Tudo vai dar certo

Por Felicia Jennings-Winterle
Editorial

 

Mais e mais as mães me impressionam. Quanta energia, quanta atenção, quanto desprendimento. Sou privilegiada por poder observar uma variedade de famílias e suas dinâmicas.

Cada uma tem seu jeito: umas gritam, outras cantam; umas choram outras vibram; umas abraçam forte, outras dão asas.

As mães com quem mais convivo e observo estão em minha própria família, minha mãe e minha irmã, e em meu meio de trabalho, minhas parceiras e as mães dos meus alunos.

É cada mãe.

Uma mais bonita que a outra. A maioria não conheci antes de ser mãe, mas a minha irmã… como a maternidade a fez serena, bela.

As mães são bonitas porque têm desejos, sonhos e a cada passinho que seus filhos dão, a cada descoberta, elas sorriem. Esse sorriso massageia todo o cansaço e toda frustração que o resto do mundo lhes causa.

E é uma mais persistente que a outra. Engraçado, mesmo super focadas em objetivos que parecem surreais, elas são tranquilas – “tudo vai dar certo”, é a frase que eu mais ouço da minha mãe.

De vez em quando alguém de fora de casa estampa na cara delas que a filha é muito bonita, que vai muito bem nos estudos ou que, do alto dos seus 3 anos de idade, ainda trocando o R pelo L, dá um show de articulação e vocabulário no seu bilinguismo, e elas sorriem. Um sorriso leve, discreto. Só elas sabem como chegaram lá.

+Leia também: O papel da mãe no bilinguismo

Agora lindo mesmo é ver como as mães são sonhadoras. Vivem sonhando acordadas, vendo nas crias o que queriam pra se próprias mas que preferiram deixar para que os filhos tivessem, fizessem, vissem ou comessem.

E ao sonhar, sabem que um dia vão acordar e seus sonhos terão se concretizado, mesmo que longe de sua visão. Sabem que os filhos vão deixá-las para voarem, para o mundo conquistarem.

Eita como a mãe chora. Fernando Pessoa falava que as lágrimas das mães de Portugal salgarem seu mar? Eu acho que é elas salgam os mares e oceanos. No mundo inteiro elas choram.

+Leia também: Como lidar com a resistência à uma língua

E o choro é de tristeza, de alegria, de frustração, de remorso, de raiva de sua impotência, de medo.

Mãe de filho expatriado chora muito de saudade. Mãe de cidadãos do mundo chora por conta da resistência inicial do filho e do mundinho ao seu redor ao seu ser diferente. Mas invariavelmente, lá na frente, choram com um sentimento de missão cumprida, de êxtase.

 

Minha mãe me conta que ao nos ver bebês, eu e minhas irmãs, disse a si mesma: “elas não me pertencem, elas são do mundo.” Dedicou sua vida, abdicou de sua individualidade e hoje colhe os frutos da fidelidade e da interculturalidade que só regam sua felicidade.

Mãe, aguarde: tudo vai dar certo. Já está dando certo. Pode dar seu sorriso discreto.

Feliz Dia das Mães!

 

 

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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