Brinquedos e brincadeiras da (nossa) cultura indígena

Por Mirela Estelles
Coluna Brincando

Para comemorar o dia de hoje – 19 de abril – gostaria de relembrar alguns brinquedos e brincadeiras presentes na cultura indígena. Quando estava na escola, recordo que este era um dia onde costumávamos nos vestir de índio, com cara pintada e pena na cabeça. Dançávamos em roda e soltávamos um som pela boca “ Uhuhuhuhuhuhu”.

Será que estas vivências nos aproximam ou nos distanciam da cultura indígena? O dia do índio não poderia ser mais que isso?

Foto renata meirelles 2007
Foto de Renata Meirelles, 2007

As imagens que compartilho aqui marcam para mim uma sensação de distância com a cultura indígena, quando abordada na escola de maneira estereotipada. Gostaria de ter tido a oportunidade de uma discussão mais viva sobre os índigenas, que fosse para além de todo esteriótipo colonizador, podendo construir relações e aproximações com nossos hábitos, costumes, língua, brinquedos e brincadeiras que estão presentes no dia a dia.

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Por isso, no post de hoje fiz um compilado de pesquisas interessantes que registram mais de perto a cultura indígena. Para começar, quem se lembra de uma cantiga tradicional da infância que traz palavras em tupi?

No Brasil falamos muitas palavras em tupi sem nos darmos conta. Esta cantiga traz o exemplo de uma palavra que talvez nos passe desapercebida, como passava para mim!

Brincava na infância e brinco até hoje com as crianças. Quem conhece a cantiga Itororó?

Fui no Itororó
beber água e não achei
achei bela morena
que no Itororó deixei

Aproveita minha gente
que uma noite não é nada
se não dormir agora
dormirá de madrugada

Ô Mariazinha, Ô Mariazinha
entre nesta roda ou ficará sozinha
Sozinha eu não fico nem ei de ficar
porque eu tenho o (João) para ser meu par

Itororó significa água barulhenta. Usamos outras palavras em tupi que dão nome a muitas coisas, como por exemplo as cidades e estado: Araraquara que significa buraco de arara, Guaratinguetá que significa muitas garças brancas e Paraná que significa rio.

E quem já experimentou construir o seu próprio brinquedo? Quem já fez uma peteca ou um pião? Construir os brinquedos já é por si só uma grande brincadeira!

Os curumins, que significa no geral crianças, são muito criativos nas invenções e confecções de seus brinquedos. Com os diversos elementos que encontram na natureza eles fazem: peteca, pião, figuras com barbantes, perna de pau, entre outros.

Conheçam alguns dos brinquedos e brincadeiras registradas pela pesquisadora Renata Meirelles no projeto Território do Brincar:

– Pião de tucumã ou de cabaça, aqui e aqui.

– Perna de pau, peteca, figuras de barbante, entre outras, aqui.

Conheça outras brincadeiras da cultura indígena:

Brincadeira do tucunaré
Brincadeira da queixada
Brincadeira da onça

Para comemorar o dia de hoje com as crianças, brinquedos e brincadeiras não irão faltar! Quem sabe, pela cultura da infância, possamos ampliar nossas referências e nos sentirmos mais próximos da cultura indígena… Boa diversão!!!

Referência Bibliográfica:
Falando Tupi, de Yaguarê Yamã. Pallas Editora.
Território do Brincar
Mapa do Brincar
Das crianças Ikpeng para o mundo – Um dia na aldeia Ikpeng

 

11866333_10200987173157977_3036256342841833176_nMirela Estelles é arte educadora, contadora de histórias e brincante. Desde 2009, Mirela é educadora no Museu de Arte Moderna de São Paulo e responsável pelo programa Família MAM. Nessa coluna compartilha algumas experiências na coluna Brincando, considerando este um espaço para reflexão, troca e diálogo com todos interessados na arte de contar histórias, na arte de estar em contato com a arte, na arte de brincar!

 

© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

2 comentários em “Brinquedos e brincadeiras da (nossa) cultura indígena

  1. Nossa! Achei sensacional a sua publicação. Realmente, quando se fala sobre os índios hoje, vem em mente alto estereotipado, principalmente para alguns, que têm em mente imagens dos índios como uns ‘selvagens sem roupas com cocar na cabeça dançando a dança da chuva em volta da fogueira’ e não apenas isso, é muito mais do que isso, é uma cultura completa. Os índios são o prefácio do livro chamado Brasil, são nossas raízes merecem muito mais preservação. Sou professor e também queria ter um contato direto com uma tribo indígena, frustrante que ainda não tive.
    Sobre as brincadeiras, sim, enquanto as crianças urbanas brincam com tablets, os curumins estão próximos à natureza, brincando, criando, cantando, isso é ser criança!
    Mais uma vez parabéns! Excelente publicação e sucesso para você!

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