Advento da Leitura – Poemas com macarrão & A guerra do macarrão

Dia 5 – faltam 20 dias para o Natal

A dica de hoje é de Rita Turner, autora da coluna Culinariando.

Então é Natal, e o que você leu?
Livro e comida são assuntos sérios na minha família. Portanto, nessa minha contribuição para o advento de leitura, escolhi alguns livrinhos sABOorosos que gostamos de ler aqui em casa. Como não gosto de encher linguiça, vamos por a mão na massa é ja!

Poemas Com Macarrão 
Texto: Fabrício Corsaletti
Ilustrações: Jana Glatt
Editora: Companhia das Letrinhas

Esse livro não é necessariamente sobre comida, mas sobre “essas coisas que toda criança – e adulto – gosta de fazer’. Para não misturar alhos com bugalhos, separei os que mais gosto (e que são sobre comida). Começamos com a História da Piscina de Sorvete que fala sobre Dora, uma “velha maluca”, que “sonhava com uma piscina de sorvete”. “…ela então fechava os olhos e, pés na grama-tapete, sonhava com uma piscina toda cheia de sorvete”

Quando li esse poema para minha filha pela primeira vez, deu pano pra manga: como seria uma piscina de sorvete? Seria de sorvete derretido? Mas aí ainda poderíamos chamar de sorvete? Será que iríamos ficar com frio numa piscina de sorvete? Talvez fosse uma boa ideia usar uma daquelas roupas de mergulhador. E o sabor da piscina – ou melhor, sabores? Vale misturar? Bom mesmo seria ter umas cerejas gigantes de boia. E por aí foi, eu e ela, mergulhadas numa fantasia deliciosa e divertida. Vale a pena ler dividindo um Sundae.

Eu sou fã de milho (inclusive já escrevi sobre ele lá na coluna Culinariando), portanto preciso compartilhar um versinho da Canção do Milho na Brasa, que há de despertar lembranças de festas juninas passadas.

“milho é bom de todo jeito
comer milho é ganhar asas
mas não tem milho melhor
que milho assado na brasa”

Nostálgico e sábio até a espiga. Como o título sugere, não poderia faltar macarrão – a comida mais adorada e facilmente devorada por crianças (e muitos adultos). Pessoalmente, me reconheço muito nesse versinho de Ode ao Macarrão:

“macarrão é infância no prato
macarrão é a nossa bandeira
macarrão é a única coisa
mais legal que qualquer brincadeira”

 

A Guerra do Macarrão
Texto: Domingos Pellegrini
Ilustrações: Beto
Editora: Quinteto Editorial

Esse é um livro que me pai escreveu (sem babação de ovo). Como isso já faz algum tempo (na época que se amarrava cachorro com linguiça), eu não sei se ainda circula em livrarias, mas é um livro divertido sobre um velho dilema: quem inventou o macarrão? Os chineses? Os italianos? 

O negócio azeda quando diplomatas dos dois países se encontram para um jantar, e, pensando em servir “a mais fina iguaria que cada nação criou” serviram ambos ….. macarrão!

Daí o caldo entorna no tal banquete diplomático, que acaba virando uma guerra com insultos macarrônicos pra todo lado. É claro que, depois de tal vexame, vem a realização:

 “Coberto da cabeça aos pés
de molhos e de vergonha,
caiu em si cada chinês
enquanto todo italiano
sentia-se um pamonha.”

Além do texto divertido, sempre com rimas inspiradas e inesperadas, cada página tem um “cantinho de explicações da guerra do macarrão”, para aqueles “pais preguiçosos mas que querem passar por sabidos”. Nesse cantinho é que lemos que “a História já tinha guerras faraônicas, babilônicas, napoleônicas, faltava a guerra macarrônica”. Também adoro as anotações sobre a linguagem em si, como apontando o uso de proparoxítonas num certo verso, ou convidando o leitor a “observar a beleza da Língua Portuguesa na expressão como quererem vir nos dizer.”

Esse aliás, é um hábito que tenho desde que comecei a ler pra minha filha – sempre mostrando as facetas da nossa língua (afinal, é de verde que se torce o pepino).

É um livro que gostamos muito de ler juntas, por ser parte da nossa família, e porque aqui somos loucos por macarrão – seja ele de onde for.

 

Sobre a Rita
Rita Turner é correspondente de diversos blogs de culinária. Simpatizante do grande chef Alex Atala que costuma dizer que a comida é a maior rede social do mundo, Rita acredita na influência da cozinha na formação da identidade e a vê como um agente fundamental na preservação da cultura de um povo.

 

Veja também:

Dia 4 Ou isto ou aquilo

Dia 3 Amal e a viagem mais importante de sua vida

Dia 2 O pé de meia e o guarda-chuva, um livro sobre amizade e solidão.

Dia 1 (RE)ler, (RE)ver e (RE)experimentar

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