Movendo montanhas para o aprendizado e manutenção do PLH

Por Carla Scheidegger
Coluna Pelo Mundo

AustriaNesse mês conversei com Julliane Rüdisser – idealizadora da Mala de Leitura do Tirol – que, como muitas das mulheres envolvidas em trabalhos em prol do PLH, foi viver no Tirol austríaco levada por um grande amor.

O Tirol é uma região da Áustria. Faz fronteira com a Alemanha ao norte e com a Itália e a Suíça ao sul. Montanhas grandiosas com picos nevados, boa cozinha e os cristais Swarowksy fazem parte de um cenário de tirar o fôlego. Innsbruck é sua capital e onde vive Julliane.

Segundo ela, a Áustria oferece por lei a garantia do ensino de línguas de herança – mais de 20 línguas são ensinadas nas escolas públicas do país. Apesar dessa valorização, são grandes as pressões políticas para que os estrangeiros se “integrem” e “assimilem” a cultura austríaca (onde a língua oficial é o alemão), gerando um efeito contrário: os imigrantes acabam negando suas raízes. Essa questão chamou a atenção da nossa entrevistada que focou seus estudos na área de Línguas de Herança.

Um dos pré-requisitos para conseguir espaço nas escolas e desfrutar do direito do ensino da língua de herança é ter um número mínimo de crianças para formar uma turma. Este já representa o primeiro desafio enfrentado pela iniciativa de Innsbruck, pois as crianças que teriam o perfil para formar um grupo, vivem, muitas vezes, espalhadas pelos povoados nos Alpes, sem nenhum registro oficial em embaixadas ou consulados brasileiros.

Julliane acredita que pessoas felizes “precisam ter suas raízes saudáveis e fortes”, e, por isso, iniciou seu projeto com a comunidade brasileira, emprestando o nome de outra iniciativa – a Mala de Leitura de Munique. Seu objetivo era reunir crianças e jovens falantes de português para ganhar representatividade e conseguir o ensino em rede pública. Muito rapidamente, percebeu que seu propósito era muito mais abrangente e que quem tinha carência de sua própia herança eram os adultos.

Julliane seguiu confiante com suas colaboradoras, aceitando o rumo que o projeto levou. Hoje, alegra-se ao ver o resultado de sua dedicação quando as crianças vão, pouco a pouco, se comunicando em português e suas famílias reencontram sua brasilidade e sua identidade cultural.

Viver numa região exuberante e turística como o Tirol austríaco pode ser muito atraente, mas também tem seu preço. Este, muitas vezes, alto demais. Assim, para atingir as crianças e adolescentes, Julliane expandiu sua proposta aos adultos para que estes se reconectassem com suas raízes e resgatassem sua identidade em primeiro lugar.

Finalizamos nossa conversa com uma notícia muito boa: Juliane conseguiu o número mínimo de crianças pra formar duas turmas e iniciar as aulas de português na rede pública em setembro deste ano!

Parabés, Julliane!
Assista aqui a entrevista.

 

 

Screen Shot 2016-02-16 at 7.27.27 AMNascida em São Paulo e criada no interior paulista, herdou a língua e a cultura alemãs dos meus pais. Estudou Comunicação Social na ESPM e pós-graduei na Fundação Getúlio Vargas, sempre com a certeza de que meu futuro seria longe do Brasil. Há 13 anos vive na Alemanha, trabalhando internacionalmente e valorizando cada vez mais a diversidade.

 

© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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