Uma luta

Por Felicia Jennings-Winterle
Editorial, Março de 2016

8 de março, dia de refletir sobre quem somos. Dia de ponderar o que queremos, como alcançaremos e o que faremos quando chegarmos lá. Dia de buscarmos entender os porquês das lutas das mulheres. Lutas políticas, ambientais, sociais, culturais. Lutas no trabalho, na escola, em casa. Lutas contra homens, contra outras mulheres, contra nós mesmas.

Qual é a sua luta? Na verdade a pergunta deveria ser no plural: quais são as suas lutas?

Mulher se incomoda com o que está fora de lugar, fora de ordem, fora de propósito.

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Do lado de cá, do outro lado do mundo, a gente sempre se refaz. Sempre mesmo, sem clichê. Se questiona, se (des)valoriza, se (re)descobre, (re)emprega talentos, desejos e motivações. Nossa identidade murcha, depois se divide, mas daí multiplica, cresce.

E essa identidade que muda de cor, de gosto, de som e de língua continua jeitosa, vistosa, gostosa, sedutora, e (no mínimo) bilíngue e multicultural. Sim, (re)fazemos o verde e o amarelo, a coxinha e o brigadeiro, os acordes e a cadência, as expressões idiomáticas e o sotaque, mas continuamos lutando por quem somos, quem queremos ser e pelo que queremos deixar de herança.

É por isso que em inúmeros países e regiões, nas mais diversas situações e contextos, mulheres estão fazendo algo muito belo acontecer: estão guiando o florescer de gente que fala, entende e celebra mais de uma língua e mais de uma cultura, sendo o português e a cultura brasileira parte do pacote.

Mulheres são a avassaladora maioria em um movimento mundial que promove e incentiva o português como língua de herança das mais variadas formas. Iniciado e liderado por elas, esse movimento busca trazer conscientização sobre a importância sociocultural dessa língua-cultura em espaços em que é minoritária.

Com o mesmo ideal unem-se a esse movimento mães, educadoras, autoras, ilustradoras, pesquisadoras, pensadoras, musicistas, artistas, além de, claro, homens também visionários, apaixonados por educação, por cultura e por saberes.

É uma de nossas lutas. Uma que é valiosa, apaixonante, desafiadora e que inextricavelmente contém o que faz de nós mulheres brasileiras. Uma que precisa de apoio e aliança de dentro para fora, de mulher para mulher, de mulher para homem, de homem para mulher, do individual ao global e uma que demonstra como grandes feitos são uma série de singelezas.

Por isso hoje te envio uma rosa amarela, um pequeno lembrete de que nossas lutas são diárias mas estamos todas na luta.
Feliz Dia de quem faz-se e refaz-se, de quem luta com força, coragem e leveza!

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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