Alfabetização e letramento no contexto das línguas de herança

Por Ivian Destro Boruchowski, MEd
Coluna Educação Bilíngue

O trabalho com Línguas de Herança (LH) visa à ampliação da capacidade de expressão dos aprendizes que, geralmente, está delimitada ao registro informal oral da língua e circunscrita ao vocabulário do ambiente familiar. Por isso, além de ter por objetivo o desenvolvimento da modalidade falada da língua para registros formais e a ampliação do vocabulário para diferentes domínios linguísticos, é comum que as iniciativas de línguas de herança busquem o desenvolvimento das habilidades de leitura e de escrita desses alunos.

Por que expandir a manipulação da língua da modalidade oral para a escrita? Primeiro, para que o aluno participe mais amplamente de uma herança linguístico-cultural; em segundo, para um desenvolvimento mais amplo da capacidade de compreender e produzir textos nesta língua; em terceiro, para o desenvolvimento de um pensamento mais lógico-abstrato na língua-cultura.

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Como então podemos entender os conceitos de alfabetização e letramento e como podemos situá-los no contexto do ensino de línguas de herança? Na língua portuguesa é comum distinguir duas etapas do processo de aprendizado da leitura e escrita, a alfabetização, que pode ser entendida como o processo de instrução formal de decodificação das letras, das sílabas, das palavras na página, e o letramento, que é o aprendizado da manipulação (na leitura e na escrita) dos textos em seus contextos sociais.

Na educação, dissociar alfabetização e letramento mostra-se um equívoco porque o aprendizado da leitura e da escrita deve ser baseado nesses dois processos, o de decodificação e codificação, como também o de leitura e escrita contextualizadas como atividades sociais.

O que isso quer dizer?
Quando apenas focamos em atividades de decodificação ou codificação dos fonemas e letras, não estamos ensinando o aprendiz a se comunicar de fato com alguém por algum propósito, por outro lado, é preciso ensinar o processo de correspondência entre fonema e letra para que se possa ler e participar das atividades sociais de leitura e escrita. Daí ser impossível dissociar a alfabetização do letramento, esses processos são interdependentes.

Quais as implicações da alfabetização e do letramento nas LH? Primeiro, ampliar o acesso a uma herança linguístico-cultural que consequentemente será uma outra maneira de criar elos de pertencimento para o aprendiz. Segundo, fazer desses alunos sujeitos que produzam textos e que participem de um repertório linguístico-cultural escrito o que os tornará muito mais preparados e efetivos em diferentes situações comunicativas.

O objetivo de nossas aulas é que os alunos tornem-se sujeitos que produzam textos orais e escritos como também saibam ler e compreender essas duas modalidades de textos para que haja efetivamente uma situação de comunicação. Retomo minhas ideias do artigo anterior, que tratou de uma reflexão sobre o conceito de língua no contexto do ensino de línguas de herança: os aprendizes precisam entender que a língua existe na função de comunicar, expressar algo para alguém, de realizar e organizar nossos desejos, pensamentos e ações para o outro e para nós mesmos.

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