O que acontece quando se junta o Portunhol com o Espanguês?

Por Carla Scheidegger
Coluna Pelo Mundo

EspanhaQuais são as vantagens e os desafios do ensino de PLH em países de língua espanhola? No Brasil, muitas pessoas afirmam falar Portunhol com certo orgulho, como se isso fosse algo positivo. Porém, pessoas que vivem em países de língua espanhola nem sempre veem isso da mesma forma. Pelo Mundo desse mês traz uma entrevista com as coordenadoras da iniciativa Brasileirinh@s em Málaga – Fátima Lobão Fernanda Rotondaro da Silveira, Lisa Rech e Sandra Sainz Fernández – sobre o ensino de PLH a crianças que tem como língua dominante o espanhol.

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Carla Scheidegger > Bom dia, meninas. Outro dia estava conversando com uma amiga que aprende latim e pensei em traçar um paralelo entre a língua dominante espanhola e o aprendizado de PLH. Na percepção de vocês, quais são as VANTAGENS para as crianças que falam espanhol no aprendizado de PLH?

Brasileirinh@s em Málaga >> Das línguas românicas, o português e o espanhol são as línguas com mais semelhanças e isso pode fazer com que as crianças tenham alguma vantagem no aprendizado de PLH. As semelhanças morfológicas, sintáticas, semânticas e fonéticas das duas línguas fazem com que elas consigam avançar rapidamente no processo de aprendizado. Tivemos um relato de uma mãe que dizia que os filhos até lá pelos 4 anos, pensavam que se tratava da mesma língua. Costumamos dizer aos alunos de PLE (Português como Língua Estrangeira) que são hispano-falantes que saber espanhol é saber 85% da Língua Portuguesa. No caso das crianças que possuem o Português como Língua de Herança, esta porcentagem ajuda bastante! No geral, para elas é fácil entender a língua – a maioria entende tudo (ou uma grande parte).

Carla > Se falar espanhol como língua dominante pode facilitar no entendimento da língua portuguesa, quais seriam as DIFICULDADES no aprendizado de PLH?

Brasileirinh@s em Málaga >> Talvez o principal desafio consista justamente em separar o que é espanhol do que é português e, principalmente, o fato de que nem sempre as famílias conseguem falar exclusivamente em português. Assim, misturam as duas línguas e acabam se comunicando no nosso “inimigo” portunhol. Inimigo porque a proximidade das línguas é tanta que, às vezes, é realmente de forma inconsciente que mães ou pais (ou casais) brasileiros falam portunhol achando que estão falando português. As crianças, se nascidas aqui na Espanha e quase sem contato com a língua portuguesa através das famílias, podem achar perfeitamente que o “portunhol” e o português são a mesma coisa. Segundo nos contam algumas famílias, outro grande desafio é enfrentar o “NÃO pertencer” a um grupo social quando falam português somente com os pais. Os amigos os consideram estranhos por terem pais que falam outra língua. Eles têm que estar constantemente se justificando.

Carla > E quais seriam os DESAFIOS enfrentados pelos pais e como eles lidam com eles?

keep-calm-hablo-portunholBrasileirinh@s em Málaga >> Alguns pais confessam ter dificuldade em comunicar-se exclusivamente em português na presença dos filhos, porque a maioria passa grande parte do dia falando espanhol. Outros admitem, inclusive, serem incapazes de falar português. Há os que assumem que escorregam no “portunhol”. Algumas pessoas manifestam que sentem vergonha de falar a língua portuguesa com suas crianças na frente de espanhóis. Já outros que falam português, revelam sofrer certo preconceito por parte de espanhóis. Por fim, os pais que conseguiram estabelecer a língua portuguesa como única com as crianças e afirmam que não teriam outra forma se relacionar afetivamente com os filhos.

 
Carla > Outro dia conversei com a diretora de uma organização que ensina alemão como segunda língua aqui na Alemanha e mencionei “língua de herança”. Os olhos dela brilharam porque ela não conhecia este termo e logo entendeu seus significado. Na opinião de vocês, por que as famílias que vivem em Málaga deveriam investir esforços com o PLH, se falar espanhol, portunhol ou espanguês ja é mais do que meio caminho andado para o entendimento do Português?

Brasileirinh@s em Málaga >>  As famílias que participam do “Brasileirinhos em Málaga”, na sua maioria, afirmam querer transmitir não apenas a língua mas também todo o referente aos costumes, tradições, cultura etc. Acreditamos que os pais e as mães que procuram o “Brasileirinhos em Málaga” são conscientes da necessidade de que as suas crianças se relacionem com outras das mesmas características e esta é a primeira forma de enfrentar os desafios. Para muitas destas famílias é fundamental que as crianças tenham um espaço onde o português deixe de ser apenas a língua que se fala em casa (pelo pai, pela mãe ou por ambos) e que passe a ter valor para as suas crianças na formação como pessoa, que poderá se relacionar com familiares tanto no Brasil como aqui na Espanha quando vierem de visita. Poder proporcionar situações nas quais as crianças se encontrem e vivam experiências com outras crianças nas me
smas situações que elas é muito enriquecedor para todos os membros da família, e principalmente, um fator fundamental para o desenvolvimento da autoestima da própria criança.

+ Assista aqui ao vídeo dos Brasileirinh@s em Málaga no projeto Dona Terra.

Carla > Se vocês pudessem deixar uma frase de INCENTIVO ao ensino e aprendizado de PLH nos países de língua espanhola, qual seria?

Brasileirinh@s em Málaga >> Por mais que a tarefa seja difícil, pensem na satisfação de, no futuro, as crianças reconhecerem o valor desta herança. A recompensa deste esforço vem ao ver crianças, que em muitos casos nunca foram ao Brasil, se identificarem com a cultura e conversarem c
m outras pessoas brasileiras de igual para igual. Aconselhamos aos pais serem constantes e perseverantes na manutenção da língua e cultura, dar acesso a livros, músicas, objetos, filmes etc. Ter em casa um pouquinho do nosso Brasil, mesmo que simbolicamente!

Carla > Obrigada!
Brasileirinh@s em Málaga >>O prazer foi todo nosso em poder participar nesta entrevista!

 

 

Screen Shot 2016-02-16 at 7.27.27 AMNascida em São Paulo e criada no interior paulista, herdou a língua e a cultura alemãs dos meus pais. Estudou Comunicação Social na ESPM e pós-graduei na Fundação Getúlio Vargas, sempre com a certeza de que meu futuro seria longe do Brasil. Há 13 anos vive na Alemanha, trabalhando internacionalmente e valorizando cada vez mais a diversidade.

 

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Movendo montanhas para o aprendizado e manutenção do PLH

Por Carla Scheidegger
Coluna Pelo Mundo

AustriaNesse mês conversei com Julliane Rüdisser – idealizadora da Mala de Leitura do Tirol – que, como muitas das mulheres envolvidas em trabalhos em prol do PLH, foi viver no Tirol austríaco levada por um grande amor.

O Tirol é uma região da Áustria. Faz fronteira com a Alemanha ao norte e com a Itália e a Suíça ao sul. Montanhas grandiosas com picos nevados, boa cozinha e os cristais Swarowksy fazem parte de um cenário de tirar o fôlego. Innsbruck é sua capital e onde vive Julliane. Continuar lendo “Movendo montanhas para o aprendizado e manutenção do PLH”

Returns

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By Carla Scheidegger
Around the World Column

Since my last trip to Brasil in March of this year, I have been reflecting about what “returning” to the place where I was born and grew up does to me and my family, as well as the what are the implications to our daily life. To help me in this somewhat philosophical matter, I spoke to Andreia Moroni, a researcher dedicated to study Portuguese as a Heritage Language within the Brazilian community in Catalonia (Spain). In our chat we made some discussions on the the different meanings of the word “return” and would like to share them with you.

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Retornos

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Por Carla Scheidegger
Coluna Pelo Mundo

Desde minha última viagem ao Brasil, em março deste ano, tenho refletido sobre o que o “retorno” ao país onde nasci e cresci gera em mim e em minha família, bem como de que forma ele se manifesta em nosso dia-a-dia. Para me ajudar nesta questão um pouco filosófica, conversei com Andreia Moroni*, pesquisadora sobre o português como língua de herança na comunidade brasileira da Catalunha para seu doutorado em Linguística Aplicada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em nosso bate-papo, traçamos um paralelo entre os diferentes significados da palavra “retorno” e o PLH.

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