Lendo Daniel Munduruku

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

A leitura nos abre portas e janelas para mundos maravilhosos, imaginários ou não. Além dos benefícios reais como aquisição e aprimoramento de vocabulário, compreensão de conteúdos, organização de idéias, a leitura cria caminhos para explorar o que ainda não conhecemos, o que é diferente. Podemos avançar um pouco mais no entendimento de situações e vivencias que estão muito longe da nossa realidade diária. Ir um pouco além do conhecimento raso, entender e respeitar ainda mais as diferenças que existem na nossa cidade, no nosso país e mundo afora.

Ao abrir os livros do Daniel Munduruku é quase possível imaginar pontes que nos convidam a atravessar para esse mundo mágico e tão real que é o dos povos indígenas no Brasil. E é com tristeza que se constata: sabemos tão pouco sobre eles… Mas nada melhor do que aprender com alguém que realmente conhece sobre o assunto, não?

Daniel é da nação Munduruku, nasceu no Pará e depois mudou-se para Lorena, em São Paulo, onde se formou em Filosofia. Ele é doutor em Educação e pós-doutor em Literatura e foi através da Literatura que ele abriu caminhos para que possamos conhecer sobre as nações indígenas.

Durante a sua infância, Daniel sofreu com a indiferença e o desconhecimento por parte dos seus colegas de escola ao ponto de ele desejar não ser quem era e ser uma criança como todas as outras. Mas o seu avô era um homem sábio e aos poucos foi mostrando para Daniel a importância e a riqueza de ser Munduruku e com o tempo ele se encheu de orgulho e decidiu mostrar às pessoas que os estereótipos são frutos da ignorância.

Daniel não se contentou, porém, em mostrar apenas o que os indígenas não eram (“preguiçosos, traiçoeiras ou canibais”), ele quis mais, ele quis que as pessoas soubessem quem eram de verdade e como viviam. No ano 2000 ele publicou o livro Coisas de Índio e em 2003, uma versão infantil do mesmo.

daniel-munduruku-coisas-de-indio-callis-1-medOs dois livros são pra lá de interessantes, uma verdadeira viagem de conhecimento e diversão, porque aprender pode e deve ser leve. Alimentação, arte, medicina, línguas e direitos dos indígenas são alguns dos assuntos abordados. A versão infantil é simplificada mas nem um pouco simplista, tem descrições detalhadas e ilustrações que complementam a riqueza do texto. Um detalhe à parte são os motivos geométricos executados lindíssimamente por Siridwê Xavante e que são interpretações da natureza e da cultura indígena sob uma perspectiva Xavante.

Desde pequeno, o mundo dos livros foi muito próximo de Daniel e com o passar dos anos as leituras sempre fizeram parte da sua rotina. Quando se tornou adulto, ele resolveu recontar algumas das tantas leituras feitas e também das histórias repassadas de geração a geração nas aldeias.

072e5cad49f48e4b48f6869c5bd8b95dcb285cfaAssim nasceram os livros Histórias que eu ouvi e gosto de contar (2004), Histórias que eu vivi e gosto de contar (2006) e por último, Histórias que li e gosto de contar (2011). Os três livros são ilustrados por Rosinha Campos que mora no Recife e desenvolve um trabalho de formação de leitores nos quais ela trabalha com etnias indígenas e negras por considerar fundamental o conhecimento sobre os ancestrais do povo brasileiro.

Para conhecer mais sobre o trabalho deles, aqui vão os sites.

http://danielmunduruku.blogspot.com/
http://www.rosinhailustra.com.br/

E você, tem outras sugestões de leituras sobre culturas indígenas?

 

logo_BIBPA Associe-se já à biblioteca infanto-juvenil brasileira Patricia Almeida. A BIBPA está a sua espera, com o livro “Coisas de Índio” e muitos outros do autor Daniel Munduruku. Você pode receber livros em sua casa, em todo os EUA.

 

10520087_10205119346253278_826309639437374543_nCristina ama literatura infantojuvenil e por isso, faz as aventuras, descobertas e fantasias chegarem até você através de dicas e reviews de livros. Cristina é diretora da Biblioteca Infanto-juvenil Patricia Almeida, um departamento da Brasil em Mente.

 

© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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2 comentários em “Lendo Daniel Munduruku

  1. Eu confesso que ainda não havia lido os livros do Daniel até a conhecê-lo pessoalmente durante a Conferência sobre Português como língua de herança. Foi uma descoberta maravilhosa!

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