Pelo Mundo – Elo Europeu

Por Andréa Menescal
Coluna Pelo Mundo

european_union_640Em meu primeiro artigo no comando da coluna Pelo Mundo, gostaria de apresentar a vocês o ELO EUROPEU DE EDUCADORES DE PORTUGUÊS COMO LINGUA DE HERANCA.

Talvez muitos de vocês já o conheçam e já façam parte do grupo no Facebook mas gostaria de lhes relatar como tudo começou. Tem sido um trabalho conjunto de muita intensidade, harmonia e entusiasmo que faz com que as distâncias entre nossos países não existam e que nossas diferenças sejam um enriquecimento ao invés de um impecilho.

Com esse pensamento, gostaria de começar essa coluna e de convidá-los a contruí-la comigo: a fazerem comentários, a exercerem a crítica construtiva, a falarem de vivências e e visão de futuro e a exprimirem seus sonhos. Assim, também, gostaria de estimulá-los a partilhar suas decepções, seus fracassos e suas dificuldades para que possamos crescer juntos em busca de alternativas.

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O papel da comunidade no bilinguismo que envolve uma língua de herança

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Por Felicia Jennings-Winterle, Coluna Educação Bilíngue
Atualizado em Outubro/2016, com a contribuição de Fernanda Krüger, Renata Molina e Carla Pontes.

Se dois pensam melhor que um e uma andorinha não faz verão, educar crianças bilíngues é algo que requer o apoio de uma comunidade inteira. Em anos passados, costumava ouvir entre pais e mães, de primeira viagem e experientes, que tinham recém mudado para fora do Brasil ou que já estavam por aqui há muito tempo, que “não conheciam nenhum brasileiro”, não tinham amigos e se sentiam sozinhos. Esses eram, inclusive, motivos pelos quais muitos desistiam de falar português com seus filhos.

Essa é (e sempre foi) uma dura faceta da realidade de quem mora fora: já que não temos familiares por perto, precisamos de substitutos. Por isso, os amigos que aqui fazemos têm um papel fundamental. Agora imagina fazer parte de um grupo de mães/pais com filhos de mesma idade, que moram próximo e que podem brincar e aprender juntos, fazendo, assim, toda a diferença na vitalidade da língua de herança (LH) de sua família?

Nesse post atualizado (a versão original foi escrita em 2012), já é possível celebrar:       no mundo inteiro já se sabe sobre o português como língua de herança (e por isso os verbos do primeiros parágrafo foram mudados do presente para o passado).

São inúmeros os grupos que se reúnem em diferentes países e maior ainda é a quantidade de recursos em sites, blogs e em grupos nas mídias sociais, especialmente no Facebook, onde pais e professores de todo o mundo podem se conhecer, trocar ideias sobre a educação bilíngue e, claro, dar palpites.

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Promover porque é preciso que uma andorinha anuncie o verão, marque eventos e encontros. Informar porque, ao trocar ideias, não só sobre as questões do bilinguismo, as famílias crescem, se tornam mais fortes. A comunidade como um todo deve ser conscientizada sobre os benefícios do ensino bilíngue e assim, aplicar políticas linguísticas em favor desse estilo de vida. Incentivar porque, convenhamos, dependendo da idade, da cidade, do país e da criança, manter a chama do bilinguismo acesa é um constante desafio. Ter um grupo de famílias na mesma situação faz deste um desafio tangível, não uma dificuldade.community-178148Uma comunidade ativa e reunida deve permitir e contribuir para a promoção e o incentivo do bilinguismo que envolve a língua de herança (LH), disponibilizando espaços e oportunidades para a realização de encontros e eventos de manifestações da cultura de herança e da local.

Às propostas pedagógicas, de natureza privada ou governamental, que cultivam valores culturais e promovem educação em e sobre a língua portuguesa (como herança, PLH) chamamos iniciativas*; e sua maior tarefa é replicar um mundo em português.

Nessas propostas a LH é contextualizada através de diversas atividades, situações e oportunidades. Promover a apropriação da cultura brasileira e da língua portuguesa por meio de vínculos sociais, afetivos e sensoriais com a língua começa em casa, mas sua continuidade deve ser em um grupo.

Uma ressalva é importante ser feita. Pais e educadores precisam estar cientes de que a aprendizagem e o desejo de falar e conviver (também) na LH florescem se houver estímulo e se as oportunidades de uso dessa língua fizerem parte dos múltiplos contextos da criança, fazendo desta uma língua útil e produtiva.

As iniciativas, os projetos, os encontros podem até existir e serem organizados na rua da sua casa, mas se você não investir um tempo especial para se envolver, essas práticas acabam desaparecendo… muitas vezes por pura falta de quórum. Com isso, as oportunidades da criança vivenciar o Brasil fora do Brasil são reduzidas, dificultando e, em alguns casos desabilitando, a manutenção da língua e da identidade de herança. O comprometimento da família e a consistência na participação de práticas sociais são, sem dúvida, essenciais no contexto de uma LH.

O PLH ganhou até uma data comemorativa
Desde 2014, dia 16 de maio é Dia do PLH. Através desta e de outras ações, a BEM e dezenas de outras iniciativas têm feito um enorme e eficiente papel de conscientização sobre essa especialidade do ensino da língua portuguesa; e em todo o mundo têm trocado informações, conhecimentos, práticas e projetos como nunca havia sido feito antes.

Você pode conhecer as diversas iniciativas que promovem o português e a cultura brasileira através da coluna Pelo Mundo. Se você conhece outra, fale para nós. Se você quiser montar uma iniciativa e precisa de orientações, entre em contato conosco.

 

Veja também:
o papel da mãe, o papel do pai, o papel dos avós, e o papel da escola no bilinguismo.

* Essa nomenclatura sintetiza outras especificações como playgroup, playschool, escola, oficina, encontros, entre outros. Sua formatação justifica-se na medida em que existe a necessidade de melhor estruturar tais propostas educativas, inclusive diferenciando-as dos modelos escolares, tais como o público, o particular e mesmo o homeschooling, e melhor capacitar os indivíduos que se colocam à frente deste movimento. Uma iniciativa é caracterizada em termos de sua frequência e expectativas pedagógicas. São chamadas de formais as iniciativas que promovem encontros mais de uma vez por semana, por pelo menos 4 horas semanais; informais são as iniciativas que promovem encontros uma vez por semana, por menos de 4 horas semanais; e esporádicas, as que promovem encontros com frequência irregular ou motivadas por comemorações de festividades, por exemplo. Tal delimitação é importante, não só em relação às expectativas que a iniciativa pretende atingir, mas também à forma como tais expectativas podem ser atingidas” (Jennings-Winterle & Lima-Hernandes, 2015, pág. 3).

 

Screen Shot 2015-10-20 at 8.49.02 PMFelicia é educadora e pesquisadora sobre o português como língua de herança. Fundadora da Brasil em Mente, é editora da Plataforma Brasileirinhos.
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