Como falar e desenvolver o português, morando no exterior?

As perguntas são recorrentes. Em todo o mundo pais que falam português e desejam transmitir essa herança a seus filhos binacionais usam pelo menos um dos interrogativos a seguir: Como? Quando? Onde? Por que?

A cada dia vemos aparecer mais informação sobre o assunto. Que as vantagens excedem as desvantagens e que os frutos no futuro justificarão o que hoje pode parecer impraticável ou quase impraticável são fatos consumados. Mas, de novo, Como? Quando? Onde? Por que?

A Plataforma Brasileirinhos e os demais blogs que informalmente discutem questões sobre educação bilíngue estão repletos de argumentos e recursos. Mas, pensando nas respostas que você quer (e que às vezes precisa dar) da ponta da língua, aqui vão 5 perguntas e respostas.

Felicia Jennings-Winterle, Editorial

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe somente com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

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Como lidar com a resistência à uma língua com leveza

Não é novidade: não importa o país de residência nem o par de línguas envolvidas, bilíngues tendem a preferir o uso da língua majoritária – a língua do parquinho, dos colegas… de todo mundo. A tendência é achar que essas escolhas são fruto (somente) do nível de apreço que a sociedade demonstra em relação a uma língua em particular – no nosso caso, o português, “uma língua inútil, de pobre” – e do investimento e envolvimento da família.

Na prática, não é tão “simples” assim.

Cada família tem um estilo, um modo… uma política linguística que funciona (ou não) e que é própria e recorrente. O que nós pesquisadores “ditamos” como certo ou errado, se desenvolve de outro jeito no dia a dia. Os adultos têm vícios: falam “errado” ou de maneira “errada” (de forma que, verdade seja dita, linguistas e psicólogos esnobes torcem o nariz); a rotina é cheia de atividades e por isso o tempo e a paciência são curtos; há situações nas quais a negociação não é assim tão politicamente correta como os romances escritos por especialistas sugerem; e, mais importante, a criança tem vontade própria.

Pensando nesses fatores, aqui vão 5 dicas para enfrentar a resistência típica e previsível de bilíngues à língua minoritária com leveza, bom humor e otimismo.

Felicia Jennings-Winterle, Editorial

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
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Vamos deixar de amarelar? LENDO Chapeuzinho Amarelo

A Cristina Marrero (da coluna LENDO) e as demais maravilhosas contadoras de histórias que estão por esse mundão afora que me deem licença, mas ontem não só ouvi uma história como aprendi uma grande lição com a Alice, uma aluninha de 7 anos. Por isso resolvi recomendar a você, adulto, a leitura do livro Chapeuzinho Amarelo.

Obra que os grandes Chico Buarque e Ziraldo assinam, conta a história de uma menina que tinha medo de tudo.

“Já não ria.
Em festa, não aparecia,
não subia escada nem descia.
Não estava resfriada mas tossia.
Ouvia conto de fada e estremecia.
Não brinacava mais de nada, nem de amarelinha”.

E porque você acha que eu recomendaria uma leitura dessa para você, um adulto? Ora, medo é coisa de criança ou só de criança?

Há quem diga – e minha nova musa inspiradora disse de forma ainda mais clara – que quanto mais velha a pessoa, mais ela sabe. Ao dizer que o irmãozinho tem medo de avião, indaguei porque ela não tinha. E ela: porque ele sabe de histórias de avião caindo… eu não. Eu não sei de nada.

Quanto mais sabemos, mais tememos.

A gente sabe muito e conforme os anos vão passando e a vida vai nos dando calos e baldes de água fria, vamos ficando calejados e escaldados. Por isso, há de se tomar cuidado.
Uma das partes que mais me tocou no livro foi a seguinte:

“Tinha medo de trovão. Minhoca, pra ela, era cobra. E nunca apanhava sol porque tinha medo da sombra. Não ia pra fora pra não se sujar. Não tomava sopa pra não ensopar. Não tomava banho pra não descolar. Não falava nada pra não engasgar. Não ficava em pé com medo de cair. Então, vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo”.

O que me chamou atenção é que sim, existem, mas são poucas as crianças que vivem paradas, deitadas, sem dormir, pensando e repensando no que disseram, fizeram, deixaram de fazer. Somos nós, adultos, que fazemos isso. Logo, o livro é para adultos mesmo que os componentes remetam a obras do imiginário infantil.

Mas foi a Alice, pequena grande menina, quem comentou a passagem de maneira brilhante: “Ela tinha medo de fazer e de não fazer, de ler e de não ler, de desenhar e de não desenhar, de ter medo e de não ter medo. Ela não fazia nada!!!”

É, Alice. O medo nos paralisa e talvez por isso os dias têm se arrastado ultimamente. Parece que se ouve esse paradoxo (literalmente) no mundo inteiro: ao mesmo tempo que não temos tempo para nada, fazemos muito, muito de muito pouco. Falamos que vamos fazer um monte de coisas e acabamos não fazendo nada… por medo.

Chapeuzinho Amarelo confronta um de seus medos – o de lobo – e, ao olhar bem pra ele, foi “perdendo aquele medo, o medo do medo do medo de um dia encontrar um LOBO”. Ela de fato o encontra, confronta e afronta.

É liberta porque com a pouca importância que passa a dar para o lobo, que “envergonhado, triste, murcho e branco-azedo, porque um lobo, tirado o medo é um arremedo de lobo”, muda sua perspectiva. O LOBO vira BOLO, barata vira tabará, dragão vira gãodra.

Não é maravilhoso? Dar nomes esdrúxulos para produtos da nossa imaginação? (é, porque se existe algo imaginário e ilusório é o medo).

O que ficou para mim provavelmente não ficará igual para você. Você provavelmente tirará muitas outras conclusões da criatividade e maestria de Chico e Ziraldo. Mas uma coisa é certa: temos que enfrentar nossos lobos (e bolos), dar-lhes a atenção que merecem e continuarmos. Sempre andando, fazendo e trabalhando.

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
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Brasil em Mente anuncia a 5a edição de sua conferência sobre o PLH

A Brasil em Mente, o GSL (Global Studies and Languages at MIT) e o Praticutucá, com o apoio do Consulado-Geral do Brasil em Boston e do Somerviva, convidam você para a 5a Conferência sobre o Ensino, Promoção e Manutenção do Português como Língua de Herança. Esta edição tem uma proposta arrojada e que envolverá educadores de língua portuguesa em todo o mundo. Trata-se de um movimento de falantes de português, e não mais só de brasileiros. Estamos muito animados!
Em breve, mais informações.
Para inscrição, veja aqui.
O prazo para envio de propostas de apresentação é 28 de fevereiro.

 

Mais 10 dicas de leituras do advento da BEM

Fim do ano, fim da história, fim da linha… recomeço. Novo ano, nova história, nova linha, divisória. Que tal fazer de 2018 o ano da leitura? Reunimos um grupo de especialistas – educadores, contadores de histórias, críticos literários, autores e ilustradores – e criamos um advento com 31 dicas de leituras para 2018. Sim, 31 dias em dezembro, 31 oportunidades pra fazer história. Aproveite!!!

Veja as dicas 1  – 10, aqui.

 

Dia 11    O lagarto
José Saramago / J. Borges
Companhia das Letrinhas

Escrito pelo autor português José Saramago foi ilustrado pelo brasileiro José Borges. E por que esse livro? Saramago é o maior autor português – o único de língua portuguesa que ganhou um Nobel de Literatura. José Borges é o mais conhecido cordelista e artista de xilogravura no Brasil e no mundo. A união dos dois gerou esse lindo livro, uma nova edição de uma crônica de Saramago de 1972 do livro A bagagem do viajante. Foi lançado em 2016 na FOLIO (Festival Literário Internacioal de Óbidos, Portugal) como um livro para todas as idades pela Fundação José Saramago com uma exposição das serigrafias e ilustrações de Borges.

Conta a história do aparecimento de um lagarto no Chiado, bairro da cidade de Lisboa, que mobilizou a atenção e o medo de todos os transientes – a policia, o exército, a aviação e formou-se uma confusão. Após se iniciar o ataque de todas as forças armadas, por interferência das fadas, o monstro se transformou em flor, uma rosa rubra, depois branca, e finalmente voou em formato de uma pomba da Paz. O conto termina em poema:

Calados muitos recordam
Na prosa das suas casas
O lagarto que era rosa
aquela rosa com asas

Há por ai quem não acredite eu bem dizia
Isso de fadas já não o é o que era!

Parece que Saramago estava “antecipando” em premonição a Revolução dos Cravos em 25 de abril de 1974. Por meio desse livro, o educador pode trabalhar várias questões com várias idades. A cada um virá uma leitura e uma interpretação.

Sobre a Regina
Regina é médica com especialização em ginecologia e obstetrícia. Aposentada mudou-se para a Bélgica em 2006 onde exerceu atividades voluntárias difundindo-a cultura brasileira. Em 2008 criou a biblioteca Ciranda de Livros em Português e, desde então, fundou a Oca Asbl, premiado pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) em 2011.

Sobre a Regina
Regina é médica com especialização em ginecologia e obstetrícia. Aposentada mudou-se para a Bélgica em 2006 onde exerceu atividades voluntárias difundindo-a cultura brasileira. Em 2008 criou a biblioteca Ciranda de Livros em Português e, desde então, fundou a Oca Asbl, premiado pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) em 2011.

 

Dia 12    Bolinho de Chuva e outras miudezas
Paulo Netho
Editora Peirópolis

+Essa dica é do autor Lalau. Conheça seu trabalho!

Quem avisa amigo é: neste livro só tem palavras de voar e conversas de mergulhar. Bolinho de chuva começa assim e traduz tudo o que vem pelas páginas à frente: surpresa, delicadeza, sorriso na alma, casa da gente, memórias, ventinho batendo no coração. Paulo Netho é um apaixonado pela poesia. E desfila essa paixão por vários e deliciosos poemas feitos do jeito simples e emocionante que só ele sabe fazer.

+ Aliás, você sabe de onde vem o bolinho de chuva?

 

Sobre o Lalau
Lalau é paulista e poeta, trabalhou como redator em agências de propaganda, escreveu contos e crônicas, publicados em alguns jornais e revistas, foi roteirista de teatro amador, entre outras atividades. Casado, 1 filho.

 

Dia 13    Drufs
Eva Furnari
Editora Moderna

A dica de hoje é dada pelo premiado autor Ilan Brenman. Ele faz um programa na rádio CBN que você pode ouvir aqui.

 

 

 

 

 

Dia 14    Abrapracabra
Fernando Vilela
Brinque-Book

+Essa dica é da educadora e contadora de histórias Gabriela Teixeira que realiza um fantástico trabalho na Suécia.

Uma viagem fantástica pelo mundo através das peripécias de uma cabrinha muito querida. O livro conta a história de uma cabra que um dia, ao caminhar perto de sua casa, encontra uma lâmpada mágica e tem a possibilidade de realizar todos os seus desejos. Cansada de sua vida tranquila no sertão do nordeste brasileiro, a cabra deseja viajar pelo mundo e vai parar em lugares bem diferentes como Polo Norte, Egito e outros mais. Em cada um dos lugares a cabrinha faz novos amigos e vive muitas aventuras. Fernando Vilela escreve um texto muito legal, praticamente cantado, cheio de melodia, rimas, divertido e seguido por suas ilustrações alegres, de muitas cores, com a cara do Brasil. Um livro adorável que você irá ler e reler muitas vezes.

Sobre a Gabriela
Gabriella Teixeira é jornalista, professora de português como língua de herança, mamãe do Matheus e da Lara. É apaixonada por literatura infantil e livros e em 2015 iniciou o projeto Cantinho da História na Suécia. Tudo começou com uma ideia despretensiosa e muita paixão: queria oferecer a seus alunos atividades extras em português, onde eles pudessem praticar a língua materna de maneira descontraída. Apresentou a proposta para duas bibliotecas em Estocolmo e, com sua família, segue realizando voluntariamente contações em diversas bibliotecas de Estocolmo e na Stadsbibliotek em Uppsala. Todos são bem-vindos independente da variante de português – o que nos une é o amor pelas nossas origens e pela língua portuguesa. Não deixem de conferir fotos e todas as fantásticas histórias que já passaram pelo Cantinho de Histórias.

 

Dia 15    Um abraço passo a passo
Tino Freitas / Jana Glatt
Panda Books

Os primeiros passos são uma das maiores conquistas de um bebê, sendo celebrados por todos aqueles que têm o o privilégio de presenciar esse instante mágico. Nesse livro, entre um verso e outro, Tino Freitas brinca construindo rimas para cada uma das etapas que preparam o pequeno protagonista para caminhar com desenvoltura e autonomia.Primeiro hesitante, pé ante pé, como uma formiga. Depois, salitante como uma rã e em seguida, embalado como um avestruz.

Cada momento é sempre acompanhado com espanto e alegria por algum familiar. Todos aguardando, ansiosamente, o momento da corrida em direção a um delicioso abraço. As ilustrações de Jana Glatt brincam com a contagem dos passos e com as referências feitas a cada um dos animais citados no texto, desafiando o pequeno leitor a descobrir os enigmas escondidos nas divertidas imagens.

O conteúdo deste texto é exclusivo do site A Taba.

Sobre a Denise
Denise Guilherme é Mestre em Educação, formadora de professores e consultora na área de projetos de leitura. Desde cedo, apaixonada por palavras ditas e escritas. Descobriu nos livros um caminho para entender a si mesma e aos outros. E ficou tão encantada com o que viu que decidiu compartilhar com o mundo.

Sobre a Taba
A Taba é uma empresa especializada em curadoria de livros infantis e juvenis. Nossa equipe é formada por um grupo independente de especialistas em literatura infantil e juvenil, professores, pais, bibliotecários e contadores de histórias com um único objetivo: formar uma aldeia, um coletivo de pessoas que vive e experimenta leituras.

 

Dia 16    Uma Casa Sonolenta
Audrey Wood
Editora Ática

+ A dica desse livro é da educadora e contadora de histórias Patricia da Paz, que desenvolve seus trabalhos em New Jersey, EUA.

Pensem num livro gostoso de contar e que faz todo mundo participar! Uma Casa Sonolenta, com ilustrações de Don Wood e tradução de Gisela Maria Padovan, é um desses livros que faz a gente querer tirar uma soneca, mas nem tanto. Enquanto todos os moradores da casa e outras criaturinhas tiram um delicioso cochilo, com direito a chuvinha mansa do lado de fora, uma pulga chega para mudar todo o cenário.
O livro, que tem uma narrativa acumulativa, é como uma parlenda e pode ser bem acompanhado com a música A Velha a Fiar no final da leitura. Tudo vira brincadeira com essa leitura que é bem conhecido por crianças nos EUA já que o título original, The Napping House, é popular nas livrarias e escolas locais. Traduções como essa são excelentes ferramentas para quem está começando a desenvolver o vocabulário em português, pois além das crianças já conhecerem o conteúdo do livro em sua língua local, as palavras em português são repetidas várias vezes ajudando na memorização.

Sobre Patricia
Patricia é formada em letras e mora em Nova Jersey com sua família. Em 2015, ela iniciou um projeto de leitura de livros em português na biblioteca pública de Princeton para crianças de 0-5 anos. Durante o encontro mensal, as crianças ouvem histórias, aprendem cantigas e emprestam livros que foram doados por pais, amigos e autores brasileiros. Para saber mais sobre o projeto Ciranda da Leitura, visite a página da iniciativa Vitamina Brasil no Facebook.

 

Dia 17    A menina que parava o trânsito
Fabricio Valério / Bruna Assis
V & R Editora

+ Essa dica é da Rosana Sanford, fundadora do programa Histórias e Cantigas Brasileiras, ganhador do Prêmio PLH 2017

Assista, aqui.

 

 

Sobre a Rosana
Rosana Sanford é paulistana, graduada em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e imigrou para os EUA em 2001. Rosana lecionou português e inglês como línguas estrangeiras em New Jersey e New York City, e, durante 5 anos, foi professora assistente em uma escola bilíngue francesa de San Francisco. Hoje, ela se dedica à sua família e vive em South San Francisco com seu esposo e duas filhas. O projeto Histórias e Cantigas Brasileiras – SSF Library foi premiado em 2017 pela Brasil em Mente na categoria projeto. Histórias e Cantigas Brasileiras – SSF Library é o primeiro projeto de promoção do português como língua de herança sediado semanalmente em uma biblioteca pública americana. As atividades são voltadas a crianças de 0 a 5 anos de idade e acontecem às terças-feiras, 10h30, na Grand Ave Public Library em South San Francisco. Rosana Sanford é a coordenadora voluntária do projeto.

 

Dia 18    A caligrafia da Dona Sofia
André Neves
Paulinas

+Essa dica é da educadora e contadora de histórias Gabriela Teixeira que realiza um fantástico trabalho na Suécia.

Dona de uma bela caligrafia, Sofia adora os livros e poesia. Por este motivo resolveu decorar todos os cantos de sua casa com trechos de seus poemas favoritos. Segundo Dona Sofia, as poesias não devem ser esquecidas. Os anos foram passando e Dona Sofia percebe que os espaços nas paredes já não existem mais e ela não tem como escrever. Para não deixar que as poesias se percam, ela tem a brilhante ideia de oferecer poesia a todos na cidade como se oferece uma flor. Para esta tarefa, ela conta com seu grande amigo, o carteiro Ananias, o único carteiro da cidade. Dona Sofia e Seu Ananias distribuem cartões poéticos, cheios de amor, saudade, sonhos, por toda a cidade. O autor e ilustrador André Neves surpreende e emociona os leitores com esta obra que, com toda certeza, é um tesouro da literatura infantojuvenil brasileira. Um trabalho rico, que transborda bons sentimentos, tanto pelas delicadas e poéticas ilustrações quanto pelo texto inspirador, recheado de belos poemas.

Sobre a Gabriela
Gabriella Teixeira é jornalista, professora de português como língua de herança, mamãe do Matheus e da Lara. É apaixonada por literatura infantil e livros e em 2015 iniciou o projeto Cantinho da História na Suécia. Tudo começou com uma ideia despretensiosa e muita paixão: queria oferecer a seus alunos atividades extras em português, onde eles pudessem praticar a língua materna de maneira descontraída. Apresentou a proposta para duas bibliotecas em Estocolmo e, com sua família, segue realizando voluntariamente contações em diversas bibliotecas de Estocolmo e na Stadsbibliotek em Uppsala. Todos são bem-vindos independente da variante de português – o que nos une é o amor pelas nossas origens e pela língua portuguesa. Não deixem de conferir fotos e todas as fantásticas histórias que já passaram pelo Cantinho de Histórias.

 

Dia 19    Ana, Guto e Gato Dançarino
Stephen Michael King
Brinque-Book

+Essa dica é da Cristina Marrero, autora da coluna Lendo, aqui na Plataforma Brasileirinhos

Esse é um daqueles livros que prendem pela beleza e doçura das palavras e imagens. Escrito e ilustrado por Stephen Michael King e traduzido para o português por Gilda de Aquino, o livro nos apresenta a Ana, uma menina criativa e com muita imaginação que adora fazer coisas diferentes usando objetos descartados ou esquecido pelos moradores da cidade. Mas ninguém ligava muito para as invenções de Ana. Então ela deixou de criar e só fazia coisas simples e conhecidas até o dia em que Guto e o Gato Dançarino chegaram à cidade. Com os olhos de artistas eles viram em Ana uma grande companheira. Entre danças, cores e novas ideias os três descobrem a amizade e a alegria de criar novas formas sem medo de ousar e ser livre para viver feliz respeitando o jeito de cada um.

Sobre a Cristina
Cristina ama literatura infantojuvenil e por isso, faz as aventuras, descobertas e fantasias chegarem até você através de dicas e reviews de livros. Cristina é diretora da Biblioteca Infanto-juvenil Patricia Almeida, um departamento da Brasil em Mente.

 

Dia 20    Orlando e o rinoceronte
Alexandra Lucas Coelho
Alfaguara

+ A dica de hoje é de Regina Barbosa, médica apaixonada pela literatura e cultura de língua portuguesa. Ela é fundadora da OCA Asbl que desenvolve seu trabalho na Bélgica.

Alexandra Lucas Coelho é jornalista e escritora portuguesa com inúmeros títulos, como E a noite roda, Meu amante de domingo, Deus Dará, entre outros publicados e traduzidos para várias línguas. Orlando e o Rinoceronte é seu primeiro infantil e o primeiro de uma série.

Orlando é um menino de 8 anos como muitos dos dias de hoje: filho de pais separados, com guarda compartilhada, de um mãe bailarina ruiva e um pai músico guineense (Guiné Bissau). Ele possui uma “carapinha” (cabelos crespos de negros ) ruiva. Um distúrbio de fala lhe faz trocar os “L” pelos “U”- ele diz Oruando ao invés de Orlando. Suas falas “erradas” vêm marcadas em vermelho.

Tem um tio viajando pelo Brasil, que ele se comunica por skype assim como com o pai que está viajando a trabalho. E por conta de uma verdadeira carta (em papel) que recebe do pai que está Rússia, com um selo de rinoceronte, se inicia toda uma história na qual a curiosidade de Orlando viaja e sonha com o rinoceronte mais famoso do mundo: Ganda – o rinoceronte indiano que foi dado de presente a Afonso de Albuquerque, então Vice-rei da Índia, que não pôde ficar em Lisboa e naufragou a caminho de Roma.

A história se desenvolve por meio de aprendizados via skype, com o tio “especialista em rinocerontes” sobre o passado histórico das colonizações Portuguesas, passeia pelos seus sonhos, enquanto ele resolve seu enorme “problema” com as tabuadas e com a menina Cláudia, a vizinha de sua mãe, que acaba indo estudar na sua escola. “Ela passa o tempo a perseguir-me, e é muito mais nova, acabou de fazer 7 anos”.

O livro é brilhante na sua linguagem simples e acessível às crianças, delicado, pontuando as semelhanças do quotidiano das crianças de todo mundo, como a mistura de raças, a história da colonização de Portugal e suas colónias pelo mundo, da diferença de conviver com as meninas, tão difícil nessa idade, e fala um pouco sobre tudo aquilo que uma criança deveria compreender, para poder viver com menos preconceito, numa melhor relação com o outro e com as diferenças no mundo, além de se aprender ludicamente, um pouco sobre a história de Portugal. Linda história para leitores entre 8 e todos os anos.

Sobre a Regina
Regina é médica com especialização em ginecologia e obstetrícia. Aposentada mudou-se para a Bélgica em 2006 onde exerceu atividades voluntárias difundindo-a cultura brasileira. Em 2008 criou a biblioteca Ciranda de Livros em Português e, desde então, fundou a Oca Asbl, premiado pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) em 2011.