Vamos deixar de amarelar? LENDO Chapeuzinho Amarelo

A Cristina Marrero (da coluna LENDO) e as demais maravilhosas contadoras de histórias que estão por esse mundão afora que me deem licença, mas ontem não só ouvi uma história como aprendi uma grande lição com a Alice, uma aluninha de 7 anos. Por isso resolvi recomendar a você, adulto, a leitura do livro Chapeuzinho Amarelo.

Obra que os grandes Chico Buarque e Ziraldo assinam, conta a história de uma menina que tinha medo de tudo.

“Já não ria.
Em festa, não aparecia,
não subia escada nem descia.
Não estava resfriada mas tossia.
Ouvia conto de fada e estremecia.
Não brinacava mais de nada, nem de amarelinha”.

E porque você acha que eu recomendaria uma leitura dessa para você, um adulto? Ora, medo é coisa de criança ou só de criança?

Há quem diga – e minha nova musa inspiradora disse de forma ainda mais clara – que quanto mais velha a pessoa, mais ela sabe. Ao dizer que o irmãozinho tem medo de avião, indaguei porque ela não tinha. E ela: porque ele sabe de histórias de avião caindo… eu não. Eu não sei de nada.

Quanto mais sabemos, mais tememos.

A gente sabe muito e conforme os anos vão passando e a vida vai nos dando calos e baldes de água fria, vamos ficando calejados e escaldados. Por isso, há de se tomar cuidado.
Uma das partes que mais me tocou no livro foi a seguinte:

“Tinha medo de trovão. Minhoca, pra ela, era cobra. E nunca apanhava sol porque tinha medo da sombra. Não ia pra fora pra não se sujar. Não tomava sopa pra não ensopar. Não tomava banho pra não descolar. Não falava nada pra não engasgar. Não ficava em pé com medo de cair. Então, vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo”.

O que me chamou atenção é que sim, existem, mas são poucas as crianças que vivem paradas, deitadas, sem dormir, pensando e repensando no que disseram, fizeram, deixaram de fazer. Somos nós, adultos, que fazemos isso. Logo, o livro é para adultos mesmo que os componentes remetam a obras do imiginário infantil.

Mas foi a Alice, pequena grande menina, quem comentou a passagem de maneira brilhante: “Ela tinha medo de fazer e de não fazer, de ler e de não ler, de desenhar e de não desenhar, de ter medo e de não ter medo. Ela não fazia nada!!!”

É, Alice. O medo nos paralisa e talvez por isso os dias têm se arrastado ultimamente. Parece que se ouve esse paradoxo (literalmente) no mundo inteiro: ao mesmo tempo que não temos tempo para nada, fazemos muito, muito de muito pouco. Falamos que vamos fazer um monte de coisas e acabamos não fazendo nada… por medo.

Chapeuzinho Amarelo confronta um de seus medos – o de lobo – e, ao olhar bem pra ele, foi “perdendo aquele medo, o medo do medo do medo de um dia encontrar um LOBO”. Ela de fato o encontra, confronta e afronta.

É liberta porque com a pouca importância que passa a dar para o lobo, que “envergonhado, triste, murcho e branco-azedo, porque um lobo, tirado o medo é um arremedo de lobo”, muda sua perspectiva. O LOBO vira BOLO, barata vira tabará, dragão vira gãodra.

Não é maravilhoso? Dar nomes esdrúxulos para produtos da nossa imaginação? (é, porque se existe algo imaginário e ilusório é o medo).

O que ficou para mim provavelmente não ficará igual para você. Você provavelmente tirará muitas outras conclusões da criatividade e maestria de Chico e Ziraldo. Mas uma coisa é certa: temos que enfrentar nossos lobos (e bolos), dar-lhes a atenção que merecem e continuarmos. Sempre andando, fazendo e trabalhando.

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

Anúncios

Brasil em Mente anuncia a 5a edição de sua conferência sobre o PLH

A Brasil em Mente, o GSL (Global Studies and Languages at MIT) e o Praticutucá, com o apoio do Consulado-Geral do Brasil em Boston e do Somerviva, convidam você para a 5a Conferência sobre o Ensino, Promoção e Manutenção do Português como Língua de Herança. Esta edição tem uma proposta arrojada e que envolverá educadores de língua portuguesa em todo o mundo. Trata-se de um movimento de falantes de português, e não mais só de brasileiros. Estamos muito animados!
Em breve, mais informações.
Para inscrição, veja aqui.
O prazo para envio de propostas de apresentação é 15 de fevereiro.

 

Em 2018 mais leitura

Fim do ano, fim da história, fim da linha… recomeço. Novo ano, nova história, nova linha, divisória. Que tal fazer de 2018 o ano da leitura? Reunimos um grupo de especialistas – educadores, contadores de histórias, críticos literários, autores e ilustradores – e criamos um advento com 31 dicas de leituras para 2018. Sim, 31 dias em dezembro, 31 oportunidades pra fazer história. Aproveite!!!

 

Dia 31   A árvore generosa
Shel Silverstine
Editora Bruaá

+ Esta dica é da Patricia Sheld, uma artista plástica apaixonada pela literatura. Ela desenvolve um trabalho de leituras em português lá na Alemanha.

O livro original é de 1964 e a Editora Bruáa nos presenteou com uma linda versão em português em 2008.
Na amizade de um menino e uma árvore, Silverstine nos trás para além do pensamento na relação entre o homem e a natureza, questões fundamentais como a morte, a amizade, o tempo e o amor. A ilustração é simples e grandiosa.

Não se trata de uma estória propriamente com um final feliz. As crianças ficam atentas e no final sempre existe um silêncio. Depois do silêncio começam os pensamentos, as perguntas, e com elas uma boa conversa.

Sobre a Patricia
Sou ilustradora e produtora, mas gosto mesmo mesmo é de viajar! E quando não dá para viajar, assim de avião ou trem, viajo nos livros… Viajei por áreas administrativas durante 16 anos de minha vida, e descobri no final que nasci mesmo é para a arte e ao invés de ficar sonhando, resolvi botar a mão na massa. Cheguei em Portugal e por lá estudei arte, direção artística e ilustração. Com minhas ilustrações, virei a Patycake. Fui para a Ásia, estudei Design Gráfico e tive o prazer de desenhar para as crianças por lá, inclusive um lindo Ganesha para o Museu Nacional de Bangkok e um logo divertido para o Zoológico da cidade. Voltei ao Brasil e inaugurei minha Galeria de Ilustração, a Cake, em Porto Alegre. Hoje estou na Alemanha, onde já organizei algumas exposições de ilustração, uma no Struwwelpeter Museum em Frankfurt, o Museu do primeiro livro infantil no Mundo. Trabalho no Museu de Wiesbaden. Recebo sempre muitas crianças e me divirto muito com elas. Faço leituras infantis que adoro, e claro, continuo ilustrando.

 

 

Dia 30  A boca da noite
Cristino Wapichana / Graça Lima
Zit

+Essa dica é do escritor, doutor em educação, Daniel Munduruku.

Imaginem um curumim vivendo no meio da floresta, levando uma vida bem feliz, correndo pelo mato, subindo nas árvores, comendo fruta tirada na hora, nadando em rios transparentes, brincando livremente pelo pátio de uma aldeia e convivendo em comunidade onde as pessoas são alegres porque podem apreciar tudo isso com muita tranquilidade;

Imaginem um menino observando o movimento dos pássaros que sobrevoam suas casas, gritam nas mangueiras, assobiam notícias vindas de longe e que cantam lindas melodias desde o momento em que o sol nasce até a hora de se pôr;

Imaginem um menino que ouve histórias contadas pela boca mágica de um avô e de uma avó que lembram o começo do mundo, dos homens, das coisas, dos seres encantados e do sobrenatural; histórias que lembram o passado para alimentar o presente;

Imaginem esse garoto caminhando com seus pais rumo ao roçado onde irão extrair a mandioca que os alimentará durante vários dias. Ele caminha em silêncio porque aprendeu que é assim que deve ser para poder treinar sua capacidade de ouvir pequenos gritos, sons diferentes, rastros que são deixados por seres rastejantes e que podem ser perigosos. Ele vai à frente dos adultos como um “batedor que tem a tarefa de guardar os caminhos para os que vêm atrás de si.

Imaginem, por fim, um curumim que vive toda esta magia e se impressiona com ela cotidianamente; quer aprender o porquê das coisas serem do jeito que são e quem pintou o céu de azul ou a floresta de verde; quer entender o que é o dia e a noite; quer descobrir a linguagem oculta do mundo…

Esse menino existe! Ele é real! Pode ser encontrado nas páginas do belo livro A Boca da Noite. Esse livro foi escrito por Cristino que é Wapichana, povo indígena que vive em Roraima no norte do Brasil. No livro ele narra a vida tranquila desse menino que não se acomodava nunca e que queria saber o sentido das palavras. É um livro mágico, bonito, rico em ensinamentos e que encanta do começo até o fim. Não à toa o livro recebeu os mais importantes prêmios literários no Brasil em 2017. É uma leitura que vale a pena porque nos revela outra dimensão da vida, do mundo e da natureza.

Não preciso nem dizer que as ilustrações elaboradas por Graça Lima dá um toque especial à magia do livro, né? Pois é, o livro é uma obra de arte seja pelo texto bem escrito, seja pelas ilustrações que são uma pintura à parte. Perfeito. É minha dica.

 

Sobre o Daniel
Escritor indígena, graduado em Filosofia, tem licenciatura em História e Psicologia.
Doutor em Educação pela USP. É pós-doutor em Literatura pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar. Diretor presidente do Instituto UKA – Casa dos Saberes Ancestrais. Autor de 50 livros para crianças, jovens e educadores é Comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República desde 2008. Em 2013 recebeu a mesma honraria na categoria da Grã-Cruz, a mais importante honraria oficial a um cidadão brasileiro na área da cultura. Membro Fundador da Academia de Letras de Lorena. Recebeu diversos prêmios no Brasil e Exterior entre eles o Prêmio Jabuti, Prêmio da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio Érico Vanucci Mendes (outorgado pelo CNPq); Prêmio Tolerância (outorgado pela UNESCO). Muitos de seus livros receberam o selo Altamente Recomendável outorgado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Reside em Lorena, interior de SP.

 

 

Dia 29  BÔNUS – 2 dicas
A mentira da verdade
Joaquim de Almeida
Edições SM

+Essa dica é do autor Lalau. Conheça seu trabalho!

A criação do mundo, nesta lenda iorubá, é repleta de magia, mistério e beleza. No texto e nas ilustrações de Joaquim de Almeida, na adaptação para a linguagem de HQ, tudo ganha uma narrativa diferente e criativa. Olofi, uma divindade suprema, criou o mundo a partir dos opostos: a terra e o mar, a noite e o dia, a ordem e o caos, assim por diante, até chegar à verdade e à mentira. Por causa de seus atributos, também antagônicos, as duas últimas iniciam uma guerra cheia de ação, força e símbolos.

Sobre o Lalau
Lalau é paulista e poeta, trabalhou como redator em agências de propaganda, escreveu contos e crônicas, publicados em alguns jornais e revistas, foi roteirista de teatro amador, entre outras atividades. Casado, 1 filho.

 

 

Quero colo
Stela Barbieri e Fernando Vilela
Edições SM

Assim que nasce, a maior parte dos bebês têm suas primeiras experiências com o mundo externo por meio do contato com os braços dos seus pais. São eles que costumam oferecer acolhida e conforto diante da novidade do mundo.
Neste livro, Stela Barbieri e Fernando Vilela fazem uma linda homenagem a este encontro afetivo, mostrando que o desejo de ser amparado e sentir-se protegido pelos braços de quem se ama é universal. Com imagens coloridas, criadas a partir variadas técnicas de ilustração, os autores exploram as diversas maneiras como animais e diferentes povos carregam os seus semelhantes e lhes oferecem carinho. O resultado é um livro daqueles em que todos nos reconhecemos. E ao final da leitura, só nos resta voltar ao título e compreender que, não importa a idade e nem o tempo, colo nunca é demais.

O conteúdo deste texto é exclusivo do site A Taba.

Sobre a Denise
Denise Guilherme é Mestre em Educação, formadora de professores e consultora na área de projetos de leitura. Desde cedo, apaixonada por palavras ditas e escritas. Descobriu nos livros um caminho para entender a si mesma e aos outros. E ficou tão encantada com o que viu que decidiu compartilhar com o mundo.
Sobre a Taba
A Taba é uma empresa especializada em curadoria de livros infantis e juvenis. Nossa equipe é formada por um grupo independente de especialistas em literatura infantil e juvenil, professores, pais, bibliotecários e contadores de histórias com um único objetivo: formar uma aldeia, um coletivo de pessoas que vive e experimenta leituras.

 

 

Dia 28     Lobo Maurinho
Gustavo Luiz e Mig
Melhoramentos

Esta história não fala do Lobo Mau. Esse você já conhece… O Lobo Maurinho é diferente e vai te agarrar sorrindo desde o começo da história. É um Lobo divertido que surpreende e transforma a vida de todos porque é um lobo gentil.

Adoro esse livro! Tem pouco texto e é escrito em caixa alta. Ótimo para leitura acompanhada de crianças pequenas. O vídeo com a história no meu canal no youtube vocie pode assistir aqui.

Sobre a Marina
Contadora de história, escritora e palestrante, já se apresentou para mais de 40.000 pessoas em 3 países. Atuando há 17 anos no teatro, aproveitou a experiência como atriz e utiliza o lado lúdico para despertar o interesse da criança de 0 a 100 anos em ouvir histórias e se emocionar. Criadora e apresentadora do Programa Brinque-Book conta histórias com Marina Bastos, no YouTube. É Palestrante de Storytelling – Como contar histórias em empresas e ministra workshop para professores. Formada em publicidade, atuou em 17 espetáculos e apresentou o programa Vitrine SP. Em 2014 foi palestrante do 2º Ciranda de Histórias no SENAC e representou o Brasil no Festival Internacional de Narración Oral del Perú. Em 2015 esteve novamente no Peru e também no Festival da Colômbia.

 

 

Dia 27   Alba, a vitória-régia
Fátima Nascimento, Charlotte Lieckfeld (português e alemão).
Fafalag

Alba, a vitória-régia, se sentia muito solitária e saiu a procura de novos amigos e nessa caminhada encontra vários animais que habitam o Pantanal, mas todos estavam muito ocupados até que encontra seres muito especiais e sua vida muda.
O livro fala sobre a amizade, com singeleza, e também traz nas suas ilustrações a flora e fauna do Pantanal e com certeza tocará os corações das crianças.
Fátima Nascimento, leva a cultura e o português como língua de herança (PLH), para brasileirinhos que vivem em diversos países da Europa e cidades da Alemanha,realizando oficinas de atividades a partir da leitura do seu livro.

Sobre a Luzia
Com formação em Educação Artística pela FAAP e Pedagogia UFMT – acordo Brasil/Japão – vem estudando o Português como Língua de Herança (PLH) nos cursos de formação continuada da Brasil em Mente desde 2014.Tradutora e intérprete, trabalha como voluntária na comunidade brasileira e escolas japonesas, atendendo crianças brasileiras de Osaka, Japão. Sua maior paixão e dedicação é o trabalho que desenvolve com as crianças e jovens de Osaka nas oficinas de PLH no Projeto Construir ARTEL, que tem como objetivo não só trabalhar a língua e a cultura brasileira, mas a de refletir sobre si e suas origens, e conquistar a sua autonomia.

 

 

Dia 26    Casa do Cuco
Alexandre Camanho
Editora Pulo do Gato

+Essa dica é da Cássia Maria Bittens, idealizadora e coordenadora do projeto Literatura de Berço

Em tempos remotos, criaturas desconhecidas habitavam as florestas. Entre elas, o Cuco, um astuto e cauteloso pássaro que, com seu cantar, alertava os animais das armadilhas quase sempre fatais da maldosa bruxa. Certo dia, o cuco, fantasiado de estranho forasteiro, chega à casa da bruxa e consegue enganá-la, trocando os animais que ela mantinha em cativeiro por um falso cuco. A vingança da velha não tarda e o pássaro é capturado para sempre. Mesmo assim, ele cuidará da proteção e do destino das criaturas da floresta, saindo de hora em hora da casinha onde foi aprisionado.

As histórias mágicas encantam não só as crianças mas também os adultos. E a Casa do Cuco nos faz entrar neste universo de magia, suspense e tradição, nos conectando com um mundo passado porém atualizado no agora. Este é o mérito dessa obra: dialogar o presente com o passado e o passado com o presente não apenas na narrativa mas nas ilustrações. Assim, este reconto com sua janela na capa, nos transporta para o mundo do faz de conta, nos permitindo saborear cada detalhe a cada página. É uma leitura para se fazer em família, apresentando às crianças uma obra especial.

Sobre a Cássia
Cássia V. Bittens é psicanalista, mestranda em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Foi jurada do Prêmio Jabuti em 2013 a 2016, categoria Psicologia e Psicanálise. Criou em 2013 o programa Literatura de Berço, que reúne famílias com bebês em torno do literário infantil. Como psicanalista, atende a jovens e adultos.

 

 

Dia 25      Os Desequilibristas
Manu Maltez
Peirópolis

+Essa dica é da ilustradora Laurabeatriz. Conheça seu trabalho!

O livro traz uma série de gravuras e desenhos acompanhados de um texto em verso para declamar, de preferência, andando de skate pela cidade. Cantor, compositor, baixista, exímio desenhista, escultor, poeta performático e skatista, Manu Maltez transita entre essas linguagens com vigor e e ousadia. É um trabalho vibrante, diferente e que, na visão do autor, revela um dos movimentos culturais mais interessantes do espaço urbano contemporâneo.

 

Sobre a Laurabeatriz
Laurabeatriz é carioca e artista plástica, participou de várias exposições com pinturas, desenhos e xilogravuras, colabora em revistas, fez crítica de cinema e também trabalhou em publicidade. É casada, tem 4 filhos, 3 netas e 1 neto.

 

 

Dia 24    Pequenos Grandes Contos de Verdade
Oamul Lu e Isabel Malzoni, Editora Caixote

+Essa dica é da Aline Frederico, colunista aqui da Plataforma Brasileirinhos

Dezembro e as festividades de fim de ano são uma época mágica de esperança e renovação. E nada melhor que ler histórias que nos tragam esse espírito de solidariedade e de cuidado com o próximo. Pequenos Grandes Contos de Verdade é um livro-aplicativo com três histórias baseadas em fatos reais que traz a crianças e adultos esses sentimentos bons de esperança e crença de que, com pequeno atos, podemos fazer o mundo um lugar melhor. O aplicativo ganhou o Prêmio Jabuti de melhor publicação infantil digital em 2016 e é voltada a todas as idades.

A primeira história, Bem Agasalhados, fala sobre uma ajuda muito especial para salvar milhares de pinguins afetados por um derramamento de petróleo. A Árvore do Urso é sobre um menino muito empreendedor que, ao visitar o zoológico, percebe quão só e tristonho está o urso. Com muito trabalho e boa vontade ele arruma uma solução para ajudar seu amigo solitário. Pra fechar com chave de ouro o espírito natalino, Feliz Natal conta a história de um menino que se muda pra uma casa nova, mas ao chegar na casa, nota que a chaminé é muito pequena. Como o Papai Noel vai entregar os presentes se não pode passar pela chaminé?

Pequenos Grandes Contos de Verdade permite que o leitor grave sua própria leitura em voz alta. Não tem melhor oportunidade pra fazer os brasileirinhos pelo mundo praticarem a rate de contar histórias em português.

Sobre a Aline
Aline Frederico é pesquisadora e doutoranda em literatura infantil na Universidade de Cambridge e pesquisa livros infantis interativos no iPad. Colabora com o recém-nascido blog Literatura Infantil Digital e coordena o projeto Historinhas em Cambridge de contação de histórias em português. Na Plataforma Brasileirinhos, Aline comanda a coluna High Tech.

 

 

Dia 23    Pedro vira porco-espinho
Janaina Tokitaka
Jujuba

+ A dica de hoje é da incrível Marina Barros, contadora de histórias que percorre o Brasil multiplicando a paixão por livros

Eu me apaixonei por esse livro desde a primeira vez que o vi. Pedro é um menino que como todos nós, um dia acorda de mau-humor, fica bravo porque é contrariado ou não aceita o erro dos outros. A cada aborrecimento, ele se transforma um pouco mais em porco-espinho até que algo acontece e ele desvira rapidinho. O livro tem ilustrações divertidas e os canto das páginas são arredondados. É um livro gostoso de ler, indicado para crianças de 0 a 150 anos. Afinal, todo mundo vira porco-espinho.

 

Que tal discutir com as crianças de onde vêm as emoções? Do que se alimenta a raiva? Por que estamos calmos e de repente – pum – não estamos mais? A autora Janaina Tokitaka conta a história de Pedro, um menino comum que vai levando a vida em suas rotinas de criança. Porém, quando uma dessas coisas não acontece como ele espera, Pedro vira porco-espinho. Com uma metáfora sutil e divertida sobre as transformações do humor e as sensações que experimentamos na vida – que muitos pais podem chamar de “birra” ou “manha” – o livro convida o pequeno leitor a refletir sobre a origem dos sentimentos.

Sobre a Marina
Contadora de história, escritora e palestrante, já se apresentou para mais de 40.000 pessoas em 3 países. Atuando há 17 anos no teatro, aproveitou a experiência como atriz e utiliza o lado lúdico para despertar o interesse da criança de 0 a 100 anos em ouvir histórias e se emocionar. Criadora e apresentadora do Programa Brinque-Book conta histórias com Marina Bastos, no YouTube. É Palestrante de Storytelling – Como contar histórias em empresas e ministra workshop para professores. Formada em publicidade, atuou em 17 espetáculos e apresentou o programa Vitrine SP. Em 2014 foi palestrante do 2º Ciranda de Histórias no SENAC e representou o Brasil no Festival Internacional de Narración Oral del Perú. Em 2015 esteve novamente no Peru e também no Festival da Colômbia.

 

 

Dia 22    Por quê?
Nikolai Popov
Editora Ática

A dica de hoje é dada pelo premiado autor Ilan Brenman. Ele faz um programa na rádio CBN que você pode ouvir aqui.

 

 

 

 

Sobre o Ilan
Ilan Brenman é considerado um dos principais escritores de literatura infantil do Brasil recebendo o prêmio pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil) de Melhor Livro pra Criança de 2011, pelo livro “O Alvo”, Ed Ática. Mestre e Doutor pela faculdade de Educação da USP. Ele publicou mais de 70 livros, ganhou diversos prêmios e é um dos autores brasileiros de literatura infantil mais traduzidos no exterior: Alemanha, França, Itália, Suécia, Dinamarca, Polônia, Portugal, Espanha, México, Argentina, China e Coreia. Em 2014 e 2015 estreou dois boletins semanais na Rádio CBN falando sobre Educação e Literatura. Ilan é autor do best-seller internacional: “Até as Princesas Soltam pum.’, editora Brinque.Book, ilust.Ionit Zilberman.

 

 

Dia 21    Flávia e o Bolo de Chocolate
Miriam Leitão & Bruna Assis Brasil
Rocco Pequenos Leitores

+Essa dica é da Profa. Clara Neto Andersson que além de ensinar português e outras línguas na Suécia, conta histórias deliciosas.

Este livro aborda questões como adoção e preconceito racial. A autora mostra claramente que não tem interesse de questionar o motivo da adoção e que o que vale é o amor.
Rita, “uma mulher muito boa, especial, andava triste”. Não conseguira ter filhos e por isso, decide adotar. Ver aquele sorriso foi suficiente para ter certeza de que queria cuidar daquele ser lindo, não importando a cor marrom do bebê. A questão foi simples, natural. Ela queria ser mãe.

A escritora narra de maneira agradável e lúdica os questionamentos da menina Flávia, que em determinado momento, começa a perceber a diferença entre ela e a mãe. Certo dia diz que não gosta de sua cor marrom e de nada dessa cor. Queria ser branca. A mãe a convence de que o mundo é feito de diferentes cores, pessoas, flores e sabores. Que ser diferente é normal e o que conta é que cada um deve gostar de si do jeito que é. Através de animadas e belas ilustrações, a historinha fica muito mais divertida. A mensagem é muito legal pois valoriza a diferença e a autoimagem da criança.

Sobre a Clara
A Clara é licenciada em Letras (Português/Inglês) pela Universidade Federal de Pernambuco, 1992. Graduada em Língua Espanhola e Pedagogia pela Universidade de Göteborg, 2007, tem Certificado Oficial de Professora de Português e Espanhol emitido pela Agência Nacional de Educação da Suécia ( Skolverket- 2012) válido no Ensino médio e Fundamental na Suécia. Em 2015 deu início à primeira Biblioteca Infantil de Livros em Português em Gotemburgo, na Associação Brasil Suécia, da qual é a atual presidente. Recebeu apoio da Embaixada do Brasil em forma de doação de livros. Desde então vem fazendo “contação de estorinhas”em português para as crianças brasileiras e também na Biblioteca Municipal de Gotemburgo.

 

 

Dia 20    Orlando e o rinoceronte
Alexandra Lucas Coelho
Alfaguara

+ A dica de hoje é de Regina Barbosa, médica apaixonada pela literatura e cultura de língua portuguesa. Ela é fundadora da OCA Asbl que desenvolve seu trabalho na Bélgica.

Alexandra Lucas Coelho é jornalista e escritora portuguesa com inúmeros títulos, como E a noite roda, Meu amante de domingo, Deus Dará, entre outros publicados e traduzidos para várias línguas. Orlando e o Rinoceronte é seu primeiro infantil e dá início a uma série. Orlando é um menino de 8 anos como muitos dos dias de hoje: filho de pais separados, com guarda compartilhada, de um mãe bailarina ruiva e um pai músico guineense (Guiné Bissau). Ele possui uma “carapinha” (cabelos crespos de negros) ruiva. Um distúrbio de fala lhe faz trocar os “L” pelos “U”- ele diz Oruando ao invés de Orlando. Suas falas “erradas” vêm marcadas em vermelho.

Tem um tio viajando pelo Brasil, com o qual se comunica por Skype assim como com o pai que está viajando a trabalho. Por conta de uma carta em papel que recebe do pai que está na Rússia, enviada com um selo de rinoceronte, se inicia toda uma história na qual a curiosidade de Orlando viaja e sonha com o rinoceronte mais famoso do mundo: Ganda – o rinoceronte indiano que foi dado de presente a Afonso de Albuquerque, então Vice-rei da Índia, que não pôde ficar em Lisboa e naufragou a caminho de Roma.

A história se desenvolve por meio de aprendizados via Skype, com o tio “especialista em rinocerontes” sobre o passado histórico das colonizações Portuguesas, passeia pelos seus sonhos, enquanto ele resolve seu enorme “problema” com as tabuadas e com a menina Cláudia, a vizinha de sua mãe, que acaba indo estudar na sua escola. “Ela passa o tempo a perseguir-me, e é muito mais nova, acabou de fazer 7 anos”.

O livro é brilhante na sua linguagem simples e acessível às crianças, delicado, pontuando as semelhanças do quotidiano das crianças de todo mundo, como a mistura de raças, a história da colonização de Portugal e suas colónias pelo mundo, da diferença de conviver com as meninas, tão difícil nessa idade, e fala um pouco sobre tudo aquilo que uma criança deveria compreender, para poder viver com menos preconceito, numa melhor relação com o outro e com as diferenças no mundo, além de se aprender ludicamente, um pouco sobre a história de Portugal. Linda história para leitores entre 8 e todos os anos.

Sobre a Regina
Regina é médica com especialização em ginecologia e obstetrícia. Aposentada mudou-se para a Bélgica em 2006 onde exerceu atividades voluntárias difundindo-a cultura brasileira. Em 2008 criou a biblioteca Ciranda de Livros em Português e, desde então, fundou a Oca Asbl, premiado pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) em 2011.

 

 

Dia 19    Ana, Guto e Gato Dançarino
Stephen Michael King
Brinque-Book

+Essa dica é da Cristina Marrero, autora da coluna Lendo, aqui na Plataforma Brasileirinhos

Esse é um daqueles livros que prendem pela beleza e doçura das palavras e imagens. Escrito e ilustrado por Stephen Michael King e traduzido para o português por Gilda de Aquino, o livro nos apresenta a Ana, uma menina criativa e com muita imaginação que adora fazer coisas diferentes usando objetos descartados ou esquecido pelos moradores da cidade. Mas ninguém ligava muito para as invenções de Ana. Então ela deixou de criar e só fazia coisas simples e conhecidas até o dia em que Guto e o Gato Dançarino chegaram à cidade. Com os olhos de artistas eles viram em Ana uma grande companheira. Entre danças, cores e novas ideias os três descobrem a amizade e a alegria de criar novas formas sem medo de ousar e ser livre para viver feliz respeitando o jeito de cada um.

Sobre a Cristina
Cristina ama literatura infantojuvenil e por isso, faz as aventuras, descobertas e fantasias chegarem até você através de dicas e reviews de livros. Cristina é diretora da Biblioteca Infanto-juvenil Patricia Almeida, um departamento da Brasil em Mente.

 

 

Dia 18    A caligrafia da Dona Sofia
André Neves
Paulinas

+Essa dica é da educadora e contadora de histórias Gabriela Teixeira que realiza um fantástico trabalho na Suécia.

Dona de uma bela caligrafia, Sofia adora os livros e poesia. Por este motivo resolveu decorar todos os cantos de sua casa com trechos de seus poemas favoritos. Segundo Dona Sofia, as poesias não devem ser esquecidas. Os anos foram passando e Dona Sofia percebe que os espaços nas paredes já não existem mais e ela não tem como escrever. Para não deixar que as poesias se percam, ela tem a brilhante ideia de oferecer poesia a todos na cidade como se oferece uma flor. Para esta tarefa, ela conta com seu grande amigo, o carteiro Ananias, o único carteiro da cidade. Dona Sofia e Seu Ananias distribuem cartões poéticos, cheios de amor, saudade, sonhos, por toda a cidade. O autor e ilustrador André Neves surpreende e emociona os leitores com esta obra que, com toda certeza, é um tesouro da literatura infantojuvenil brasileira. Um trabalho rico, que transborda bons sentimentos, tanto pelas delicadas e poéticas ilustrações quanto pelo texto inspirador, recheado de belos poemas.

Sobre a Gabriela
Gabriella Teixeira é jornalista, professora de português como língua de herança, mamãe do Matheus e da Lara. É apaixonada por literatura infantil e livros e em 2015 iniciou o projeto Cantinho da História na Suécia. Tudo começou com uma ideia despretensiosa e muita paixão: queria oferecer a seus alunos atividades extras em português, onde eles pudessem praticar a língua materna de maneira descontraída. Apresentou a proposta para duas bibliotecas em Estocolmo e, com sua família, segue realizando voluntariamente contações em diversas bibliotecas de Estocolmo e na Stadsbibliotek em Uppsala. Todos são bem-vindos independente da variante de português – o que nos une é o amor pelas nossas origens e pela língua portuguesa. Não deixem de conferir fotos e todas as fantásticas histórias que já passaram pelo Cantinho de Histórias.

 

 

Dia 17    A menina que parava o trânsito
Fabricio Valério / Bruna Assis
V & R Editora

+ Essa dica é da Rosana Sanford, fundadora do programa Histórias e Cantigas Brasileiras, ganhador do Prêmio PLH 2017

Assista, aqui.

 

 

Sobre a Rosana
Rosana Sanford é paulistana, graduada em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e imigrou para os EUA em 2001. Rosana lecionou português e inglês como línguas estrangeiras em New Jersey e New York City, e, durante 5 anos, foi professora assistente em uma escola bilíngue francesa de San Francisco. Hoje, ela se dedica à sua família e vive em South San Francisco com seu esposo e duas filhas. O projeto Histórias e Cantigas Brasileiras – SSF Library foi premiado em 2017 pela Brasil em Mente na categoria projeto. Histórias e Cantigas Brasileiras – SSF Library é o primeiro projeto de promoção do português como língua de herança sediado semanalmente em uma biblioteca pública americana. As atividades são voltadas a crianças de 0 a 5 anos de idade e acontecem às terças-feiras, 10h30, na Grand Ave Public Library em South San Francisco. Rosana Sanford é a coordenadora voluntária do projeto.

 

 

Dia 16    Uma Casa Sonolenta
Audrey Wood
Editora Ática

+ A dica desse livro é da educadora e contadora de histórias Patricia da Paz, que desenvolve seus trabalhos em New Jersey, EUA.

Pensem num livro gostoso de contar e que faz todo mundo participar! Uma Casa Sonolenta, com ilustrações de Don Wood e tradução de Gisela Maria Padovan, é um desses livros que faz a gente querer tirar uma soneca, mas nem tanto. Enquanto todos os moradores da casa e outras criaturinhas tiram um delicioso cochilo, com direito a chuvinha mansa do lado de fora, uma pulga chega para mudar todo o cenário.
O livro, que tem uma narrativa acumulativa, é como uma parlenda e pode ser bem acompanhado com a música A Velha a Fiar no final da leitura. Tudo vira brincadeira com essa leitura que é bem conhecido por crianças nos EUA já que o título original, The Napping House, é popular nas livrarias e escolas locais. Traduções como essa são excelentes ferramentas para quem está começando a desenvolver o vocabulário em português, pois além das crianças já conhecerem o conteúdo do livro em sua língua local, as palavras em português são repetidas várias vezes ajudando na memorização.

Sobre Patricia
Patricia é formada em letras e mora em Nova Jersey com sua família.Em 2015, ela iniciou um projeto de leitura de livros em português na biblioteca pública de Princeton para crianças de 0-5 anos. Durante o encontro mensal, as crianças ouvem histórias, aprendem cantigas e emprestam livros que foram doados por pais, amigos e autores brasileiros. Para saber mais sobre o projeto Ciranda da Leitura, visite a página da iniciativa Vitamina Brasil no Facebook.

 

 

Dia 15    Um abraço passo a passo
Tino Freitas / Jana Glatt
Panda Books

Os primeiros passos são uma das maiores conquistas de um bebê, sendo celebrados por todos aqueles que têm o o privilégio de presenciar esse instante mágico. Nesse livro, entre um verso e outro, Tino Freitas brinca construindo rimas para cada uma das etapas que preparam o pequeno protagonista para caminhar com desenvoltura e autonomia.Primeiro hesitante, pé ante pé, como uma formiga. Depois, salitante como uma rã e em seguida, embalado como um avestruz.

Cada momento é sempre acompanhado com espanto e alegria por algum familiar. Todos aguardando, ansiosamente, o momento da corrida em direção a um delicioso abraço. As ilustrações de Jana Glatt brincam com a contagem dos passos e com as referências feitas a cada um dos animais citados no texto, desafiando o pequeno leitor a descobrir os enigmas escondidos nas divertidas imagens.

O conteúdo deste texto é exclusivo do site A Taba.

Sobre a Denise
Denise Guilherme é Mestre em Educação, formadora de professores e consultora na área de projetos de leitura. Desde cedo, apaixonada por palavras ditas e escritas. Descobriu nos livros um caminho para entender a si mesma e aos outros. E ficou tão encantada com o que viu que decidiu compartilhar com o mundo.
Sobre a Taba
A Taba é uma empresa especializada em curadoria de livros infantis e juvenis. Nossa equipe é formada por um grupo independente de especialistas em literatura infantil e juvenil, professores, pais, bibliotecários e contadores de histórias com um único objetivo: formar uma aldeia, um coletivo de pessoas que vive e experimenta leituras.

 

 

Dia 14    Abrapracabra
Fernando Vilela
Brinque-Book

+Essa dica é da educadora e contadora de histórias Gabriela Teixeira que realiza um fantástico trabalho na Suécia.

Uma viagem fantástica pelo mundo através das peripécias de uma cabrinha muito querida. O livro conta a história de uma cabra que um dia, ao caminhar perto de sua casa, encontra uma lâmpada mágica e tem a possibilidade de realizar todos os seus desejos. Cansada de sua vida tranquila no sertão do nordeste brasileiro, a cabra deseja viajar pelo mundo e vai parar em lugares bem diferentes como Polo Norte, Egito e outros mais. Em cada um dos lugares a cabrinha faz novos amigos e vive muitas aventuras. Fernando Vilela escreve um texto muito legal, praticamente cantado, cheio de melodia, rimas, divertido e seguido por suas ilustrações alegres, de muitas cores, com a cara do Brasil. Um livro adorável que você irá ler e reler muitas vezes.

Sobre a Gabriela
Gabriella Teixeira é jornalista, professora de português como língua de herança, mamãe do Matheus e da Lara. É apaixonada por literatura infantil e livros e em 2015 iniciou o projeto Cantinho da História na Suécia. Tudo começou com uma ideia despretensiosa e muita paixão: queria oferecer a seus alunos atividades extras em português, onde eles pudessem praticar a língua materna de maneira descontraída. Apresentou a proposta para duas bibliotecas em Estocolmo e, com sua família, segue realizando voluntariamente contações em diversas bibliotecas de Estocolmo e na Stadsbibliotek em Uppsala. Todos são bem-vindos independente da variante de português – o que nos une é o amor pelas nossas origens e pela língua portuguesa. Não deixem de conferir fotos e todas as fantásticas histórias que já passaram pelo Cantinho de Histórias.

 

 

Dia 13    Drufs
Eva Furnari
Editora Moderna

A dica de hoje é dada pelo premiado autor Ilan Brenman. Ele faz um programa na rádio CBN que você pode ouvir aqui.

 

 

 

 

Sobre o Ilan
Ilan Brenman é considerado um dos principais escritores de literatura infantil do Brasil recebendo o prêmio pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil) de Melhor Livro pra Criança de 2011, pelo livro “O Alvo”, Ed Ática. Mestre e Doutor pela faculdade de Educação da USP. Ele publicou mais de 70 livros, ganhou diversos prêmios e é um dos autores brasileiros de literatura infantil mais traduzidos no exterior: Alemanha, França, Itália, Suécia, Dinamarca, Polônia, Portugal, Espanha, México, Argentina, China e Coreia. Em 2014 e 2015 estreou dois boletins semanais na Rádio CBN falando sobre Educação e Literatura. Ilan é autor do best-seller internacional: “Até as Princesas Soltam pum.’, editora Brinque.Book, ilust.Ionit Zilberman.

 

 

Dia 12    Bolinho de Chuva e outras miudezas
Paulo Netho
Editora Peirópolis

+Essa dica é do autor Lalau. Conheça seu trabalho!

Quem avisa amigo é: neste livro só tem palavras de voar e conversas de mergulhar. Bolinho de chuva começa assim e traduz tudo o que vem pelas páginas á frente: surpresa, delicadeza, sorriso na alma, casa da gente, memórias, ventinho batendo no coração. Paulo Netho é um apaixonado pela poesia. E desfila essa paixão por vários e deliciosos poemas feitos do jeito simples e emocionante que só ele sabe fazer.

 

 

Sobre o Lalau
Lalau é paulista e poeta, trabalhou como redator em agências de propaganda, escreveu contos e crônicas, publicados em alguns jornais e revistas, foi roteirista de teatro amador, entre outras atividades. Casado, 1 filho.

 

 

Dia 11    O lagarto
José Saramago / J. Borges
Companhia das Letrinhas

Escrito pelo autor português José Saramago foi ilustrado pelo brasileiro José Borges. E por que esse livro? Saramago é o maior autor português – o único de língua portuguesa que ganhou um Nobel de Literatura. José Borges é o mais conhecido cordelista e artista de xilogravura no Brasil e no mundo. A união dos dois gerou esse lindo livro, uma nova edição de uma crônica de Saramago de 1972 do livro A bagagem do viajante. Foi lançado em 2016 na FOLIO (Festival Literário Internacioal de Óbidos, Portugal) como um livro para todas as idades pela Fundação José Saramago com uma exposição das serigrafias e ilustrações de Borges.

Conta a história do aparecimento de um lagarto no Chiado, bairro da cidade de Lisboa, que mobilizou a atenção e o medo de todos os transientes – a policia, o exército, a aviação e formou-se uma confusão. Após se iniciar o ataque de todas as forças armadas, por interferência das fadas, o monstro se transformou em flor, uma rosa rubra, depois branca, e finalmente voou em formato de uma pomba da Paz. O conto termina em poema:

Calados muitos recordam
Na prosa das suas casas
O lagarto que era rosa
aquela rosa com asas

Há por ai quem não acredite eu bem dizia
Isso de fadas já não o é o que era!

Parece que Saramago estava “antecipando” em premonição a Revolução dos Cravos em 25 de abril de 1974. Por meio desse livro, o educador pode trabalhar várias questões com várias idades. A cada um virá uma leitura e uma interpretação.

Sobre a Regina
Regina é médica com especialização em ginecologia e obstetrícia. Aposentada mudou-se para a Bélgica em 2006 onde exerceu atividades voluntárias difundindo-a cultura brasileira. Em 2008 criou a biblioteca Ciranda de Livros em Português e, desde então, fundou a Oca Asbl, premiado pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) em 2011.

 

 

Dia 10    Batata Chaca, Chaca
Yara Kono
Planeta Tangerina

+ Esta dica é da Patricia Sheld, uma artista plástica apaixonada pela literatura. Ela desenvolve um trabalho de leituras em português lá na Alemanha.

O livro é um convite a cozinhar. Os leitores podem mesmo botar a mão na massa e cozinhar enquanto lêem ou somente imaginar e brincar com os sons dos cortes, dos barulhos da cozinha e imaginar o gosto das comidas. Mas confesso, depois da leitura acho muito difícil não querer ir para a cozinha e botar na prática o que foi “feito” com o livro. Sim, feito, porque o livro é interativo. Quando lemos, fazemos os barulhos, misturamos os ingredientes e despejamos eles de um lado da página para a tigela na outra página, e muito mais. Um livro muito divertido!

Sobre a Patricia
Sou ilustradora e produtora, mas gosto mesmo mesmo é de viajar! E quando não dá para viajar, assim de avião ou trem, viajo nos livros… Viajei por áreas administrativas durante 16 anos de minha vida, e descobri no final que nasci mesmo é para a arte e ao invés de ficar sonhando, resolvi botar a mão na massa. Cheguei em Portugal e por lá estudei arte, direção artística e ilustração. Com minhas ilustrações, virei a Patycake. Fui para a Ásia, estudei Design Gráfico e tive o prazer de desenhar para as crianças por lá, inclusive um lindo Ganesha para o Museu Nacional de Bangkok e um logo divertido para o Zoológico da cidade. Voltei ao Brasil e inaugurei minha Galeria de Ilustração, a Cake, em Porto Alegre. Hoje estou na Alemanha, onde já organizei algumas exposições de ilustração, uma no Struwwelpeter Museum em Frankfurt, o Museu do primeiro livro infantil no Mundo. Trabalho no Museu de Wiesbaden. Recebo sempre muitas crianças e me divirto muito com elas. Faço leituras infantis que adoro, e claro, continuo ilustrando.

 

 

Dia 9    Flicts
Ziraldo

+Essa dica é da Samira Almeida, co-fundadora da Story Max, uma produtora de livros digitais e app books.

O Flicts, escrito por Ziraldo em 1969, marcou gerações com sua leveza e bom humor para trazer à tona a discussão sobre as diferenças com os pequenos e mostrar que todos têm seu lugar no mundo.
Flicts já está disponível como app também! Nele você e seu pequeno podem ler, ouvir a narração, interagir com as cores, desenhar e brincar com as animações… É diversão garantida!
IOS e Android.

Sobre a Samira
Samira Almeida é editora, pesquisadora, mediadora de leitura e empreendedora social, co-fundadora da StoryMax – uma publicadora de livros digitais interativos em tablets e smartphones. Tem mais de uma década de experiência no mercado tradicional de publicações e, como pesquisadora em Educomunicação (mídia, tecnologia e espeaços educativos) pela USP, pesquisa inovação em literatura infantojuvenil, além de atuar como mediadora de leitura numa escola pública paulistana. Desde que começou a StoryMax, já publicou 8 app books e tem recebido os prêmios mais relevantes no Brasil e pelo mundo, nos campos de leitura, educação e impacto, como Prêmio Jabuti de Literatura, ComKids Prix Jeunesse Iberoamericano, Selo da Cátedra Unesco de Leitura, Opening-up Reading Digital Fiction UK e outros.

 

 

Dia 8     Nautilus – “Vinte Mil Léguas Submarinas”
Júlio Verne
Storymax

+Essa dica é da Aline Frederico, colunista aqui da Plataforma Brasileirinhos

Nautilus, a versão digital adaptada do clássico Vinte Mil Léguas Submarinas, é uma ótima opção de leitura para adolescentes e pré-adolescentes nesse Natal. Essa aventura de ficção científica é um texto eletrizante sobre a exploração do fundo do mar, unindo ciência, tecnologia e muita curiosidade. Muitas invenções criadas por Verne nessa obra não existiam na época em que o texto foi escrito, mas se tornaram realidade desde 1870, quando o livro foi publicado pela primeira vez.

A história ganha vida com ilustrações animadas e um sistema de navegação do texto que leva o leitor em diferentes direções, dando a sensação de estar no submarino, deslizando pelo fundo do oceano. Nautilus ainda apresenta muitas informações interessantes sobre o autor e a obra.

O aplicativo ganhou o Prêmio Jabuti de melhor publicação infantil digital em 2017 e o download é gratuito. Leitores fluentes em português podem ler por conta própria, mas há ainda a opção de ter o texto narrado, ótimo para leitores do português como língua de herança em desenvolvimento, independente da idade. Também é ótimo para leitura compartilhada, uma vez que a história pode hipnotizar leitores jovens e adultos igualmente.

Sobre a Aline
Aline Frederico é pesquisadora e doutoranda em literatura infantil na Universidade de Cambridge e pesquisa livros infantis interativos no iPad. Colabora com o recém-nascido blog Literatura Infantil Digital e coordena o projeto Historinhas em Cambridge de contação de histórias em português. Na Plataforma Brasileirinhos, Aline comanda a coluna High Tech.

 

 

Dia 7    Outros jeitos de usar a boca
Rupi Kaur

+Essa dica é da Cristina Marrero, autora da coluna Lendo, aqui na Plataforma Brasileirinhos

E as minhas meninas cresceram… As leituras agora são diferentes e cada uma descobre o que agrada mais nesta nova fase. Já não escolho os livros, mas de vez em quando dou uma sugestão. O livro de Rupi Kaur é uma leitura que considero importante em muitos aspectos. Traduzido para o português por Ana Guadalupe, é um livro de poesias, um genêro bastante difícil de ler até mesmo para quem adora literatura, mas Rupi Kaur consegue numa linguagem simples atingir a profundidade e a essência poética. Alguns poemas não passam de cinco linhas e no entanto esse espaço é suficiente para dizer o que muitos dos seus leitores já sentiram ou sentem. O livro está dividido em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Ela passeia pela alma feminina e fala abertamente sobre violência, medo, feminismo, amor. O livro é honesto, verdadeiro, delicado e forte. Uma amiga me recomendou e eu continuo passando a recomendação para minhas filhas, irmãs, amigas e conhecidos não apenas porque acho o livro lindo mas necessário. A poesia de Rupi Kaur acolhe, abraça a sororidade e se estende no respeito, no amor e na celebração de ser mulher.

Sobre a Cristina
Cristina ama literatura infantojuvenil e por isso, faz as aventuras, descobertas e fantasias chegarem até você através de dicas e reviews de livros. Cristina é diretora da Biblioteca Infanto-juvenil Patricia Almeida, um departamento da Brasil em Mente.

 

 

Dia 6    A Ovelha Negra da Rita
Silvana de Menezes
Editora Cortez

+Essa dica é da Profa. Clara Neto Andersson que além de ensinar português e outras línguas na Suécia, conta histórias deliciosas.

A melhor amiga da Rita é uma ovelha negra! Sim, uma ovelhinha nascida em meio a irmãs branquinhas! Juntas elas fazem muitas coisas, exploram o mundo e se divertem à beça. A vida é cheia de aventuras! Não importa a estação do ano, elas dividem suas alegrias e tristezas.

Certo dia, a Rita ficou doente e não apareceu mais para brincar com a ovelha negra. Preocupada,
a ovelha negra vai até a casa da Rita e descobre que ela está doente. Muito triste, ela resolve preparar uma surpresa para Rita que é a sua melhor amiga. Então, a ovelha negra junto com as ovelhas brancas encontram uma solução que vai sensibilizar os pequenos e grandes leitores. Este livro (sem texto) é de ilustrações belíssimas e muito emocionantes que encantam adultos e crianças. É uma linda história de amizade, companheirismo, amor e solidariedade.

Sobre a Clara
A Clara é licenciada em Letras (Português/Inglês) pela Universidade Federal de Pernambuco, 1992. Graduada em Língua Espanhola e Pedagogia pela Universidade de Göteborg, 2007, tem Certificado Oficial de Professora de Português e Espanhol emitido pela Agência Nacional de Educação da Suécia ( Skolverket- 2012) válido no Ensino médio e Fundamental na Suécia. Em 2015 deu início à primeira Biblioteca Infantil de Livros em Português em Gotemburgo, na Associação Brasil Suécia, da qual é a atual presidente. Recebeu apoio da Embaixada do Brasil em forma de doação de livros. Desde então vem fazendo “contação de estorinhas”em português para as crianças brasileiras e também na Biblioteca Municipal de Gotemburgo.

 

 

Dia 5    Conversas da Menina com o Mundo
Rafael Presto
Conecta Brasil

+Essa dica é da educadora Luzia Tanaka que promove o português como Língua de Herança lá no Japão. Conheça um pouco do trabalho dela.

Um lindo livro de 25 contos que mostram a trajetória de uma menina caminhando pelo mundo e conversando com as coisas, animais, plantas e objetos. Entre um e outro encontro e conversas constrói seus saberes e vivências.

No conto final ela tem um diálogo com o mundo e diz para ele:“- Sim, você tem razão. Eu sei que ainda vou me machucar outras vezes nos passos do meu caminho. Mas Mundo, as coisas não são feitas só de dor e tristeza. Ás vezes, em alguns momentos, sobram também alegrias, gestos de amizade, jeitos de amor.”
Um livro para ser lido por todos!

Sobre a Luzia
Com formação em Educação Artística pela FAAP e Pedagogia UFMT – acordo Brasil/Japão – vem estudando o Português como Língua de Herança (PLH) nos cursos de formação continuada da Brasil em Mente desde 2014.Tradutora e intérprete, trabalha como voluntária na comunidade brasileira e escolas japonesas, atendendo crianças brasileiras de Osaka, Japão. Sua maior paixão e dedicação é o trabalho que desenvolve com as crianças e jovens de Osaka nas oficinas de PLH no Projeto Construir ARTEL, que tem como objetivo não só trabalhar a língua e a cultura brasileira, mas a de refletir sobre si e suas origens, e conquistar a sua autonomia.

 

 

Dia 4    O Guardião da Floresta e outras histórias que você já deve conhecer
Heloisa Prieto e Laurabeatriz
Brinque Book

+Essa dica é da ilustradora Laurabeatriz. Conheça seu trabalho!

Neste belo livro, a autora e a ilustradora propõem novas leituras de contos clássicos como Chapeuzinho Vermelho, Os três porquinhos, o Gato de botas, entre outros. Leitores jovens, ou nem tanto, irão se surpreender com as versões aqui apresentadas, que mantêm o espírito das histórias tradicionais ao mesmo tempo em que atualizam seus contextos.

 

 

Sobre a Laurabeatriz
Laurabeatriz é carioca e artista plástica, participou de várias exposições com pinturas, desenhos e xilogravuras, colabora em revistas, fez crítica de cinema e também trabalhou em publicidade. É casada, tem 4 filhos, 3 netas e 1 neto.

 

 

Dia 3    Tudo bem ser diferente
Todd Parr
Editora Panda Books

+A dica desse livro é da educadora e contadora de histórias Patricia da Paz, que desenvolve seus trabalhos em New Jersey, EUA.

Um livro super colorido, engraçado, fofo e inspirador para falarmos sobre as nossas diferenças e aquilo que faz de nós únicos. O autor, e também ilustrador, Todd Parr usa exemplos de pessoas, animais e aliens com características diferentes para mostrar que não tem problema não sermos todos iguais. O importante é sermos quem somos!

Tudo Bem Ser Diferente abre uma janela para conversa e reflexão sobre amor próprio, aceitação e respeito aos outros – tópicos importantes quando discutimos a identidade das crianças nascidas e/ou criadas fora do Brasil. O assunto dá espaço para elas criarem novas falas e recriarem o livro com seus próprios exemplos e ilustrações do que é ser diferente dentro do seu contexto social. Porque, afinal de contas, tudo bem falar uma, duas ou mais línguas em casa. Tudo bem ter um sotaque engraçado e amar arroz e feijão.

Sobre Patricia
Patricia é formada em letras e mora em Nova Jersey com sua família.Em 2015, ela iniciou um projeto de leitura de livros em português na biblioteca pública de Princeton para crianças de 0-5 anos. Durante o encontro mensal, as crianças ouvem histórias, aprendem cantigas e emprestam livros que foram doados por pais, amigos e autores brasileiros. Para saber mais sobre o projeto Ciranda da Leitura, visite a página da iniciativa Vitamina Brasil no Facebook.

 

 

Dia 2    Festa no meu jardim
Marcos Bagno e Lúcia Hiratsuka
Editora Positivo

+ Essa dica é da Rosana Sanford, fundadora do programa Histórias e Cantigas Brasileiras, ganhador do Prêmio PLH 2017

Assista, aqui.

 

 

 

Sobre a Rosana
Rosana Sanford é paulistana, graduada em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e imigrou para os EUA em 2001. Rosana lecionou português e inglês como línguas estrangeiras em New Jersey e New York City, e, durante 5 anos, foi professora assistente em uma escola bilíngue francesa de San Francisco. Hoje, ela se dedica à sua família e vive em South San Francisco com seu esposo e duas filhas. O projeto Histórias e Cantigas Brasileiras – SSF Library foi premiado em 2017 pela Brasil em Mente na categoria projeto. Histórias e Cantigas Brasileiras – SSF Library é o primeiro projeto de promoção do português como língua de herança sediado semanalemnte em uma biblioteca pública americana. As atividades são voltadas a crianças de 0 a 5 anos de idade e acontecem às terças-feiras, 10h30, na Grand Ave Public Library em South San Francisco. Rosana Sanford é a coordenadora voluntária do projeto.

 

 

Dia 1    OPS
Marilda Castanha
Relançamento previsto para 2018

+Essa dica é da Cássia Maria Bittens, idealizadora e coordenadora do projeto Literatura de Berço

O menino derruba o sorvete no chão, chuta a bola e quebra o vidro da janela, voa no balanço pra frente e pra trás e… Oooops! Neste livro de uma palavra só, Marilda Castanha propõe às crianças pequenas um exercício de observação e descobertas. Ilustrado em cores vivas, cada página dupla traz uma situação diferente de “ops”, de cenas desastradas a enganos que cometemos no dia a dia, como abrir um livro de cabeça para baixo. Para não leitores perspicazes e curiosos..
Um livro ilustrado para crianças, principalmente para bebês, que brinca com a sonoridade e cenas do dia a dia e tem a grafia do OPS como imagem. OPS, caiu! OPS, virou. Despretensiosamente, a autora convida à reflexão do engano, situação comum no universo infantil que desbrava a própria  vida, testando e retestando hipóteses no cotidiano. Também lembra a nós adultos quão naturais e universais são estas cenas. Vale notar que o livro é cartonado, com bordas arredondadas excelente para o manuseio autônomo do bebê.

Sobre a Cássia
Cássia V. Bittens é psicanalista, mestranda em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Foi jurada do Prêmio Jabuti em 2013 a 2016, categoria Psicologia e Psicanálise. Criou em 2013 o programa Literatura de Berço, que reúne famílias com bebês em torno do literário infantil. Como psicanalista, atende a jovens e adultos.

© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe sempre com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

Mais PLH em 2017

Felicia Jennings-Winterle
Janeiro de 2017

Para começar 2017 com o pé direito, você se propôs a fazer coisas mirabolantes, não foi mesmo? Perder peso, reconectar com aquela pessoa especial, economizar os tubos para fazer um cruzeiro e quem sabe até, aprender a falar francês. E se você é mãe/pai de brasileirinho e mora no exterior, provavelmente pensou: “nesse ano vou apostar no português aqui em casa”, não pensou?

Você se deu conta, por uma razão ou por outra, que essa não é uma língua inútil, afinal, todas as línguas devem ser valorizadas; que o português como língua de herança é também um investimento; que mãe, pai, avós, escola, comunidade – todo mundo tem um papel; e que há inúmeros benefícios em fazer da sua uma família bilíngue.

bem_blog_eb3

Mas, será que dá certo mesmo? Será que vale a pena? Ou será que essa é só mais uma resolução inatingível? As respostas a essas questões vão depender de muitos fatores, mas especialmente, de você e sua atuação (se você quiser ter um gostinho do que o seu futuro pode ser, veja aqui).

Nesse ano vou (começar a) apostar no português aqui em casa
Se a sua resolução foi “nesse ano vou apostar (ainda mais) no português aqui em casa”, pule para o próximo ítem.

Você já se sentiu atormentada(o) por algumas (ou todas) das questões a seguir? Então, primeiro, vamos resolvê-las!

bem_blog_eb1

E agora, se sente melhor? Já conversou com outros pais que educam crianças bilíngues? Atenção: só faça isso depois de fazer as suas próprias reflexões. Pense sobre suas intenções nessa “aposta no português”? Coloque-as no papel. Responda a si mesma(o):  O que é uma herança? O que significa transmitir uma herança cultural? Por que é importante para você que o seu filho fale português? Por que seria importante para ele? Você quer que ele fale ou que fale e escreva? Deseja que o português seja uma vantagem no presente ou no futuro também? 

+ Não sabe por onde começar ou como continuar? Converse conosco. Oferecemos consultoria para pais, iniciativas e escolas. Veja, aqui.

 

Nesse ano vou apostar (ainda mais) no português aqui em casa

bem-blog_eb2

Para começar com o pé direito, tire proveito dos diversos recursos que hoje existem a seu dispor. As mídias sociais, por exemplo, estão cheias de grupos de pais bilíngues. Filtrando o que não lhe serve, especialmente a negatividade de alguns pais que se candidatam a especialistas, há sim muita dica bacana.

Invista em material de qualidade, em livros o r i g i n a i s, nada copiado ou em PDF pego na internet, em apps, músicas e jogos que tenham boas reviews. Invista também em orientação, em reciclagem. Faça o programa de formação da BEM e/ou no programa de consultoria que oferecemos. Leia, reflita, prepare-se. Planejamento é primordial nessa prática (em casa ou em uma iniciativa).

Faça da sua teoria a sua prática. Quem sabe você ainda não tem uma teoria, ou não sabe que tem uma. Mas, como perguntei em um outro post, o quão útil é essa língua na vida de seus filhos? Há um real diálogo nessa língua? Há inputs que fazem dela enriquecida, interessante, prestigiada? Os seus filhos têm oportunidades de desenvolver esse idioma? Têm oportunidades de aumentar seu conhecimento sobre ele? Você tem contato com outras famílias que mantém um estilo de vida bilíngue?

Vá viajar! Coloque seus filhos em contato com brasileirinhos que vivem em outros países! Prestigie os eventos que são promovidos em sua proximidade! Colabore com a iniciativa aí perto de você! Incentive outros pais mostrando o lado positivo de sua jornada.

Envolver-se não deixa de ser uma versão de investir. Entre em contato com o seu consulado. Pergunte a eles quem está promovendo atividades em português. Tem livros em português que você não usa mais? Doe (para a biblioteca da BEM ou para a sua biblioteca local). Brinque com seus filhos. Converse com eles. Conte como foi o seu dia, pergunte como foi o dia deles.

Um herança cultural não se deixa numa gaveta no sótão na esperança que alguém a encontre. É preciso construir esse estilo de vida t o d o s   o s   d i a s ,  sempre lembrando-se de 3 palavrinhas mágicas: frequência, paciência, consistência.

Um feliz 2017!!!

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

E no fim, no que vai dar?

Por Felicia Jennings-Winterle
Dezembro de 2016, Editorial.

O fim do ano se aproxima. Mais um ano que passou rápido demais. Mas tudo na vida tem um começo, um meio e um fim. Estamos acostumados com isso… a própria vida é assim. Essa lógica é a essência da filosofia-diretriz de toda a atuação da Brasil em Mente e explora mais do que uma sequência cronológica.

Se você parar para analisar essas três palavrinhas – começo, meio, fim – quantas reflexões pode fazer? Claro, com foco na temática que aqui nos traz, qual é o começo, o meio e o fim do PLH?

Começo se refere ao ponto de partida, à definição de valores, de metas, ao planejamento e à fundamentação. Demonstra a importância das experiências de base, na mais tenra infância, mas também a importância inerente da reflexão sobre essa prática educativa que pode ser tão própria quanto um estilo de vida e tão apaixonante quanto o desenvolvimento de um trabalho em uma iniciativa. Identificar os envolvidos nesse processo multidimensional, que levará muitos anos para demonstrar resultados, e seus papéis, é realmente só o começo.

+ Participe do Programa de Formação PLH para pais, professores e pesquisadores

É nesse momento também que olhamos para trás, para dentro e nos (re)conectamos com uma velha conhecida, nossa cultura, que, por sua vez, nos diz direitinho quem somos, apesar e mediante onde nascemos e onde vivemos. Familiarizados com passado e presente, passamos a perceber que para onde vamos tem prenúncios em cada atitude que tomamos. A forma como nos aculturamos no exterior, plástica ou flacidamente, em meio a nossa nova família, amigos, costumes e idioma, tem total relação com a forma como crescemos e como valorizamos nossas raízes.

Em meio a toda essa análise, surgem caminhos para desenvolver uma prática sobre a língua de herança, uma língua-identidade-cultura. Os meios pelos quais processos de criação de oportunidades, desenvolvimento de laços afetivos, de desejo de pertencimento são inúmeros. Através de um bom papo, de um abraço gostoso, de contar e ouvir histórias, causos, lamentos, piadas, de aulas, de shows, ao ouvir música, comer, brincar… todos os caminhos levam ao PLH. O meio não é só um ponto entre dois opostos, mas sim, uma ponte, um contexto, uma forma de ver a vida e por ela passar.

Em nosso caso, essa forma de ver a vida é um meio bilíngue, multilíngue, multicultural, diverso e claro, cheio de questionamentos, trocas, diálogos e negociações. O tempo de uma vida vai passando, quase tão rápido quanto um ano, e a gente vai curtindo, chorando, mas, sem remediar, tudo passa. E mesmo lembrando daquelas três palavrinhas mágicas – frequência, consistência e paciência – nem sempre se chega ao que se propôs (ou não) lá no começo.

O fim se aproxima. Um fim está sempre presente. Mas fim não é só a conclusão de um meio – é o laço de um ciclo. Outro abrir-se-á lá mesmo e, aos poucos, a finalidade de tudo o que fazemos vai ocupando um espaço cada mais central. Expande-se, transforma-se, avalia-se o investimento, recalibra-se as expectativas, os recursos, as oportunidades e, quando menos esperamos, está na hora de recapitular, com sorrisos e lágrimas, e de pular ondas e saudar o novo começo.

A cada ano que termina, me sinto um pouco assim, em (re)avaliação, em todos os aspectos possíveis e, posso só imaginar o que deve sentir um pai e uma mãe que começam a planejar como vão se sentir quando os filhos crescerem, partirem, criarem suas próprias vidas. Puxando de novo o rabo do PLH, compartilho com vocês uma grande emoção. No final da semana passada tive o privilégio de conhecer 2 falantes de herança que, hoje, estão no fim do que podemos pensar como uma formação dada em casa, por seus pais, mas brilhantemente ressoando os princípios que a eles foram dados em meio à toda uma vida e por isso, revelando o mais bonito dos momentos – o começo do começo.

+ Conheça o livro PLH: a filosofia do começo, meio e fim, uma publicação da editora BeM

Gustavo e Gabriel se depararam recentemente com a notícia de que são falantes de herança. Com humildade, amor e muita empatia, têm só a agradecer a seus pais e dão um recado àqueles que hoje se questionam se estão fazendo o melhor investimento. Veja só:

Aos pais do Gustavo e do Gabriel, uma salva de palmas. Parafraseando o grande Ziraldo, no fim esses meninos cresceram e viraram caras legais, legais mesmo.

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.