Perfil e Opinião, Ana Cecília

Por Ana Cecília
Perfil e Opinião

FotoSou brasileira, moro há seis anos na Alemanha e tenho um filho pequeno no Kindergarten, escola que corresponde ao jardim de infância no Brasil. Procurei recentemente a Brasil em Mente para uma consultoria sobre PHL (Português como Língua de Herança) e comecei a aprender mais do que esperava. Recebi então o convite da Felícia para escrever um pouco sobre minha experiência com a educação bilíngue em outro país e como mantenho a língua portuguesa e a cultura brasileira presentes e vivas em nosso dia a dia.

Entendo ser importante transmitir à criança (ou pelo menos tentar fazê-lo) não somente a língua materna, mas também a cultura na qual nascemos e construímos nossa história. Funciona realmente como uma herança que deixamos aos nossos filhos: podemos determinar como será distribuída, mas depois não saberemos o que será feito dela.

De fato, não sabemos como cada criança “reagirá” ao receber sua herança, ou melhor, sua preciosa língua de herança, aquela que possibilitará o acesso a outro mundo diferente daquele em que ela vive, que abrirá muitas portas, revelará o sentido da viagem para lugares distantes, os segredos das páginas dos livros escritos num código especial, as histórias de uma rica cultura que também lhe pertence, uma aventura em outro lugar, com personagens intrigantes, labirintos insondáveis, mistérios infinitos que esperam para ser desvendados.

Talvez tenhamos mais chances de obter sucesso quando o contato da criança com a língua de herança for num ambiente que possibilite uma experiência afetiva relacionada ao aprendizado, uma brincadeira que vai envolvendo os sentidos e sentimentos através de experiências com interações familiares, sons (músicas, sotaques, entonações), cheiros e paladar (temperos, comidas típicas), visualização (livros e fotos) e etc.

É importante fazer da aprendizagem uma atividade prazerosa e desafiadora para a criança se quisermos incentivá-la a aprender algo que não encontrará habitualmente fora de casa, mas que é parte importante de sua origem e identidade. O hábito de falar a “segunda” língua deve ser cultivado naturalmente na rotina da família e os pais devem procurar ficar atentos aos sentimentos das crianças e ouvir o que querem dizer.

A empatia e o entendimento mútuo entre pais e filhos podem ser os segredos de uma experiência bem-sucedida na transmissão do português como língua de herança. Podemos estabelecer conexões que serão a motivação e a base do aprendizado!

Os laços afetivos com pessoas da família e amigos que falam a língua de herança são também uma maneira de incentivar as crianças a falarem com desenvoltura e vontade!

Aqui em casa, meu pequeno Rafael ouve alemão, português e inglês desde que nasceu. Com quase quatro anos, tenho visto seu vocabulário na língua alemã crescer muito e ele gosta bastante de se comunicar. O vocabulário em português também cresce, embora com menos velocidade, e só falo com ele em minha língua materna.

Nessa mistura de línguas, vamos desenvolvendo também nossos afetos. Em 2015, quando retornamos do Brasil após férias de cinco semanas, ele demorou quase cinco dias para (decidir?) voltar a falar alemão na escolinha. Era uma decisão dele e entendi que poderia ser uma forma de compensar a saudade que sentia. Após alguns dias, mais conformado, voltou a falar alemão.

O ensino do português em nossa casa está ligado ao afeto pelo país distante e pelas pessoas que amamos. Falar português é uma forma de sentir!

Não acredito em regras específicas, mas sim na experiência diária de cada família que pretende manter sua riqueza cultural através da transmissão da língua de seu país de origem, possibilitando aos seus filhos o acesso a um outro mundo além daquele em que se vive.

Boa aventura para aqueles que desejam viajar!

Perfil e Opinião, Fernanda

Por Fernanda
Perfil e Opinião

Sou mineira e nos últimos anos morei na Inglaterra, Brasil, Suécia e, atualmente, estou na Alemanha.

Formada em Fisioterapia e Secretariado Executivo, dediquei-me profissionalmente a outra área: ensino de idiomas. Apaixonada pelo estudo de línguas (falo português, inglês, alemão e espanhol), fui professora de Inglês para Crianças e Português para Estrangeiros.

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Perfil e Opinião, Felicia

Por Felicia
Perfil e Opinião

11752494_446817972165241_4736927699723634009_nHoje o Perfil e Opinião foi escrito por mim… Digo por mim porque seria meio estranho falar em terceira pessoa.

 

Sou fundadora da Brasil em Mente e hoje diretora educacional da organização e editora do conteúdo deste blog. Sou educadora, apaixonada pela pesquisa em relação à educação bilíngue e multicultural, pelo contexto das famílias multiculturais, pela língua portuguesa e pela cultura do Brasil. Toda essa paixão tem composto a minha vida nos últimos (quase) 10 anos morando em Nova Iorque.

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Português, italiano, espanhol e catalão, tudo junto e misturado

Por Caruline
Perfil e Opinião

Meu nome é Caruline e moro fora do Brasil há 17 anos. Atualmente moro em Barcelona, com meu marido italiano, Alessio, e com nosso filho de 2 anos, Mattia.

Eu obviamente sempre falo com o Mattia em português. Falamos quase que diariamente com minha família no Brasil pelo Skype, e pelo menos uma vez por ano vamos ao Brasil visitá-los, assim como eles também vêm nos visitar aqui na Espanha. Meu filho também é exposto ao idioma do pai, italiano. Meu marido sempre fala com o Mattia na língua dele. Falamos bastante com a nonna por telefone e também visitamos a família do meu marido na Itália algumas vezes no ano.

O Mattia vai à escola bilíngue (como todas as escolas públicas catalanas), e aprende o espanhol junto com o catalão. Nós temos amigos de todas partes do mundo, e nos comunicamos no dia-a-dia com o castelhano.

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Copa do Mundo: entre pátrias, chuteiras e nações

Por Ylane Pinheiro
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Sempre achei aquela máxima do Galvão Bueno, “A pátria de chuteiras”, um certo exagero. Hoje, guardadas as devidas proporções, com mais racionalismo e menos sensacionalismo, vejo que ele tinha uma boa parcela de razão. Quando fui convidada para colaborar aqui no blog fiquei muito honrada e feliz por ter a oportunidade de dividir com outras pessoas um pouco da minha visão sobre o esporte, que não é exclusiva, mas também não tão comum como eu e demais entusiastas e estudiosos do esporte gostaríamos que fosse. E para começar, nada mais presente, atual e lógico do que falarmos um pouquinho sobre a Copa do Mundo e como nós, brasileiros, residentes no país ou não, nos relacionamos com esse megaevento esportivo tão presente na história de cada um.

Muitos de nós, adultos de hoje, crescemos ouvindo histórias sobre Copas do Mundo, colecionando álbuns de figurinhas de diversas edições e aprendemos – por motivos diversos – a curtir os períodos quadrienais da disputa do Mundial de Futebol, mesmo não sendo por gosto pela modalidade em si. Nem que fosse porque a gente saía mais cedo da escola e perdia a aula de matemática.

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