Panetone, abrindo a temporada de Festas

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Rita Turner
Coluna Culinariando

O texto desse mês de dezembro está recheado de ideias para você fazer na sua cozinha com seus brasileirinhos, sem precisar exatamente colocar a mão na massa (crua). É que estamos falando do panetone, presença certeira nas mesas de famílias brasileiras nessa época do ano. Afinal, Natal sem panetone é Tonico sem Tinoco, cinema sem pipoca, Eduardo sem Mônica.

O primeiro panetone que entra em casa é como se fosse a largada oficial das festas de fim de ano. Mas tem que ponderar bem antes de comprar. Não pode ser muito cedo senão perde a graça, ou muito tarde, que não dá tempo de curtir aos poucos. Não chega a ser uma cerimônia, mas todo mundo entende que é uma ocasião especial, daquelas que vale a pena sentar-se à mesa e dividir com a família.

Lá em casa, o primeiro panetone era geralmente dividido entre eu, minha mãe e minha avó – três gerações de mulheres unidas ao redor desse pão doce que, assim como nossa família, tem suas raízes em Milão. Eu sempre gostei de comer panetone com cafezinho fresco feito na hora. De vez em quando, eu passava manteiga na fatia do panetone pra sentir o contraste do doce do panetone com o salgado da manteiga. Se você nunca experimentou, tente, pode virar sua nova rotina!

Na minha vida adulta, passei vários natais fora de casa, em terras distantes. Quando isso acontecia, minha mãe sempre me mandava um pacotinho pelo correio com um mini panetone – um ato de amor e de preservação.

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Panetone também é moeda de troca nessa época do ano. Vira presente para as professoras, amigo secreto do trabalho, e tem quem guarde um em casa para aquela visita inesperada de fim de ano.

História do panetone
Para entender a origem do panetone é importante lembrar que o costume de dividir o pão durante festividades religiosas está presente em comunidades cristãs desde sempre. É um ato de comunhão, sendo o trigo um ingrediente muito simbólico na história do cristianismo.

Relatos do século XV mostram que na véspera de Natal os pães eram divididos entre os convidados, e um pedaço separado para dar sorte para o ano seguinte. O trigo era artigo de luxo e as padarias só podiam assar e vender pães de trigo no Natal. Com o tempo, esse pão de Natal foi ficando mais elaborado, com adição de ovos, manteiga e eventualmente uvas-passas. A fermentação também só veio mais tarde, os panetones originais eram chatos como pães comuns (portanto, se a receita de panetone feita em casa embatucar, pode simplesmente dizer que é a ricetta originale.

Panetone de Milane
Na Itália, a origem do panetone é atribuída à cidade de Milão, na região da Lombardia. No Brasil, no começo da década de 50, a família Bauducco, imigrantes de Piemonte, trouxe o panetone para nossas terras com sua receita de família que domina o mercado brasileiro até hoje.

Pan di Tone
Embora haja certas lendas sobre um tal padeiro chamado Toni que acabou sem querer inventando o panetone (criando assim o “pão do Toni”), é bem provável que o nome panetone venha de pane di tono, que quer dizer pão de luxo em dialeto Milanês. O luxo nesse caso, é o uso de muita manteiga, açúcar e ovos, além é claro das uvas-passas que simbolizam boa fortuna.

Altos e baixos
O panetone nem sempre foi um cara alto. Suas primeiras versões eram baixinhas (tipo da Colomba Pascal), até que um padeiro chamado Angelo Motta, na década de 20, decidiu assar a massa numa forma cilíndrica alta e criou o formato que hoje conhecemos. Esse formato alto, parecido com um chapéu de chef é o que a gente mais conhece no Brasil, porém, na Itália, encontramos panetones altos e baixos, convivendo em perfeita harmonia nas prateleiras dos supermercados e padarias. Muito apreciado na Itália também é o pandoro, o primo do panetone que não leva frutas. Viva a diversidade!

Pra fazer em casa
Algumas comidas são sempre melhores feitas em casa. Não é o caso do panetone. Eu já fiz alguns panetones caseiros, e devo confessar que o trabalho não vale a pena. Claro, é um ato de superação dos seus dotes de padeira, mas os melhores panetones mesmo estão nas prateleiras dos supermercados. Para os fins desta coluna, porém, o panetone pode render uma atividade em grupo divertida e até uma tradição de fim de ano. Basta usar o seu panetone preferido comprado pronto e investir em umas das ideias abaixo, todas fáceis mas com resultados deliciosos.

Panetones ficam muito bem com recheios, coberturas ou decorados. Aqui vão algumas ideias para fazer com seus brasileirinhos.

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Rita TurnerRita Turner é correspondente de diversos blogs de culinária. Simpatizante do grande chef Alex Atala que costuma dizer que a comida é a maior rede social do mundo, Rita acredita na influência da cozinha na formação da identidade e a vê como um agente fundamental na preservação da cultura de um povo.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe sempre com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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