Lendo A moça tecelã

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

No dia 18 de dezembro de 2014 foram anunciados os ganhadores do 56o Prêmio Jabuti (concedido pela Câmara Brasileira do Livro e considerado uma das mais importantes premiações do país). Para surpresa geral o vencedor na categoria Não-Ficção foi um livro infantil: Breve História de um Pequeno Amor, de Marina Colasanti. Decidi fazer o meu texto sobre a autora porque, ao ler uma entrevista onde ela fala sobre a prêmio, uma fala em especial me fez pensar e repensar:

“A produção de livros sofre de duas doenças. Uma é o descrédito da inteligência infantil por parte dos adultos. Eles acreditam que qualquer coisa pode ser publicada e que a criança não vai perceber que o livro é ruim. O outro problema é que a literatura infantil tem um pé amarrado na educação, como se ela servisse para carregar conhecimentos, princípios morais, como uma cápsula que tivesse outra coisa dentro. E isso envenena a literatura”.

Muitos discordarão da autora mas, dentro do contexto geral de produção de livros e idéias politicamente corretas, eu compartilho dessa visão. Eu me lembro que há alguns anos atrás o Conselho de Educação apresentou um projeto para banir o livro As caçadas de Pedrinho da Coleção O Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato. O livro em questão foi tido como racista por determinadas frases. Alguns defenderam o Conselho, mas muitos criticaram essa ação. A referida coleção alimentou a imaginação de crianças brasileiras desde a sua publicação em 1933. Quem não lembra dos personagens? Das histórias? Das aventuras? Não acredito que o livro tenha influenciado as crianças a agirem de forma preconceituosa… sei que ele enriqueceu a vida de muitas delas.

A questão é que as crianças não podem ser subestimadas, elas sabem filtrar o que é bom e o que não vale a pena em um livro. Não sou tão categórica quanto Marina Colasanti (mas ela pode ser categórica, afinal é Marina Colasanti) ao afirmar que livros educativos “envenenam” a literatura. Eu já li vários livros que servem como ponte para algum ensinamento mas o que tenho observado é que a produção de livros com esse viés tem aumentado consideravelmente e livros, única e simplesmente ligados ao lúdico, prazer e à imaginação, tem ficado um pouco à margem.

Ao escolher livros para minhas filhas tentei encontrar um certo equilíbrio entre educação, livros com conteúdos a serem trabalhados e aqueles em que não havia necessidade de nenhuma explicação, nenhum comentário extra, só o livro e sua história.

a_mo_a_tecel_Um desses livros é da própria Marina Colasanti, A Moça Tecelã. Quando o li pela primeira vez achei que talvez as minhas filhas não o entenderiam, parecia um pouco “adulto”.

NÃO SUBESTIMAR AS CRIANÇAS! Lição aprendida!

O livro é lindo, a história é delicada como um bordado e as ilustrações são verdadeiras obras de arte. Um texto entremeado de poesia e encantamento, desenhos que vão sendo bordados com cores e sentimentos. Lembro do quanto minhas filhas gostaram e se deliciaram com a história. Para mim, foi como abrir uma porta para outra dimensão. Descobri que elas podiam interpretar um texto diferente, que a idade não necessita limitar as opções, que uma criança pode e deve ter um leque bem aberto para escolher o que lhe agrada, o que lhe faz bem.

Marina Colasanti nasceu em Eritreia, antiga colônia italiana localizada na África. Ainda na infância, a família se mudou para a Itália de onde decidiram partir, no início da Segunda Guerra Mundial, com destino ao Brasil. Marina se formou em Belas Artes e trabalhou como jornalista e cronista para vários veículos de informação. Em 1994 ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de poesias Rotas de Colisão. A autora já publicou mais de 30 livros, entre infantis, poesias, crônicas e contos. Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a Marina e sua obra não deixe de visitar o site Marina Manda Lembranças (o site não é da autora mas todas as postagens são autorizadas por ela).

logo_BIBPA Associe-se já à biblioteca infanto-juvenil brasileira Patricia Almeida. A BIBPA está a sua espera, com o livro “A moça tecelã” e muitos outros de Marina Colasanti. Você pode receber livros em sua casa, em todo os EUA.

 

10520087_10205119346253278_826309639437374543_nCristina ama literatura infantojuvenil e por isso, faz as aventuras, descobertas e fantasias chegarem até você através de dicas e reviews de livros. Cristina é diretora da Biblioteca Infanto-juvenil Patricia Almeida, um departamento da Brasil em Mente.

 

© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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Um comentário em “Lendo A moça tecelã

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