Herança ou investimento?

screen-shot-2016-10-09-at-9-50-13-pm

 

Por Felicia Jennings-Winterle
Editorial, novembro de 2016.

Você já sabe que o termo mais escrito nesta plataforma e em todos os trabalhos da Brasil em Mente é o “português como língua de herança”. Mas, por que herança?

Uma língua pode ter muitos status, quer dizer, dependendo da importância que ocupa na mente e no contexto de seu falante, pode ser materna, estrangeira, segunda, de imigração, de herança. Em cada contexto (informal, acadêmico) usa-se mais ou menos uma certa terminologia. Todas elas têm a ver com o nível de conhecimento e proficiência em um idioma e claro, têm a ver com as visões locais (de diferentes países) sobre multilinguismo, multiculturalismo, imigração, cultura… as tais políticas linguísticas.

Continuar lendo “Herança ou investimento?”

Anúncios

Língua de herança é língua de criança?

screen-shot-2016-10-09-at-9-50-13-pm

 

Por Felicia Jennings-Winterle
Editorial Outubro/2016

Você já deve ter percebido que eu gosto de uma data comemorativa, não é? Por que não aproveitar a festa do mês, a notícia do dia ou o sentimento do momento para fazer uma boa reflexão?

Outubro é o mês das crianças, do Dia das Crianças. Não vou discutir a origem desse data, nem a questão do consumismo que ela pode (ou não) gerar. Não vou me deter a clichês reafirmando pela milésima vez algo que todos deveríamos ter na ponta da língua, grudado na mente que nem chiclete: “todo dia é dia da criança”; mas todo dia negligenciamos as crianças. Essas pequenas pessoas passam por absurdos em todo o mundo e bem perto de nós são forçadas a se tornarem, de um jeito ou de outro, mini-adultos. É realmente um papo triste e um que merece nossa atenção e discussão. Continuar lendo “Língua de herança é língua de criança?”

Você conhece o BraZil com S – documentário sobre o PLH?

Convidamos você a (re)assistir ao documentário BraZil com S – a língua portuguesa no exterior.
Você já assistiu e se emocionou pelo menos 1 vez? Compartilhe! Queremos viralizá-lo.
A nossa meta é chegar a 50,000 “assistidas”.
Topa o desafio?
Produzido em 2012 pela BEM e pela B2 Conteúdo, com o patrocínio do Consulado Brasileiro de NY, abrange de maneira tocante o que é a língua de herança e porque sua manutenção é tão importante entre as famílias de imigrantes que vivem no exterior.

O que acontece quando se junta o Portunhol com o Espanguês?

Por Carla Scheidegger
Coluna Pelo Mundo

EspanhaQuais são as vantagens e os desafios do ensino de PLH em países de língua espanhola? No Brasil, muitas pessoas afirmam falar Portunhol com certo orgulho, como se isso fosse algo positivo. Porém, pessoas que vivem em países de língua espanhola nem sempre veem isso da mesma forma. Pelo Mundo desse mês traz uma entrevista com as coordenadoras da iniciativa Brasileirinh@s em Málaga – Fátima Lobão Fernanda Rotondaro da Silveira, Lisa Rech e Sandra Sainz Fernández – sobre o ensino de PLH a crianças que tem como língua dominante o espanhol.

screen-shot-2016-09-12-at-10-43-23-pm

Carla Scheidegger > Bom dia, meninas. Outro dia estava conversando com uma amiga que aprende latim e pensei em traçar um paralelo entre a língua dominante espanhola e o aprendizado de PLH. Na percepção de vocês, quais são as VANTAGENS para as crianças que falam espanhol no aprendizado de PLH?

Brasileirinh@s em Málaga >> Das línguas românicas, o português e o espanhol são as línguas com mais semelhanças e isso pode fazer com que as crianças tenham alguma vantagem no aprendizado de PLH. As semelhanças morfológicas, sintáticas, semânticas e fonéticas das duas línguas fazem com que elas consigam avançar rapidamente no processo de aprendizado. Tivemos um relato de uma mãe que dizia que os filhos até lá pelos 4 anos, pensavam que se tratava da mesma língua. Costumamos dizer aos alunos de PLE (Português como Língua Estrangeira) que são hispano-falantes que saber espanhol é saber 85% da Língua Portuguesa. No caso das crianças que possuem o Português como Língua de Herança, esta porcentagem ajuda bastante! No geral, para elas é fácil entender a língua – a maioria entende tudo (ou uma grande parte).

Carla > Se falar espanhol como língua dominante pode facilitar no entendimento da língua portuguesa, quais seriam as DIFICULDADES no aprendizado de PLH?

Brasileirinh@s em Málaga >> Talvez o principal desafio consista justamente em separar o que é espanhol do que é português e, principalmente, o fato de que nem sempre as famílias conseguem falar exclusivamente em português. Assim, misturam as duas línguas e acabam se comunicando no nosso “inimigo” portunhol. Inimigo porque a proximidade das línguas é tanta que, às vezes, é realmente de forma inconsciente que mães ou pais (ou casais) brasileiros falam portunhol achando que estão falando português. As crianças, se nascidas aqui na Espanha e quase sem contato com a língua portuguesa através das famílias, podem achar perfeitamente que o “portunhol” e o português são a mesma coisa. Segundo nos contam algumas famílias, outro grande desafio é enfrentar o “NÃO pertencer” a um grupo social quando falam português somente com os pais. Os amigos os consideram estranhos por terem pais que falam outra língua. Eles têm que estar constantemente se justificando.

Carla > E quais seriam os DESAFIOS enfrentados pelos pais e como eles lidam com eles?

keep-calm-hablo-portunholBrasileirinh@s em Málaga >> Alguns pais confessam ter dificuldade em comunicar-se exclusivamente em português na presença dos filhos, porque a maioria passa grande parte do dia falando espanhol. Outros admitem, inclusive, serem incapazes de falar português. Há os que assumem que escorregam no “portunhol”. Algumas pessoas manifestam que sentem vergonha de falar a língua portuguesa com suas crianças na frente de espanhóis. Já outros que falam português, revelam sofrer certo preconceito por parte de espanhóis. Por fim, os pais que conseguiram estabelecer a língua portuguesa como única com as crianças e afirmam que não teriam outra forma se relacionar afetivamente com os filhos.

 
Carla > Outro dia conversei com a diretora de uma organização que ensina alemão como segunda língua aqui na Alemanha e mencionei “língua de herança”. Os olhos dela brilharam porque ela não conhecia este termo e logo entendeu seus significado. Na opinião de vocês, por que as famílias que vivem em Málaga deveriam investir esforços com o PLH, se falar espanhol, portunhol ou espanguês ja é mais do que meio caminho andado para o entendimento do Português?

Brasileirinh@s em Málaga >>  As famílias que participam do “Brasileirinhos em Málaga”, na sua maioria, afirmam querer transmitir não apenas a língua mas também todo o referente aos costumes, tradições, cultura etc. Acreditamos que os pais e as mães que procuram o “Brasileirinhos em Málaga” são conscientes da necessidade de que as suas crianças se relacionem com outras das mesmas características e esta é a primeira forma de enfrentar os desafios. Para muitas destas famílias é fundamental que as crianças tenham um espaço onde o português deixe de ser apenas a língua que se fala em casa (pelo pai, pela mãe ou por ambos) e que passe a ter valor para as suas crianças na formação como pessoa, que poderá se relacionar com familiares tanto no Brasil como aqui na Espanha quando vierem de visita. Poder proporcionar situações nas quais as crianças se encontrem e vivam experiências com outras crianças nas me
smas situações que elas é muito enriquecedor para todos os membros da família, e principalmente, um fator fundamental para o desenvolvimento da autoestima da própria criança.

+ Assista aqui ao vídeo dos Brasileirinh@s em Málaga no projeto Dona Terra.

Carla > Se vocês pudessem deixar uma frase de INCENTIVO ao ensino e aprendizado de PLH nos países de língua espanhola, qual seria?

Brasileirinh@s em Málaga >> Por mais que a tarefa seja difícil, pensem na satisfação de, no futuro, as crianças reconhecerem o valor desta herança. A recompensa deste esforço vem ao ver crianças, que em muitos casos nunca foram ao Brasil, se identificarem com a cultura e conversarem c
m outras pessoas brasileiras de igual para igual. Aconselhamos aos pais serem constantes e perseverantes na manutenção da língua e cultura, dar acesso a livros, músicas, objetos, filmes etc. Ter em casa um pouquinho do nosso Brasil, mesmo que simbolicamente!

Carla > Obrigada!
Brasileirinh@s em Málaga >>O prazer foi todo nosso em poder participar nesta entrevista!

 

 

Screen Shot 2016-02-16 at 7.27.27 AMNascida em São Paulo e criada no interior paulista, herdou a língua e a cultura alemãs dos meus pais. Estudou Comunicação Social na ESPM e pós-graduei na Fundação Getúlio Vargas, sempre com a certeza de que meu futuro seria longe do Brasil. Há 13 anos vive na Alemanha, trabalhando internacionalmente e valorizando cada vez mais a diversidade.

 

© Nosso conteúdo é protegido por direitos autorais. Compartilhe com o link, citando: Plataforma Brasileirinhos, Brasil em Mente.

Por que relacionamos setembro ao verde e amarelo?

Por Felicia Jennings-Winterle
Editorial – Setembro/2016

Mês de setembro. Fim do verão no hemisfério norte, onde muitos de nós moram. Volta às aulas e às atividades extracurriculares, entre elas aquelas que envolvem o português como língua de herança. Mês de Brazilian Day em diversas cidades do mundo com shows dos globais da moda, cujos nomes a maioria de nós nem conhece. Mês de vestir verde e amarelo. Mês do 7 de setembro, da tradicional parada militar que, se parecia forçada em anos anteriores, nesse ano pareceu uma grande piada.

Continuar lendo “Por que relacionamos setembro ao verde e amarelo?”