Jabuti digital: Conhecendo os livros aplicativos vencedores

Por Aline Frederico
Coluna High Tech

O Prêmio Jabuti é o maior prêmio do mercado editorial brasileiro, premiando os melhores do ano em diversas categorias, entre ficção e não ficção, texto e ilustrações, além de, desde o ano passado, melhor livro infantil digital. Nesse ano a premiação ocorreu em 24 de novembro e, como você já sabe, duas autoras do mais alto calibre e embaixadoras da Brasil em Mente estão entre os premiados: Ana Maria Machado e Susana Ventura.

Nesse post, você vai conhecer melhor os livros aplicativos vencedores da categoria infantil digital.

Pequenos Grandes Contos de Verdade, de Oamul Lu e Isabel Malzoni, Editora Caixote (1º Lugar) USD 1.99
O Pequenos Grandes Contos de Verdade é um dos melhores livros aplicativos infantis já produzidos no Brasil. Contêm 3 histórias que tem como pano de fundo o tema da solidariedade, fazendo leitores de todas as idades sentirem aquela energia boa que vem de realizar pequenos gestos que fazem a vida de alguém um pouquinho melhor. As histórias são inspiradas em fatos reais mas contadas com toda a poesia do texto literário no formato de livro ilustrado interativo. As ilustrações são lindíssimas e o passo das histórias, suave. Em alguns momentos, o leitor pode participar das histórias por meio de interações simples mas cheias de significados. As histórias estão disponíveis em português e em inglês, mas há ainda a opção “leitura especial”, em que pais avós ou até mesmo a própria criança podem gravar sua leitura em voz alta e várias leituras podem ficar armazenadas no aplicativo.

O aplicativo está disponível para iPhone e iPad pela Apple AppStore, na versão lite, em que a primeira história é gratuita e as demais podem ser compradas dentro do aplicativo, ou na versão completa, que custa USD 1.99.

iPad lite

iPad original

iPhone lite

iPhone original

 

Mãos Mágicas – de Tereza Yamashita & Suppa, Editora Sesi-SP (2º Lugar), USD 1.99
Mãos mágicas é um aplicativo baseado num livro impresso de 2013 que conta a história de dois irmãos, Quadradinha e Fininho de Papel. Um dia Fininho é levado pelo vento e, na busca por seu irmão, Quadradinha se transforma, se dobrando todinha, em diversos animais que ela encontra pelo caminho. Um dia, finalmente, Quadradinha encontra o irmão na casa de Sadako, uma menina que domina a arte do origami. As ilustrações da premiada Suppa são vivas e ricas em texturas que remetem aos papéis de origami.

Por meio da interatividade o leitor pode expandir a história, gerando som e movimento nos personagens. Ao clicar em “INICIAR” no aplicativo, o leitor tem a história lida em voz alta. Se escolher “LER VOCÊ MESMO”, essa opção aparece desligada, mas os efeitos sonoros relacionados aos personagens ainda ficam ativos.

O livro poder ainda ser uma ótima oportunidade para conversar sobre a cultura e imigração japonesa no Brasil, e como, assim como os imigrantes japoneses levaran sua cultura e a arte do origami quando foram ao Brasil, nós, brasileiros e brasileirinhos, trazemos o PLH e outras referências culturais do Brasil aos países em que vivemos.

O app está disponível para iPad pela Apple AppStore.

 

Chove Chuva – Aprendendo com a Natureza: Sabedoria Popular, de Magali Queiroz, Alis Editora (3º Lugar) £2.44
Em Chove Chuva, Flora descobre, observando o ambiente da fazenda onde vive, sinais que indicam a chegada da chuva. Sinais conhecidos pela sabedoria popular, neblina nas montanhas, noites sem estrelas, sapos pulando, agitados, animais juntinhos em baixo das árvores, cigarras em sinfonia e nuvens escuras que se encontram no céu indicam: lá vem água! As ilustrações são bem-humoradas e personificam animais, nuvens, lua, gotas de chuva.

Aqui também o leitor pode escolher entre “leia pra mim”, em que um narrador conta a história de modo cativante, ou “eu mesmo meio”, em que a história aparece de maneira silenciosa. Diferentemente dos exemplos anteriores, esse aplicativo não possui interatividade, e o no modo “leia pra mim”, as cenas são mudadas automaticamente conforme o o narrador termina de ler aquela página. O texto é destacado em amarelo conforme é lido, indicando ao leitor a relação entre palavra escrita e falada, o que algumas correntes acreditam facilitar no processo de alfabetização. Ao final da leitura, há uma série de jogos simples como memória, quebra-cabeça e ligue os pontos que usam imagens e elementos relacionados à história.

O app está disponível para dispositivos com sistema Android pela loja Google Play

Nessa época Natalina, esses livros aplicativos podem ser uma boa dica de presente que amigos e parentes no Brasil podem dar aos brasileirinhos, promovendo diversão e literatura em português! Melhor ainda se for acompanhado de uma ligação por Skype pra ler a história junto com a família no Brasil ou conversar sobre os temas que são tratados nesses livros.

 

Screen Shot 2016-03-28 at 7.29.22 PMAline Frederico é pesquisadora e doutoranda em literatura infantil na Universidade de Cambridge e pesquisa livros infantis interativos no iPad. Colabora com o recém-nascido blog Literatura Infantil Digital e coordena o projeto Historinhas em Cambridge de contação de histórias em português. Na Plataforma Brasileirinhos, Aline comanda a coluna High Tech.

 

 

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O prêmio Jabuti

Por Cristina Marrero
Coluna Lendo

No dia 24 de novembro aconteceu em São Paulo a cerimônia do 58o Prêmio Jabuti. Talvez você, leitor desta coluna, já tenha ouvido falar sobre este que é considerado o mais importante prêmio de Literatura no Brasil. O Prêmio Jabuti chega a 2016 bem diferente de como ele começou, no final da década de 50. Em 1957, a Câmara Brasileira do Livro, presidida por Edgar Cavalheiro, buscava uma forma de premiar autores, livros, ilustradores e editoras. As discussões se extenderam por um tempo e em 1958, o então presidente da CBL, Diaulas Riedel confirmou a escolha do jabuti como figura para nomear o prêmio e realizou um concurso para a escolher a estatueta, o vencedor foi o escultor paulista Bernardo Cid de Souza Pinto. No final de 1959 aconteceu a primeira solenidade de entrega do prêmio e Jorge Amado ganhou na categoria Romance com a obra Gabriela, Cravo e Canela.

E talvez você se pergunte, por que um jabuti? A explicação faz todo o sentido quando olhamos para o ambiente cultural e político do Brasil naquele momento. A década de 50 ainda respirava os ares trazidos pelo Modernismo, com fortes traços nacionalistas e uma exaltação à cultura popular brasileira. Um dos nomes mais lembrados entre os escritores modernistas é o de Monteiro Lobato que levou para suas histórias personagens e lendas do folclore nacional. O jabuti ganhou vida e personalidade no imaginário de Lobato onde aparece como uma “tartaruga vagarosa, mas obstinada e esperta, cheia de tenacidade para vencer obstáculos”. Por suas características, o simpático quelônio ganhou a simpatia da CBL e foi eleito para inspirar e patrocinar o prêmio.

Atualmente, o prêmio tem 27 categorias, desde as mais tradicionais como Romance, Poesia, Contos e Crônicas mas também aquelas que premiam Traduções, Ilustrações, Capas e projetos Gráficos e até Livro Infantil Digital, mostrando como o prêmio se repagina e se atualiza para responder a todas as mudanças editoriais.

Neste ano, duas escritoras muito queridas para nós da Brasil em Mente estavam entre as finalistas. Ana Maria Machado e Susana Ventura, ambas escritoras maravilhosas, embaixadoras da BEM e porta-vozes incansáveis do Português como Língua de Herança, tiveram seus livros escolhidos entre os finalistas na categoria Adaptação, onde são contemplados livros compostos por uma nova redação de obras anteriores ou transpondo linguagens como por exemplo, da verbal para a visual.

 

Em “Histórias Russas”, Ana Maria Machado nos brinda com quatro contos: O Pássaro de Fogo, o Fabuloso Arqueiro e o Cavalo Mágico, O Lobo Cinzento, O Belo Falcão Finist e O Velho e O Mar. Este livro faz parte da coleção Histórias de outras terras que a escritora lançou pela Editora FTD, ele se junta a Histórias greco-romanas, Histórias chinesas, Histórias árabes e Histórias africanas.

Segundo a escritora, esta coleção não é uma proposta de pesquisa etnográfica mas sim uma realização literária derivada de sua paixão pelos contos de outros lugares, paixão que nasceu na sua infância, ela e seus irmãos de deleitavam com a coleção Os mais belos contos de fada, composta de contos de lugares longínquos mas que graças à magia do livro se faziam cercanos e encantadores. Ana Maria Machado quis trazer todo esse encanto para as crianças de hoje e com o seu dom de contar e recontar, nós leitores ganhamos um mundo todo ao alcance de nossas mãos.

O segundo livro finalista é “Contos Mouriscos – A magia do Oriente nas histórias portuguesas” escrito em conjunto por Susana Ventura e Helena Gomes e, começando pela capa até o coração dos 17 contos que o compõe, o livro é de uma delicadeza ímpar.

As aulas de História nos ensinam sobre o o domínio dos árabes na Península Ibérica durante séculos, as marcas na arquitetura, as heranças no vocabulário, os vastos conhecimentos de Astronomia e Matemática.

Mas há muito mais: entre as lutas entre cristãos e mouros havia também histórias de amores impossíveis, príncipes valentes, tesouros escondidos. Raparigas fortes e decididas, javalis enfeitiçados, pescadores e pastores, personagens que habitam num mundo mágico. As autoras recontam as histórias de uma forma particular, como o título nos avisa, a magia do Oriente nas histórias portuguesas, assim é possível sentir o doce sotaque lusitano a cada história apresentada, através do vocabulário e do ritmo.

A semana de premiação já passou e as nossas queridas escritoras não levaram a estatueta para casa. Mas mesmo sabendo que o Jabuti é uma das mais maiores honrarias, ele não é o único. Acredito que o prêmio está no reconhecimento que o leitor faz, no prazer de saber que o livro tocou o coração do leitor e o marcou de alguma maneira. É evidente que ganhar é muito bom e afirmo como leitora que nós ganhamos um prêmio com a publicação destes dois livros lindos.

 

10520087_10205119346253278_826309639437374543_nCristina ama literatura infantojuvenil e por isso, faz as aventuras, descobertas e fantasias chegarem até você através de dicas e reviews de livros. Cristina é diretora da Biblioteca Infanto-juvenil Patricia Almeida, um departamento da Brasil em Mente.

 

logo_BIBPA Associe-se já à biblioteca infanto-juvenil brasileira Patricia Almeida. A BIBPA está a sua espera com diversos títulos das autoras Ana Maria Machado e Susana Ventura. Você pode receber livros em sua casa, em todo os EUA.
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