O prêmio Jabuti

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

No dia 24 de novembro aconteceu em São Paulo a cerimônia do 58o Prêmio Jabuti. Talvez você, leitor desta coluna, já tenha ouvido falar sobre este que é considerado o mais importante prêmio de Literatura no Brasil. O Prêmio Jabuti chega a 2016 bem diferente de como ele começou, no final da década de 50. Em 1957, a Câmara Brasileira do Livro, presidida por Edgar Cavalheiro, buscava uma forma de premiar autores, livros, ilustradores e editoras. As discussões se extenderam por um tempo e em 1958, o então presidente da CBL, Diaulas Riedel confirmou a escolha do jabuti como figura para nomear o prêmio e realizou um concurso para a escolher a estatueta, o vencedor foi o escultor paulista Bernardo Cid de Souza Pinto. No final de 1959 aconteceu a primeira solenidade de entrega do prêmio e Jorge Amado ganhou na categoria Romance com a obra Gabriela, Cravo e Canela.

E talvez você se pergunte, por que um jabuti? A explicação faz todo o sentido quando olhamos para o ambiente cultural e político do Brasil naquele momento. A década de 50 ainda respirava os ares trazidos pelo Modernismo, com fortes traços nacionalistas e uma exaltação à cultura popular brasileira. Um dos nomes mais lembrados entre os escritores modernistas é o de Monteiro Lobato que levou para suas histórias personagens e lendas do folclore nacional. O jabuti ganhou vida e personalidade no imaginário de Lobato onde aparece como uma “tartaruga vagarosa, mas obstinada e esperta, cheia de tenacidade para vencer obstáculos”. Por suas características, o simpático quelônio ganhou a simpatia da CBL e foi eleito para inspirar e patrocinar o prêmio.

Atualmente, o prêmio tem 27 categorias, desde as mais tradicionais como Romance, Poesia, Contos e Crônicas mas também aquelas que premiam Traduções, Ilustrações, Capas e projetos Gráficos e até Livro Infantil Digital, mostrando como o prêmio se repagina e se atualiza para responder a todas as mudanças editoriais.

Neste ano, duas escritoras muito queridas para nós da Brasil em Mente estavam entre as finalistas. Ana Maria Machado e Susana Ventura, ambas escritoras maravilhosas, embaixadoras da BEM e porta-vozes incansáveis do Português como Língua de Herança, tiveram seus livros escolhidos entre os finalistas na categoria Adaptação, onde são contemplados livros compostos por uma nova redação de obras anteriores ou transpondo linguagens como por exemplo, da verbal para a visual.

 

Em “Histórias Russas”, Ana Maria Machado nos brinda com quatro contos: O Pássaro de Fogo, o Fabuloso Arqueiro e o Cavalo Mágico, O Lobo Cinzento, O Belo Falcão Finist e O Velho e O Mar. Este livro faz parte da coleção Histórias de outras terras que a escritora lançou pela Editora FTD, ele se junta a Histórias greco-romanas, Histórias chinesas, Histórias árabes e Histórias africanas.

Segundo a escritora, esta coleção não é uma proposta de pesquisa etnográfica mas sim uma realização literária derivada de sua paixão pelos contos de outros lugares, paixão que nasceu na sua infância, ela e seus irmãos de deleitavam com a coleção Os mais belos contos de fada, composta de contos de lugares longínquos mas que graças à magia do livro se faziam cercanos e encantadores. Ana Maria Machado quis trazer todo esse encanto para as crianças de hoje e com o seu dom de contar e recontar, nós leitores ganhamos um mundo todo ao alcance de nossas mãos.

O segundo livro finalista é “Contos Mouriscos – A magia do Oriente nas histórias portuguesas” escrito em conjunto por Susana Ventura e Helena Gomes e, começando pela capa até o coração dos 17 contos que o compõe, o livro é de uma delicadeza ímpar.

As aulas de História nos ensinam sobre o o domínio dos árabes na Península Ibérica durante séculos, as marcas na arquitetura, as heranças no vocabulário, os vastos conhecimentos de Astronomia e Matemática.

Mas há muito mais: entre as lutas entre cristãos e mouros havia também histórias de amores impossíveis, príncipes valentes, tesouros escondidos. Raparigas fortes e decididas, javalis enfeitiçados, pescadores e pastores, personagens que habitam num mundo mágico. As autoras recontam as histórias de uma forma particular, como o título nos avisa, a magia do Oriente nas histórias portuguesas, assim é possível sentir o doce sotaque lusitano a cada história apresentada, através do vocabulário e do ritmo.

A semana de premiação já passou e as nossas queridas escritoras não levaram a estatueta para casa. Mas mesmo sabendo que o Jabuti é uma das mais maiores honrarias, ele não é o único. Acredito que o prêmio está no reconhecimento que o leitor faz, no prazer de saber que o livro tocou o coração do leitor e o marcou de alguma maneira. É evidente que ganhar é muito bom e afirmo como leitora que nós ganhamos um prêmio com a publicação destes dois livros lindos.

 

10520087_10205119346253278_826309639437374543_nCristina ama literatura infantojuvenil e por isso, faz as aventuras, descobertas e fantasias chegarem até você através de dicas e reviews de livros. Cristina é diretora da Biblioteca Infanto-juvenil Patricia Almeida, um departamento da Brasil em Mente.

 

logo_BIBPA Associe-se já à biblioteca infanto-juvenil brasileira Patricia Almeida. A BIBPA está a sua espera com diversos títulos das autoras Ana Maria Machado e Susana Ventura. Você pode receber livros em sua casa, em todo os EUA.
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Embaixadoras da BEM têm títulos entre os finalistas do 58˚ Prêmio Jabuti

O Prêmio Jabuti é o mais tradicional e prestigiado da literatura brasileira. Ana Maria Machado e Susana Ventura, grandes autoras e embaixadoras da organização cultural Brasil em Mente, têm títulos entre os finalistas da 58a edição do prêmio, na categoria “adaptação”.

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Ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, em 2015 Ana Maria Machado foi palestrante principal da 2a Conferência sobre o Ensino, Promoção e Manutenção do PLH. Em 2016, foi a vez da Susana Ventura, também crítica literária e grande conhecedora da literatura brasileira e das dos demais países de língua portuguesa, comandar a 3a edição do evento. A cerimônia de premiação será realizada em 24 de novembro. Confira os demais finalistas, aqui.

 

Lendo Pedro e Tina

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

De todos os textos sobre livros infantis que escrevi para o blog, com exceção de um, Lendo O Grúfalo, os autores brasileiros têm sido uma das principais características na hora de escolher a leitura. Mas já há algum tempo quero falar sobre este livro porque ele é doce e especial, daqueles que deixam um sorriso na alma. E em tempos onde a intolerância anda tão evidente, falar sobre amizade e respeito às diferenças é um afago bem-vindo.

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Lendo Mania de explicação

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

Quem convive com crianças sabe que a curiosidade é insaciável nestes pequenos seres. Algumas perguntas são fáceis de responder, outras nos colocam em situações mais difíceis e para outras nem encontramos uma resposta que satisfaça o interrogador e até mesmo o interrogado.

Como mãe, Adriana Falcão experimentou a beleza e a “agonia” dessas situações, mas sendo ela dona de uma enorme criatividade, ela respondeu assim, na forma de um livro dedicado a sua filha Isabel.

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Lendo Eu, Fernando Pessoa

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

Quando escrevo um texto sobre algum livro há, de certa maneira, uma ordem ou sequência. Leio o livro, me informo sobre o(a) autor(a), o(a) ilustrador(a), vejo alguns comentários sobre a obra e sento à frente do computador para escrever. Com esse livro o processo foi totalmente diferente e extremamente prazeroso.

Para começar, estamos tratando de Fernando Pessoa, poeta português que dispensa apresentações. Depois o formato da narrativa: quadrinhos, algo bem diferente do que estou acostumada. Sobre a autora não precisei pesquisar muito, tive o prazer de conhecê-la e conversar com ela pessoalmente. E por último, o livro foi lido “a quatro olhos e duas vozes”. Ao meu lado na leitura, a minha filha adolescente entrou pela primeira vez no universo poético de Pessoa.

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