunidade para convidá-la a repartir conosco sua pesquisa quando estiver pronta. Em breve, anunciaremos a coluna LINCS (Língua e sociedade) para tópicos de pesquisa e estudo. Um abraço, Blog Brasileirinhos.

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